Israel recebeu lista do voo da Flydubai 48 horas antes, mas copiloto terrorista de Omã não foi barrado

O caso do voo FZ1073 da Flydubai ganhou uma nova dimensão depois que informações divulgadas neste domingo indicaram que as autoridades israelenses receberam antecipadamente os dados dos passageiros e da tripulação da aeronave, incluindo informações sobre a nacionalidade dos pilotos.

O voo partiu de Dubai com destino a Tel Aviv em 30 de setembro, levando dezenas de passageiros, em sua maioria israelenses. Durante a viagem, o copiloto, identificado por fontes como Hamam al-Hammami, teria atacado o comandante indiano Smit Machchhar dentro da cabine e tentado assumir o controle da aeronave. O avião chegou a perder milhares de metros de altitude antes que passageiros e tripulantes conseguissem conter o agressor.

A aeronave acabou sendo desviada para Tabuk, na Arábia Saudita, onde realizou um pouso de emergência. O episódio poderia ter terminado em uma catástrofe, mas a reação do comandante ferido, de tripulantes e de passageiros impediu que o copiloto permanecesse no controle da aeronave.

O que agora provoca questionamentos em Israel é o que aconteceu antes da decolagem.

Israel recebeu previamente a relação de passageiros e tripulantes do voo. Os dados incluíam a nacionalidade dos membros da tripulação. Mesmo assim, o copiloto, que possuía cidadania de Omã, não teria sido identificado como uma ameaça antes de embarcar para um voo com destino a Israel.

Essa informação é particularmente relevante porque Omã não mantém relações diplomáticas com Israel. Por isso, a presença de um cidadão omanense na cabine de um avião transportando passageiros para Tel Aviv passou a ser uma das questões analisadas pelas autoridades.

Mas existe uma diferença importante entre ter os dados de uma pessoa e ter informações de inteligência que indiquem que ela representa uma ameaça. Receber uma lista de passageiros e tripulantes não significa automaticamente que cada nome será associado a um alerta de segurança. A questão que está sendo investigada é se os mecanismos israelenses de análise deveriam ter identificado o copiloto antes do voo.

Histórico de risco de segurança

Fontes de inteligência e segurança ouvidas por veículos americanos afirmaram que al-Hammami havia trabalhado anteriormente na Oman Air e teria sido afastado das atividades de voo depois de ser identificado como possível risco de segurança.

Segundo essas fontes, ele teria sido encontrado em posse de material considerado extremista e posteriormente deixado a companhia.

A investigação agora tenta entender como uma pessoa que já havia despertado preocupação em seu país de origem conseguiu posteriormente trabalhar como copiloto da Flydubai e participar de um voo internacional com destino a Israel.

Ainda não está definitivamente estabelecido qual era a motivação do ataque. Autoridades dos Emirados Árabes Unidos classificaram o episódio como uma tentativa de ataque terrorista, mas investigadores continuam analisando o comportamento do copiloto, seu histórico e possíveis conexões com outras pessoas ou organizações.

Também permanece em investigação exatamente como funcionou a cadeia de verificação de segurança antes do voo.

Informações divulgadas em Israel indicam que os dados de passageiros e tripulantes podem ser disponibilizados a diferentes órgãos de segurança, incluindo estruturas ligadas ao Ministério dos Transportes, Shin Bet, Mossad e polícia, conforme suas respectivas atribuições. Isso aumenta a pressão para esclarecer quem recebeu os dados, quais verificações foram realizadas e se algum alerta deveria ter sido emitido.

Inteligência da Polícia Federal inicia investigação sobre possível interferência dos EUA

A Polícia Federal iniciou uma apuração para verificar se houve possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026, com foco em eventuais ações ligadas aos Estados Unidos. A informação foi confirmada neste domingo (4) pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em meio à reta final do primeiro turno.

Segundo Andrei, a iniciativa teve origem em uma representação apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU). O material recebido foi analisado inicialmente pela Polícia Federal e encaminhado à Diretoria de Inteligência da corporação, que deverá avaliar as informações e determinar os próximos passos.

Na prática, isso significa que a PF está tentando verificar se existem elementos que indiquem uma atuação externa capaz de interferir no processo eleitoral brasileiro. Neste momento, porém, é importante fazer uma distinção: a abertura dessa apuração não significa que a Polícia Federal já tenha concluído que os Estados Unidos interferiram na eleição. Trata-se justamente de uma investigação para verificar se há fundamento nas suspeitas apresentadas.

O tema ganhou força nas últimas semanas. Em setembro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhou ao governo e ao Tribunal Superior Eleitoral um relatório no qual classificou como relevante o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026.

Segundo o documento, a avaliação estaria relacionada à estratégia do governo de Donald Trump para ampliar a influência americana na América Latina e reduzir a presença de potências consideradas rivais, especialmente a China.

A discussão, entretanto, envolve acusações que ainda precisam ser comprovadas. O governo brasileiro passou a acompanhar diferentes possíveis formas de atuação americana, incluindo manifestações políticas, movimentações nas redes sociais, possíveis financiamentos externos e contatos entre autoridades americanas e grupos brasileiros. Essas hipóteses foram apresentadas em análises e reportagens, mas não devem ser tratadas como fatos comprovados sem a conclusão das investigações.

Do outro lado, o governo dos Estados Unidos nega que esteja tentando interferir na eleição brasileira. Em declaração à CNN Brasil, uma porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington acompanha o processo eleitoral, mas que interferir nas eleições de outros países não faz parte da estratégia americana.

A apuração da PF ocorre, portanto, em um cenário de crescente tensão diplomática entre Brasília e Washington. Ao mesmo tempo em que autoridades brasileiras levantam preocupações sobre uma possível influência externa, os Estados Unidos rejeitam a acusação e afirmam defender a soberania brasileira e a realização de eleições livres.

Outro episódio relacionado também está no radar da Polícia Federal. A corporação recebeu informações da Embaixada dos Estados Unidos sobre uma possível ameaça e realizou, no sábado (3), mandados de busca e apreensão relacionados ao caso. Segundo informações divulgadas pela imprensa, essa investigação é separada da apuração sobre possível interferência eleitoral.

Uma investigação sobre ameaça contra instalações diplomáticas procura esclarecer se houve uma ação criminosa ou risco concreto contra pessoas ou instalações. Já a apuração sobre interferência eleitoral busca descobrir se agentes estrangeiros teriam tentado influenciar, financiar ou interferir de alguma maneira no processo político brasileiro.

Até o momento, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que não havia indicação concreta de interferência internacional capaz de ameaçar as eleições. A declaração reforça que as suspeitas em investigação não devem ser confundidas com uma conclusão de que o processo eleitoral tenha sido comprometido.

Agora, a atenção se volta para a Polícia Federal. A análise da Diretoria de Inteligência poderá determinar se as informações apresentadas pela AGU possuem elementos suficientes para justificar medidas adicionais ou uma investigação formal mais ampla.

Métodos técnicos de interferência

Tecnicamente, interferência eleitoral estrangeira não significa necessariamente mexer na urna eletrônica ou alterar votos. Na verdade, uma operação sofisticada pode tentar influenciar o ambiente político, a percepção dos eleitores ou a confiança no processo sem tocar diretamente na infraestrutura eleitoral.

No caso brasileiro, é importante separar possibilidades técnicas gerais das acusações atualmente investigadas. A Abin informou ter elevado o risco de influência americana nas eleições a um nível de criticidade, enquanto a AGU pediu investigação sobre uma possível destinação de recursos americanos a organizações no Brasil. Isso ainda é objeto de apuração, não uma comprovação de que essas operações tenham ocorrido.

1. Financiamento indireto de organizações

Um exemplo tecnicamente possível seria um governo estrangeiro destinar recursos a uma organização que, por sua vez, financiasse projetos, campanhas de comunicação, pesquisas, produção de conteúdo ou grupos de pressão política exclusivamente para fins eleitorais.

O ponto investigativo seria descobrir quem forneceu o dinheiro, por quais intermediários, para qual finalidade e se havia uma coordenação política não declarada.

Esse tipo de mecanismo está entre as hipóteses que motivaram a atual apuração no Brasil. A AGU afirmou que seu pedido à PF e ao MPF se baseou em uma reportagem sobre possível direcionamento de recursos do governo americano para organizações brasileiras.

2. Operação de influência nas redes sociais

Aqui a operação poderia ser muito mais sofisticada do que simplesmente criar perfis falsos.

Um cenário hipotético seria a atuação de agente estrangeiro dentro de uma agência/organização intermediária empregando influenciadores ou atores diversos que possam impulsionar conteúdo político de forma coordenada nas redes.

O objetivo poderia ser aumentar artificialmente determinado assunto, atacar a reputação de um candidato ou instituição ou provocar polarização.

A CISA, agência americana de segurança cibernética, reconhece influenciadores pagos, empresas de relações públicas e mídias de fachada como possíveis instrumentos de operações estrangeiras de influência.

3. Deepfakes e Superinteligência

Tecnicamente, uma das formas de manipulação de opinião está no uso de superinteligência, novo termo empregado para descrever operações de inteligência artificial, isso poderia envolver clonagem de voz, geração artificial de vídeo, alteração de imagens e criação de sites falsos para dar aparência de autenticidade.

A própria CISA, FBI e NSA alertam que deepfakes podem ser utilizados para disseminar informações falsas e provocar confusão, incerteza e desconfiança em contextos políticos.

4. Criar um falso escândalo

Outra possibilidade seria fabricar documentos, conversas, áudios ou imagens e apresentá-los como se fossem verdadeiros.

Mesmo que a falsificação seja posteriormente descoberta, o objetivo de uma operação desse tipo poderia ser simplesmente criar uma crise política durante algumas horas ou dias.

O ponto central é que uma informação falsa pode continuar produzindo efeitos mesmo depois de ser desmentida, porque não existe um mecanismo para fazer as pessoas “desverem” ou “deslerem” aquilo que já consumiram.

É por isso que uma operação desse tipo não necessariamente teria como objetivo convencer 100% das pessoas de que a falsificação é verdadeira. Poderia ser suficiente para introduzir dúvida e confusão em uma parcela do público.

5. Pressão econômica ou diplomática durante a eleição

Existe ainda uma diferença importante entre influência externa e interferência eleitoral propriamente dita.

Um país pode utilizar sanções, tarifas, restrições comerciais, declarações diplomáticas ou outras ferramentas de política externa para pressionar um governo. Isso não significa automaticamente interferência eleitoral.

A questão mudaria de natureza se essas ferramentas fossem utilizadas deliberadamente para alterar o comportamento eleitoral dos brasileiros, por exemplo, condicionando uma determinada medida econômica ao resultado político.

A própria Abin descreveu medidas americanas envolvendo sanções financeiras e seus possíveis efeitos sobre relações econômicas brasileiras como parte do contexto que motivou sua avaliação de risco.

Uma das possibilidades analisadas em estudos sobre interferência estrangeira são operações de influência, que podem utilizar técnicas tradicionalmente associadas à guerra psicológica para explorar emoções, ampliar divisões e reduzir a confiança nas instituições.

Estudos oficiais da comunidade de inteligência dos EUA documentam que operações estrangeiras de influência podem combinar desinformação, conteúdo fabricado, deepfakes, redes de intermediários, ciberoperações e exploração de divisões sociais.

Em uma atualização oficial de 2024, o ODNI (Office of the Director of National Intelligence/Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos) registrou ainda o uso de empresas de relações públicas, plataformas de influência e pessoas reais, algumas conscientes e outras possivelmente sem saber da origem da operação, para dar credibilidade e ampliar narrativas estrangeiras.

Em termos de guerra psicológica, o objetivo pode ser menos “convencer o público de uma mentira” e mais provocar medo, polarização, desconfiança e incerteza, afetando o comportamento político e a confiança nas instituições.

Na era digital, uma informação falsa não precisa permanecer verdadeira para causar danos; basta permanecer circulando depois de ser desmentida.

Nota: As suspeitas de interferência estrangeira atribuídas aos Estados Unidos estão atualmente sob apuração da Polícia Federal, mas permanecem muito distantes de constituir fatos comprovados. Até o momento, os elementos apresentados publicamente deram origem a uma investigação preliminar, enquanto o presidente do TSE afirmou não haver indicativo concreto de interferência internacional; tampouco foram divulgadas evidências que comprovem o emprego das técnicas de operações de influência descritas nesta matéria.

Five Eyes: os olhos, os ouvidos e os sinais das cinco potências que compartilham inteligência global

Por trás de decisões diplomáticas, operações de segurança e respostas a ameaças internacionais existe uma estrutura de cooperação que atua muito além daquilo que normalmente aparece no noticiário: o Five Eyes, ou “Cinco Olhos”.

Formado por Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, o grupo reúne algumas das principais capacidades de inteligência, comunicações e cibersegurança desses países.

Sua origem está na cooperação de inteligência entre americanos e britânicos durante a Segunda Guerra Mundial, que posteriormente foi formalizada pelo acordo UKUSA, em 1946. Canadá, Austrália e Nova Zelândia passaram a integrar essa estrutura nos anos seguintes, consolidando o arranjo conhecido hoje como Five Eyes.

Mas afinal, o que significa dizer que esses cinco países compartilham inteligência?

O Five Eyes não deve ser entendido simplesmente como uma aliança militar semelhante à OTAN. Sua característica central está na cooperação de inteligência, especialmente na chamada SIGINT — Signals Intelligence, ou inteligência de sinais.

Em termos simples, isso envolve a obtenção e análise de informações provenientes de comunicações e sinais eletrônicos. A cooperação também se expandiu para áreas como cibersegurança, terrorismo, crime organizado, ameaças estatais e tecnologias emergentes.

O próprio GCHQ, órgão britânico responsável por inteligência de sinais e segurança cibernética, descreve o acordo UKUSA como uma estrutura para compartilhamento de informações de comunicação, tradução, análise e quebra de códigos.

É daí que surge a ideia de que o Five Eyes funciona como uma espécie de rede ampliada de olhos e ouvidos de inteligência.

Como essa estrutura surgiu?

Durante a Segunda Guerra Mundial, britânicos e americanos aumentaram significativamente a cooperação na área de inteligência de comunicações. O trabalho de criptografia e decodificação realizado durante o conflito ajudou a estabelecer uma relação de confiança que continuaria depois da guerra.

Em 5 de março de 1946, Reino Unido e Estados Unidos formalizaram o acordo que ficou conhecido como UKUSA.

Posteriormente, o Canadá entrou na estrutura, seguido por Austrália e Nova Zelândia. Em meados da década de 1950, estava formada a configuração dos cinco países que conhecemos atualmente, ou seja, o Five Eyes nasceu originalmente de uma necessidade muito específica, compartilhar informações obtidas por inteligência de sinais, mas sua atuação acabou se tornando muito mais ampla.

Cinco países, uma enorme capacidade de inteligência

A importância do Five Eyes está justamente na possibilidade de combinar diferentes capacidades nacionais. Cada país possui seus próprios serviços, instalações, tecnologias, agentes e fontes de informação. Quando informações são compartilhadas, uma agência pode complementar aquilo que outra conseguiu identificar.

Para quem está fora dessa estrutura, é mais fácil imaginar da seguinte maneira: um país pode detectar um sinal, outro pode possuir informações adicionais sobre aquele sinal, um terceiro pode relacioná-lo a uma pessoa ou organização e outro pode contribuir com análise sobre o contexto.

O resultado é uma visão mais ampla de determinada ameaça. Isso não significa que os cinco governos tenham acesso automático a absolutamente todas as informações produzidas pelos demais.

O compartilhamento depende de regras, acordos, classificações e interesses de segurança. Mas a profundidade da cooperação diferencia o Five Eyes de muitas outras parcerias internacionais.

Um relatório do Parlamento britânico descreve o Five Eyes como uma parceria de natureza particularmente importante para a comunidade de inteligência do Reino Unido.

Hoje, ameaças podem envolver:

– redes de computadores;
– comunicações digitais;
– ataques cibernéticos;
– inteligência artificial;
– terrorismo;
– crime organizado transnacional;
– espionagem estatal;
– infraestrutura crítica;
– tráfico internacional;
– ameaças híbridas.

Em 2026, por exemplo, os cinco países continuam aprofundando a cooperação em segurança cibernética. Uma declaração conjunta das agências de cibersegurança do Five Eyes destacou os impactos da inteligência artificial sobre as capacidades ofensivas e defensivas no ambiente digital.

O Five Eyes também atua fora da espionagem tradicional

Em agosto de 2026, ministros de Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos se reuniram em Sydney para discutir ameaças estatais, terrorismo, crime organizado transnacional, segurança de grandes eventos e inteligência artificial.

No mesmo período, os cinco governos apoiaram uma iniciativa coordenada contra redes internacionais de fraude e golpes digitais, com compartilhamento de informações entre governos, forças de segurança e empresas.

Isso mostra como a lógica original do Five Eyes evoluiu. A estrutura criada para compartilhar inteligência durante a Guerra Fria hoje também é utilizada para enfrentar ameaças digitais e criminosas que atravessam fronteiras.

E onde entra a inteligência de sinais?

Imagine que uma operação internacional dependa de descobrir quem está se comunicando, com quem, por quais meios, quando determinada comunicação ocorreu e qual relação existe entre diferentes eventos.

Essas informações, quando obtidas legalmente e dentro das competências de cada agência, podem ser cruzadas com outras fontes de inteligência.

Brasil no centro das operações

Há um exemplo muito recente e documentado no Brasil que se encaixa perfeitamente para explicar como a cooperação de inteligência envolvendo um país do Five Eyes pode aparecer na prática.

Em 2 de outubro, a Polícia Federal realizou duas operações de busca e apreensão, em São Paulo e no entorno do Distrito Federal, para investigar um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos.

O ponto mais relevante para sua matéria está na própria nota oficial da PF: a investigação sigilosa foi realizada “fruto da cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras”. Até aquele momento, porém, a PF informou que não havia encontrado elementos que confirmassem os riscos inicialmente apontados nem identificado suspeitos ligados a organizações criminosas. Equipamentos de comunicação e mídias foram apreendidos e continuaram sob análise.

No mesmo período, os Estados Unidos suspenderam os serviços consulares no Brasil por razões de segurança. Pouco depois, a Austrália, que integra o Five Eyes juntamente com EUA, Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia, também suspendeu o atendimento em sua embaixada e consulados, citando preocupações de segurança e orientando seus cidadãos a evitar instalações diplomáticas americanas.

SOUTHCOM fala em mobilização militar em 18 horas – A Doutrina Airborne confundida com a crise no Brasil

Uma publicação do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) chamou atenção nesta quinta-feira (1º) ao destacar que militares americanos podem estar prontos para uma operação em até 18 horas após receberem uma ordem. A mensagem ganhou repercussão no Brasil porque foi divulgada praticamente ao mesmo tempo em que os Estados Unidos adotaram medidas de segurança em suas representações diplomáticas no país.

Mas há uma diferença importante entre uma demonstração de capacidade militar e uma ordem para mobilizar tropas.

18 horas, uma doutrina Airborne!

A 82ª Divisão Aerotransportada, sediada em Fort Bragg, na Carolina do Norte, é uma das principais forças de resposta rápida do Exército americano.

Sua missão oficial prevê que a unidade esteja preparada para se deslocar rapidamente quando receber uma ordem, realizar operações aerotransportadas e assumir posições consideradas importantes para permitir a chegada de outras forças.

A própria documentação militar americana descreve o XVIII Corpo Aerotransportado como uma força capaz de ser empregada globalmente e sem aviso prévio. O objetivo é justamente manter tropas em estado de prontidão para crises que possam exigir uma resposta rápida.

Portanto, quando o SOUTHCOM publica uma mensagem dizendo “18 hours notice”, isso não significa, por si só, que uma operação tenha sido autorizada.

Significa que existe uma força treinada e estruturada para conseguir sair rapidamente caso uma autoridade americana determine seu emprego.

É uma diferença fundamental.

Por que o SOUTHCOM publicou isso agora?

É justamente aqui que surge a dúvida. O SOUTHCOM é responsável pela área militar americana que inclui a América Central, a América do Sul e o Caribe. O Brasil está formalmente dentro de sua área de responsabilidade.

Isso faz com que qualquer mensagem do comando sobre capacidade militar na região naturalmente seja observada com atenção no Brasil.

Entretanto, a publicação analisada não menciona o Brasil como alvo, não anuncia uma operação em território brasileiro e não apresenta uma ordem de deslocamento da 82ª Divisão para o país.

A mensagem, portanto, pode ser lida como uma demonstração de prontidão militar, mas não há, nas informações públicas verificadas, evidência suficiente para afirmar que as “18 horas” sejam um prazo estabelecido para uma missão contra o Brasil.

A Doutrina Monroe

Outro elemento que chamou atenção foi a publicação de conteúdo relacionado à Doutrina Monroe por canais diplomáticos americanos.

A Doutrina Monroe surgiu em 1823 e historicamente estabeleceu uma posição americana contrária à expansão e à intervenção de potências europeias no Hemisfério Ocidental. O próprio Departamento de Estado dos EUA descreve o conceito como uma estrutura histórica da política externa americana voltada para os interesses de segurança e comerciais dos Estados Unidos no hemisfério.

A combinação das duas mensagens — uma falando de capacidade militar de resposta rápida e outra mencionando a Doutrina Monroe — naturalmente produz uma leitura mais ampla sobre a política americana para o continente.

Mas é necessário cuidado. Uma publicação sobre uma doutrina histórica não transforma automaticamente uma demonstração de prontidão militar em uma ameaça específica contra determinado país.

O Brasil aparece no cenário?

Sim, mas por outro motivo. O Brasil faz parte da área de responsabilidade do SOUTHCOM e mantém histórico de cooperação militar com os Estados Unidos.

O próprio comando americano já destacou exercícios e atividades de cooperação com o Exército Brasileiro, inclusive envolvendo militares brasileiros em atividades de treinamento nos Estados Unidos com participação da 82ª Divisão Aerotransportada.

Isso demonstra que a relação militar entre Washington e Brasília não é exclusivamente baseada em competição ou ameaça. Existe também uma estrutura de cooperação institucional construída ao longo de anos.

Ao mesmo tempo, o contexto atual é mais sensível porque os Estados Unidos adotaram medidas de segurança em suas representações diplomáticas no Brasil, enquanto outros países também emitiram alertas a seus cidadãos.

A publicação do SOUTHCOM ocorreu antes da mudança no funcionamento das representações diplomáticas americanas no Brasil e um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a segurança dos cidadãos americanos é uma prioridade e que Washington trabalha com as autoridades brasileiras em questões de segurança.

Essa coincidência temporal é relevante para o noticiário, mas não prova que a publicação militar tenha sido uma preparação para uma intervenção no Brasil.

Existe uma ameaça militar ao Brasil?

A resposta é fundamentalmente imutável: NÃO!

Até o momento, as informações públicas e movimentos militares analisados não permitem afirmar isso.

O que existe é uma combinação de acontecimentos que merece acompanhamento: medidas de segurança diplomática, alertas dirigidos a cidadãos americanos, movimentação de comunicação estratégica dos Estados Unidos e uma publicação do SOUTHCOM enfatizando a capacidade de resposta rápida de uma unidade militar americana.

Mas esses elementos precisam ser separados.

A capacidade de mobilizar uma força em 18 horas é uma característica conhecida da 82ª Divisão Aerotransportada. O Exército americano já descreve essa capacidade há anos, inclusive associando a unidade à função de força de resposta imediata.

Portanto, o número de 18 horas, isoladamente, não deve ser interpretado como uma contagem regressiva para uma ação militar no Brasil.

Elon Musk nomeado co-líder do projeto Meridian do Pentágono para planejar a guerra do futuro

O secretário de guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou em 30 de setembro, durante um discurso na Base do Corpo de Fuzileiros Navais em Quantico, na Virgínia, a criação do Project Meridian, uma iniciativa do Pentágono destinada a estudar como poderá ser a guerra nas próximas décadas — e quais tecnologias os Estados Unidos precisarão desenvolver para enfrentar esse cenário.

A iniciativa terá Elon Musk, CEO da SpaceX e da Tesla, como um de seus três líderes, ao lado de Palmer Luckey, fundador da empresa de tecnologia de defesa Anduril, e Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O projeto será conduzido com a participação do diretor de tecnologia do Departamento de Defesa, Emil Michael.

250320-D-PM193-1106 O Secretário de Guerra Pete Hegseth e o Senador dos EUA Roger Wicker. Foto: Suboficial de 1ª Classe da Marinha dos EUA Alexander Kubitza

A ideia, segundo Hegseth, não é simplesmente produzir mais um documento de estratégia militar. O objetivo é identificar quais áreas tecnológicas serão decisivas nos próximos conflitos e quais capacidades os Estados Unidos precisam começar a desenvolver agora.

Em termos simples, o Pentágono quer tentar responder a uma pergunta: como será a guerra de 2030, 2050 ou até 2100 — e que armas e sistemas os militares americanos precisarão ter quando esses conflitos chegarem?

O projeto terá prazo inicial de 120 dias para apresentar suas conclusões. A previsão é que o trabalho resulte em um relatório público acompanhado de uma parte classificada, que não será divulgada integralmente.

Musk retorna ao ambiente governamental

A participação de Musk também chama atenção porque representa seu retorno a uma função oficial ligada ao governo americano depois de sua passagem pelo Departamento de Eficiência Governamental, conhecido como DOGE.

Desta vez, porém, sua atuação está diretamente relacionada ao futuro tecnológico das Forças Armadas. A escolha também ganha relevância porque a SpaceX, empresa comandada por Musk, já possui contratos importantes com o governo americano na área espacial e de segurança nacional. A Anduril, de Palmer Luckey, também fornece tecnologias ao Departamento de Guerra.

O envolvimento de executivos de empresas que já trabalham com o Pentágono coloca o projeto no centro de uma discussão sobre como o governo americano pretende aproximar empresas de tecnologia, inteligência artificial e indústria de defesa.

Projeto Meridian não é o novo comando de guerra autônoma (Autonomous Warfare Command)

Apesar de terem sido anunciados no mesmo discurso, o Project Meridian e o Autonomous Warfare Command são iniciativas diferentes.

O Autonomous Warfare Command, também anunciado por Hegseth em Quantico, será uma nova estrutura militar de quatro estrelas destinada a ampliar o emprego de drones, robôs, inteligência artificial e outros sistemas autônomos pelas Forças Armadas americanas.

O Meridian, por sua vez, terá uma função mais voltada para estudar e antecipar o futuro da guerra, identificando tecnologias e capacidades que poderão ser necessárias nos próximos conflitos.

A diferença pode ser resumida assim: enquanto o Autonomous Warfare Command deverá ajudar o Pentágono a empregar sistemas autônomos dentro da estrutura militar, o Project Meridian pretende olhar mais adiante e identificar o que os Estados Unidos deveriam desenvolver para a próxima geração de guerras.

O que está no radar do projeto

Entre os temas considerados estão tecnologias emergentes e novos ambientes de combate, incluindo inteligência artificial, robótica, espaço e operações em ambientes subterrâneos. O objetivo é antecipar mudanças que possam alterar profundamente a maneira como os conflitos são travados.

Nota: A guerra na Ucrânia se tornou um dos principais laboratórios da guerra moderna, onde tecnologias e táticas são testadas em condições reais de combate. Drones de diferentes tipos, inteligência artificial, guerra eletrônica, reconhecimento por satélite, mísseis de precisão e sistemas autônomos vêm sendo empregados e adaptados em um ritmo acelerado, oferecendo às forças militares e às empresas de defesa informações que dificilmente poderiam ser obtidas apenas em exercícios militares. A experiência do conflito também mostra como a combinação entre tecnologia, informação e velocidade de decisão pode alterar o campo de batalha e influenciar o planejamento militar de países que já se preparam para os conflitos das próximas décadas.

Donald Trump assina ordem para substituir “inteligência artificial” por “superinteligência”

WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (29) uma ordem executiva que determina que órgãos do governo americano passem a utilizar o termo “superinteligência”, em vez de “inteligência artificial”, em documentos, declarações públicas e materiais oficiais.

A medida formaliza uma mudança de linguagem que Trump já havia anunciado durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro. Para o presidente, a palavra “artificial” daria a impressão de que a tecnologia é falsa ou menos avançada do que realmente é.

Apesar do impacto simbólico da mudança, há uma diferença importante: a ordem não cria uma nova tecnologia nem transforma juridicamente a inteligência artificial em uma categoria diferente. O principal efeito imediato é determinar como o governo federal deverá se referir à tecnologia.

Trump quer que os EUA mantenham vantagem sobre a China

Por trás da mudança de terminologia está uma disputa muito maior.

Trump vem apresentando o desenvolvimento de sistemas avançados de IA como uma questão estratégica para os Estados Unidos. Segundo o presidente, Washington possui uma vantagem significativa sobre a China e precisa evitar medidas que possam reduzir o ritmo de desenvolvimento da indústria americana.

Em declarações recentes, Trump afirmou que não pretende “frear” uma tecnologia que, em sua avaliação, poderá ter impacto econômico maior que a própria Revolução Industrial.

A competição com Pequim é um dos principais argumentos utilizados pela Casa Branca para defender uma política de expansão acelerada da inteligência artificial.

A questão não envolve apenas empresas de tecnologia. A disputa inclui computação avançada, semicondutores, centros de dados, energia, pesquisa científica, segurança cibernética e aplicações militares.

Por isso, Washington considera a liderança em IA um elemento cada vez mais importante da competição estratégica entre Estados Unidos e China.

O que muda na prática?

Para o cidadão comum, a troca de nome não significa que os aplicativos, computadores ou sistemas de IA passarão imediatamente a funcionar de maneira diferente.

A mudança é principalmente administrativa e política.

O decreto determina a utilização de “super intelligence”, frequentemente abreviada como SI, nos materiais do governo americano. A Casa Branca ressalta que a ordem não estabelece, por si só, um novo marco regulatório para o setor privado.

Isso é importante porque o termo “superinteligência” já possui outro significado no debate tecnológico.

No campo da pesquisa em IA, superinteligência costuma descrever sistemas hipotéticos capazes de superar seres humanos em uma ampla variedade de tarefas intelectuais. Portanto, utilizar o termo como substituto geral de “inteligência artificial” pode gerar uma diferença entre a nomenclatura política adotada pelo governo e o significado técnico utilizado por pesquisadores.

Trump reúne gigantes da tecnologia na Casa Branca

A mudança ocorreu no mesmo dia em que Trump recebeu executivos de algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

Gigantes da tecnologia na Casa Branca. Foto: ©Área Militar/Reprodução

Entre os nomes presentes estavam Elon Musk e Mark Zuckerberg, além de executivos de empresas como Anthropic, Nvidia e outras companhias do setor.

Durante o encontro, Trump também anunciou um acordo voluntário envolvendo empresas de tecnologia.

O compromisso estabelece princípios e controles internos relacionados ao desenvolvimento e à utilização de sistemas avançados de IA. O presidente descreveu o acordo como “moralmente vinculante”, enquanto outros participantes o apresentaram como uma espécie de compromisso conjunto de segurança.

A característica voluntária do acordo é relevante.

Em vez de estabelecer imediatamente uma série de novas obrigações legais para as empresas, a administração Trump vem defendendo maior participação do próprio setor na definição de mecanismos de segurança.

Bombardeiro estratégico russo Tu-95MS cai na Sibéria e deixa seis mortos – Aeronave tem capacidade nuclear

Um bombardeiro estratégico russo Tu-95MS caiu nesta terça-feira (29), na região de Amur, no extremo leste siberiano da Rússia, durante um voo de treinamento. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Defesa russo e reportadas pela Reuters, seis integrantes da tripulação morreram no acidente.

O episódio chama atenção porque o avião pertence à categoria de aeronaves estratégicas utilizadas pela Rússia para missões de longo alcance e que também fazem parte da estrutura nuclear do país.

Acidente aconteceu durante voo de treinamento

As primeiras informações indicam que o avião caiu na região de Amur enquanto realizava uma missão de treinamento. As autoridades russas ainda não haviam apresentado, no momento das primeiras divulgações, uma explicação definitiva para a causa do acidente.

A investigação deverá determinar se houve falha mecânica, problema durante a decolagem ou outra circunstância relacionada ao voo.

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O acidente ocorreu em uma área distante dos principais centros urbanos russos, no extremo leste do país. A região de Amur fica próxima à fronteira com a China e abriga instalações importantes das Forças Aeroespaciais russas.

Tu-95MS é um dos principais bombardeiros estratégicos da Rússia

O Tu-95MS, conhecido pela OTAN como “OTAN “, é um bombardeiro estratégico de longo alcance desenvolvido ainda durante a União Soviética.

Apesar de utilizar motores turboélice, e não motores a jato, a aeronave foi projetada para percorrer milhares de quilômetros e lançar armamentos de longo alcance.

O Tu-95MS pode operar com mísseis de cruzeiro, sendo uma das plataformas utilizadas pela Rússia para ataques de longa distância. A aeronave também está integrada à estrutura de dissuasão nuclear russa.

Isso, porém, não significa que o avião envolvido no acidente estivesse carregando armas nucleares. Até o momento, não há informação indicando que houvesse armamento nuclear a bordo.

O que o novo acidente representa

A queda do Tu-95MS representa a perda de uma aeronave de uma categoria particularmente importante para a Rússia. Diferentemente de um avião de combate convencional, os bombardeiros estratégicos fazem parte da estrutura de longo alcance do país e podem permanecer em serviço por décadas após sua fabricação.

Por isso, acidentes envolvendo essas aeronaves recebem atenção especial, principalmente quando acontecem durante operações de treinamento.

Putin assina decreto e eleva efetivo do Exército russo a 1,55 milhão de militares

O presidente russo, Vladimir Putin, assinou nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, um decreto que aumenta em 15.500 o número autorizado de militares das Forças Armadas da Rússia. Com a mudança, o contingente militar previsto na estrutura oficial passa de 1.535.000 para 1.550.500 militares.

O número total autorizado das Forças Armadas, incluindo funcionários civis, também foi elevado. Agora, a estrutura prevista chega a 2.441.630 pessoas. O decreto entrou em vigor no próprio dia da assinatura e determina que o governo russo providencie os recursos orçamentários necessários para implementar o aumento.

É a quarta expansão somente em 2026

O que chama atenção não é apenas o número de 15.500 militares, mas a frequência das alterações.

Esta é a quarta vez desde o início de 2026 que Moscou modifica oficialmente o tamanho autorizado das Forças Armadas. Em março houve um aumento; em junho, outro; e, em julho, Putin elevou o número autorizado de militares em mais 25 mil, chegando a 1,535 milhão.

O decreto de julho, porém, tinha uma justificativa específica: a criação de unidades de construção militar. O documento elevou a estrutura total para 2.426.130 pessoas e o número de militares para 1.535.000.

O efeito na prática!

É importante fazer uma distinção: aumentar o efetivo autorizado não significa automaticamente que 15.500 novos soldados estejam sendo enviados para a guerra na Ucrânia.

O decreto estabelece o tamanho que as Forças Armadas russas estão autorizadas a ter. Para transformar esse aumento em militares efetivamente incorporados, são necessários recrutamento, contratos, treinamento, equipamentos e recursos financeiros.

Por isso, o anúncio, isoladamente, não equivale a uma nova mobilização nacional.

A medida, entretanto, mostra que o governo russo continua ajustando para cima a estrutura de suas Forças Armadas enquanto a guerra na Ucrânia permanece em andamento.

Os motivos por trás

Uma possibilidade é que a Rússia esteja tentando aumentar sua capacidade de manter unidades existentes, preencher vagas e formar novas estruturas militares, em vez de depender exclusivamente de uma mobilização ampla.

O aumento também precisa ser observado dentro de um contexto mais abrangente: a Rússia vem mantendo elevados gastos militares e preparando um orçamento que prevê despesas significativas com defesa e aquisição de armamentos nos próximos anos.

Isso significa que a expansão do efetivo não aparece isoladamente. Ela faz parte de um processo maior de manutenção e ampliação da capacidade militar russa.

Nota: O número não significa necessariamente 15.500 soldados indo imediatamente para a frente de batalha, mas mostra que a Rússia está aumentando o espaço disponível para manter e expandir suas forças militares.

O que o documento demonstra, de forma objetiva, é que Moscou continua ampliando a capacidade estrutural de suas Forças Armadas em 2026, pela quarta vez no ano.

E justamente a repetição dessas ampliações é o aspecto que merece atenção: enquanto não representa, por si só, uma nova mobilização, ela indica que o Kremlin continua preparando sua estrutura militar para operar com um contingente maior.

7 meses de guerra! Trump rejeita proposta de paz do Irã, mas negociações indiretas devem recomeçar

Hoje, 28 de setembro, a guerra entre Estados Unidos e Irã completa sete meses. No mesmo momento em que o conflito chega a essa marca, Washington e Teerã voltam a movimentar canais diplomáticos por meio de mediadores, numa tentativa de encontrar uma saída para a crise.

Os Estados Unidos e o Irã voltaram a movimentar os canais diplomáticos em uma tentativa de encontrar uma saída para o conflito que envolve os dois países.

Segundo uma autoridade familiarizada com as negociações ouvida pela Reuters, mediadores do Catar devem realizar conversas separadas com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e com representantes norte-americanos nesta segunda ou terça-feira, em Nova York.

As reuniões não serão, neste momento, uma negociação direta entre Washington e Teerã. A ideia é que o Catar funcione como intermediário, levando propostas de um lado ao outro e tentando aproximar posições que continuam bastante distantes.

O movimento ocorre pouco depois de o Irã apresentar uma proposta de sete dias para interromper as hostilidades. Agora, segundo a autoridade ouvida pela Reuters, os mediadores trabalham sobre uma versão modificada desse plano, apresentada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

A proposta iraniana rejeitada

A proposta iraniana prevê uma série de medidas que precisariam acontecer de forma coordenada.

Entre elas estão o fim das hostilidades no Irã e no Líbano, o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos, a suspensão das sanções contra o petróleo do país e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos.

Em contrapartida, Teerã se comprometeria a permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais passagens marítimas para o transporte mundial de petróleo, além de retomar as negociações sobre seu programa nuclear.

É justamente essa ligação entre segurança, petróleo e programa nuclear que torna as negociações particularmente complexas.

Trump rejeitou a primeira proposta, mas manteve o canal aberto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que havia rejeitado a proposta iraniana. Segundo Trump, Teerã estaria buscando um acordo rápido devido à forte pressão econômica enfrentada pelo país.

Apesar disso, no domingo, Trump afirmou ao Axios que esperava que representantes norte-americanos participassem de novas conversas durante esta semana.

A posição cria uma situação aparentemente contraditória: Washington rejeitou a proposta apresentada inicialmente por Teerã, mas continua permitindo que o processo diplomático avance por meio de intermediários.

O que pode acontecer agora

O principal ponto de atenção será saber se os mediadores conseguem transformar a proposta iraniana em uma fórmula que também seja aceitável para Washington.

Para isso, questões como sanções econômicas, bloqueio de portos, circulação pelo Estreito de Ormuz, suspensão das hostilidades e o futuro do programa nuclear iraniano precisarão ser tratadas conjuntamente.

Por enquanto, portanto, não há confirmação de um cessar-fogo definitivo ou de um acordo de paz.

Polônia endurece regras e autoriza reação mais rápida contra aeronaves estrangeiras/desconhecidas que violem o espaço aéreo

A Polônia decidiu ampliar a liberdade de ação de seus pilotos de caça e comandantes militares diante de aeronaves estrangeiras ou desconhecidas que entrem em seu espaço aéreo.

A mudança permite que uma aeronave seja considerada alvo para interceptação ou destruição com base em informações de radar e outros dados disponíveis aos sistemas militares, sem que seja obrigatória uma identificação visual antes da decisão de abrir fogo. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (28) pelo vice-ministro da Defesa, Cezary Tomczyk.

Até agora, em condições de paz, a identificação visual tinha um papel central antes do uso de armas. O novo procedimento busca reduzir esse intervalo de decisão, especialmente diante de drones e mísseis de cruzeiro, que podem atravessar grandes distâncias em pouco tempo e nem sempre podem ser identificados visualmente com segurança.

Segundo Tomczyk, a possibilidade de derrubar uma aeronave com base nos dados disponíveis normalmente é associada a situações de guerra ou lei marcial.

A decisão ocorre em um momento de aumento da preocupação de Varsóvia com incursões aéreas relacionadas à guerra na Ucrânia. Nas últimas semanas, a Polônia registrou diferentes episódios envolvendo aeronaves russas e objetos aéreos próximos ou dentro de seu espaço aéreo.

A provocação russa que poderia ocasionar uma crise sem precedentes

Em 23 de setembro, por exemplo, caças poloneses foram acionados depois que um helicóptero militar russo entrou brevemente no território polonês, segundo autoridades do país.

O episódio ganhou importância porque ocorreu poucos dias depois de a Polônia já ter adotado medidas para acelerar a resposta contra drones e mísseis.

Em setembro, o comando operacional havia autorizado previamente o abate de um drone russo caso ele cruzasse a fronteira, permitindo que o piloto não precisasse aguardar uma nova autorização do comando no momento da interceptação.

Mapa da rota de armas e suprimentos da Europa para a Ucrânia.

A preocupação também está ligada ao fato de a Polônia ser um dos principais pontos de apoio militar e logístico para a Ucrânia. O país faz fronteira com a Ucrânia e abriga importantes rotas utilizadas para o transporte de equipamentos e ajuda ocidental destinados a Kiev.

Por isso, qualquer violação de seu espaço aéreo pode representar não apenas um problema nacional, mas também um incidente envolvendo diretamente um membro da OTAN.

A mudança, porém, não significa que a Polônia tenha declarado que irá derrubar automaticamente qualquer aeronave estrangeira que apareça em seu radar. A regra amplia a possibilidade de decisão com base em informações disponíveis aos sistemas de defesa, mas a decisão de empregar força continua relacionada à avaliação militar da ameaça.

O próprio histórico recente mostra essa diferença: em julho, autoridades polonesas disseram que um míssil russo que entrou no espaço aéreo do país poderia ter sido abatido caso representasse ameaça a áreas povoadas.

O objetivo declarado por Varsóvia é diminuir o tempo necessário para reagir a uma ameaça aérea. Na prática, isso significa que um piloto poderá depender menos de uma confirmação visual quando radar, trajetória, comportamento do objeto e outras informações militares já fornecerem elementos suficientes para identificá-lo. A medida ganha relevância diante da velocidade dos mísseis e da dificuldade de detectar determinados drones a olho nu.

A decisão também ocorre em um cenário de maior atividade militar no flanco oriental da OTAN. Em setembro, a Polônia realizou operações de aviação militar e colocou sistemas terrestres de defesa aérea e unidades de radar em estado de prontidão enquanto a Rússia realizava ataques contra a Ucrânia.

Para a população, a principal mudança pode ser resumida de maneira simples: a Polônia está tentando diminuir a distância entre detectar uma ameaça e ter autorização para reagir a ela. O país não anunciou uma política de derrubar indiscriminadamente aeronaves estrangeiras, mas está tornando suas regras de engajamento mais rápidas diante do risco de drones, mísseis e outras incursões aéreas.

A medida representa mais um sinal de como a guerra na Ucrânia vem alterando os protocolos de defesa dos países da OTAN que fazem fronteira ou estão próximos do conflito.

Ao mesmo tempo, episódios envolvendo aeronaves russas mostram o risco de uma situação particularmente delicada: identificar corretamente o alvo continua sendo fundamental para evitar que uma resposta defensiva provoque um incidente ainda maior.