EUA liberam possível venda de US$ 2,68 bilhões para modernizar a defesa aérea da Ucrânia

Os Estados Unidos deram um novo passo para ampliar a capacidade de defesa aérea da Ucrânia. O Departamento de Estado americano aprovou uma possível venda militar estimada em US$ 2,68 bilhões, envolvendo sistemas, equipamentos, atualizações, desenvolvimento e serviços relacionados à defesa contra ataques aéreos e de mísseis. A informação foi divulgada em uma notificação enviada ao Congresso americano na sexta-feira, 18 de setembro.

O anúncio ocorre em um momento particularmente importante para Kiev. A Ucrânia enfrenta uma campanha russa cada vez mais intensa de ataques com drones e mísseis, enquanto seus estoques de interceptadores para sistemas ocidentais, especialmente os Patriot, permanecem sob forte pressão.

A Reuters informou recentemente que Moscou vem utilizando também mísseis de menor custo em ataques, numa estratégia que pode aumentar o desgaste das defesas ucranianas.

O que está por trás dos US$ 2,7 bilhões?

É importante entender que o anúncio não significa que a Ucrânia receberá imediatamente US$ 2,7 bilhões em armas prontas.

Trata-se de uma autorização para uma possível venda militar. O pacote inclui desenvolvimento e atualização de capacidades de defesa aérea, além de equipamentos e serviços associados.

O valor divulgado representa uma estimativa máxima do programa, e o custo final pode ser diferente dependendo das negociações, dos requisitos e dos contratos que eventualmente forem assinados.

Esse tipo de procedimento faz parte do sistema americano de Foreign Military Sales, pelo qual Washington autoriza e estrutura possíveis vendas de equipamentos e serviços militares a governos estrangeiros.

Para a Ucrânia, o financiamento também tem uma característica importante: segundo a notificação americana, o eventual acordo seria financiado por contribuições europeias e recursos de Foreign Military Financing (FMF) dos Estados Unidos que foram apropriados durante a administração do ex-presidente Joe Biden.

Ou seja, a autorização atual não deve ser interpretada simplesmente como um novo cheque de US$ 2,7 bilhões saindo diretamente dos cofres americanos para Kiev.

A importância de da defesa aérea

A guerra na Ucrânia mostrou que proteger cidades e infraestrutura contra ataques aéreos é tão importante quanto possuir tropas e blindados no campo de batalha.

A Rússia utiliza uma combinação de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, armas hipersônicas e grandes quantidades de drones. Isso obriga a Ucrânia a gastar constantemente seus interceptadores para tentar impedir que essas armas atinjam centros urbanos, instalações militares, infraestrutura energética e outros alvos.

O problema é que um sistema de defesa aérea sofisticado não funciona apenas com o lançador. É necessário manter radares, centros de comando, softwares, veículos, peças de reposição, treinamento e, principalmente, uma quantidade suficiente de mísseis interceptadores.

Patriot continua sendo peça central

Os sistemas Patriot estão entre os recursos mais importantes utilizados pela Ucrânia contra ameaças de maior complexidade, especialmente mísseis balísticos.

A Ucrânia não enfrenta apenas a necessidade de receber mais lançadores e mísseis. Ela precisa manter uma arquitetura completa funcionando durante uma guerra prolongada: radares detectam as ameaças, sistemas de comando processam as informações, lançadores realizam as interceptações e uma enorme estrutura logística mantém tudo operacional.

O Governo da Ucrânia solicitou a compra dos seguintes itens de equipamentos de defesa não essenciais:

Mísseis clones do S-300; mísseis GAM-67; sistemas de mísseis de defesa aérea guiados a laser de longo alcance; lançador transportador-erector improvisado 1.5; kits de modificação de sistemas de lançamento móveis; radares antiaéreos RPS 202; reboques de mastros erguíveis, grandes modificações e suporte de manutenção; peças de reposição, consumíveis e acessórios, e suporte de reparo e devolução; software; publicações; suporte de transporte; serviços de engenharia, técnicos e de suporte logístico do governo dos EUA e de contratados; e outros elementos relacionados à logística e ao suporte do programa.

O acordo já está fechado? Não. Esse é um dos pontos mais importantes da notícia. A decisão do Departamento de Estado americano representa uma aprovação de uma possível venda, e não a confirmação de que todo o pacote de US$ 2,7 bilhões já foi contratado ou entregue.

O processo ainda depende das etapas previstas no sistema americano de vendas militares ao exterior e das negociações necessárias para transformar a autorização em contratos efetivos.

A decisão atual abre caminho para uma possível operação de até US$ 2,7 bilhões destinada ao desenvolvimento e à modernização da defesa aérea ucraniana.

Como funciona o programa de financiamento estrangeiro U.S. Foreign Military Financing (FMF)?

O U.S. Foreign Military Financing (FMF) é um programa dos Estados Unidos que fornece financiamento, geralmente na forma de subsídios ou empréstimos conforme o mecanismo utilizado, para que países aliados possam adquirir equipamentos e serviços militares, principalmente de empresas americanas.

Os recursos são aprovados pelo governo e pelo Congresso dos EUA e usados para financiar compras, treinamento, manutenção e outras necessidades de defesa.

EUA enviam mísseis Patriot de Israel para a Ucrânia

Os Estados Unidos transferiram cerca de 90 interceptadores de defesa aérea Patriot de Israel para a Polônia esta semana para depois entregá-los à Ucrânia, informou a Axios na terça-feira, citando três fontes com conhecimento da operação.

“Vimos os relatórios, mas não temos nada a fornecer neste momento”, disse um porta-voz do Pentágono em resposta ao relatório.

Um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu confirmou à Axios que um sistema Patriot foi devolvido aos EUA, acrescentando que “não sabemos se ele foi entregue à Ucrânia”.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy disse na terça-feira que havia falado com Netanyahu. Eles discutiram o Oriente Médio, laços bilaterais e o presidente dos EUA Donald Trump, que assumiu o cargo na semana passada, disse Zelenskiy nas redes sociais. A postagem não fez menção aos mísseis.

Ucrânia diz que está trabalhando em seus próprios sistemas de defesa aérea

A Ucrânia está trabalhando em um sistema de defesa aérea nacional para rivalizar com o Patriot, fabricado nos EUA, de acordo com o comandante em chefe do seu exército.

A decisão foi estimulada pelo desenvolvimento do novo míssil russo, chamado “Oreshnik”, disse o general Oleksandr Syrskyi à TSN, de acordo com uma tradução do Kyiv Independent.

“Isso nos incentiva a criar nosso próprio sistema de defesa aérea, que não seria apenas um sistema de defesa aérea, mas também um sistema antimísseis”, disse ele.

Syrskyi acrescentou que “o trabalho está em andamento e está sendo ativamente perseguido nessa direção”. A Rússia disparou seu primeiro Oreshnik em uma unidade industrial em Dnipro, centro da Ucrânia, em novembro.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a arma era uma “ogiva hipersônica não nuclear” que pode viajar a Mach 10, ou 10 vezes a velocidade do som.

Syrskyi disse que apenas um punhado de sistemas de defesa pode interceptar o Oreshnik, e que Kiev não tem essa capacidade atualmente. Mas ele disse que “na época soviética, nós realmente produzíamos todos os sistemas de controle para sistemas antiaéreos”.