O Ditador da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, podem enfrentar novas acusações criminais nos Estados Unidos relacionadas à suposta tortura de cidadãos americanos mantidos sob custódia do governo venezuelano durante os anos em que Maduro esteve no poder.
Segundo pessoas familiarizadas com a investigação ouvidas pela CNN, promotores federais de Nova York preparam novas acusações contra o casal. A apresentação formal do novo processo pode ocorrer já nesta quinta-feira, 8 de outubro.
O caso amplia significativamente a situação judicial de Maduro nos Estados Unidos. O ditador venezuelano já responde a acusações criminais em Nova York e permanece preso no país junto com Cilia Flores. Os dois se declararam inocentes das acusações anteriores.
Mais de uma dúzia de americanos
De acordo com as informações de jornais americanos, a nova investigação está relacionada à detenção de mais de uma dúzia de cidadãos americanos em prisões venezuelanas durante o período em que Maduro comandava o país.
As autoridades americanas classificaram essas detenções como indevidas. A investigação agora busca determinar a responsabilidade de Maduro, de sua esposa e possivelmente de outras pessoas por atos de tortura que teriam ocorrido contra alguns desses detidos.
O número exato de vítimas e suas identidades ainda não foram divulgados publicamente.
Também não está claro, neste momento, quais acusações específicas serão apresentadas contra cada um dos envolvidos. Segundo uma fonte familiarizada com o caso, investigadores americanos chegaram a discutir a possibilidade de acusar outras pessoas que teriam participado dos supostos abusos.
O que muda para Maduro
A principal consequência é que Maduro pode passar a enfrentar um processo criminal ainda mais amplo nos Estados Unidos.
O ponto importante é que novas acusações não significam, por si só, uma condenação. Trata-se de alegações apresentadas pelos promotores, que ainda precisam ser analisadas pela Justiça. Pela legislação americana, os acusados são considerados inocentes até que sua culpa seja estabelecida em tribunal.
No caso de Maduro, entretanto, a abertura de uma nova frente judicial aumenta a quantidade de acusações que ele terá de enfrentar enquanto permanece sob custódia americana.
Caso pode envolver outros integrantes do antigo governo
A investigação não necessariamente ficará restrita a Maduro e Cilia Flores.
Fontes afirmam que os investigadores também analisaram a possibilidade de apresentar acusações contra outras pessoas que teriam participado dos supostos atos de tortura.
Isso significa que o processo pode atingir integrantes do antigo aparato de segurança venezuelano, caso os promotores concluam que existem provas suficientes para responsabilizá-los criminalmente.
Até o momento, porém, os nomes dessas possíveis pessoas ainda não foram divulgados.
As novas acusações surgem enquanto Maduro já enfrenta um processo criminal em Nova York.
O ditador e Cilia Flores foram levados aos Estados Unidos em janeiro, após uma operação militar americana em Caracas, e posteriormente apresentados à Justiça federal. Eles se declararam inocentes das acusações existentes e permanecem detidos em Nova York.
A nova investigação, portanto, representa uma expansão do caso judicial contra o antigo líder venezuelano. Apesar da gravidade das acusações, diversos detalhes permanecem sob sigilo.
Ainda não foram divulgados publicamente todos os nomes das possíveis vítimas, quais métodos de tortura teriam sido utilizados, quais agentes teriam participado diretamente dos abusos ou quais provas os promotores pretendem apresentar.
Também será necessário aguardar a formalização das novas acusações para saber exatamente quais crimes serão atribuídos a Maduro e Cilia Flores.
Se confirmada, a medida acrescentará um novo e importante capítulo ao processo judicial contra Nicolás Maduro nos Estados Unidos, colocando no centro do caso não apenas as acusações criminais que ele já enfrenta, mas também alegações de graves abusos cometidos contra cidadãos americanos enquanto estavam presos na Venezuela.
