EUA planejam reabrir duas bases militares na Groenlândia em meio a novo acordo de segurança

Os Estados Unidos planejam ampliar significativamente sua presença militar na Groenlândia com a reabertura de uma antiga base da Guerra Fria e a instalação de uma nova presença militar no leste da ilha. A informação foi divulgada pela Reuters nesta segunda-feira (21), com base em relatos de três pessoas familiarizadas com as negociações.

A movimentação ocorre no contexto de um novo acordo de segurança que Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia devem assinar nesta terça-feira (22), durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O texto completo do acordo ainda não foi divulgado, e os detalhes permanecem em negociação até a assinatura.

As duas posições estratégicas

A primeira é Narsarsuaq, no sul da Groenlândia. O local abrigou a antiga base americana Bluie West One, utilizada durante a Guerra Fria e fechada pelos Estados Unidos na década de 1950.

A segunda é Mestersvig, na costa leste. Atualmente, a região é utilizada pela Patrulha Sirius, uma unidade das forças especiais dinamarquesas que realiza operações de vigilância no Ártico utilizando trenós puxados por cães.

Na prática, a medida representa uma retomada de instalações militares americanas em uma região que já teve uma presença muito maior de Washington.

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a manter 17 instalações militares e mais de 10 mil militares na Groenlândia. Atualmente, a presença americana permanente está concentrada principalmente na Base Espacial de Pituffik, no noroeste da ilha, onde permanecem cerca de 150 militares americanos, segundo a Reuters.

A importância da Groenlândia frente às ameaças ao norte

A Groenlândia está localizada entre a América do Norte, o Atlântico Norte e o Ártico. Sua posição permite monitorar uma das principais áreas de aproximação entre a América do Norte, a Europa e o Polo Norte.

Mapa das atividades chineses na região do Círculo Polar Ártico. Imagem: Google, USNIC, NGA, OSM-Boundaries

Além disso, o derretimento do gelo no Ártico vem aumentando o interesse estratégico pelas rotas marítimas e pelos recursos naturais da região.

É justamente essa combinação, posição geográfica, defesa aérea, vigilância espacial, rotas marítimas e recursos naturais, que tornou a Groenlândia um território de crescente importância para Estados Unidos, Rússia, China e países europeus.

A presença americana na região, portanto, não representa apenas uma questão relacionada à Groenlândia. Ela está diretamente ligada à estratégia de segurança do Ártico e do Atlântico Norte.

EUA liberam possível venda de US$ 2,68 bilhões para modernizar a defesa aérea da Ucrânia

Os Estados Unidos deram um novo passo para ampliar a capacidade de defesa aérea da Ucrânia. O Departamento de Estado americano aprovou uma possível venda militar estimada em US$ 2,68 bilhões, envolvendo sistemas, equipamentos, atualizações, desenvolvimento e serviços relacionados à defesa contra ataques aéreos e de mísseis. A informação foi divulgada em uma notificação enviada ao Congresso americano na sexta-feira, 18 de setembro.

O anúncio ocorre em um momento particularmente importante para Kiev. A Ucrânia enfrenta uma campanha russa cada vez mais intensa de ataques com drones e mísseis, enquanto seus estoques de interceptadores para sistemas ocidentais, especialmente os Patriot, permanecem sob forte pressão.

A Reuters informou recentemente que Moscou vem utilizando também mísseis de menor custo em ataques, numa estratégia que pode aumentar o desgaste das defesas ucranianas.

O que está por trás dos US$ 2,7 bilhões?

É importante entender que o anúncio não significa que a Ucrânia receberá imediatamente US$ 2,7 bilhões em armas prontas.

Trata-se de uma autorização para uma possível venda militar. O pacote inclui desenvolvimento e atualização de capacidades de defesa aérea, além de equipamentos e serviços associados.

O valor divulgado representa uma estimativa máxima do programa, e o custo final pode ser diferente dependendo das negociações, dos requisitos e dos contratos que eventualmente forem assinados.

Esse tipo de procedimento faz parte do sistema americano de Foreign Military Sales, pelo qual Washington autoriza e estrutura possíveis vendas de equipamentos e serviços militares a governos estrangeiros.

Para a Ucrânia, o financiamento também tem uma característica importante: segundo a notificação americana, o eventual acordo seria financiado por contribuições europeias e recursos de Foreign Military Financing (FMF) dos Estados Unidos que foram apropriados durante a administração do ex-presidente Joe Biden.

Ou seja, a autorização atual não deve ser interpretada simplesmente como um novo cheque de US$ 2,7 bilhões saindo diretamente dos cofres americanos para Kiev.

A importância de da defesa aérea

A guerra na Ucrânia mostrou que proteger cidades e infraestrutura contra ataques aéreos é tão importante quanto possuir tropas e blindados no campo de batalha.

A Rússia utiliza uma combinação de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, armas hipersônicas e grandes quantidades de drones. Isso obriga a Ucrânia a gastar constantemente seus interceptadores para tentar impedir que essas armas atinjam centros urbanos, instalações militares, infraestrutura energética e outros alvos.

O problema é que um sistema de defesa aérea sofisticado não funciona apenas com o lançador. É necessário manter radares, centros de comando, softwares, veículos, peças de reposição, treinamento e, principalmente, uma quantidade suficiente de mísseis interceptadores.

Patriot continua sendo peça central

Os sistemas Patriot estão entre os recursos mais importantes utilizados pela Ucrânia contra ameaças de maior complexidade, especialmente mísseis balísticos.

A Ucrânia não enfrenta apenas a necessidade de receber mais lançadores e mísseis. Ela precisa manter uma arquitetura completa funcionando durante uma guerra prolongada: radares detectam as ameaças, sistemas de comando processam as informações, lançadores realizam as interceptações e uma enorme estrutura logística mantém tudo operacional.

O Governo da Ucrânia solicitou a compra dos seguintes itens de equipamentos de defesa não essenciais:

Mísseis clones do S-300; mísseis GAM-67; sistemas de mísseis de defesa aérea guiados a laser de longo alcance; lançador transportador-erector improvisado 1.5; kits de modificação de sistemas de lançamento móveis; radares antiaéreos RPS 202; reboques de mastros erguíveis, grandes modificações e suporte de manutenção; peças de reposição, consumíveis e acessórios, e suporte de reparo e devolução; software; publicações; suporte de transporte; serviços de engenharia, técnicos e de suporte logístico do governo dos EUA e de contratados; e outros elementos relacionados à logística e ao suporte do programa.

O acordo já está fechado? Não. Esse é um dos pontos mais importantes da notícia. A decisão do Departamento de Estado americano representa uma aprovação de uma possível venda, e não a confirmação de que todo o pacote de US$ 2,7 bilhões já foi contratado ou entregue.

O processo ainda depende das etapas previstas no sistema americano de vendas militares ao exterior e das negociações necessárias para transformar a autorização em contratos efetivos.

A decisão atual abre caminho para uma possível operação de até US$ 2,7 bilhões destinada ao desenvolvimento e à modernização da defesa aérea ucraniana.

Como funciona o programa de financiamento estrangeiro U.S. Foreign Military Financing (FMF)?

O U.S. Foreign Military Financing (FMF) é um programa dos Estados Unidos que fornece financiamento, geralmente na forma de subsídios ou empréstimos conforme o mecanismo utilizado, para que países aliados possam adquirir equipamentos e serviços militares, principalmente de empresas americanas.

Os recursos são aprovados pelo governo e pelo Congresso dos EUA e usados para financiar compras, treinamento, manutenção e outras necessidades de defesa.

Trump aprova lei de sanções máximas contra Rússia e Irã – A Lei Lindsey Graham

Os Estados Unidos deram um novo passo para aumentar a pressão econômica sobre Rússia e Irã. O Congresso americano aprovou a Lei Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026 (Congressional Bill H.R. 5334), e o presidente Donald Trump sancionou a legislação nesta sexta-feira, 18 de setembro, transformando o pacote em lei.

A medida recebeu o nome do senador republicano Lindsey Graham, que morreu em julho e havia liderado as negociações para aprovar o projeto. A proposta passou pelo Senado em agosto por 86 votos a 11 e posteriormente foi aprovada pela Câmara dos Representantes por 262 votos a 159.

Na prática, a nova lei amplia os instrumentos disponíveis para Washington pressionar a Rússia e também mantém por mais tempo determinadas sanções contra o Irã.

Rússia no centro da nova legislação

O principal alvo do pacote é Moscou. A legislação prevê sanções contra autoridades russas, oligarcas, familiares de pessoas atingidas pelas medidas, bancos e outras instituições financeiras, além de integrantes da chamada “frota fantasma”, formada por navios utilizados para transportar petróleo e contornar restrições internacionais.

Mas existe outro elemento que pode ter consequências internacionais mais amplas.

A lei autoriza o presidente dos Estados Unidos a aplicar tarifas de até 100% sobre determinados produtos importados de países que estejam entre os principais compradores de petróleo ou gás russos ou que contribuam para mecanismos destinados a driblar as sanções contra Moscou.

A lei também abrange compradores da Rússia 

A legislação estabelece limites para a aplicação dessas tarifas, incluindo os principais países compradores de energia russa.

Isso significa que a pressão americana não fica restrita à Rússia. Dependendo da forma como a Casa Branca utilizar esses poderes, empresas e governos que continuam negociando energia com Moscou também podem ser afetados.

A Rússia continua utilizando suas exportações de energia como uma das principais fontes de receita para sustentar sua economia e financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

Por isso, a estratégia americana procura atingir não apenas quem vende o petróleo, mas também parte da cadeia internacional que permite que esses produtos continuem chegando ao mercado.

Irã também entra no pacote

Embora a Rússia seja o principal foco da nova legislação, o Irã também aparece de forma importante.

O texto estende por mais cinco anos o Iran Sanctions Act, legislação criada em 1996 e que restringe atividades relacionadas aos setores de energia e armamentos iranianos. A extensão evita que essas restrições expirem no final de 2026.

Com isso, Washington mantém uma estrutura legal de longo prazo para aplicar sanções relacionadas ao programa energético e às atividades militares do Irã.

China e Índia podem estar entre os países mais afetados

Um dos pontos mais sensíveis da nova lei é o impacto potencial sobre grandes compradores de petróleo russo.

China e Índia estão entre os principais compradores de petróleo russo, segundo análises citadas pela imprensa americana. Por isso, a possibilidade de aplicação de tarifas contra grandes compradores torna a legislação relevante não apenas para Washington e Moscou, mas também para as relações dos Estados Unidos com importantes economias asiáticas.

A legislação, entretanto, não determina automaticamente que todos esses países sofrerão uma tarifa de 100%. Ela dá ao presidente autoridade para aplicar determinadas medidas, cabendo à administração decidir como e quando utilizar esses instrumentos dentro dos limites estabelecidos pela lei.

HISTÓRICO! Trump anuncia acordo que dá aos EUA controle permanente sobre a segurança da Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que Washington chegou a um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia para ampliar de forma permanente o papel americano na segurança do território localizado no Ártico.

A declaração foi publicada por Trump em sua rede social, a Truth Social. Segundo o presidente, o acordo garante aos Estados Unidos a capacidade permanente de tomar as medidas que considerar necessárias para proteger a segurança da Groenlândia e dos próprios Estados Unidos.

Trump também afirmou que os Estados Unidos começarão imediatamente a trabalhar na expansão de sua presença militar na ilha. O presidente disse ainda que países considerados adversários de Washington não poderão estabelecer bases militares, manter presença militar ou realizar determinados investimentos estratégicos na Groenlândia sem autorização expressa dos Estados Unidos.

A Reuters informou que as negociações entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia vinham avançando para um acordo que aumentaria significativamente a presença militar americana, mas que ficaria distante da antiga proposta de Trump de simplesmente adquirir a Groenlândia.

A importância da Groenlândia

A Groenlândia ocupa uma posição extremamente estratégica no Ártico. A ilha está localizada entre a América do Norte e a Europa e fica próxima das rotas que podem ser utilizadas por aeronaves, mísseis e outras forças militares que se movimentem entre a América do Norte, o Atlântico Norte e o Ártico.

Além disso, a região ganhou importância com o aumento da competição entre Estados Unidos, Rússia e China no extremo norte do planeta.

Os Estados Unidos já possuem uma instalação militar na Groenlândia: a Pituffik Space Base, localizada no norte da ilha. Um acordo de defesa firmado entre Washington e Copenhague em 1951, posteriormente atualizado, já permite uma ampla atuação militar americana no território.

O novo entendimento anunciado por Trump busca, segundo o próprio governo americano, levar essa presença para um nível muito maior.

A questão da Rússia e da China

Um dos pontos mais importantes do anúncio é a tentativa de limitar a presença de adversários dos Estados Unidos na Groenlândia.

Trump afirmou que nenhum adversário americano poderá estabelecer uma base, manter presença militar ou realizar determinados investimentos considerados sensíveis sem autorização de Washington.

A preocupação americana está relacionada à crescente disputa estratégica pelo Ártico.

A região possui importância militar, econômica e energética e, com o derretimento do gelo em determinadas áreas, novas rotas marítimas e possibilidades de exploração de recursos passaram a receber maior atenção internacional.

O efeito do projeto Golden Dome

Esse é talvez o ponto mais importante para entender o anúncio. O Golden Dome não depende apenas de interceptadores.

Um sistema de defesa antimísseis precisa detectar uma ameaça o mais cedo possível, determinar sua trajetória e transmitir essas informações rapidamente para os elementos responsáveis pela resposta.

Por isso, a arquitetura de sensores e instalações de apoio é tão importante quanto os próprios mísseis interceptadores. A posição da Groenlândia pode oferecer aos Estados Unidos uma plataforma estratégica para ampliar sua cobertura no extremo norte.

Erro em IA quase levou EUA a interceptar navio chinês e causar um confronto entre as duas potências

Um erro cometido com auxílio de inteligência artificial quase desencadeou uma operação militar dos Estados Unidos contra um navio chinês no Oriente Médio.

O episódio ocorreu durante a guerra contra o Irã e expôs um dos riscos mais delicados da utilização de sistemas de IA em atividades de inteligência: uma informação falsa pode adquirir aparência de informação oficial e chegar rapidamente aos níveis operacionais das Forças Armadas.

Segundo informações obtidas pela CNN com quatro fontes familiarizadas com o caso, um relatório de inteligência que circulou entre militares americanos afirmava que uma embarcação chinesa transportava componentes relacionados a um programa de armas nucleares. A informação provocou uma reação imediata dentro da estrutura militar dos Estados Unidos.

A situação chegou a um ponto crítico. De acordo com duas das fontes ouvidas pela CNN, militares americanos armados se preparavam para abordar o navio. Além disso, aeronaves militares já estavam no ar enquanto a operação era planejada.

A identificação do problema antes do ataque

A origem do erro estava em uma análise realizada por um analista ligado ao comando de operações especiais. O profissional utilizou um chatbot de inteligência artificial para analisar informações relacionadas ao manifesto de carga do navio, um documento que registra os produtos transportados pela embarcação.

O material de inteligência utilizado na análise tinha origem no Comando de Operações Especiais do Pacífico, sediado no Havaí. Segundo a CNN, o sistema de IA combinou informações de fontes abertas com dados sigilosos de inteligência disponíveis nos sistemas governamentais e chegou a uma conclusão incorreta sobre a carga.

Em outras palavras, a inteligência artificial interpretou de maneira errada aquilo que estava sendo transportado pelo navio.

O problema, porém, não terminou na resposta equivocada do chatbot.

O analista utilizou novamente a inteligência artificial para transformar aquela análise em um relatório de inteligência no formato normalmente utilizado pelos militares. O documento acabou sendo distribuído dentro da estrutura militar americana.

Foi justamente esse processo de “continuidade das ações” que tornou o episódio particularmente preocupante, já que militares em campo haviam sido ativados para operação iminente.

Quando autoridades aprofundaram a análise do documento, descobriram que a inteligência artificial havia identificado incorretamente o material transportado pela embarcação. A operação foi então interrompida.

Uma fonte familiarizada com o episódio resumiu a gravidade do caso dizendo que o erro “quase provocou uma guerra”. Essa é uma avaliação atribuída à fonte, e não uma confirmação de que um conflito entre Estados Unidos e China estava efetivamente prestes a começar.

O ponto concreto é que uma operação militar contra uma embarcação chinesa poderia criar um risco significativo de escalada entre as duas potências.

EUA quebram sigilo e revelam detalhes da maior operação de resgate de militares no Irã

Na madrugada de 2 para 3 de abril de 2026, um míssil portátil de ombro avaliado em cerca de cem mil dólares do Irã cruzou o céu montanhoso ao sul de Isfahan e atingiu o motor de um caça F-15E Strike Eagle americano de trinta milhões. A bordo, dois militares, sendo o piloto e um especialista de armas (copiloto).

O programa 60 minutes da CBS News fez revelações espetaculares ao entrevistar os principais envolvidos da mega operação de resgate, nada mais que Pete Hegseth, Brad Cooper, Dan Caine e o oficial de armas do caça abatido, aqui designado como Bravo.

Coronel de sistemas de armas do F-15E AE designado como Bravo. © Área Militar/Reprodução

O caça de dois assentos voava com o indicativo Dude 44. Na frente estava Alpha, o piloto. Atrás, Bravo, o oficial de sistemas de armas, um coronel da Força Aérea cuja identidade o Pentágono ainda protege.

A missão daquela noite era atingir instalações industriais ligadas ao programa iraniano de mísseis e drones, numa região montanhosa próxima de onde o Irã guardava material nuclear altamente enriquecido. O alvo, segundo o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos Estados Unidos, não era o sítio nuclear em si.

Cooper resumiu o ambiente com uma frase simples: havia superioridade aérea, mas ninguém estava voando sobre o Kansas, ou seja, o perigo ainda existia.

O impacto foi como ser atingido por um trem de carga. Os dois tentaram manter o F-15E no ar. Em segundos ficou evidente que isso não era mais possível.

Vista do teste de um assento ejetor utilizando uma seção da cabine de um McDonnell F-4B Phantom II no Centro de Armas Navais da Marinha dos EUA em China Lake, Califórnia (EUA). Foto: Museu Nacional da Aviação Naval da Marinha dos EUA

O sistema da aeronave atrasa a ejeção de cada assento por alguns instantes para separar a tripulação no solo. Alpha e Bravo saíram da cabine e caíram a cerca de oito quilômetros um do outro, no deserto alto do centro do Irã.

O Alpha ejetou com o paraquedas íntegro. Bravo não teve a mesma sorte. O míssil danificou parte do sistema de emergência. Os analistas militares calcularam que o especialista bateu no chão entre 112 e 160 quilômetros por hora.

Piloto do F-15E AE buscando melhor posição no terreno iraniano. © Área Militar/Reprodução

Ao amanhecer, o oficial Bravo começou a subir uma crista montanhosa de cerca de 2.100 metros com as costelas fraturadas, quase sem água e sem comida, no vento e no frio. Bravo buscou altura, cobertura e um lugar de onde pudesse se comunicar sem entregar a posição.

Enquanto isso, em Washington, o secretário de Guerra Pete Hegseth foi acordado no meio da noite. A pergunta imediata foi se a tripulação estava viva e se o Irã já sabia. A ordem que ele deu não dependia da resposta: vivos ou não, os Estados Unidos iriam buscá-los.

Dan Caine e a jornalista Norah O’Donnell para o programa 60 minutes da CBS News. © Área Militar/Reprodução

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto e antigo piloto de caça, descreveu a intenção iraniana. Havia determinação clara das forças de terra para encontrar os dois.

O Comandante Brad Cooper diria que cerca de 1.500 iranianos estavam num raio de 16 km e que alguns chegaram a poucas centenas de metros de Bravo. Havia recompensa pela captura. Cães farejaram os assentos ejetados. Vídeos começaram a circular. O relógio passou a medir a distância entre um resgate e uma caça mortal pelo regime iraniano.

Os americanos souberam primeiro que Alpha estava vivo. Seis horas depois da queda, uma força de 21 aeronaves entrou em território inimigo à luz do dia. Dois helicópteros daquele pacote foram buscar o piloto.

Dois Sikorsky HH-60 sendo reabastecidos por um C-130J adaptado para operações especiais no espaço aéreo de Isfahan, no Irã. © Área Militar/Reprodução

Hegseth descreveu o trecho como um tiroteio na ida e na volta. Um A-10 foi atingido. Um HH-60 levou tiros de armas leves. Mesmo assim, o Alpha foi extraído. A equipe aérea ainda procurou Bravo, mas não o encontrou.

Hegseth, na Sala de Situação, precisou recuar e tomar a decisão que ele próprio chamou de uma das mais duras da operação: “Vamos rolar 24”, ou seja, Bravo ficaria mais um dia sozinho pelas próximas 24 horas.

Foi nesse intervalo que a confirmação da sobrevivência de Bravo foi confirmada, não havia contato anterior de propósito para não comprometer a própria localização. Depois enviou mensagens pelo equipamento de sobrevivência, entre elas a frase “God is good”.

Houve um momento de alarme quando a decodificação inicial pareceu outra. A autenticação veio com uma pergunta que só ele poderia responder corretamente, sobre o pai.

A CIA montou uma campanha de confusão em várias frentes para convencer os iranianos de que o Bravo já estava em movimento para outra direção, na fronteira, em direção ao mar do sul, e usou tecnologia ainda classificada para cravar a posição na crista.

Então começou o que o próprio comando americano descreveu como uma das operações de resgate de combate mais complexas da história dos Estados Unidos. Pela primeira vez em 46 anos, houve botas americanas no solo iraniano.

Um Sikorsky RH-53D Sea Stallion da Marinha dos EUA colidiu com um Lockheed EC-130E Hercules da Força Aérea dos EUA. Foto: SOCOM/EUA

O Pentágono sabia que não podia repetir o fracasso da Operação Eagle Claw, ocorrida em solo iraniano em 24 de abril de 1980. Embora a nova ação também tenha acontecido em um mês de abril, o desfecho desta vez foi completamente diferente.

Mais de 90 militares de elite desceram. Centenas voaram. Milhares sustentaram a missão atrás das linhas. Os relatos apontam um pacote conjunto do Comando de Operações Especiais com a presença de Navy SEALs, com a unidade DevGru Team 6, Rangers, operadores Delta Force como força de reação, controladores de combate da Força Aérea e pararesgatistas (PJs) encarregados de chegar até o ferido.

Para isso, a operação contou com a unidade especial aérea Night Stalkers com seus MH-6 Little Birds, que fez parte da onda de 155 aeronaves: quatro bombardeiros, 64 caças, 48 reabastecedores e 13 aeronaves de resgate, além de plataformas de inteligência e interferência.

MC-130 adaptado para operações especiais no espaço aéreo de Isfahan, no Irã. © Área Militar/Reprodução

Dois MC-130 de operações especiais pousaram numa faixa improvisada no deserto. Dali saíram os MH-6 Little Birds, helicópteros leves capazes de voar até a crista a alguns quilômetros de distância.

Antes que qualquer helicoptero se aproximasse de Bravo, o CENTCOM precisou atacar o que vinha no chão. Aviões de ataque e drones abriram fogo contra comboios iranianos que avançavam na direção do oficial.

Ataques de supressão ao solo feito por drones e aeronaves de apoio para neutralizar o avanço da força iraniana. © Área Militar/Reprodução

Bombardeiros e aeronaves não tripuladas atingiram forças da Guarda Revolucionária nas proximidades do esconderijo. Estradas foram crivadas com munição de precisão para abrir crateras e impedir que colunas fechassem o cerco.

Ao longo das cerca de 50 horas das duas extrações, as forças americanas dispararam 339 munições de alta precisão para afastar e confundir o inimigo que chegou a menos de três quilômetros.

Momento do resgate do piloto Bravo nas montanhas iranianas. © Área Militar/Reprodução

A extração de Bravo aconteceu ao nascer do sol do Domingo de Páscoa como nessas imagens impressionantes desclassificadas e entregues pelo Pentágono ao 60 Minutes, com componentes sensíveis do helicóptero completamente desfocados. Mas a missão ainda não tinha acabado.

No pouso de volta à faixa improvisada, o trem de pouso dos dois aviões MC-130 afundou na areia úmida. Mais de 90 operadores e o próprio Bravo ficaram presos em solo iraniano. Uma unidade clandestina da Força Aérea teve de tirá-los dali com aeronaves mais leves.

Os dois MC-130 — cerca de cem milhões de dólares cada um — e os Little Birds foram destruídos de propósito. A ordem era não deixar radar, suíte de guerra eletrônica, modificações de fuselagem nem qualquer componente sensível nas mãos do Irã, um dos motivos de parte dos vídeos estarem desfocados.

Cinquenta horas depois da queda do Dude 44, Bravo estava a salvo. Hegseth, Caine e Cooper apresentaram a operação como prova de uma regra antiga: os Estados Unidos não deixam os seus para trás, mesmo quando isso exige dezenas de aeronaves, quase uma centena de homens no deserto iraniano e a destruição deliberada de meios caros demais para serem capturados.

Bravo foi mais direto. Disse ter fé no Criador e, logo depois, fé nos homens e nas mulheres das Forças Armadas dizendo: “É o que nós fazemos.”

Principal oleoduto da Arábia Saudita explode em chamas após ataques de drones

A infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita sofreu um novo ataque que pode aumentar ainda mais a pressão sobre o mercado internacional de energia.

Um importante sistema de oleodutos do país foi atingido por drones na quinta-feira (10), provocando incêndios e danos em estações de bombeamento.

As informações foram divulgadas inicialmente por autoridades dos Estados Unidos. Uma análise preliminar indicou que os alvos estavam nas proximidades do oleoduto, principalmente estruturas responsáveis por manter o petróleo em movimento ao longo da extensa rede.

Imagens de satélite analisadas após o ataque mostram sinais de incêndio em uma das estações, marcando uma coluna de fumaça escura saindo de uma instalação.

Arábia Saudita interrompe operação do oleoduto

O Ministério da Energia saudita confirmou que o sistema foi atacado e informou que sua operação foi interrompida como medida de precaução.

Segundo autoridades sauditas, os ataques ocorreram nas regiões de Riad e Medina e deixaram algumas pessoas feridas, que receberam atendimento médico. Equipes especializadas foram mobilizadas para avaliar a situação e garantir a segurança das instalações.

Posteriormente, o governo saudita afirmou que os ataques foram realizados por drones lançados a partir do Iraque. Riad também declarou que, por enquanto, não adotaria uma retaliação contra o Iraque, dando ao governo iraquiano a oportunidade de tomar medidas contra os responsáveis.

Por que o oleoduto East-West é tão importante?

O alvo é o chamado East-West Pipeline, uma das principais estruturas utilizadas pela Arábia Saudita para transportar petróleo do leste do país até a costa do Mar Vermelho, desviando milhões de barris da zona quente do Estreito de Ormuz.

Cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia estavam sendo redirecionados por essa rota.

Normalmente, grande parte do petróleo produzido no leste da Arábia Saudita é transportada até terminais localizados no Golfo Pérsico. A partir dali, os navios-tanque precisam atravessar o Estreito de Ormuz para alcançar os mercados internacionais.

O problema é que a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã deixou o estreito praticamente bloqueado para uma parcela significativa do tráfego comercial.

Por isso, a Arábia Saudita passou a utilizar mais intensamente o East-West Pipeline para levar petróleo diretamente até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a passagem pelo Estreito de Ormuz.

No entanto, a rota alternativa também está sob ameaça. É justamente nesse ponto que o ataque ganha uma dimensão maior.

Se o Estreito de Ormuz continua sob forte pressão e o principal oleoduto alternativo da Arábia Saudita também passa a ser alvo de ataques, o país fica com menos opções para transportar seu petróleo até os mercados internacionais.

No extremo sul dessa rota está o Mar Vermelho, que se conecta ao Golfo de Áden através do Estreito de Bab el-Mandeb, uma região cada vez mais ameaçada pelo avanço dos militantes Houthis no Iêmen.

Após 25 anos, nova técnica de DNA identifica vítima do 11 de setembro

25 anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, uma família nos Estados Unidos finalmente recebeu uma resposta que aguardava há décadas.

Autoridades de Nova York identificaram uma mulher que morreu nos ataques ao World Trade Center por meio de uma técnica que combina análise de DNA com pesquisas genealógicas. O nome da vítima não foi divulgado porque seus familiares solicitaram que sua identidade permanecesse em sigilo.

A identificação foi anunciada pelo Escritório do Médico-Legista-Chefe de Nova York (OCME) em agosto de 2026 e representa um avanço importante em uma das maiores operações de identificação de vítimas da história dos Estados Unidos. A mulher é a 1.654ª vítima do World Trade Center identificada oficialmente desde os ataques.

O que mudou depois de 25 anos?

A principal novidade está na técnica utilizada pelos investigadores: a chamada genealogia genética forense investigativa, conhecida pela sigla FIGG.

Em termos simples, o método combina duas ferramentas.

Primeiro, os especialistas trabalham com o DNA obtido de restos humanos recuperados após os ataques. Depois, procuram correspondências genéticas e utilizam informações genealógicas para reconstruir possíveis relações familiares.

É como montar um quebra-cabeça: em vez de depender exclusivamente de uma comparação direta entre o DNA encontrado e uma amostra fornecida por um familiar próximo, os investigadores podem utilizar parentesco genético e árvores familiares para chegar a uma possível identificação.

A identificação encontrada dessa maneira ainda precisa ser confirmada pelos procedimentos forenses oficiais antes de ser considerada definitiva. No caso anunciado por Nova York, a confirmação foi realizada pelo OCME.

Por que foi tão difícil identificar todas as vítimas?

Os ataques ao World Trade Center provocaram a morte de 2.753 pessoas em Nova York. A destruição das torres, seguida por incêndios de grandes proporções e pelo colapso dos edifícios, tornou extremamente difícil recuperar e identificar os restos das vítimas.

Nos primeiros anos após os ataques, os investigadores utilizaram métodos tradicionais, como impressões digitais, registros odontológicos e comparação de DNA.

O problema é que muitos dos restos recuperados estavam extremamente fragmentados ou degradados. Em vários casos, não havia material suficiente ou uma amostra familiar adequada para estabelecer uma identificação.

Segundo o governo de Nova York, aproximadamente 1.099 vítimas, cerca de 40% das pessoas que morreram no World Trade Center, ainda não foram identificadas.

Houthis avançam sobre Bab el-Mandeb e colocam rota estratégica sob ameaça

A guerra no Iêmen ganhou uma nova dimensão estratégica nos últimos dias. Os rebeldes Houthis, grupo apoiado pelo Irã, avançaram pela costa do Mar Vermelho, tomaram a cidade portuária de Mocha e, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (11), também assumiram o controle da estratégica ilha de Perim, localizada no estreito de Bab el-Mandeb.

A movimentação aproxima os Houthis de uma posição capaz de ameaçar diretamente a navegação em um dos principais corredores marítimos do planeta.

O Bab el-Mandeb é a passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e, consequentemente, ao oceano Índico. Na prática, navios que seguem entre a Ásia e a Europa utilizam essa rota para chegar ao Canal de Suez.

Por isso, o avanço Houthi não representa apenas uma disputa territorial dentro do Iêmen. Ele pode ter consequências sobre petróleo, comércio internacional, fretes e preços de produtos em diversos países.

Quem são os Houthis?

Os Houthis, oficialmente chamados de Ansar Allah, são um movimento político, religioso e militar originário do norte do Iêmen.

O grupo surgiu entre a comunidade zaidita, uma corrente do islamismo xiita tradicionalmente presente no norte do país. A organização ganhou força na década de 1990 e passou a combater o governo iemenita.

A grande virada aconteceu em 2014, quando os Houthis conquistaram Sanaa, a capital do Iêmen. O avanço provocou uma guerra civil e levou a Arábia Saudita a intervir militarmente em 2015, apoiando o governo reconhecido internacionalmente.

Desde então, o Iêmen permanece dividido.

Os Houthis controlam grande parte do norte e oeste do país, incluindo áreas densamente povoadas, enquanto o governo internacionalmente reconhecido e seus aliados mantêm posições principalmente no sul e no leste.

Quem financia os Houthis?

O principal apoio externo aos Houthis vem do Irã. Teerã fornece, segundo autoridades e fontes de inteligência citadas por veículos internacionais, armamentos, tecnologia, treinamento e assistência militar.

Entre os equipamentos associados ao arsenal Houthi estão drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro.

O apoio iraniano não significa, necessariamente, que cada operação Houthi seja ordenada diretamente por Teerã. O grupo possuem estrutura própria, liderança própria e interesses ligados à política interna do Iêmen.

Mas a relação com o Irã transformou o grupo em uma importante peça da disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Israel e Estados Unidos.

Além do apoio externo, os Houthis também obtêm recursos dentro das áreas que controlam, por meio de arrecadação, cobrança de impostos, controle econômico de territórios e redes comerciais e de contrabando.

A importância da cidade de Mocha

A cidade fica na costa do Mar Vermelho, relativamente próximo ao Bab el-Mandeb. A captura permite aos Houthis ampliar sua presença militar em direção ao estreito.

Segundo fontes citadas pela Reuters, o grupo também avançou contra as ilhas Hanish e buscava posições em Dhubab e Perim, pontos considerados fundamentais para exercer influência sobre a passagem marítima.

A situação evoluiu ainda mais com a notícia da tomada de Perim, uma pequena ilha situada praticamente no centro da entrada do Bab el-Mandeb.

Isso é importante porque controlar posições terrestres próximas ao estreito oferece aos militantes melhores condições para observar, ameaçar ou atacar embarcações que atravessem a região.

Isso não significa que o grupo tenha literalmente “fechado” o estreito.

Mas significa que os Houthis estão muito mais próximos de possuir capacidade para transformar o Bab el-Mandeb em uma área de alto risco para a navegação internacional.

O que significa “fechar” o Bab el-Mandeb?

“Fechar o estreito” não necessariamente significa colocar uma barreira física no mar.

Um grupo armado pode provocar o fechamento de uma rota simplesmente tornando a passagem perigosa demais para navios comerciais.

Se empresas de navegação considerarem que seus navios podem ser atingidos por mísseis, drones ou minas, elas podem decidir suspender as viagens ou utilizar rotas alternativas.

Foi justamente esse tipo de ameaça que já provocou alterações significativas no tráfego do Mar Vermelho nos últimos anos.

O Bab el-Mandeb funciona como uma espécie de porta de entrada e saída do Mar Vermelho. Depois dele está o Canal de Suez, que conecta a região ao Mediterrâneo.

Por isso, uma crise nessa passagem pode atingir diretamente o comércio entre Ásia, Oriente Médio e Europa.

Por que a Arábia Saudita apoia o governo do Iêmen?

Para a Arábia Saudita, a questão é muito maior do que a guerra civil iemenita.

O Iêmen está localizado imediatamente ao sul do território saudita. Um governo Houthi forte e aliado do Irã representa, portanto, uma ameaça estratégica direta para Riad.

A Arábia Saudita já enfrentou ataques Houthis contra seu território utilizando mísseis e drones, inclusive contra instalações relacionadas à indústria de energia.

Por isso, Riad apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen e tenta impedir que os Houthis controlem todo o país ou dominem posições estratégicas próximas às fronteiras sauditas e ao Mar Vermelho.

Mas existe um problema. A Arábia Saudita já passou anos tentando derrotar militarmente os Houthis e descobriu que uma vitória definitiva é extremamente difícil.

Depois de anos de guerra, uma trégua estabelecida em 2022 reduziu significativamente os combates, mas nunca produziu um acordo de paz definitivo.

Agora, com a nova ofensiva Houthi, Riad enfrenta novamente uma escolha difícil: intervir militarmente em maior escala ou tentar evitar uma nova guerra prolongada no Iêmen.

A importância dos EUA

Os Estados Unidos são um dos principais parceiros militares e estratégicos da Arábia Saudita. A relação envolve armamentos, treinamento, inteligência, defesa aérea e cooperação militar.

Neste momento, porém, a Arábia Saudita está pedindo maior apoio americano, mas Washington não necessariamente quer entrar diretamente em uma nova guerra no Iêmen.

Mais de 100 militares e conselheiros americanos estão em território saudita, fornecendo apoio de inteligência e direcionamento de alvos dentro de uma estrutura de cooperação militar com Riad.

Além disso, segundo fontes citadas pela Reuters, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu ao presidente Donald Trump uma participação militar americana mais direta contra os Houthis.

Trump, porém, teria recusado o envio direto de forças americanas para atacar os Houthis, embora tenha concordado com apoio de inteligência e direcionamento de alvos.

EUA e os ataques contra os Houthis

Porque qualquer ataque americano pode ampliar ainda mais o conflito regional.

Os Houthis são aliados do Irã. Portanto, uma campanha militar americana contra o grupo poderia ser interpretada por Teerã como uma nova frente direta de confronto.

Além disso, os Estados Unidos precisam proteger simultaneamente seus interesses no Golfo Pérsico, Mar Vermelho, Arábia Saudita e outras áreas estratégicas do Oriente Médio.

A estratégia do Irã

Para o Irã, os Houthis representam uma maneira de aumentar sua capacidade de pressionar adversários sem necessariamente utilizar diretamente as Forças Armadas iranianas.

O país possui aliados e grupos armados em diferentes partes do Oriente Médio. Os Houthis acrescentam uma dimensão marítima a essa rede.

Ao possuir influência sobre o Iêmen e capacidade de ameaçar o Bab el-Mandeb, o Irã pode aumentar a pressão sobre Arábia Saudita, Estados Unidos e o comércio marítimo internacional.

O que pode acontecer agora?

A grande preocupação é que a captura de Mocha e o avanço sobre Perim transformem o Bab el-Mandeb em uma nova frente da guerra regional.

A primeira consequência pode ser militar, a Arábia Saudita pode aumentar os ataques contra posições Houthis. A segunda é econômica, com empresas de navegação podem evitar a região, aumentando o tempo e o custo do transporte.

A terceira, e não menos importante, é energética. Qualquer ameaça simultânea ao Bab el-Mandeb e ao Estreito de Hormuz pode aumentar a pressão sobre o mercado internacional de petróleo.

E existe ainda um quarto risco, o retorno de uma guerra civil em grande escala no Iêmen. A trégua de 2022 havia reduzido drasticamente a intensidade do conflito, mas os combates recentes já provocaram novos deslocamentos de civis e ameaçam destruir o frágil equilíbrio construído nos últimos anos.

E é justamente essa porta que os Houthis estão tentando colocar sob seu controle.

Ataques no Oriente Médio colocam lesão cerebral traumática no centro da preocupação com militares americanos

Os recentes ataques iranianos contra instalações militares usadas por forças dos Estados Unidos na Jordânia voltaram a chamar atenção para um tipo de ferimento que nem sempre aparece imediatamente após uma explosão: a Lesão Cerebral Traumática (LCT).

Segundo informações divulgadas sobre os ataques, militares americanos na Jordânia foram expostos a explosões e ondas de choque provocadas por mísseis e drones.

Em episódios anteriores na região, militares chegaram a ser encaminhados para avaliação por suspeita de LCT, inclusive na Base Aérea Muwaffaq Salti, em Azraq.

Documentos militares americanos também registram casos de soldados transferidos para atendimento após apresentarem sinais e sintomas compatíveis com o diagnóstico.

O que é uma lesão cerebral traumática?

De forma simples, a LCT acontece quando um golpe, impacto, explosão ou onda de pressão altera o funcionamento normal do cérebro. Ela pode variar desde uma concussão, considerada uma forma leve, até lesões graves, com perda prolongada de consciência, sangramento ou danos estruturais ao cérebro.

Em uma guerra, entretanto, o problema pode ser diferente de um acidente convencional. O militar não precisa necessariamente ser atingido diretamente por um fragmento. A própria onda de pressão de uma explosão pode provocar alterações no cérebro, especialmente quando a pessoa está próxima do ponto de impacto ou dentro de uma estrutura atingida.

Por isso, ataques com mísseis, drones e outras armas explosivas são uma preocupação importante para a saúde neurológica dos militares. O Departamento de Guerra americano considera a exposição a explosões um fator relevante de risco.

Por que o diagnóstico pode ser difícil?

Um dos principais problemas é que a lesão nem sempre aparece imediatamente.

Depois de uma explosão, um militar pode apresentar sinais e sintomas como dor de cabeça, tontura, confusão, náusea, alterações de visão, dificuldade de concentração ou problemas de memória. Em alguns casos, os sintomas são inicialmente discretos e podem ser confundidos com cansaço, estresse ou efeitos psicológicos do combate.

Além disso, uma tomografia ou outro exame de imagem pode não mostrar alterações estruturais mesmo quando existe uma concussão ou outro tipo de LCT. Por isso, o diagnóstico depende também da avaliação clínica e neurológica.

As Forças Armadas americanas utilizam protocolos específicos para avaliar militares depois de eventos potencialmente causadores de concussão, incluindo o manual MACE2 (Avaliação de Concussão Aguda Militar do inglês Military Acute Concussion Evaluation), atualizado neste ano (2026).

Como os militares são tratados?

Nos centros médicos militares, o tratamento depende da gravidade do caso. Lesões leves normalmente exigem observação, controle dos sintomas e retorno gradual às atividades. Casos mais graves podem exigir neurologistas, neurocirurgiões, exames de imagem, cuidados intensivos e posteriormente fisioterapia e reabilitação.

O protocolo MACE2 trabalha com equipes multidisciplinares que podem envolver neurologia, oftalmologia, fisioterapia, psicologia, psiquiatria, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

No caso de militares feridos em bases da Jordânia, existe ainda a possibilidade de evacuação médica para outras instalações da região ou para hospitais militares especializados, dependendo da gravidade do ferimento.

O problema pode continuar depois que o soldado deixa o campo de batalha

A preocupação não termina quando o militar deixa a área de combate. Algumas pessoas se recuperam rapidamente, enquanto outras podem permanecer com dores de cabeça, alterações de memória, problemas de concentração, distúrbios do sono ou alterações emocionais.

Dados recentes sobre militares americanos feridos durante a guerra contra o Irã indicam que traumas na cabeça estão entre os tipos de ferimento mais incidentes, embora os dados públicos não permitam atribuir todos os casos diretamente a lesões cerebrais traumáticas.

Segundo dados públicos disponíveis, o Pentágono passou a ampliar o acompanhamento dos efeitos da exposição às ondas de pressão das explosões.

Um relatório recente do Government Accountability Office (GAO) alertou que o Departamento de Guerra ainda precisa avaliar adequadamente os recursos necessários para monitorar e tratar esses efeitos a longo prazo.

Diante do exposto, em uma guerra de mísseis e drones, nem todo ferimento é visível. Um militar pode sair de uma explosão aparentemente sem grandes lesões externas e, ainda assim, ter sofrido uma alteração significativa no funcionamento cerebral.

É justamente por isso que a avaliação neurológica após ataques desse tipo se tornou uma preocupação cada vez maior para os centros médicos militares americanos.