Os Estados Unidos anunciaram, em 15 de outubro de 2026, novas sanções contra o Banco Internacional de Comércio S.A. (BICSA), uma instituição financeira estatal cubana acusada de prestar serviços ao banco iraniano Karafarin, alvo de restrições norte-americanas desde 2020. A medida faz parte da estratégia do governo de Donald Trump para restringir as redes financeiras ligadas ao Irã e aumentar a pressão econômica sobre o governo cubano.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que afirmou que o banco cubano mantém relações financeiras com a instituição iraniana desde pelo menos 2022. Segundo Washington, a decisão busca interromper conexões econômicas que poderiam beneficiar governos considerados adversários dos Estados Unidos. A acusação foi apresentada pelo Departamento de Estado, mas não significa, por si só, que todas as operações do BICSA sejam ilícitas.
As sanções foram anunciadas em coordenação com outras medidas do Departamento do Tesouro norte-americano contra integrantes da rede financeira iraniana. A iniciativa demonstra que Washington pretende atingir não apenas instituições diretamente ligadas a Teerã, mas também organizações estrangeiras que, segundo as autoridades americanas, prestem serviços a entidades já sancionadas.
Na prática, a inclusão do BICSA na lista de sanções bloqueia seus bens e interesses patrimoniais sujeitos à jurisdição dos Estados Unidos. Cidadãos e empresas norte-americanas ficam, em regra, proibidos de realizar transações com o banco, salvo quando houver autorização ou alguma exceção legal aplicável. A medida também pode alcançar empresas controladas em pelo menos 50% por pessoas ou entidades bloqueadas.
O impacto, porém, não se limita às fronteiras norte-americanas. O governo dos Estados Unidos advertiu que instituições financeiras e empresas estrangeiras também podem ficar sujeitas a sanções caso realizem determinadas operações com entidades designadas ou atuem em setores cubanos abrangidos pelas restrições. Isso pode levar bancos internacionais a evitar transações envolvendo o BICSA, mesmo quando não estejam diretamente sujeitos à legislação norte-americana, por receio de perder acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos.
Esse efeito indireto é uma das principais ferramentas da política de sanções de Washington. Como o dólar ocupa posição central no comércio internacional, o risco de sofrer restrições pode fazer com que instituições de outros países limitem suas relações com os alvos das medidas. Para Cuba, que enfrenta dificuldades econômicas e limitações no acesso a financiamento externo, a possibilidade de perder canais bancários representa mais um obstáculo às operações comerciais internacionais.
Marco Rubio adotou um tom duro ao justificar a decisão. O secretário acusou o governo cubano de permitir que o país funcione como uma plataforma para a atuação de governos e organizações hostis aos interesses norte-americanos, citando especificamente o Irã. Ele também afirmou que Washington continuará tentando identificar e interromper as conexões financeiras e de segurança entre Havana, Teerã e outros atores considerados adversários.
A posição norte-americana está vinculada à política mais ampla de endurecimento contra Cuba. As sanções foram aplicadas com base na Ordem Executiva 14404, assinada por Trump em maio de 2026, que autoriza medidas contra pessoas e entidades relacionadas a setores da economia cubana e a atividades que o governo americano considera ameaças à sua segurança nacional ou associadas à repressão interna.
O governo cubano, por sua vez, rejeitou a medida. O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, classificou a decisão como agressiva e defendeu a legitimidade das operações do BICSA. Segundo ele, as restrições fazem parte de uma estratégia para agravar as dificuldades econômicas da população cubana e reduzir ainda mais as possibilidades de o país realizar transações com o exterior.
A medida reforça, portanto, a estratégia de Donald Trump de utilizar o sistema financeiro internacional como instrumento de pressão geopolítica. Para Cuba, o novo episódio representa mais um desafio em um cenário de dificuldades econômicas e crescente tensão com Washington. Para os Estados Unidos, trata-se de uma tentativa de enfraquecer as conexões financeiras que, segundo o governo, ajudam a sustentar a atuação de países considerados adversários. O alcance real dessa iniciativa dependerá, sobretudo, da capacidade de Washington de fazer com que as restrições produzam efeitos também fora de seu próprio território.
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