Sonda orbital da NASA descobre nova cratera na Lua, considerada “única em um século”

WASHINGTON, D.C, EUA – Tudo começou como uma verificação de rotina da qualidade dos dados. Mas, enquanto Robert Wagner, cientista da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA, examinava um mapa lunar gigante na tela do computador, uma mancha brilhante incomumente grande, circundada por um halo escuro, chamou sua atenção, pois indicava que o material da superfície naquela área havia sido agitado.

“Eu simplesmente parei, larguei tudo e comecei a investigar o que era aquele ponto”, disse Wagner, especialista em processamento de imagens da Intuitive Machines, que trabalha com dados do sistema Lunar Reconnaissance Orbiter Camera (LROC).

Ao comparar imagens da Lua antes e depois de sua formação, Wagner percebeu que havia descoberto a maior cratera recém-formada já encontrada no sistema solar, conforme relataram cientistas na quarta-feira na revista Science Advances.

Essa descoberta destaca a importância dos dados da sonda lunar da NASA para o estudo de uma paisagem dinâmica, à medida que a agência avança com a presença humana contínua e a expansão das atividades científicas e comerciais na Lua.

Uma vista ampliada da cratera McGetchin, circulada à esquerda, ao lado de uma imagem “antes” à direita. O painel da esquerda foi criado a partir de imagens capturadas pela câmera grande angular do Orbitador de Reconhecimento Lunar da NASA no verão de 2025; o painel da direita foi criado a partir de imagens tiradas na primavera de 2011. A mancha branca não é a cratera em si, mas sim material ejetado dela, que se formou quando uma rocha, possivelmente do tamanho de um prédio de três a seis andares, colidiu com a Lua entre 11 de abril e 22 de maio de 2024 – um evento que ocorre uma vez a cada século, como relataram cientistas em 15 de setembro de 2026, em dois artigos publicados na revista Science Advances. A área mostrada nas imagens tem 61 quilômetros de largura. Foto: NASA Goddard/Intuitive Machines/Robert Wagner

Oficialmente batizada de McGetchin em homenagem ao pioneiro cientista lunar Tom McGetchin, a cratera se formou na borda leste da Lua em algum momento entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, após um cometa ou asteroide do tamanho de um prédio de três a seis andares atingir a superfície.

Esta vista lateral (55° em relação à linha vertical) em direção ao leste cobre uma área da Lua com cerca de 2,4 quilômetros de largura. A imagem foi capturada pela Câmera de Ângulo Estreito do Orbitador de Reconhecimento Lunar da NASA em 3 de março de 2026. Foto: NASA Goddard/Intuitive machines

O impacto deixou uma cratera de 222 metros de largura, equivalente ao comprimento de dois campos de futebol. E com 43 metros de profundidade, a cratera poderia abrigar três ônibus escolares amarelos empilhados verticalmente.

Os cientistas estimam que um impacto dessa magnitude ocorre na Lua aproximadamente uma vez por século, ou até com maior frequência.

A Lua leva alguns golpes

Por mais de 17 anos, a LRO tem orbitado a Lua e usado seus sete instrumentos para mapear a topografia, a composição da superfície, a temperatura e o ambiente de radiação do planeta. A equipe da espaçonave identificou pelo menos 1.000 novas crateras de impacto ao longo da missão e registrou mais de 100.000 alterações na superfície causadas por objetos que colidiram com a Lua ou pelos detritos lançados para fora dela.

Sem atmosfera para desacelerá-los ou queimá-los, rochas espaciais e outros objetos atingem facilmente a superfície lunar. A maioria é muito menor em comparação com o objeto que esculpiu a cratera McGetchin. As menores crateras que os cientistas conseguem distinguir nas imagens da LRO têm cerca de 9 metros de largura, o comprimento de um prédio de três andares deitado de lado, formadas por rochas com cerca de 1,1 metro de diâmetro, o tamanho de um pneu de caminhão monstro.

Os cientistas estimam que impactos dessa escala produzem cerca de 140 novas crateras na Lua a cada ano. Mas a maioria das novas crateras é formada por projéteis microscópicos que deixam buracos pequenos demais para serem identificados em imagens orbitais.

Com seus inúmeros instrumentos, a espaçonave consegue observar mudanças na superfície lunar que não são aparentes apenas nas imagens da LROC. Após a descoberta da cratera, cientistas que trabalhavam com o instrumento térmico da LRO, o Diviner, fizeram observações de acompanhamento do local. Eles descobriram uma área de 6,4 quilômetros de diâmetro ao redor da cratera que é cerca de 9 graus Celsius mais fria à noite do que seus arredores.

Mapa de temperatura animado que alterna entre duas imagens. Uma faixa vertical no centro pisca, revelando uma área circular azul-escura ao redor de um pequeno ponto branco próximo ao centro. O mapa azul-claro também contém manchas e anéis amarelos, laranjas e vermelhos dispersos, incluindo uma grande área curva vermelha e amarela perto da parte inferior central. Uma escala de 5 quilômetros aparece no canto inferior esquerdo, e uma legenda de cores varia de 90 kelvin em azul-escuro a 130 kelvin em vermelho-escuro.
Este conjunto de imagens animadas mostra uma área no limbo leste da Lua antes e depois da formação da cratera McGetchin, ocorrida entre 11 de abril e 22 de maio de 2024. A imagem pós-impacto foi construída usando dados coletados pelo instrumento térmico Diviner, da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA, entre 15 de novembro de 2025 e 18 de fevereiro de 2026, após os cientistas descobrirem a cratera em imagens de luz visível capturadas pela câmera grande angular da LRO. As temperaturas pré-impacto são provenientes dos Mosaicos Globais de Alta Resolução (GHRM) do Diviner. A cratera se formou na Lua após um cometa ou asteroide, possivelmente do tamanho de um prédio de seis andares, atingir a superfície em uma colisão rara, que ocorre uma vez a cada século. A faixa azul escura que surge rapidamente revela uma “zona fria” de 6,4 quilômetros de largura ao redor da cratera, que é cerca de 8 graus Celsius mais fria à noite do que a área circundante. Esse resfriamento ocorre porque um impacto afofa o regolito ao redor de uma cratera, tornando-o menos denso e, portanto, menos capaz de reter calor. Os cientistas da equipe Diviner relataram essa descoberta em um artigo publicado em 16 de setembro de 2026 na revista Science Advances. Os pontos vermelhos e amarelos indicam áreas tipicamente associadas a rochas escavadas por impactos antigos que, embora ainda em temperaturas criogênicas como seus arredores, permanecem ligeiramente mais quentes à noite. NASA Goddard/UCLA/JHU APL

Artigo desenvolvido por Lonnie Shekhtman, escritora sênior da NASA, e disponibilizado publicamente no site do governo americano Science/NASA.

O impacto dos Data Centers nas cidades: barulho constante, calor e consumo elétrico

Por trás de serviços como inteligência artificial, armazenamento em nuvem, streaming e aplicativos existe uma infraestrutura que raramente é vista pelo usuário: os data centers.

São grandes complexos de servidores que funcionam praticamente sem interrupção e precisam de enormes quantidades de eletricidade, sistemas de refrigeração e equipamentos de segurança para permanecer operando 24 horas por dia.

O crescimento acelerado da inteligência artificial transformou essas instalações em uma das novas fronteiras da infraestrutura tecnológica mundial.

Mas a expansão também está produzindo um efeito que começa a aparecer diretamente nas comunidades próximas: quanto maior o data center, maior tende a ser sua demanda por energia, refrigeração e equipamentos industriais e, em determinadas situações, impacto sonoro sobre a vizinhança.

A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que o consumo mundial de eletricidade dos data centers aumentou 17% em 2025. A projeção da agência é que esse consumo mais que dobre até 2030, chegando a aproximadamente 945 TWh por ano. O crescimento é puxado principalmente pela inteligência artificial e pela expansão dos serviços digitais.

O dado mais importante, entretanto, não está apenas no número global. O problema é a concentração. Um data center pode representar uma carga elétrica gigantesca em uma área relativamente pequena.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), esses empreendimentos são grandes cargas elétricas e que sua expansão já influencia o planejamento da transmissão brasileira, além de provocar aumentos de carga em determinadas regiões.

O barulho que nunca dorme

Um dos impactos menos conhecidos está relacionado ao sistema de refrigeração. Servidores produzem calor continuamente e precisam ser resfriados para evitar falhas.

Sistemas industriais de refrigeração de um Data Center nos EUA. © Área Militar/Reprodução

Para isso, data centers utilizam grandes sistemas de ventilação, chillers, bombas, torres de resfriamento e outros equipamentos que podem permanecer em funcionamento durante todo o dia.

O resultado pode ser um ruído contínuo, diferente daquele provocado por uma obra ou por um caminhão que passa ocasionalmente. Em determinadas instalações, o problema é justamente a permanência do som.

Um estudo publicado em 2026 sobre os impactos dos data centers na Virgínia, nos Estados Unidos, descreveu níveis de aproximadamente 40 a 59 decibéis em determinados ambientes próximos a essas instalações, associando o ruído principalmente aos sistemas de refrigeração e geradores. O estudo ressalta, porém, que os níveis variam de acordo com o projeto, distância, equipamentos e condições locais.

Para entender o que isso representa, uma conversa normal costuma ficar em torno de 60 dBA, enquanto uma biblioteca pode estar próxima de 40 dBA, segundo referências do CDC/NIOSH americano.

Portanto, o problema de um data center localizado próximo a residências não precisa necessariamente ser um som extremamente alto para causar incômodo: um ruído relativamente moderado, mas contínuo, pode ser percebido principalmente durante a noite, quando o ambiente fica mais silencioso.

É justamente aí que os decibéis podem enganar. A escala de decibéis é logarítmica, e não linear. Isso significa que uma diferença aparentemente pequena no número indicado pelo medidor pode representar uma diferença relevante na intensidade sonora.

Especialistas realizando manutenção em Data Center da Amazon. © Área Militar/Reprodução

A Organização Mundial da Saúde considera o ruído ambiental um fator de risco para a saúde e relaciona exposições excessivas a problemas como perturbação do sono, efeitos cardiovasculares e redução do bem-estar. Nas suas recomendações para ruído noturno, a OMS utiliza níveis bastante inferiores aos 85 dBA normalmente associados ao risco ocupacional de perda auditiva.

Isso é importante porque ruído de data center e risco de perda auditiva não são necessariamente a mesma questão. Uma instalação pode não produzir níveis capazes de provocar dano auditivo e, ainda assim, gerar incômodo, dificuldade para dormir ou sensação de ruído permanente.

O consumo elétrico equivalente a 100 mil residências

Se o barulho é o impacto que o morador consegue perceber, a eletricidade é provavelmente o maior desafio estrutural.

Data centers modernos podem demandar dezenas ou até centenas de megawatts. E instalações voltadas à inteligência artificial tendem a concentrar equipamentos de computação de alta densidade, aumentando a necessidade de energia e refrigeração.

A IEA calcula que um data center voltado para inteligência artificial pode consumir eletricidade equivalente à demanda de aproximadamente 100 mil residências. As maiores instalações em construção podem chegar a aproximadamente 20 vezes esse nível.

Supercomputadores de Data Centers nos EUA. © Área Militar/Reprodução

Nos Estados Unidos, um estudo atualizado do Lawrence Berkeley National Laboratory estima que os data centers poderão representar cerca de 11,8% do consumo total de eletricidade do país em 2030, embora exista uma faixa de cenários entre 9,5% e 15,3%.

No Brasil, a dimensão ainda é diferente, mas a preocupação já chegou ao planejamento oficial. A EPE acompanha o setor justamente porque grandes data centers podem alterar a demanda local e regional e exigir planejamento de transmissão e geração para que a rede consiga atender essas novas cargas.

Um exemplo recente mostra como essa pressão pode aparecer regionalmente. Na área de concessão da CPFL Energia, a demanda de energia associada a data centers cresceu 35,8% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela empresa à CNN Brasil.

O impacto é local e muito concentrado

Existe uma característica que diferencia um data center de uma indústria convencional: ele pode ocupar uma área relativamente limitada e, mesmo assim, demandar uma quantidade extraordinária de energia. É por isso que o impacto pode ser muito concentrado.

A IEA destaca que os data centers representam uma parcela relativamente pequena do consumo global de eletricidade, mas seus efeitos locais podem ser muito mais significativos porque essas cargas estão concentradas geograficamente. Nos Estados Unidos, quase metade da capacidade de data centers está concentrada em apenas cinco grandes agrupamentos regionais.

Houthis avançam para dominar o sul do Iêmen Ocidental, preocupando as grandes potências

Os houthis ampliaram nos últimos dias sua ofensiva no Iêmen e avançaram pela costa do Mar Vermelho em direção ao sul, conquistando posições consideradas estratégicas para o controle do acesso ao estreito de Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis em direção ao sul do Iêmen Ocidental.

O movimento colocou o grupo armado, apoiado pelo Irã, em uma posição de maior influência sobre uma das principais rotas marítimas entre o Oriente Médio, a África e a Europa. Entre os pontos conquistados estão a cidade portuária de Mokha, a cidade costeira de Dhubab e a ilha de Perim, localizada dentro do próprio estreito.

Os houthis ainda não controlam todo o sul ou o leste do Iêmen. O objetivo imediato da ofensiva parece estar concentrado em ampliar o domínio da costa oeste e chegar a posições que permitam controlar ou ameaçar diretamente o Bab el-Mandeb. Aden, Hadramaut e Al Mahrah que continuam em mãos de forças adversárias ou de grupos locais aliados ao governo reconhecido internacionalmente.

Os desejos imediatos dos houthis

O primeiro objetivo é consolidar o controle da costa do Mar Vermelho. A tomada de Mokha representa um avanço importante porque amplia a área costeira sob domínio houthi e aproxima o grupo do Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis sobre o pontal da ilha de Perim, território também chamado de Mayyun até então dominado pelas Forças de Resistência leais ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.

A ilha de Perim é ainda mais significativa: ela está localizada dentro do estreito e divide suas rotas marítimas. Isso aumenta a capacidade dos houthis de ameaçar embarcações que utilizam essa passagem.

O segundo objetivo é transformar o controle territorial em poder de negociação. Os próprios houthis afirmam que querem o fim do que classificam como bloqueio contra o território que controlam, liberdade de circulação pelos portos e aeroportos, troca de prisioneiros e acesso às receitas provenientes do petróleo para financiar salários e serviços públicos.

Analistas avaliam que a expansão militar também pode proporcionar ao grupo uma posição muito mais forte nas negociações políticas.

Existe ainda uma terceira dimensão: a guerra do Iêmen está ligada à disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Estados Unidos e outros atores do Oriente Médio.

O Irã apoia os houthis, embora o grupo possua sua própria agenda política e militar. Com o estreito de Ormuz sob forte pressão e o Bab el-Mandeb também ameaçado, Teerã passa a contar com mais de um ponto estratégico capaz de pressionar o comércio internacional e os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados.

O Bab el-Mandeb é uma espécie de “porta de entrada” do Mar Vermelho. Quem navega pelo oceano Índico em direção ao Canal de Suez precisa passar por essa região para alcançar a rota marítima que conecta a Ásia à Europa.

Isso significa que a expansão houthi não é apenas uma questão de território dentro do Iêmen. Se o grupo conseguir manter posições militares próximas ao estreito, poderá ameaçar navios comerciais, petroleiros e outras embarcações que utilizam uma das principais artérias do comércio mundial. Dados citados pelo Washington Post apontam que cerca de 8,7% do comércio marítimo mundial passa pelo Bab el-Mandeb, incluindo parcela significativa do transporte de petróleo e derivados.

Quanto mais território estratégico os houthis conquistarem, maior será sua capacidade de pressionar seus adversários. O controle da costa, dos portos e das proximidades do Bab el-Mandeb pode ser utilizado tanto militarmente quanto como instrumento de negociação.

Polícia Militar do DF inicia varredura antibombas dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) – Cães farejadores e operações especiais

A segurança do Supremo Tribunal Federal (STF) foi reforçada nesta terça-feira (15), em Brasília, com cães farejadores e atuação de operações especiais da Polícia Militar do Distrito Federal, antes da sessão extraordinária que vai analisar o caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O esquema reúne forças do Distrito Federal e órgãos federais, com emprego de equipes especializadas, cães farejadores, controle de acesso, monitoramento e compartilhamento de informações de inteligência.

Dentro desse planejamento, equipes especializadas da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) podem atuar na identificação preventiva de possíveis ameaças, incluindo a busca por artefatos explosivos.

A atuação desse tipo de equipe é especialmente importante em um prédio que receberá ministros da Suprema Corte, autoridades, servidores, jornalistas e convidados durante uma sessão considerada de grande repercussão nacional.

Como funciona uma varredura contra explosivos

Um dos principais componentes desse tipo de operação é o Batalhão de Policiamento com Cães (BPCães). A unidade emprega cães treinados para identificar substâncias específicas, inclusive materiais relacionados a explosivos.

A própria regulamentação da PMDF prevê o emprego dos cães em varreduras preventivas e em ocorrências reais envolvendo a localização de artefatos explosivos, inclusive em apoio ao Batalhão de Operações Especiais (BOPE) em operações antibombas.

Na prática, o cão trabalha junto com um policial especializado. O animal não “desarma” uma bomba: sua função é indicar a possível presença de determinado odor. A partir de uma indicação positiva, a área pode ser isolada e o procedimento passa para os especialistas responsáveis pela avaliação e eventual neutralização do artefato.

É justamente nesse ponto que entra o Batalhão de Operações Especiais. A unidade possui profissionais especializados em ocorrências de alta complexidade, incluindo gerenciamento de crises e atuação relacionada a explosivos. A PMDF descreve entre as atribuições das operações especiais o isolamento e a desativação de artefatos explosivos.

PF participa da estrutura de segurança

A Polícia Federal também integra o planejamento de segurança para a sessão. O esquema prevê compartilhamento de informações de inteligência, monitoramento do perímetro, controle do espaço aéreo e acompanhamento de drones, além da atuação conjunta com as forças de segurança do Distrito Federal e a segurança do próprio Supremo.

Nesse modelo, a inteligência tem uma função diferente da patrulha ostensiva. Em vez de simplesmente colocar policiais nas ruas, os órgãos procuram antecipar possíveis riscos, como movimentações suspeitas, concentração de pessoas, alterações no fluxo de veículos e outras informações que possam indicar uma ameaça.

O plenário do STF vai analisar principalmente a validade dos elementos produzidos a partir da investigação envolvendo Daniel Vorcaro e definir qual será o destino das informações relacionadas a Moraes.

Entre os pontos está a discussão sobre a legalidade da ordem que levou ao aprofundamento da análise do celular de Vorcaro e sobre a possibilidade de utilização das informações obtidas pela Polícia Federal.

A sessão está marcada para começar às 10h. Edson Fachin, presidente do STF e atual relator do caso, conduzirá os trabalhos. Depois da leitura do relatório, haverá manifestação da PGR e, em seguida, os ministros deverão apresentar seus votos.

Nota: A atuação dos “guerreiros” da Polícia Militar do DF é fundamental em operações de alta complexidade, garantindo proteção e resposta rápida diante de situações de risco. Com treinamento especializado, essas equipes atuam na preservação da segurança pública e na proteção de autoridades e da população em momentos críticos.

EUA quebram sigilo e revelam detalhes da maior operação de resgate de militares no Irã

Na madrugada de 2 para 3 de abril de 2026, um míssil portátil de ombro avaliado em cerca de cem mil dólares do Irã cruzou o céu montanhoso ao sul de Isfahan e atingiu o motor de um caça F-15E Strike Eagle americano de trinta milhões. A bordo, dois militares, sendo o piloto e um especialista de armas (copiloto).

O programa 60 minutes da CBS News fez revelações espetaculares ao entrevistar os principais envolvidos da mega operação de resgate, nada mais que Pete Hegseth, Brad Cooper, Dan Caine e o oficial de armas do caça abatido, aqui designado como Bravo.

Coronel de sistemas de armas do F-15E AE designado como Bravo. © Área Militar/Reprodução

O caça de dois assentos voava com o indicativo Dude 44. Na frente estava Alpha, o piloto. Atrás, Bravo, o oficial de sistemas de armas, um coronel da Força Aérea cuja identidade o Pentágono ainda protege.

A missão daquela noite era atingir instalações industriais ligadas ao programa iraniano de mísseis e drones, numa região montanhosa próxima de onde o Irã guardava material nuclear altamente enriquecido. O alvo, segundo o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos Estados Unidos, não era o sítio nuclear em si.

Cooper resumiu o ambiente com uma frase simples: havia superioridade aérea, mas ninguém estava voando sobre o Kansas, ou seja, o perigo ainda existia.

O impacto foi como ser atingido por um trem de carga. Os dois tentaram manter o F-15E no ar. Em segundos ficou evidente que isso não era mais possível.

Vista do teste de um assento ejetor utilizando uma seção da cabine de um McDonnell F-4B Phantom II no Centro de Armas Navais da Marinha dos EUA em China Lake, Califórnia (EUA). Foto: Museu Nacional da Aviação Naval da Marinha dos EUA

O sistema da aeronave atrasa a ejeção de cada assento por alguns instantes para separar a tripulação no solo. Alpha e Bravo saíram da cabine e caíram a cerca de oito quilômetros um do outro, no deserto alto do centro do Irã.

O Alpha ejetou com o paraquedas íntegro. Bravo não teve a mesma sorte. O míssil danificou parte do sistema de emergência. Os analistas militares calcularam que o especialista bateu no chão entre 112 e 160 quilômetros por hora.

Piloto do F-15E AE buscando melhor posição no terreno iraniano. © Área Militar/Reprodução

Ao amanhecer, o oficial Bravo começou a subir uma crista montanhosa de cerca de 2.100 metros com as costelas fraturadas, quase sem água e sem comida, no vento e no frio. Bravo buscou altura, cobertura e um lugar de onde pudesse se comunicar sem entregar a posição.

Enquanto isso, em Washington, o secretário de Guerra Pete Hegseth foi acordado no meio da noite. A pergunta imediata foi se a tripulação estava viva e se o Irã já sabia. A ordem que ele deu não dependia da resposta: vivos ou não, os Estados Unidos iriam buscá-los.

Dan Caine e a jornalista Norah O’Donnell para o programa 60 minutes da CBS News. © Área Militar/Reprodução

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto e antigo piloto de caça, descreveu a intenção iraniana. Havia determinação clara das forças de terra para encontrar os dois.

O Comandante Brad Cooper diria que cerca de 1.500 iranianos estavam num raio de 16 km e que alguns chegaram a poucas centenas de metros de Bravo. Havia recompensa pela captura. Cães farejaram os assentos ejetados. Vídeos começaram a circular. O relógio passou a medir a distância entre um resgate e uma caça mortal pelo regime iraniano.

Os americanos souberam primeiro que Alpha estava vivo. Seis horas depois da queda, uma força de 21 aeronaves entrou em território inimigo à luz do dia. Dois helicópteros daquele pacote foram buscar o piloto.

Dois Sikorsky HH-60 sendo reabastecidos por um C-130J adaptado para operações especiais no espaço aéreo de Isfahan, no Irã. © Área Militar/Reprodução

Hegseth descreveu o trecho como um tiroteio na ida e na volta. Um A-10 foi atingido. Um HH-60 levou tiros de armas leves. Mesmo assim, o Alpha foi extraído. A equipe aérea ainda procurou Bravo, mas não o encontrou.

Hegseth, na Sala de Situação, precisou recuar e tomar a decisão que ele próprio chamou de uma das mais duras da operação: “Vamos rolar 24”, ou seja, Bravo ficaria mais um dia sozinho pelas próximas 24 horas.

Foi nesse intervalo que a confirmação da sobrevivência de Bravo foi confirmada, não havia contato anterior de propósito para não comprometer a própria localização. Depois enviou mensagens pelo equipamento de sobrevivência, entre elas a frase “God is good”.

Houve um momento de alarme quando a decodificação inicial pareceu outra. A autenticação veio com uma pergunta que só ele poderia responder corretamente, sobre o pai.

A CIA montou uma campanha de confusão em várias frentes para convencer os iranianos de que o Bravo já estava em movimento para outra direção, na fronteira, em direção ao mar do sul, e usou tecnologia ainda classificada para cravar a posição na crista.

Então começou o que o próprio comando americano descreveu como uma das operações de resgate de combate mais complexas da história dos Estados Unidos. Pela primeira vez em 46 anos, houve botas americanas no solo iraniano.

Um Sikorsky RH-53D Sea Stallion da Marinha dos EUA colidiu com um Lockheed EC-130E Hercules da Força Aérea dos EUA. Foto: SOCOM/EUA

O Pentágono sabia que não podia repetir o fracasso da Operação Eagle Claw, ocorrida em solo iraniano em 24 de abril de 1980. Embora a nova ação também tenha acontecido em um mês de abril, o desfecho desta vez foi completamente diferente.

Mais de 90 militares de elite desceram. Centenas voaram. Milhares sustentaram a missão atrás das linhas. Os relatos apontam um pacote conjunto do Comando de Operações Especiais com a presença de Navy SEALs, com a unidade DevGru Team 6, Rangers, operadores Delta Force como força de reação, controladores de combate da Força Aérea e pararesgatistas (PJs) encarregados de chegar até o ferido.

Para isso, a operação contou com a unidade especial aérea Night Stalkers com seus MH-6 Little Birds, que fez parte da onda de 155 aeronaves: quatro bombardeiros, 64 caças, 48 reabastecedores e 13 aeronaves de resgate, além de plataformas de inteligência e interferência.

MC-130 adaptado para operações especiais no espaço aéreo de Isfahan, no Irã. © Área Militar/Reprodução

Dois MC-130 de operações especiais pousaram numa faixa improvisada no deserto. Dali saíram os MH-6 Little Birds, helicópteros leves capazes de voar até a crista a alguns quilômetros de distância.

Antes que qualquer helicoptero se aproximasse de Bravo, o CENTCOM precisou atacar o que vinha no chão. Aviões de ataque e drones abriram fogo contra comboios iranianos que avançavam na direção do oficial.

Ataques de supressão ao solo feito por drones e aeronaves de apoio para neutralizar o avanço da força iraniana. © Área Militar/Reprodução

Bombardeiros e aeronaves não tripuladas atingiram forças da Guarda Revolucionária nas proximidades do esconderijo. Estradas foram crivadas com munição de precisão para abrir crateras e impedir que colunas fechassem o cerco.

Ao longo das cerca de 50 horas das duas extrações, as forças americanas dispararam 339 munições de alta precisão para afastar e confundir o inimigo que chegou a menos de três quilômetros.

Momento do resgate do piloto Bravo nas montanhas iranianas. © Área Militar/Reprodução

A extração de Bravo aconteceu ao nascer do sol do Domingo de Páscoa como nessas imagens impressionantes desclassificadas e entregues pelo Pentágono ao 60 Minutes, com componentes sensíveis do helicóptero completamente desfocados. Mas a missão ainda não tinha acabado.

No pouso de volta à faixa improvisada, o trem de pouso dos dois aviões MC-130 afundou na areia úmida. Mais de 90 operadores e o próprio Bravo ficaram presos em solo iraniano. Uma unidade clandestina da Força Aérea teve de tirá-los dali com aeronaves mais leves.

Os dois MC-130 — cerca de cem milhões de dólares cada um — e os Little Birds foram destruídos de propósito. A ordem era não deixar radar, suíte de guerra eletrônica, modificações de fuselagem nem qualquer componente sensível nas mãos do Irã, um dos motivos de parte dos vídeos estarem desfocados.

Cinquenta horas depois da queda do Dude 44, Bravo estava a salvo. Hegseth, Caine e Cooper apresentaram a operação como prova de uma regra antiga: os Estados Unidos não deixam os seus para trás, mesmo quando isso exige dezenas de aeronaves, quase uma centena de homens no deserto iraniano e a destruição deliberada de meios caros demais para serem capturados.

Bravo foi mais direto. Disse ter fé no Criador e, logo depois, fé nos homens e nas mulheres das Forças Armadas dizendo: “É o que nós fazemos.”

Trump aponta Irã como provável responsável por ataque que atingiu oleoduto da Arábia Saudita

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 12 de setembro, que o Irã provavelmente está por trás do ataque com drones que atingiu o sistema de oleodutos Leste-Oeste da Arábia Saudita.

A declaração aumenta a pressão sobre Teerã em um momento especialmente delicado, no qual a guerra no Oriente Médio já ameaça importantes rotas utilizadas para transportar petróleo do Golfo Pérsico para os mercados internacionais.

O ataque ocorreu na quinta-feira e atingiu instalações associadas ao oleoduto que atravessa a Arábia Saudita de leste a oeste. Segundo autoridades sauditas, os drones partiram do território iraquiano. O governo do Iraque confirmou que os ataques tiveram origem em seu território e abriu uma investigação sobre o episódio.

Trump foi questionado sobre a possibilidade de o Irã estar por trás da operação e respondeu que acredita que sim, provavelmente.

A declaração do presidente americano, porém, não representa uma comprovação pública de que o governo iraniano tenha ordenado diretamente o ataque. Até o momento, o que foi divulgado é que os drones partiram do Iraque. A região também abriga grupos armados apoiados pelo Irã, embora uma das milícias iraquianas tenha negado envolvimento no episódio.

A importância do oleoduto saudita

O oleoduto Leste-Oeste possui uma função estratégica para a Arábia Saudita porque permite transportar petróleo produzido no leste do país até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Coluna de fumaça decorrente dos ataques de drones contra o oleoduto saudita. © Área Militar/Reprodução

Na prática, essa infraestrutura oferece aos sauditas uma alternativa ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das passagens mais importantes para o comércio mundial de petróleo e localizada entre o Irã e Omã.

Essa capacidade se tornou ainda mais importante durante a atual guerra. Com o tráfego pelo Estreito de Ormuz sob pressão, a Arábia Saudita passou a depender mais de sua infraestrutura terrestre para levar petróleo até o Mar Vermelho.

Aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia foram redirecionados dessa maneira do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho.

Isso transforma o oleoduto em uma espécie de rota de emergência para manter parte das exportações sauditas funcionando mesmo diante de dificuldades no Golfo Pérsico.

O risco dos ataques na Arábia

Se o Estreito de Ormuz enfrenta riscos de interrupção e, ao mesmo tempo, a principal infraestrutura terrestre utilizada pela Arábia Saudita para contornar essa passagem também é atingida, a capacidade do país de manter suas exportações de petróleo fica mais vulnerável.

Existe ainda outro ponto estratégico no sul da região. No Iêmen, os houthis, grupo apoiado pelo Irã, possuem capacidade militar e posições próximas ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem fundamental para o comércio entre o Oceano Índico, o Mar Vermelho e o Mediterrâneo.

Apesar da gravidade do ataque, a Arábia Saudita decidiu inicialmente evitar uma resposta militar direta.

O governo saudita afirmou que pretende dar ao governo iraquiano a oportunidade de investigar o lançamento dos drones e impedir novos ataques provenientes de seu território.

Essa postura é importante porque uma eventual retaliação saudita contra grupos armados dentro do Iraque poderia ampliar rapidamente o conflito e envolver diretamente outro país da região.

Principal oleoduto da Arábia Saudita explode em chamas após ataques de drones

A infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita sofreu um novo ataque que pode aumentar ainda mais a pressão sobre o mercado internacional de energia.

Um importante sistema de oleodutos do país foi atingido por drones na quinta-feira (10), provocando incêndios e danos em estações de bombeamento.

As informações foram divulgadas inicialmente por autoridades dos Estados Unidos. Uma análise preliminar indicou que os alvos estavam nas proximidades do oleoduto, principalmente estruturas responsáveis por manter o petróleo em movimento ao longo da extensa rede.

Imagens de satélite analisadas após o ataque mostram sinais de incêndio em uma das estações, marcando uma coluna de fumaça escura saindo de uma instalação.

Arábia Saudita interrompe operação do oleoduto

O Ministério da Energia saudita confirmou que o sistema foi atacado e informou que sua operação foi interrompida como medida de precaução.

Segundo autoridades sauditas, os ataques ocorreram nas regiões de Riad e Medina e deixaram algumas pessoas feridas, que receberam atendimento médico. Equipes especializadas foram mobilizadas para avaliar a situação e garantir a segurança das instalações.

Posteriormente, o governo saudita afirmou que os ataques foram realizados por drones lançados a partir do Iraque. Riad também declarou que, por enquanto, não adotaria uma retaliação contra o Iraque, dando ao governo iraquiano a oportunidade de tomar medidas contra os responsáveis.

Por que o oleoduto East-West é tão importante?

O alvo é o chamado East-West Pipeline, uma das principais estruturas utilizadas pela Arábia Saudita para transportar petróleo do leste do país até a costa do Mar Vermelho, desviando milhões de barris da zona quente do Estreito de Ormuz.

Cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia estavam sendo redirecionados por essa rota.

Normalmente, grande parte do petróleo produzido no leste da Arábia Saudita é transportada até terminais localizados no Golfo Pérsico. A partir dali, os navios-tanque precisam atravessar o Estreito de Ormuz para alcançar os mercados internacionais.

O problema é que a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã deixou o estreito praticamente bloqueado para uma parcela significativa do tráfego comercial.

Por isso, a Arábia Saudita passou a utilizar mais intensamente o East-West Pipeline para levar petróleo diretamente até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a passagem pelo Estreito de Ormuz.

No entanto, a rota alternativa também está sob ameaça. É justamente nesse ponto que o ataque ganha uma dimensão maior.

Se o Estreito de Ormuz continua sob forte pressão e o principal oleoduto alternativo da Arábia Saudita também passa a ser alvo de ataques, o país fica com menos opções para transportar seu petróleo até os mercados internacionais.

No extremo sul dessa rota está o Mar Vermelho, que se conecta ao Golfo de Áden através do Estreito de Bab el-Mandeb, uma região cada vez mais ameaçada pelo avanço dos militantes Houthis no Iêmen.

Após 25 anos, nova técnica de DNA identifica vítima do 11 de setembro

25 anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, uma família nos Estados Unidos finalmente recebeu uma resposta que aguardava há décadas.

Autoridades de Nova York identificaram uma mulher que morreu nos ataques ao World Trade Center por meio de uma técnica que combina análise de DNA com pesquisas genealógicas. O nome da vítima não foi divulgado porque seus familiares solicitaram que sua identidade permanecesse em sigilo.

A identificação foi anunciada pelo Escritório do Médico-Legista-Chefe de Nova York (OCME) em agosto de 2026 e representa um avanço importante em uma das maiores operações de identificação de vítimas da história dos Estados Unidos. A mulher é a 1.654ª vítima do World Trade Center identificada oficialmente desde os ataques.

O que mudou depois de 25 anos?

A principal novidade está na técnica utilizada pelos investigadores: a chamada genealogia genética forense investigativa, conhecida pela sigla FIGG.

Em termos simples, o método combina duas ferramentas.

Primeiro, os especialistas trabalham com o DNA obtido de restos humanos recuperados após os ataques. Depois, procuram correspondências genéticas e utilizam informações genealógicas para reconstruir possíveis relações familiares.

É como montar um quebra-cabeça: em vez de depender exclusivamente de uma comparação direta entre o DNA encontrado e uma amostra fornecida por um familiar próximo, os investigadores podem utilizar parentesco genético e árvores familiares para chegar a uma possível identificação.

A identificação encontrada dessa maneira ainda precisa ser confirmada pelos procedimentos forenses oficiais antes de ser considerada definitiva. No caso anunciado por Nova York, a confirmação foi realizada pelo OCME.

Por que foi tão difícil identificar todas as vítimas?

Os ataques ao World Trade Center provocaram a morte de 2.753 pessoas em Nova York. A destruição das torres, seguida por incêndios de grandes proporções e pelo colapso dos edifícios, tornou extremamente difícil recuperar e identificar os restos das vítimas.

Nos primeiros anos após os ataques, os investigadores utilizaram métodos tradicionais, como impressões digitais, registros odontológicos e comparação de DNA.

O problema é que muitos dos restos recuperados estavam extremamente fragmentados ou degradados. Em vários casos, não havia material suficiente ou uma amostra familiar adequada para estabelecer uma identificação.

Segundo o governo de Nova York, aproximadamente 1.099 vítimas, cerca de 40% das pessoas que morreram no World Trade Center, ainda não foram identificadas.

Ministro André Mendonça teme pela própria segurança e passa a usar colete balístico em meio à crise no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça passou a adotar medidas reforçadas de segurança em meio ao aumento das tensões envolvendo as investigações que estão sob sua responsabilidade e aos conflitos recentes dentro da própria Corte.

O caso ganhou ainda mais atenção depois de informações de que o ministro passou a utilizar colete balístico, comumente chamado de colete à prova de balas, em determinadas agendas públicas, além de contar com uma proteção reforçada.

A medida ocorre em um momento de forte tensão política e institucional envolvendo o STF, a Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master.

A integridade física do Ministro Mendonça

Em junho, depois de assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master e também atuar em investigações envolvendo fraudes no INSS, Mendonça afirmou que poderia existir um risco pessoal relacionado à continuidade das investigações.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o ministro chegou a declarar que, diante da possibilidade de alguém atentar contra sua integridade física, ele próprio seria o ponto mais vulnerável da investigação. Naquele momento, o STF reforçou sua segurança após uma avaliação interna indicar aumento do risco à sua integridade.

Isso, porém, não significa que Mendonça tenha sofrido um atentado. Os jornalistas Edilene Lopes e Pedro Venceslau apuraram que não havia registro de qualquer ataque contra o ministro e que o gabinete de André Mendonça também não havia confirmado a ocorrência de um atentado.

Durante a apuração desta matéria, o Área Militar/Analytics entrou em contato com o gabinete do ministro André Mendonça para solicitar esclarecimentos e obter mais detalhes sobre o caso. Até o momento, no entanto, não houve resposta.

Caso o gabinete se manifeste, a matéria será atualizada com o posicionamento oficial.

O “risco do cerco”

A situação se tornou ainda mais delicada depois que Mendonça entrou em confronto institucional com a cúpula da Polícia Federal.

Em setembro, o ministro afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” e ilegal realizado pela inteligência da PF durante aproximadamente um mês.

Segundo a decisão de Mendonça, pelo menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto analisando suas decisões, sua atuação nos casos Banco Master e INSS, suas relações com outras autoridades e possíveis motivações políticas.

É importante esclarecer que esses documentos não descrevem interceptações telefônicas, vigilância física ou acompanhamento do ministro. O chamado “monitoramento” mencionado por Mendonça se refere à produção de relatórios de inteligência sobre sua atuação e suas relações.

Por que o episódio aumentou a preocupação?

Na avaliação de Mendonça, a produção desses relatórios representa uma situação grave porque envolve diretamente um ministro da Suprema Corte.

Diante disso, ele determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.

Mendonça também determinou que a Corregedoria da PF investigasse a elaboração dos relatórios e quem teria determinado ou participado de sua produção.

A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Relatórios de inteligência apontam risco de atentado?

A apuração indica que a segurança do ministro André Mendonça foi reforçada e que ele demonstrou preocupação com sua própria integridade física diante do contexto das investigações sob sua responsabilidade.

Até o momento, porém, não há confirmação pública de que Mendonça tenha recebido uma ameaça específica ou que exista um plano comprovado de atentado contra sua vida.

Houthis avançam sobre Bab el-Mandeb e colocam rota estratégica sob ameaça

A guerra no Iêmen ganhou uma nova dimensão estratégica nos últimos dias. Os rebeldes Houthis, grupo apoiado pelo Irã, avançaram pela costa do Mar Vermelho, tomaram a cidade portuária de Mocha e, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (11), também assumiram o controle da estratégica ilha de Perim, localizada no estreito de Bab el-Mandeb.

A movimentação aproxima os Houthis de uma posição capaz de ameaçar diretamente a navegação em um dos principais corredores marítimos do planeta.

O Bab el-Mandeb é a passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e, consequentemente, ao oceano Índico. Na prática, navios que seguem entre a Ásia e a Europa utilizam essa rota para chegar ao Canal de Suez.

Por isso, o avanço Houthi não representa apenas uma disputa territorial dentro do Iêmen. Ele pode ter consequências sobre petróleo, comércio internacional, fretes e preços de produtos em diversos países.

Quem são os Houthis?

Os Houthis, oficialmente chamados de Ansar Allah, são um movimento político, religioso e militar originário do norte do Iêmen.

O grupo surgiu entre a comunidade zaidita, uma corrente do islamismo xiita tradicionalmente presente no norte do país. A organização ganhou força na década de 1990 e passou a combater o governo iemenita.

A grande virada aconteceu em 2014, quando os Houthis conquistaram Sanaa, a capital do Iêmen. O avanço provocou uma guerra civil e levou a Arábia Saudita a intervir militarmente em 2015, apoiando o governo reconhecido internacionalmente.

Desde então, o Iêmen permanece dividido.

Os Houthis controlam grande parte do norte e oeste do país, incluindo áreas densamente povoadas, enquanto o governo internacionalmente reconhecido e seus aliados mantêm posições principalmente no sul e no leste.

Quem financia os Houthis?

O principal apoio externo aos Houthis vem do Irã. Teerã fornece, segundo autoridades e fontes de inteligência citadas por veículos internacionais, armamentos, tecnologia, treinamento e assistência militar.

Entre os equipamentos associados ao arsenal Houthi estão drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro.

O apoio iraniano não significa, necessariamente, que cada operação Houthi seja ordenada diretamente por Teerã. O grupo possuem estrutura própria, liderança própria e interesses ligados à política interna do Iêmen.

Mas a relação com o Irã transformou o grupo em uma importante peça da disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Israel e Estados Unidos.

Além do apoio externo, os Houthis também obtêm recursos dentro das áreas que controlam, por meio de arrecadação, cobrança de impostos, controle econômico de territórios e redes comerciais e de contrabando.

A importância da cidade de Mocha

A cidade fica na costa do Mar Vermelho, relativamente próximo ao Bab el-Mandeb. A captura permite aos Houthis ampliar sua presença militar em direção ao estreito.

Segundo fontes citadas pela Reuters, o grupo também avançou contra as ilhas Hanish e buscava posições em Dhubab e Perim, pontos considerados fundamentais para exercer influência sobre a passagem marítima.

A situação evoluiu ainda mais com a notícia da tomada de Perim, uma pequena ilha situada praticamente no centro da entrada do Bab el-Mandeb.

Isso é importante porque controlar posições terrestres próximas ao estreito oferece aos militantes melhores condições para observar, ameaçar ou atacar embarcações que atravessem a região.

Isso não significa que o grupo tenha literalmente “fechado” o estreito.

Mas significa que os Houthis estão muito mais próximos de possuir capacidade para transformar o Bab el-Mandeb em uma área de alto risco para a navegação internacional.

O que significa “fechar” o Bab el-Mandeb?

“Fechar o estreito” não necessariamente significa colocar uma barreira física no mar.

Um grupo armado pode provocar o fechamento de uma rota simplesmente tornando a passagem perigosa demais para navios comerciais.

Se empresas de navegação considerarem que seus navios podem ser atingidos por mísseis, drones ou minas, elas podem decidir suspender as viagens ou utilizar rotas alternativas.

Foi justamente esse tipo de ameaça que já provocou alterações significativas no tráfego do Mar Vermelho nos últimos anos.

O Bab el-Mandeb funciona como uma espécie de porta de entrada e saída do Mar Vermelho. Depois dele está o Canal de Suez, que conecta a região ao Mediterrâneo.

Por isso, uma crise nessa passagem pode atingir diretamente o comércio entre Ásia, Oriente Médio e Europa.

Por que a Arábia Saudita apoia o governo do Iêmen?

Para a Arábia Saudita, a questão é muito maior do que a guerra civil iemenita.

O Iêmen está localizado imediatamente ao sul do território saudita. Um governo Houthi forte e aliado do Irã representa, portanto, uma ameaça estratégica direta para Riad.

A Arábia Saudita já enfrentou ataques Houthis contra seu território utilizando mísseis e drones, inclusive contra instalações relacionadas à indústria de energia.

Por isso, Riad apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen e tenta impedir que os Houthis controlem todo o país ou dominem posições estratégicas próximas às fronteiras sauditas e ao Mar Vermelho.

Mas existe um problema. A Arábia Saudita já passou anos tentando derrotar militarmente os Houthis e descobriu que uma vitória definitiva é extremamente difícil.

Depois de anos de guerra, uma trégua estabelecida em 2022 reduziu significativamente os combates, mas nunca produziu um acordo de paz definitivo.

Agora, com a nova ofensiva Houthi, Riad enfrenta novamente uma escolha difícil: intervir militarmente em maior escala ou tentar evitar uma nova guerra prolongada no Iêmen.

A importância dos EUA

Os Estados Unidos são um dos principais parceiros militares e estratégicos da Arábia Saudita. A relação envolve armamentos, treinamento, inteligência, defesa aérea e cooperação militar.

Neste momento, porém, a Arábia Saudita está pedindo maior apoio americano, mas Washington não necessariamente quer entrar diretamente em uma nova guerra no Iêmen.

Mais de 100 militares e conselheiros americanos estão em território saudita, fornecendo apoio de inteligência e direcionamento de alvos dentro de uma estrutura de cooperação militar com Riad.

Além disso, segundo fontes citadas pela Reuters, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu ao presidente Donald Trump uma participação militar americana mais direta contra os Houthis.

Trump, porém, teria recusado o envio direto de forças americanas para atacar os Houthis, embora tenha concordado com apoio de inteligência e direcionamento de alvos.

EUA e os ataques contra os Houthis

Porque qualquer ataque americano pode ampliar ainda mais o conflito regional.

Os Houthis são aliados do Irã. Portanto, uma campanha militar americana contra o grupo poderia ser interpretada por Teerã como uma nova frente direta de confronto.

Além disso, os Estados Unidos precisam proteger simultaneamente seus interesses no Golfo Pérsico, Mar Vermelho, Arábia Saudita e outras áreas estratégicas do Oriente Médio.

A estratégia do Irã

Para o Irã, os Houthis representam uma maneira de aumentar sua capacidade de pressionar adversários sem necessariamente utilizar diretamente as Forças Armadas iranianas.

O país possui aliados e grupos armados em diferentes partes do Oriente Médio. Os Houthis acrescentam uma dimensão marítima a essa rede.

Ao possuir influência sobre o Iêmen e capacidade de ameaçar o Bab el-Mandeb, o Irã pode aumentar a pressão sobre Arábia Saudita, Estados Unidos e o comércio marítimo internacional.

O que pode acontecer agora?

A grande preocupação é que a captura de Mocha e o avanço sobre Perim transformem o Bab el-Mandeb em uma nova frente da guerra regional.

A primeira consequência pode ser militar, a Arábia Saudita pode aumentar os ataques contra posições Houthis. A segunda é econômica, com empresas de navegação podem evitar a região, aumentando o tempo e o custo do transporte.

A terceira, e não menos importante, é energética. Qualquer ameaça simultânea ao Bab el-Mandeb e ao Estreito de Hormuz pode aumentar a pressão sobre o mercado internacional de petróleo.

E existe ainda um quarto risco, o retorno de uma guerra civil em grande escala no Iêmen. A trégua de 2022 havia reduzido drasticamente a intensidade do conflito, mas os combates recentes já provocaram novos deslocamentos de civis e ameaçam destruir o frágil equilíbrio construído nos últimos anos.

E é justamente essa porta que os Houthis estão tentando colocar sob seu controle.