A Coreia do Sul deu mais um passo importante para reduzir sua dependência de lançadores estrangeiros. Nesta quarta-feira (7), o país lançou com sucesso o foguete Nuri, desenvolvido nacionalmente, a partir do Centro Espacial de Naro, em Goheung. A missão levou 15 satélites ao espaço e marcou o quinto voo do lançador sul-coreano.

O foguete de aproximadamente 200 toneladas decolou às 12h25, no horário local, e completou sua missão em cerca de 20 minutos. Durante o voo, o Nuri alcançou uma órbita de aproximadamente 570 a 575 quilômetros de altitude e realizou uma sequência complexa de separações para colocar os satélites em suas trajetórias previstas.
Apesar de a missão ter sido considerada um sucesso, não foram 15 satélites efetivamente liberados. Cinco satélites NEONSAT, que formam a carga principal, foram separados normalmente, assim como nove dos dez CubeSats transportados. O PERSAT02, desenvolvido pela empresa sul-coreana Quaternion, não conseguiu se desprender do foguete.
O verdadeiro objetivo da missão
Mais do que simplesmente colocar satélites em órbita, o lançamento serviu para demonstrar uma capacidade cada vez mais importante: colocar vários satélites de uma mesma constelação em órbita durante uma única missão.
Os cinco NEONSAT lançados nesta missão fazem parte de uma futura constelação de dez satélites destinada a observar a Península Coreana e áreas próximas. Equipados com câmeras eletro-ópticas, eles podem identificar objetos de aproximadamente um metro em imagens em preto e branco e de quatro metros em imagens coloridas.
Na prática, isso significa que a Coreia do Sul está construindo uma rede capaz de observar seu território com maior frequência. Quando os dez satélites estiverem operacionais, a constelação deverá conseguir produzir imagens da Península Coreana pelo menos três vezes por dia e revisitar determinadas áreas em menos de 24 horas em situações de emergência.
Esse tipo de capacidade tem aplicações civis, como monitoramento de desastres naturais, mas também possui importância estratégica. Uma rede de observação própria pode fornecer informações para acompanhamento de atividades militares, movimentação de equipamentos e mudanças em instalações na Península Coreana.
Um teste importante para o programa espacial sul-coreano
O voo também representa uma evolução significativa do próprio foguete Nuri.
O primeiro lançamento, em 2021, terminou em falha. Desde então, os voos seguintes foram bem-sucedidos. Com a quinta missão, o Nuri chegou ao quarto lançamento consecutivo bem-sucedido, elevando sua taxa histórica de sucesso para 80%.
A missão também carregou um número recorde de satélites para o foguete. No lançamento anterior, realizado em novembro de 2025, o Nuri colocou 13 satélites em órbita. Desta vez, foram 15 cargas, com massa total de aproximadamente 1.071 quilos.
A diferença mais importante, porém, não está apenas na quantidade. O Nuri precisou realizar manobras entre as separações para evitar que os satélites colidissem entre si. Os cinco NEONSAT foram liberados em intervalos de aproximadamente 35 a 40 segundos, enquanto os CubeSats foram separados em pares.
O programa ainda não está concluído. Outros cinco satélites NEONSAT deverão ser lançados na sexta missão do Nuri, prevista para 2027. Com isso, a Coreia do Sul pretende completar a constelação de dez satélites.
O resultado desta quarta-feira mostra que Seul está tentando transformar seu programa espacial de uma capacidade experimental em uma estrutura mais regular e operacional. O objetivo não é apenas fabricar satélites, mas também ter condições de lançá-los de forma independente e em diferentes configurações conforme a necessidade.
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