Houthis afirmam ter derrubado caça F-15SA da Arábia Saudita enquanto avançam no Iêmen

Os rebeldes houthis afirmam ter derrubado um caça F-15 da Força Aérea Saudita durante os combates na província de Marib, no centro do Iêmen. O grupo divulgou imagens que supostamente mostram os destroços da aeronave e afirmou que o avião foi atingido por um míssil produzido localmente.

Até o momento, porém, a derrubada não foi verificada de forma independente, e autoridades sauditas não confirmaram publicamente a perda do caça.

O episódio ocorre em meio a uma rápida ofensiva dos houthis, que avançaram por áreas da costa do Mar Vermelho e assumiram posições próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais passagens marítimas entre o Mar Vermelho e o oceano Índico.

Segundo a Reuters, os combates também envolveram ataques contra cidades e instalações de energia sauditas, enquanto Riad realiza ataques aéreos contra posições houthis no Iêmen.

O cenário é grave, e pode piorar!

O F-15 é uma das principais plataformas de combate utilizadas pela Arábia Saudita. Por isso, uma eventual perda da aeronave representaria um episódio militar relevante, especialmente porque demonstraria que os houthis continuam capazes de ameaçar aeronaves sauditas mesmo diante da superioridade tecnológica de Riad.

A Arábia Saudita opera várias versões do F-15, mas, para o caso divulgado pelos houthis em Marib, a identificação mais provável é particularmente interessante.

As imagens divulgadas pelos houthis foram analisadas por especialistas da Janes e pelo The War Zone (TWZ). A avaliação do TWZ aponta especificamente para um caça modernizado F-15SA/F-15SR, e não simplesmente um F-15 genérico. O TWZ identificou o que aparenta ser o número de cauda 5539, associado ao 55º Esquadrão, baseado na King Khalid Air Base.

O F-15SA é uma das versões mais avançadas do Eagle e deriva diretamente do conceito do F-15E Strike Eagle. Ele recebeu importantes melhorias em sensores, aviônicos e guerra eletrônica. A própria Força Aérea dos EUA descreve o F-15SA como uma versão avançada do F-15S saudita.

Mas existe uma diferença importante entre a alegação e o fato confirmado. Até agora, as evidências disponíveis são principalmente materiais divulgados pelos próprios houthis.

A Associated Press, emissora com ampla presença no Iêmen, informou que não conseguiu verificar independentemente que os destroços mostrados pertencem realmente a um F-15 saudita abatido durante os combates atuais.

Ao mesmo tempo, a ofensiva terrestre dos houthis é confirmada por diferentes fontes. A Reuters relata que o grupo conquistou posições importantes na costa do Mar Vermelho, incluindo Mocha e áreas próximas ao Bab el-Mandeb, aumentando a pressão sobre as rotas utilizadas pelo transporte marítimo e pelas exportações de petróleo sauditas.

Houthis avançam para dominar o sul do Iêmen Ocidental, preocupando as grandes potências

Os houthis ampliaram nos últimos dias sua ofensiva no Iêmen e avançaram pela costa do Mar Vermelho em direção ao sul, conquistando posições consideradas estratégicas para o controle do acesso ao estreito de Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis em direção ao sul do Iêmen Ocidental.

O movimento colocou o grupo armado, apoiado pelo Irã, em uma posição de maior influência sobre uma das principais rotas marítimas entre o Oriente Médio, a África e a Europa. Entre os pontos conquistados estão a cidade portuária de Mokha, a cidade costeira de Dhubab e a ilha de Perim, localizada dentro do próprio estreito.

Os houthis ainda não controlam todo o sul ou o leste do Iêmen. O objetivo imediato da ofensiva parece estar concentrado em ampliar o domínio da costa oeste e chegar a posições que permitam controlar ou ameaçar diretamente o Bab el-Mandeb. Aden, Hadramaut e Al Mahrah que continuam em mãos de forças adversárias ou de grupos locais aliados ao governo reconhecido internacionalmente.

Os desejos imediatos dos houthis

O primeiro objetivo é consolidar o controle da costa do Mar Vermelho. A tomada de Mokha representa um avanço importante porque amplia a área costeira sob domínio houthi e aproxima o grupo do Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis sobre o pontal da ilha de Perim, território também chamado de Mayyun até então dominado pelas Forças de Resistência leais ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.

A ilha de Perim é ainda mais significativa: ela está localizada dentro do estreito e divide suas rotas marítimas. Isso aumenta a capacidade dos houthis de ameaçar embarcações que utilizam essa passagem.

O segundo objetivo é transformar o controle territorial em poder de negociação. Os próprios houthis afirmam que querem o fim do que classificam como bloqueio contra o território que controlam, liberdade de circulação pelos portos e aeroportos, troca de prisioneiros e acesso às receitas provenientes do petróleo para financiar salários e serviços públicos.

Analistas avaliam que a expansão militar também pode proporcionar ao grupo uma posição muito mais forte nas negociações políticas.

Existe ainda uma terceira dimensão: a guerra do Iêmen está ligada à disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Estados Unidos e outros atores do Oriente Médio.

O Irã apoia os houthis, embora o grupo possua sua própria agenda política e militar. Com o estreito de Ormuz sob forte pressão e o Bab el-Mandeb também ameaçado, Teerã passa a contar com mais de um ponto estratégico capaz de pressionar o comércio internacional e os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados.

O Bab el-Mandeb é uma espécie de “porta de entrada” do Mar Vermelho. Quem navega pelo oceano Índico em direção ao Canal de Suez precisa passar por essa região para alcançar a rota marítima que conecta a Ásia à Europa.

Isso significa que a expansão houthi não é apenas uma questão de território dentro do Iêmen. Se o grupo conseguir manter posições militares próximas ao estreito, poderá ameaçar navios comerciais, petroleiros e outras embarcações que utilizam uma das principais artérias do comércio mundial. Dados citados pelo Washington Post apontam que cerca de 8,7% do comércio marítimo mundial passa pelo Bab el-Mandeb, incluindo parcela significativa do transporte de petróleo e derivados.

Quanto mais território estratégico os houthis conquistarem, maior será sua capacidade de pressionar seus adversários. O controle da costa, dos portos e das proximidades do Bab el-Mandeb pode ser utilizado tanto militarmente quanto como instrumento de negociação.

Trump aponta Irã como provável responsável por ataque que atingiu oleoduto da Arábia Saudita

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 12 de setembro, que o Irã provavelmente está por trás do ataque com drones que atingiu o sistema de oleodutos Leste-Oeste da Arábia Saudita.

A declaração aumenta a pressão sobre Teerã em um momento especialmente delicado, no qual a guerra no Oriente Médio já ameaça importantes rotas utilizadas para transportar petróleo do Golfo Pérsico para os mercados internacionais.

O ataque ocorreu na quinta-feira e atingiu instalações associadas ao oleoduto que atravessa a Arábia Saudita de leste a oeste. Segundo autoridades sauditas, os drones partiram do território iraquiano. O governo do Iraque confirmou que os ataques tiveram origem em seu território e abriu uma investigação sobre o episódio.

Trump foi questionado sobre a possibilidade de o Irã estar por trás da operação e respondeu que acredita que sim, provavelmente.

A declaração do presidente americano, porém, não representa uma comprovação pública de que o governo iraniano tenha ordenado diretamente o ataque. Até o momento, o que foi divulgado é que os drones partiram do Iraque. A região também abriga grupos armados apoiados pelo Irã, embora uma das milícias iraquianas tenha negado envolvimento no episódio.

A importância do oleoduto saudita

O oleoduto Leste-Oeste possui uma função estratégica para a Arábia Saudita porque permite transportar petróleo produzido no leste do país até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Coluna de fumaça decorrente dos ataques de drones contra o oleoduto saudita. © Área Militar/Reprodução

Na prática, essa infraestrutura oferece aos sauditas uma alternativa ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das passagens mais importantes para o comércio mundial de petróleo e localizada entre o Irã e Omã.

Essa capacidade se tornou ainda mais importante durante a atual guerra. Com o tráfego pelo Estreito de Ormuz sob pressão, a Arábia Saudita passou a depender mais de sua infraestrutura terrestre para levar petróleo até o Mar Vermelho.

Aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia foram redirecionados dessa maneira do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho.

Isso transforma o oleoduto em uma espécie de rota de emergência para manter parte das exportações sauditas funcionando mesmo diante de dificuldades no Golfo Pérsico.

O risco dos ataques na Arábia

Se o Estreito de Ormuz enfrenta riscos de interrupção e, ao mesmo tempo, a principal infraestrutura terrestre utilizada pela Arábia Saudita para contornar essa passagem também é atingida, a capacidade do país de manter suas exportações de petróleo fica mais vulnerável.

Existe ainda outro ponto estratégico no sul da região. No Iêmen, os houthis, grupo apoiado pelo Irã, possuem capacidade militar e posições próximas ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem fundamental para o comércio entre o Oceano Índico, o Mar Vermelho e o Mediterrâneo.

Apesar da gravidade do ataque, a Arábia Saudita decidiu inicialmente evitar uma resposta militar direta.

O governo saudita afirmou que pretende dar ao governo iraquiano a oportunidade de investigar o lançamento dos drones e impedir novos ataques provenientes de seu território.

Essa postura é importante porque uma eventual retaliação saudita contra grupos armados dentro do Iraque poderia ampliar rapidamente o conflito e envolver diretamente outro país da região.

Seis mortos em naufrágio de submarino com russos na costa do Egito

Seis estrangeiros morreram nesta quinta-feira quando um submarino turístico afundou na cidade turística de Hurghada, no Mar Vermelho, no Egito, informou o gabinete do governador local, sem confirmar as nacionalidades das vítimas.

No entanto, o consulado russo em Hurghada disse que o submarino, chamado “SINDBAD”, tinha 45 turistas russos a bordo, além de membros da tripulação. Segundo o próprio site da empresa Sindbad, o submarino comporta no máximo 44 passageiros e dois tripulantes.

O consulado disse que quatro pessoas morreram, mas não especificou se eram russas. “De acordo com dados iniciais, a maioria das pessoas a bordo foi resgatada e levada para seus hotéis e hospitais em Hurghada”, disse o consulado.

O destino de vários turistas ainda está sendo esclarecido, acrescentou o consulado. A mídia local informou que equipes de resgate salvaram 29 dos 45 passageiros a bordo do submarino.

O Mar Vermelho, famoso por seus recifes de corais e vida marinha, é um importante centro da indústria do turismo do Egito, que desempenha um papel fundamental na economia do país. Em novembro, um barco turístico virou na costa do Mar Vermelho, no Egito, matando quatro pessoas.

A empresa Sindbad entrega a cada passageiro uma certificação de que completou uma viagem subaquática ao longo do recife de corais do Mar Vermelho em Hurghada. O submarino Sindbad atinge uma profundidade de 25 metros.

Entramos em contato com a empresa Sindbad para maiores informações.

Acordo sobre base russa em porto do Sudão no Mar Vermelho avança!

Um acordo assinado anos atrás para a criação de uma base naval russa no Sudão continua sobre a mesa após negociações em Moscou, disse o ministro das Relações Exteriores sudanês, Ali Yusef Sharif, em uma entrevista ao Russia Today na quarta-feira.

Tal acordo tem sido discutido há anos desde que um acordo foi assinado sob o ex-presidente Omar al-Bashir. Os generais do exército que o derrubaram em 2019 disseram mais tarde que o plano estava sob revisão, e uma base nunca se materializou até então.

Futura base naval russa no Sudão. Foto: Google Maps

Porém, as conversas avançaram. “Na nossa reunião não negociamos o acordo… houve um acordo assinado e não há discordância”, disse Ali Yusef Sharif, dizendo que, como antes, tudo o que resta é a questão da ratificação.

“Não há obstáculos, estamos em total acordo”, disse Sharif anteriormente quando questionado sobre o acordo, após conversas com seu colega russo, Sergei Lavrov.

Ele não forneceu detalhes adicionais sobre o plano. A Rússia cultivou laços com ambos os lados na guerra civil de quase dois anos no Sudão, e autoridades russas visitaram a capital do exército durante a guerra, Porto Sudão, nos últimos meses.

No ano passado, um importante general sudanês disse que a Rússia havia pedido um posto de abastecimento no Mar Vermelho em troca de armas e munições.

Sharif disse que tal estação não representava nenhuma ameaça a nenhum outro país ou à soberania do Sudão, citando o exemplo do vizinho Djibuti, que abriga diversas bases estrangeiras.

Tal estação seria benéfica para a Rússia, principalmente depois que a queda do regime de Assad na Síria colocou em questão bases importantes no país.
A guerra no Sudão atraiu diversas influências regionais e globais concorrentes, em parte devido ao seu amplo litoral no Mar Vermelho, bem como aos recursos de ouro.

Navios comerciais continuam adicionando milhares de quilômetros nas viagens para evitar ataques dos Houthis no Iêmen

Alguns navios de carga estão estendendo suas viagens por até 10 dias e milhares de milhas para evitar ataques Houthis no Mar Vermelho, informou o The New York Times na quarta-feira.

Mais de um ano atrás, rebeldes Houthis baseados no Iêmen começaram a atacar navios e embarcações no Mar Vermelho, o que eles disseram ser uma resposta à escalada de Israel em Gaza.

No entanto, os rebeldes também atacaram navios sem nenhuma conexão óbvia com o conflito Israel-Hamas.

O historiador marítimo Salvatore Mercogliano disse ao Times que a situação era um dos desafios mais significativos que a navegação enfrentava há algum tempo.

Um relatório da Agência de Inteligência de Defesa disse que os interesses comerciais de pelo menos 65 países foram afetados pelos ataques Houthis à navegação comercial em abril.

Houve cerca de 130 incidentes desse tipo envolvendo navios comerciais desde outubro de 2023, segundo números coletados pelo Armed Conflict Location and Event Data Project.

Map showing alternate shipping routes caused by the Gaza war.

O desvio de navios ao redor do Cabo da Boa Esperança, na África, acrescenta milhares de milhas náuticas, até duas semanas de tempo de trânsito e cerca de US$ 1 milhão em custos de combustível para cada viagem, de acordo com o relatório.

Ele também disse que o transporte de contêineres pelo Mar Vermelho, que normalmente representa cerca de 10% a 15% do comércio marítimo internacional, caiu cerca de 90% entre dezembro de 2023 e fevereiro.

Os EUA e a UE enviaram navios de guerra ao Mar Vermelho e ao Golfo de Áden para impedir ataques Houthis, mas a medida teve pouco impacto.

De acordo com o Portwatch , um banco de dados administrado pelo FMI e pela Universidade de Oxford, o número médio de navios porta-contêineres passando pelo Mar Vermelho por semana em 1º de dezembro era de 26, abaixo dos 73 do mesmo período do ano passado.

Além de tempos de viagem mais longos e custos mais altos, a consultoria de gestão Inverto estimou que 14 milhões de toneladas adicionais de dióxido de carbono foram emitidas desde o início da crise.