O Departamento de Estado dos EUA acaba de publicar um alerta de saúde sobre a região de Irkutsk, na Sibéria russa. O texto informa que a Embaixada americana está ciente de reportagens da imprensa sobre um caso suspeito de peste pneumônica que resultou na morte de uma pessoa, além de medidas de quarentena e fechamentos de hospitais na área. O governo americano afirma que continua acompanhando a situação de perto.
O alerta destaca que a capacidade dos EUA de auxiliar cidadãos americanos na Rússia é limitada, sobretudo fora de Moscou. Mantém-se o aviso de viagem de Nível 4 (“Não viaje”) e reitera que americanos atualmente no país devem partir imediatamente.
Quem planeja ir à Rússia é novamente aconselhado a não viajar, por risco de detenção arbitrária e preocupações de segurança.
O que se sabe do caso
A morte envolve Darya (ou Daria) Shipilova, técnica de laboratório de 28 anos do Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk da Sibéria e do Extremo Oriente, instituição que estuda patógenos perigosos, inclusive a peste.

Ela foi internada no fim de setembro com quadro respiratório grave e morreu por volta de 1º ou 2 de outubro em hospital de Shelekhov, cidade vizinha a Irkutsk.
As autoridades russas (Rospotrebnadzor) classificam a causa como “pneumonia de etiologia desconhecida” e negam ter confirmado peste. Informaram à OMS que não há casos registrados de peste em Irkutsk, que os contatos foram identificados e monitorados, e que testes de patógenos perigosos nesses contatos deram negativo, sem sintomas.
Cerca de 200 pessoas teriam sido colocadas sob observação ou quarentena; parte já foi liberada, segundo relatos locais. Houve restrições em hospitais da região (incluindo Shelekhov), embora várias unidades tenham negado fechamentos totais de três semanas.
A OMS avaliou o risco como moderado a baixo para Irkutsk, baixo para o restante da Rússia e muito baixo para a Europa, sem sinais de transmissão mais ampla até o momento. Circulam versões não confirmadas sobre acidente de laboratório (quebra de tubo com bactéria), viagem à Tailândia ou contato em área próxima à Mongólia; não há evidência pública que sustente qualquer delas, e o órgão russo de vigilância sanitária rejeitou a hipótese de acidente com material patogênico.
A peste pneumônica, causada pela bactéria Yersinia pestis, é a forma que pode se transmitir de pessoa para pessoa por gotículas respiratórias e é grave se não tratada cedo com antibióticos. A região tem ocorrência natural da bactéria em animais selvagens, o que explica a existência do instituto de pesquisa.
O alerta americano combina o episódio de saúde com o quadro de segurança já existente na Rússia, sem afirmar que a peste foi confirmada, limita-se aos “relatos da imprensa” de caso suspeito.
