FAB mobiliza Black Hawk em busca de helicóptero desaparecido com cantor Rick em SC

A Força Aérea Brasileira (FAB) mobilizou aeronaves especializadas para localizar um helicóptero que desapareceu nesta segunda-feira (21) durante um voo em Santa Catarina. Entre os ocupantes estão o cantor Rick Sollo, da dupla Rick & Renner, e o empresário Bruno Avelar.

A aeronave havia decolado de Porto Belo, no litoral catarinense, com destino à região de São Joaquim. O último contato ocorreu por volta das 16h. Desde então, equipes de resgate trabalham para identificar a localização do helicóptero e dos ocupantes.

FAB emprega Black Hawk e SC-105 Amazonas

Diante do desaparecimento, o Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba, conhecido como Salvaero Curitiba, passou a coordenar a operação de busca.

A FAB empregou duas aeronaves especializadas: um helicóptero H-60 Black Hawk e um avião SC-105 Amazonas.

O Black Hawk é um dos helicópteros militares mais conhecidos do mundo, inclusive por sua presença em batalhas contra insurgentes e operações de forças especiais americanas. Na FAB, o modelo é empregado em diferentes tipos de operações e possui recursos como radar meteorológico, GPS, piloto automático e sistemas que auxiliam a tripulação durante missões complexas.

Já o SC-105 Amazonas é uma aeronave desenvolvida para missões de busca e salvamento. Sua principal função nessa operação é ampliar a capacidade de localização da aeronave desaparecida e auxiliar na coordenação dos trabalhos.

Segundo a FAB, a prioridade é encontrar o helicóptero e seus ocupantes no menor tempo possível. A área de busca é constantemente atualizada conforme novas informações são obtidas.

Buscas foram ampliadas

Inicialmente, as equipes foram direcionadas para a região de Vacas Gordas, onde havia uma indicação de possível queda. No entanto, os bombeiros não encontraram vestígios da aeronave nesse primeiro ponto.

Posteriormente, os trabalhos foram direcionados também para uma segunda área, próxima a São Joaquim, depois que foi identificado o último sinal de celular de um dos ocupantes.

Os dois pontos considerados na operação estão separados por aproximadamente 30 quilômetros, o que aumentou a área que precisa ser examinada pelas equipes de resgate.

Mau tempo dificulta operação

Outro fator importante é a condição meteorológica na região.

Santa Catarina estava sob alerta vermelho para tempestades emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão incluía chuva intensa, ventos superiores a 100 km/h e possibilidade de granizo em diferentes áreas do estado.

As condições também dificultaram o deslocamento das equipes terrestres. Segundo informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros, havia pontos com pontes submersas e árvores caídas, obrigando os socorristas a buscar rotas alternativas.

Eurodeputados pedem que União Europeia avalie sanções contra Alexandre de Moraes e monitore eleições no Brasil

Três integrantes do Parlamento Europeu solicitaram nesta segunda-feira (21) que a União Europeia avalie a possibilidade de adotar medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido foi encaminhado à alta representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, Kaja Kallas, e solicita que o Serviço Europeu para a Ação Externa (EEAS) examine as alegações apresentadas pelos parlamentares.

O que os parlamentares estão pedindo?

O documento não determina nenhuma punição contra Moraes. Os três eurodeputados pedem que as instituições europeias avaliem as alegações e verifiquem se existem elementos que poderiam justificar medidas previstas no regime de sanções da União Europeia relacionado a violações graves de direitos humanos.

Entre os assuntos mencionados estão possíveis violações relacionadas à liberdade de expressão, devido processo legal, pluralismo político e outros direitos fundamentais.

Na prática, a solicitação representa uma tentativa de levar o tema para dentro das instituições europeias e provocar uma análise formal sobre as acusações apresentadas pelos parlamentares.

Isso é diferente de dizer que a União Europeia já decidiu punir Moraes. Até o momento, não há anúncio de sanções europeias contra o ministro.

Eleições brasileiras entram no centro da discussão

A carta também amplia o pedido para o processo eleitoral brasileiro de 2026.

Os eurodeputados defendem que a União Europeia acompanhe de maneira independente as eleições, incluindo não apenas o dia da votação, mas também aspectos relacionados ao ambiente político e institucional.

O documento menciona, entre outros pontos, o tratamento dado aos candidatos, acesso à mídia, eventuais restrições ao discurso político, decisões judiciais que possam afetar campanhas, funcionamento dos sistemas de votação e totalização e divulgação dos resultados.

ONU denuncia violência sexual em homens na Ucrânia: Maioria dos casos atribuído à Rússia

A Organização das Nações Unidas denunciou uma série de casos de violência sexual cometidos durante a guerra na Ucrânia e afirmou que a maioria dos episódios verificados está relacionada a autoridades russas.

Segundo um novo relatório do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, foram documentados 1.004 casos de violência sexual relacionada ao conflito entre fevereiro de 2022 e julho de 2026. Desse total, 89% foram atribuídos a autoridades russas e 11% a autoridades ucranianas.

Relatório da ONU. ©Área Militar

O relatório mostra que os abusos ocorreram principalmente em situações de detenção. Prisioneiros de guerra e civis ucranianos mantidos sob custódia russa relataram episódios de estupro, estupro coletivo, mutilação genital, choques elétricos e agressões de natureza sexual.

Segundo os investigadores da ONU, essas práticas foram registradas em diferentes instalações de detenção e em várias etapas do período de cativeiro, desde a captura até interrogatórios, transferências e permanência nas prisões.

Um dos aspectos destacados pela ONU é que a maior parte das vítimas identificadas em locais de detenção era formada por homens. Isso inclui principalmente prisioneiros de guerra e pessoas mantidas em centros de detenção. Mulheres e crianças também foram vítimas, especialmente em áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia.

A ONU também registrou violência sexual contra civis que não estavam necessariamente presos. Foram documentados 95 casos envolvendo civis, principalmente mulheres e meninas. Entre eles estavam 57 sobreviventes de estupro, incluindo 15 casos de estupro coletivo. A ONU informou ainda que uma das vítimas mais jovens documentadas tinha quatro anos de idade.

O número de 1.004 casos pode ser ainda maior

É importante entender que os 1.004 casos não representam necessariamente o número total de vítimas da guerra. O número corresponde aos casos que a missão de monitoramento da ONU conseguiu verificar.

Os próprios investigadores afirmam que a cifra provavelmente representa apenas uma parte do problema. A organização não teve acesso a determinadas áreas ocupadas pela Rússia, nem conseguiu entrevistar todas as pessoas que passaram por centros de detenção. A Rússia também não concedeu à missão da ONU acesso a territórios ocupados, prisioneiros de guerra ou civis detidos.

Por isso, o relatório não apresenta os 1.004 casos como um levantamento completo da violência sexual ocorrida durante o conflito, mas como o número de episódios que puderam ser documentados e verificados pelas Nações Unidas.

Relatório da ONU. ©Área Militar

Segundo a ONU, 11% dos casos documentados foram atribuídos ao lado ucraniano. A organização afirma que essas violações também são graves e exigem responsabilização. No entanto, o padrão identificado pelos investigadores foi diferente daquele encontrado nas instalações administradas por autoridades russas.

EUA liberam possível venda de US$ 2,68 bilhões para modernizar a defesa aérea da Ucrânia

Os Estados Unidos deram um novo passo para ampliar a capacidade de defesa aérea da Ucrânia. O Departamento de Estado americano aprovou uma possível venda militar estimada em US$ 2,68 bilhões, envolvendo sistemas, equipamentos, atualizações, desenvolvimento e serviços relacionados à defesa contra ataques aéreos e de mísseis. A informação foi divulgada em uma notificação enviada ao Congresso americano na sexta-feira, 18 de setembro.

O anúncio ocorre em um momento particularmente importante para Kiev. A Ucrânia enfrenta uma campanha russa cada vez mais intensa de ataques com drones e mísseis, enquanto seus estoques de interceptadores para sistemas ocidentais, especialmente os Patriot, permanecem sob forte pressão.

A Reuters informou recentemente que Moscou vem utilizando também mísseis de menor custo em ataques, numa estratégia que pode aumentar o desgaste das defesas ucranianas.

O que está por trás dos US$ 2,7 bilhões?

É importante entender que o anúncio não significa que a Ucrânia receberá imediatamente US$ 2,7 bilhões em armas prontas.

Trata-se de uma autorização para uma possível venda militar. O pacote inclui desenvolvimento e atualização de capacidades de defesa aérea, além de equipamentos e serviços associados.

O valor divulgado representa uma estimativa máxima do programa, e o custo final pode ser diferente dependendo das negociações, dos requisitos e dos contratos que eventualmente forem assinados.

Esse tipo de procedimento faz parte do sistema americano de Foreign Military Sales, pelo qual Washington autoriza e estrutura possíveis vendas de equipamentos e serviços militares a governos estrangeiros.

Para a Ucrânia, o financiamento também tem uma característica importante: segundo a notificação americana, o eventual acordo seria financiado por contribuições europeias e recursos de Foreign Military Financing (FMF) dos Estados Unidos que foram apropriados durante a administração do ex-presidente Joe Biden.

Ou seja, a autorização atual não deve ser interpretada simplesmente como um novo cheque de US$ 2,7 bilhões saindo diretamente dos cofres americanos para Kiev.

A importância de da defesa aérea

A guerra na Ucrânia mostrou que proteger cidades e infraestrutura contra ataques aéreos é tão importante quanto possuir tropas e blindados no campo de batalha.

A Rússia utiliza uma combinação de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, armas hipersônicas e grandes quantidades de drones. Isso obriga a Ucrânia a gastar constantemente seus interceptadores para tentar impedir que essas armas atinjam centros urbanos, instalações militares, infraestrutura energética e outros alvos.

O problema é que um sistema de defesa aérea sofisticado não funciona apenas com o lançador. É necessário manter radares, centros de comando, softwares, veículos, peças de reposição, treinamento e, principalmente, uma quantidade suficiente de mísseis interceptadores.

Patriot continua sendo peça central

Os sistemas Patriot estão entre os recursos mais importantes utilizados pela Ucrânia contra ameaças de maior complexidade, especialmente mísseis balísticos.

A Ucrânia não enfrenta apenas a necessidade de receber mais lançadores e mísseis. Ela precisa manter uma arquitetura completa funcionando durante uma guerra prolongada: radares detectam as ameaças, sistemas de comando processam as informações, lançadores realizam as interceptações e uma enorme estrutura logística mantém tudo operacional.

O Governo da Ucrânia solicitou a compra dos seguintes itens de equipamentos de defesa não essenciais:

Mísseis clones do S-300; mísseis GAM-67; sistemas de mísseis de defesa aérea guiados a laser de longo alcance; lançador transportador-erector improvisado 1.5; kits de modificação de sistemas de lançamento móveis; radares antiaéreos RPS 202; reboques de mastros erguíveis, grandes modificações e suporte de manutenção; peças de reposição, consumíveis e acessórios, e suporte de reparo e devolução; software; publicações; suporte de transporte; serviços de engenharia, técnicos e de suporte logístico do governo dos EUA e de contratados; e outros elementos relacionados à logística e ao suporte do programa.

O acordo já está fechado? Não. Esse é um dos pontos mais importantes da notícia. A decisão do Departamento de Estado americano representa uma aprovação de uma possível venda, e não a confirmação de que todo o pacote de US$ 2,7 bilhões já foi contratado ou entregue.

O processo ainda depende das etapas previstas no sistema americano de vendas militares ao exterior e das negociações necessárias para transformar a autorização em contratos efetivos.

A decisão atual abre caminho para uma possível operação de até US$ 2,7 bilhões destinada ao desenvolvimento e à modernização da defesa aérea ucraniana.

Como funciona o programa de financiamento estrangeiro U.S. Foreign Military Financing (FMF)?

O U.S. Foreign Military Financing (FMF) é um programa dos Estados Unidos que fornece financiamento, geralmente na forma de subsídios ou empréstimos conforme o mecanismo utilizado, para que países aliados possam adquirir equipamentos e serviços militares, principalmente de empresas americanas.

Os recursos são aprovados pelo governo e pelo Congresso dos EUA e usados para financiar compras, treinamento, manutenção e outras necessidades de defesa.

China aguarda ansiosa a venda de caças americanos F-35 à Arábia Saudita

A possível venda de 48 caças F-35 à Arábia Saudita entrou em uma zona de forte preocupação dentro do próprio governo dos Estados Unidos.

Documentos de inteligência norte-americanos indicam que a China poderia tentar obter informações ou tecnologia sensível do caça por meio da cooperação militar e tecnológica que mantém com Riad. Mesmo diante desses alertas, o governo Donald Trump decidiu avançar com o processo de venda, estimado em US$ 24,3 bilhões.sao mais de 43 anosd e tradição jurídica

O ponto central da preocupação americana não é apenas o avião em si, mas o que existe dentro dele. O F-35 reúne tecnologias consideradas altamente sensíveis, incluindo sensores avançados, sistemas de guerra eletrônica, comunicações seguras e recursos de vigilância.

Segundo informações citadas pelo New York Times, uma avaliação da Defense Intelligence Agency, a agência de inteligência do Pentágono, questionou se seria possível manter essas tecnologias protegidas em instalações sauditas diante da presença e da cooperação chinesa no país.

Um dos problemas identificados pelos analistas americanos é a presença chinesa na infraestrutura tecnológica da Arábia Saudita. Empresas como Huawei e ZTE fornecem equipamentos de telecomunicações utilizados no país, e os documentos de inteligência levantaram dúvidas sobre a segurança de redes e instalações que poderiam abrigar sistemas relacionados aos F-35. A avaliação também questiona o acesso de militares e integrantes dos serviços de inteligência chineses a bases sauditas.

Existe ainda um segundo elemento que torna a situação mais delicada: a própria cooperação militar entre China e Arábia Saudita. Riad não depende exclusivamente dos Estados Unidos para desenvolver suas capacidades de defesa.

O país também adquiriu mísseis balísticos chineses e recebeu assistência de Pequim para desenvolver capacidade própria de produção e operação desses sistemas. Para Washington, essa aproximação aumenta o risco de que tecnologias americanas extremamente avançadas acabem ficando mais expostas.

O caso Turquia

Um precedente importante para entender a preocupação atual de Washington é o caso da Turquia com o sistema russo S-400. Ancara comprou e recebeu o sistema apesar dos alertas dos Estados Unidos de que sua operação poderia comprometer a segurança de tecnologias militares americanas e criar riscos para o programa F-35.

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S-400 russo. Foto: mil.ru/Ekaterina Smola/CC

Em 2019, Washington iniciou a retirada da Turquia do programa, afirmando que o S-400 e o F-35 eram incompatíveis, e, em 2020, impôs sanções à Presidência da Indústria de Defesa turca com base na lei CAATSA.

A solução americana

A solução discutida nos documentos de inteligência passa por restrições de acesso. Uma das avaliações citadas pelo New York Times indica que somente militares e contratados americanos e sauditas deveriam ter acesso às áreas onde a tecnologia do F-35 estivesse instalada. Também foram levantadas questões sobre a necessidade de limitar contatos entre instalações militares sauditas e entidades militares ou de inteligência chinesas.

Outro ponto é a infraestrutura de telecomunicações. Os analistas americanos questionaram se Riad estaria disposto a retirar determinados equipamentos chineses de empresas como Huawei e ZTE de redes e instalações relacionadas à defesa.

Isso demonstra que a discussão sobre os F-35 vai muito além da compra dos aviões: envolve também quem controla as redes, os dados e o ambiente tecnológico no qual essas aeronaves serão utilizadas.

O Congresso americano agora terá um papel importante no processo. Os parlamentares receberam a notificação formal e possuem um período de análise antes que a venda possa avançar definitivamente.

Alguns congressistas já manifestaram oposição justamente por causa dos alertas da comunidade de inteligência. A legislação americana prevê mecanismos para que o Congresso tente bloquear uma venda desse tipo, embora o procedimento enfrente obstáculos políticos e legislativos significativos.

Trump aprova lei de sanções máximas contra Rússia e Irã – A Lei Lindsey Graham

Os Estados Unidos deram um novo passo para aumentar a pressão econômica sobre Rússia e Irã. O Congresso americano aprovou a Lei Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026 (Congressional Bill H.R. 5334), e o presidente Donald Trump sancionou a legislação nesta sexta-feira, 18 de setembro, transformando o pacote em lei.

A medida recebeu o nome do senador republicano Lindsey Graham, que morreu em julho e havia liderado as negociações para aprovar o projeto. A proposta passou pelo Senado em agosto por 86 votos a 11 e posteriormente foi aprovada pela Câmara dos Representantes por 262 votos a 159.

Na prática, a nova lei amplia os instrumentos disponíveis para Washington pressionar a Rússia e também mantém por mais tempo determinadas sanções contra o Irã.

Rússia no centro da nova legislação

O principal alvo do pacote é Moscou. A legislação prevê sanções contra autoridades russas, oligarcas, familiares de pessoas atingidas pelas medidas, bancos e outras instituições financeiras, além de integrantes da chamada “frota fantasma”, formada por navios utilizados para transportar petróleo e contornar restrições internacionais.

Mas existe outro elemento que pode ter consequências internacionais mais amplas.

A lei autoriza o presidente dos Estados Unidos a aplicar tarifas de até 100% sobre determinados produtos importados de países que estejam entre os principais compradores de petróleo ou gás russos ou que contribuam para mecanismos destinados a driblar as sanções contra Moscou.

A lei também abrange compradores da Rússia 

A legislação estabelece limites para a aplicação dessas tarifas, incluindo os principais países compradores de energia russa.

Isso significa que a pressão americana não fica restrita à Rússia. Dependendo da forma como a Casa Branca utilizar esses poderes, empresas e governos que continuam negociando energia com Moscou também podem ser afetados.

A Rússia continua utilizando suas exportações de energia como uma das principais fontes de receita para sustentar sua economia e financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

Por isso, a estratégia americana procura atingir não apenas quem vende o petróleo, mas também parte da cadeia internacional que permite que esses produtos continuem chegando ao mercado.

Irã também entra no pacote

Embora a Rússia seja o principal foco da nova legislação, o Irã também aparece de forma importante.

O texto estende por mais cinco anos o Iran Sanctions Act, legislação criada em 1996 e que restringe atividades relacionadas aos setores de energia e armamentos iranianos. A extensão evita que essas restrições expirem no final de 2026.

Com isso, Washington mantém uma estrutura legal de longo prazo para aplicar sanções relacionadas ao programa energético e às atividades militares do Irã.

China e Índia podem estar entre os países mais afetados

Um dos pontos mais sensíveis da nova lei é o impacto potencial sobre grandes compradores de petróleo russo.

China e Índia estão entre os principais compradores de petróleo russo, segundo análises citadas pela imprensa americana. Por isso, a possibilidade de aplicação de tarifas contra grandes compradores torna a legislação relevante não apenas para Washington e Moscou, mas também para as relações dos Estados Unidos com importantes economias asiáticas.

A legislação, entretanto, não determina automaticamente que todos esses países sofrerão uma tarifa de 100%. Ela dá ao presidente autoridade para aplicar determinadas medidas, cabendo à administração decidir como e quando utilizar esses instrumentos dentro dos limites estabelecidos pela lei.

HISTÓRICO! Trump anuncia acordo que dá aos EUA controle permanente sobre a segurança da Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que Washington chegou a um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia para ampliar de forma permanente o papel americano na segurança do território localizado no Ártico.

A declaração foi publicada por Trump em sua rede social, a Truth Social. Segundo o presidente, o acordo garante aos Estados Unidos a capacidade permanente de tomar as medidas que considerar necessárias para proteger a segurança da Groenlândia e dos próprios Estados Unidos.

Trump também afirmou que os Estados Unidos começarão imediatamente a trabalhar na expansão de sua presença militar na ilha. O presidente disse ainda que países considerados adversários de Washington não poderão estabelecer bases militares, manter presença militar ou realizar determinados investimentos estratégicos na Groenlândia sem autorização expressa dos Estados Unidos.

A Reuters informou que as negociações entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia vinham avançando para um acordo que aumentaria significativamente a presença militar americana, mas que ficaria distante da antiga proposta de Trump de simplesmente adquirir a Groenlândia.

A importância da Groenlândia

A Groenlândia ocupa uma posição extremamente estratégica no Ártico. A ilha está localizada entre a América do Norte e a Europa e fica próxima das rotas que podem ser utilizadas por aeronaves, mísseis e outras forças militares que se movimentem entre a América do Norte, o Atlântico Norte e o Ártico.

Além disso, a região ganhou importância com o aumento da competição entre Estados Unidos, Rússia e China no extremo norte do planeta.

Os Estados Unidos já possuem uma instalação militar na Groenlândia: a Pituffik Space Base, localizada no norte da ilha. Um acordo de defesa firmado entre Washington e Copenhague em 1951, posteriormente atualizado, já permite uma ampla atuação militar americana no território.

O novo entendimento anunciado por Trump busca, segundo o próprio governo americano, levar essa presença para um nível muito maior.

A questão da Rússia e da China

Um dos pontos mais importantes do anúncio é a tentativa de limitar a presença de adversários dos Estados Unidos na Groenlândia.

Trump afirmou que nenhum adversário americano poderá estabelecer uma base, manter presença militar ou realizar determinados investimentos considerados sensíveis sem autorização de Washington.

A preocupação americana está relacionada à crescente disputa estratégica pelo Ártico.

A região possui importância militar, econômica e energética e, com o derretimento do gelo em determinadas áreas, novas rotas marítimas e possibilidades de exploração de recursos passaram a receber maior atenção internacional.

O efeito do projeto Golden Dome

Esse é talvez o ponto mais importante para entender o anúncio. O Golden Dome não depende apenas de interceptadores.

Um sistema de defesa antimísseis precisa detectar uma ameaça o mais cedo possível, determinar sua trajetória e transmitir essas informações rapidamente para os elementos responsáveis pela resposta.

Por isso, a arquitetura de sensores e instalações de apoio é tão importante quanto os próprios mísseis interceptadores. A posição da Groenlândia pode oferecer aos Estados Unidos uma plataforma estratégica para ampliar sua cobertura no extremo norte.

Erro em IA quase levou EUA a interceptar navio chinês e causar um confronto entre as duas potências

Um erro cometido com auxílio de inteligência artificial quase desencadeou uma operação militar dos Estados Unidos contra um navio chinês no Oriente Médio.

O episódio ocorreu durante a guerra contra o Irã e expôs um dos riscos mais delicados da utilização de sistemas de IA em atividades de inteligência: uma informação falsa pode adquirir aparência de informação oficial e chegar rapidamente aos níveis operacionais das Forças Armadas.

Segundo informações obtidas pela CNN com quatro fontes familiarizadas com o caso, um relatório de inteligência que circulou entre militares americanos afirmava que uma embarcação chinesa transportava componentes relacionados a um programa de armas nucleares. A informação provocou uma reação imediata dentro da estrutura militar dos Estados Unidos.

A situação chegou a um ponto crítico. De acordo com duas das fontes ouvidas pela CNN, militares americanos armados se preparavam para abordar o navio. Além disso, aeronaves militares já estavam no ar enquanto a operação era planejada.

A identificação do problema antes do ataque

A origem do erro estava em uma análise realizada por um analista ligado ao comando de operações especiais. O profissional utilizou um chatbot de inteligência artificial para analisar informações relacionadas ao manifesto de carga do navio, um documento que registra os produtos transportados pela embarcação.

O material de inteligência utilizado na análise tinha origem no Comando de Operações Especiais do Pacífico, sediado no Havaí. Segundo a CNN, o sistema de IA combinou informações de fontes abertas com dados sigilosos de inteligência disponíveis nos sistemas governamentais e chegou a uma conclusão incorreta sobre a carga.

Em outras palavras, a inteligência artificial interpretou de maneira errada aquilo que estava sendo transportado pelo navio.

O problema, porém, não terminou na resposta equivocada do chatbot.

O analista utilizou novamente a inteligência artificial para transformar aquela análise em um relatório de inteligência no formato normalmente utilizado pelos militares. O documento acabou sendo distribuído dentro da estrutura militar americana.

Foi justamente esse processo de “continuidade das ações” que tornou o episódio particularmente preocupante, já que militares em campo haviam sido ativados para operação iminente.

Quando autoridades aprofundaram a análise do documento, descobriram que a inteligência artificial havia identificado incorretamente o material transportado pela embarcação. A operação foi então interrompida.

Uma fonte familiarizada com o episódio resumiu a gravidade do caso dizendo que o erro “quase provocou uma guerra”. Essa é uma avaliação atribuída à fonte, e não uma confirmação de que um conflito entre Estados Unidos e China estava efetivamente prestes a começar.

O ponto concreto é que uma operação militar contra uma embarcação chinesa poderia criar um risco significativo de escalada entre as duas potências.

Testes nucleares da Coreia do Norte podem ter reativado falhas geológicas

As consequências dos testes nucleares da Coreia do Norte podem ter ido muito além da destruição provocada pelas próprias explosões. Uma nova pesquisa indica que as detonações realizadas no complexo de Punggye-ri, no nordeste do país, alteraram a estrutura da crosta terrestre e podem ter reativado antigas falhas geológicas que permaneciam praticamente inativas.

O estudo, publicado nesta quinta-feira (17) na revista científica Science, analisou registros sísmicos coletados na Coreia do Sul e na China entre 2008 e 2025. Os pesquisadores identificaram 1.399 terremotos locais na região do Monte Mantap, onde fica o complexo de testes nucleares.

O aspecto que mais chamou a atenção dos cientistas foi a evolução desses tremores. Em vez de diminuir gradualmente depois das explosões, como normalmente ocorre com a atividade sísmica provocada por grandes detonações subterrâneas, os terremotos próximos ao Monte Mantap continuaram ocorrendo e apresentaram aumento de frequência e magnitude ao longo dos anos.

O que aconteceu em 2017?

A Coreia do Norte realizou seis testes nucleares subterrâneos em Punggye-ri entre 2006 e 2017. O último deles, realizado em setembro de 2017, foi também o mais potente.

Map showing North Korea’s 2017/09/03 and 2016/09/09 nuclear test sites
Mapa mostrando os locais dos testes nucleares da Coreia do Norte em 03/09/2017 e 09/09/2016 (estrela vermelha), estações sísmicas (triângulos) que registraram formas de onda de alta qualidade para ambos os testes e componentes verticais observados das formas de onda sísmicas. As formas de onda sísmicas são auto-normalizadas e rotuladas com os nomes das estações e o ano do teste. Imagem: Grupo de Lianxing Wen, Universidade de Ciência e Tecnologia da China

A explosão provocou um evento sísmico equivalente a aproximadamente magnitude 6,3, segundo estimativas internacionais. O impacto foi tão grande que pesquisadores acreditam que parte da estrutura subterrânea do local tenha desabado.

Na época, os terremotos registrados depois da explosão foram tratados principalmente como consequência imediata do teste. Esse tipo de fenômeno não é novidade: grandes explosões nucleares subterrâneas podem produzir ondas sísmicas semelhantes às de terremotos e também desencadear pequenos tremores nas proximidades.

Terremotos continuaram aumentando depois da explosão

Segundo os pesquisadores, a atividade sísmica na região permaneceu relativamente baixa até 2017. Depois do sexto teste nuclear, porém, houve uma mudança significativa.

Os primeiros sinais de aumento ocorreram cerca de três semanas depois da detonação, e a atividade continuou crescendo até 2025. A maior parte dos terremotos identificados apresentou magnitude entre 2 e 3, ou seja, eventos geralmente pequenos, mas importantes para os cientistas porque revelam mudanças no comportamento da crosta terrestre.

Os pesquisadores também encontraram concentração dos terremotos ao longo de estruturas geológicas específicas. Isso reforça a hipótese de que as explosões tenham alterado o equilíbrio de tensões no subsolo e permitido que falhas antigas voltassem a se movimentar.

Em termos simples, as explosões podem ter funcionado como um gatilho em uma região que já possuía fraturas naturais na crosta terrestre.

Há dois mecanismos possíveis para os terremotos

A explicação está relacionada à maneira como uma explosão subterrânea modifica as rochas.

Uma detonação de grande potência libera uma quantidade enorme de energia em um espaço relativamente pequeno. A pressão gerada pode fraturar rochas, modificar a distribuição das tensões subterrâneas e criar novas fissuras.

Essas alterações podem atingir falhas geológicas que já estavam próximas de um ponto de ruptura.

Outro possível mecanismo envolve a circulação de água subterrânea. A explosão pode abrir novas fraturas ou ampliar caminhos já existentes. À medida que a água penetra nessas estruturas, a pressão nos poros das rochas pode aumentar e facilitar o deslizamento de superfícies de falhas.

Houthis afirmam ter derrubado caça F-15SA da Arábia Saudita enquanto avançam no Iêmen

Os rebeldes houthis afirmam ter derrubado um caça F-15 da Força Aérea Saudita durante os combates na província de Marib, no centro do Iêmen. O grupo divulgou imagens que supostamente mostram os destroços da aeronave e afirmou que o avião foi atingido por um míssil produzido localmente.

Até o momento, porém, a derrubada não foi verificada de forma independente, e autoridades sauditas não confirmaram publicamente a perda do caça.

O episódio ocorre em meio a uma rápida ofensiva dos houthis, que avançaram por áreas da costa do Mar Vermelho e assumiram posições próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais passagens marítimas entre o Mar Vermelho e o oceano Índico.

Segundo a Reuters, os combates também envolveram ataques contra cidades e instalações de energia sauditas, enquanto Riad realiza ataques aéreos contra posições houthis no Iêmen.

O cenário é grave, e pode piorar!

O F-15 é uma das principais plataformas de combate utilizadas pela Arábia Saudita. Por isso, uma eventual perda da aeronave representaria um episódio militar relevante, especialmente porque demonstraria que os houthis continuam capazes de ameaçar aeronaves sauditas mesmo diante da superioridade tecnológica de Riad.

A Arábia Saudita opera várias versões do F-15, mas, para o caso divulgado pelos houthis em Marib, a identificação mais provável é particularmente interessante.

As imagens divulgadas pelos houthis foram analisadas por especialistas da Janes e pelo The War Zone (TWZ). A avaliação do TWZ aponta especificamente para um caça modernizado F-15SA/F-15SR, e não simplesmente um F-15 genérico. O TWZ identificou o que aparenta ser o número de cauda 5539, associado ao 55º Esquadrão, baseado na King Khalid Air Base.

O F-15SA é uma das versões mais avançadas do Eagle e deriva diretamente do conceito do F-15E Strike Eagle. Ele recebeu importantes melhorias em sensores, aviônicos e guerra eletrônica. A própria Força Aérea dos EUA descreve o F-15SA como uma versão avançada do F-15S saudita.

Mas existe uma diferença importante entre a alegação e o fato confirmado. Até agora, as evidências disponíveis são principalmente materiais divulgados pelos próprios houthis.

A Associated Press, emissora com ampla presença no Iêmen, informou que não conseguiu verificar independentemente que os destroços mostrados pertencem realmente a um F-15 saudita abatido durante os combates atuais.

Ao mesmo tempo, a ofensiva terrestre dos houthis é confirmada por diferentes fontes. A Reuters relata que o grupo conquistou posições importantes na costa do Mar Vermelho, incluindo Mocha e áreas próximas ao Bab el-Mandeb, aumentando a pressão sobre as rotas utilizadas pelo transporte marítimo e pelas exportações de petróleo sauditas.