A possível venda de 48 caças F-35 à Arábia Saudita entrou em uma zona de forte preocupação dentro do próprio governo dos Estados Unidos.
Documentos de inteligência norte-americanos indicam que a China poderia tentar obter informações ou tecnologia sensível do caça por meio da cooperação militar e tecnológica que mantém com Riad. Mesmo diante desses alertas, o governo Donald Trump decidiu avançar com o processo de venda, estimado em US$ 24,3 bilhões.sao mais de 43 anosd e tradição jurídica
O ponto central da preocupação americana não é apenas o avião em si, mas o que existe dentro dele. O F-35 reúne tecnologias consideradas altamente sensíveis, incluindo sensores avançados, sistemas de guerra eletrônica, comunicações seguras e recursos de vigilância.
Segundo informações citadas pelo New York Times, uma avaliação da Defense Intelligence Agency, a agência de inteligência do Pentágono, questionou se seria possível manter essas tecnologias protegidas em instalações sauditas diante da presença e da cooperação chinesa no país.
Um dos problemas identificados pelos analistas americanos é a presença chinesa na infraestrutura tecnológica da Arábia Saudita. Empresas como Huawei e ZTE fornecem equipamentos de telecomunicações utilizados no país, e os documentos de inteligência levantaram dúvidas sobre a segurança de redes e instalações que poderiam abrigar sistemas relacionados aos F-35. A avaliação também questiona o acesso de militares e integrantes dos serviços de inteligência chineses a bases sauditas.
Existe ainda um segundo elemento que torna a situação mais delicada: a própria cooperação militar entre China e Arábia Saudita. Riad não depende exclusivamente dos Estados Unidos para desenvolver suas capacidades de defesa.
O país também adquiriu mísseis balísticos chineses e recebeu assistência de Pequim para desenvolver capacidade própria de produção e operação desses sistemas. Para Washington, essa aproximação aumenta o risco de que tecnologias americanas extremamente avançadas acabem ficando mais expostas.
O caso Turquia
Um precedente importante para entender a preocupação atual de Washington é o caso da Turquia com o sistema russo S-400. Ancara comprou e recebeu o sistema apesar dos alertas dos Estados Unidos de que sua operação poderia comprometer a segurança de tecnologias militares americanas e criar riscos para o programa F-35.

Em 2019, Washington iniciou a retirada da Turquia do programa, afirmando que o S-400 e o F-35 eram incompatíveis, e, em 2020, impôs sanções à Presidência da Indústria de Defesa turca com base na lei CAATSA.
A solução americana
A solução discutida nos documentos de inteligência passa por restrições de acesso. Uma das avaliações citadas pelo New York Times indica que somente militares e contratados americanos e sauditas deveriam ter acesso às áreas onde a tecnologia do F-35 estivesse instalada. Também foram levantadas questões sobre a necessidade de limitar contatos entre instalações militares sauditas e entidades militares ou de inteligência chinesas.
Outro ponto é a infraestrutura de telecomunicações. Os analistas americanos questionaram se Riad estaria disposto a retirar determinados equipamentos chineses de empresas como Huawei e ZTE de redes e instalações relacionadas à defesa.
Isso demonstra que a discussão sobre os F-35 vai muito além da compra dos aviões: envolve também quem controla as redes, os dados e o ambiente tecnológico no qual essas aeronaves serão utilizadas.
O Congresso americano agora terá um papel importante no processo. Os parlamentares receberam a notificação formal e possuem um período de análise antes que a venda possa avançar definitivamente.
Alguns congressistas já manifestaram oposição justamente por causa dos alertas da comunidade de inteligência. A legislação americana prevê mecanismos para que o Congresso tente bloquear uma venda desse tipo, embora o procedimento enfrente obstáculos políticos e legislativos significativos.
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