O governo dos Estados Unidos deu nesta terça-feira (6) um passo de grande importância para ampliar sua capacidade de construção naval militar. Em Sparrows Point, no estado de Maryland, o presidente Donald Trump anunciou um novo projeto industrial que reúne US$ 3,7 bilhões em investimentos da Anduril Industries e até US$ 2,9 bilhões em contratos da Marinha dos EUA, totalizando potencialmente US$ 6,6 bilhões.
O empreendimento, chamado Arsenal-2, será instalado em uma área que durante décadas esteve ligada à indústria siderúrgica americana. A antiga unidade da Bethlehem Steel encerrou suas atividades em 2012, e agora o local será transformado em um importante polo da indústria de defesa.
O futuro da frota naval americana!
Apesar de o anúncio político falar em uma nova era para a construção de submarinos, há uma diferença importante: o Arsenal-2 não será, inicialmente, uma linha tradicional para fabricar submarinos completos.
A instalação deverá produzir componentes e grandes estruturas destinados principalmente aos submarinos nucleares de ataque da classe Virginia, incluindo equipamentos como tubos de torpedo e portas, além de outros módulos que integram essas embarcações.
A Anduril também pretende ampliar posteriormente sua produção para módulos maiores e seções de casco.
A empresa afirma ainda que o complexo terá capacidade para trabalhar com sistemas submarinos autônomos, colocando a Anduril, conhecida principalmente por drones, sistemas autônomos e softwares militares, em uma posição cada vez mais relevante dentro da indústria naval americana.
Por que Washington está fazendo isso agora?
O projeto faz parte de uma estratégia maior dos Estados Unidos para aumentar rapidamente a capacidade de sua indústria de defesa. A construção de submarinos nucleares americanos enfrenta uma combinação de fatores: cadeia de fornecedores limitada, falta de capacidade industrial, escassez de mão de obra especializada e atrasos em programas de construção naval.
Em agosto, a Casa Branca já havia determinado uma ampla iniciativa para reconstruir a indústria naval americana, apontando justamente para a falta de capacidade e competição no setor.
O governo também determinou estudos para ampliar a capacidade de construção e manutenção de navios militares e criar uma quinta instalação pública da Marinha.
O Arsenal-2 surge, portanto, como uma tentativa de atacar um dos principais gargalos da estratégia naval americana: não basta encomendar mais submarinos se a indústria não consegue produzir seus componentes na velocidade necessária.
Um ponto importante do acordo é a composição dos valores. A Anduril deverá investir US$ 3,7 bilhões de capital próprio na construção do complexo. Paralelamente, a Marinha americana concedeu à empresa um contrato de até US$ 2,9 bilhões relacionado à produção dos componentes submarinos.
De acordo com informações divulgadas sobre o projeto, o governo americano também terá uma participação de 40% no empreendimento, embora os detalhes dessa estrutura de propriedade sejam incomuns e ainda estejam sendo debatidos.
A proposta representa uma participação direta do Estado em uma empresa privada de defesa em uma escala pouco habitual nos Estados Unidos.
O impacto sobre a indústria militar americana
A nova instalação deverá criar mais de 3.100 empregos diretos, além de sustentar milhares de outros postos de trabalho na cadeia de fornecedores. O governo de Maryland estima que o projeto possa apoiar mais de 14 mil empregos entre posições diretas e indiretas.
Para Washington, entretanto, o aspecto mais importante não é apenas a geração de empregos.
É a tentativa de recuperar uma capacidade industrial que os Estados Unidos consideram estratégica para uma eventual competição militar prolongada com grandes potências.
Os submarinos da classe Virginia são algumas das principais plataformas de ataque subaquático da Marinha americana. São submarinos de propulsão nuclear empregados em missões que incluem guerra antissubmarino, inteligência, vigilância e ataques contra alvos terrestres.
A expansão da produção ocorre em um momento no qual Washington busca aumentar sua capacidade militar diante da crescente competição estratégica internacional.
O efeito das guerra no Leste Europeu e no Oriente Médio
A guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio também expuseram uma realidade que preocupa os Estados Unidos: guerras modernas consomem grandes quantidades de equipamentos, munições e componentes, e uma potência militar precisa ter capacidade industrial para repor suas perdas e manter a produção durante uma crise prolongada.
Durante o anúncio, Trump apresentou o projeto como parte de uma retomada da indústria naval americana e afirmou que a iniciativa representa algo sem precedentes desde o período da Segunda Guerra Mundial.
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