Inteligência da Polícia Federal inicia investigação sobre possível interferência dos EUA

A Polícia Federal iniciou uma apuração para verificar se houve possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026, com foco em eventuais ações ligadas aos Estados Unidos. A informação foi confirmada neste domingo (4) pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em meio à reta final do primeiro turno.

Segundo Andrei, a iniciativa teve origem em uma representação apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU). O material recebido foi analisado inicialmente pela Polícia Federal e encaminhado à Diretoria de Inteligência da corporação, que deverá avaliar as informações e determinar os próximos passos.

Na prática, isso significa que a PF está tentando verificar se existem elementos que indiquem uma atuação externa capaz de interferir no processo eleitoral brasileiro. Neste momento, porém, é importante fazer uma distinção: a abertura dessa apuração não significa que a Polícia Federal já tenha concluído que os Estados Unidos interferiram na eleição. Trata-se justamente de uma investigação para verificar se há fundamento nas suspeitas apresentadas.

O tema ganhou força nas últimas semanas. Em setembro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhou ao governo e ao Tribunal Superior Eleitoral um relatório no qual classificou como relevante o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026.

Segundo o documento, a avaliação estaria relacionada à estratégia do governo de Donald Trump para ampliar a influência americana na América Latina e reduzir a presença de potências consideradas rivais, especialmente a China.

A discussão, entretanto, envolve acusações que ainda precisam ser comprovadas. O governo brasileiro passou a acompanhar diferentes possíveis formas de atuação americana, incluindo manifestações políticas, movimentações nas redes sociais, possíveis financiamentos externos e contatos entre autoridades americanas e grupos brasileiros. Essas hipóteses foram apresentadas em análises e reportagens, mas não devem ser tratadas como fatos comprovados sem a conclusão das investigações.

Do outro lado, o governo dos Estados Unidos nega que esteja tentando interferir na eleição brasileira. Em declaração à CNN Brasil, uma porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington acompanha o processo eleitoral, mas que interferir nas eleições de outros países não faz parte da estratégia americana.

A apuração da PF ocorre, portanto, em um cenário de crescente tensão diplomática entre Brasília e Washington. Ao mesmo tempo em que autoridades brasileiras levantam preocupações sobre uma possível influência externa, os Estados Unidos rejeitam a acusação e afirmam defender a soberania brasileira e a realização de eleições livres.

Outro episódio relacionado também está no radar da Polícia Federal. A corporação recebeu informações da Embaixada dos Estados Unidos sobre uma possível ameaça e realizou, no sábado (3), mandados de busca e apreensão relacionados ao caso. Segundo informações divulgadas pela imprensa, essa investigação é separada da apuração sobre possível interferência eleitoral.

Uma investigação sobre ameaça contra instalações diplomáticas procura esclarecer se houve uma ação criminosa ou risco concreto contra pessoas ou instalações. Já a apuração sobre interferência eleitoral busca descobrir se agentes estrangeiros teriam tentado influenciar, financiar ou interferir de alguma maneira no processo político brasileiro.

Até o momento, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que não havia indicação concreta de interferência internacional capaz de ameaçar as eleições. A declaração reforça que as suspeitas em investigação não devem ser confundidas com uma conclusão de que o processo eleitoral tenha sido comprometido.

Agora, a atenção se volta para a Polícia Federal. A análise da Diretoria de Inteligência poderá determinar se as informações apresentadas pela AGU possuem elementos suficientes para justificar medidas adicionais ou uma investigação formal mais ampla.

Métodos técnicos de interferência

Tecnicamente, interferência eleitoral estrangeira não significa necessariamente mexer na urna eletrônica ou alterar votos. Na verdade, uma operação sofisticada pode tentar influenciar o ambiente político, a percepção dos eleitores ou a confiança no processo sem tocar diretamente na infraestrutura eleitoral.

No caso brasileiro, é importante separar possibilidades técnicas gerais das acusações atualmente investigadas. A Abin informou ter elevado o risco de influência americana nas eleições a um nível de criticidade, enquanto a AGU pediu investigação sobre uma possível destinação de recursos americanos a organizações no Brasil. Isso ainda é objeto de apuração, não uma comprovação de que essas operações tenham ocorrido.

1. Financiamento indireto de organizações

Um exemplo tecnicamente possível seria um governo estrangeiro destinar recursos a uma organização que, por sua vez, financiasse projetos, campanhas de comunicação, pesquisas, produção de conteúdo ou grupos de pressão política exclusivamente para fins eleitorais.

O ponto investigativo seria descobrir quem forneceu o dinheiro, por quais intermediários, para qual finalidade e se havia uma coordenação política não declarada.

Esse tipo de mecanismo está entre as hipóteses que motivaram a atual apuração no Brasil. A AGU afirmou que seu pedido à PF e ao MPF se baseou em uma reportagem sobre possível direcionamento de recursos do governo americano para organizações brasileiras.

2. Operação de influência nas redes sociais

Aqui a operação poderia ser muito mais sofisticada do que simplesmente criar perfis falsos.

Um cenário hipotético seria a atuação de agente estrangeiro dentro de uma agência/organização intermediária empregando influenciadores ou atores diversos que possam impulsionar conteúdo político de forma coordenada nas redes.

O objetivo poderia ser aumentar artificialmente determinado assunto, atacar a reputação de um candidato ou instituição ou provocar polarização.

A CISA, agência americana de segurança cibernética, reconhece influenciadores pagos, empresas de relações públicas e mídias de fachada como possíveis instrumentos de operações estrangeiras de influência.

3. Deepfakes e Superinteligência

Tecnicamente, uma das formas de manipulação de opinião está no uso de superinteligência, novo termo empregado para descrever operações de inteligência artificial, isso poderia envolver clonagem de voz, geração artificial de vídeo, alteração de imagens e criação de sites falsos para dar aparência de autenticidade.

A própria CISA, FBI e NSA alertam que deepfakes podem ser utilizados para disseminar informações falsas e provocar confusão, incerteza e desconfiança em contextos políticos.

4. Criar um falso escândalo

Outra possibilidade seria fabricar documentos, conversas, áudios ou imagens e apresentá-los como se fossem verdadeiros.

Mesmo que a falsificação seja posteriormente descoberta, o objetivo de uma operação desse tipo poderia ser simplesmente criar uma crise política durante algumas horas ou dias.

O ponto central é que uma informação falsa pode continuar produzindo efeitos mesmo depois de ser desmentida, porque não existe um mecanismo para fazer as pessoas “desverem” ou “deslerem” aquilo que já consumiram.

É por isso que uma operação desse tipo não necessariamente teria como objetivo convencer 100% das pessoas de que a falsificação é verdadeira. Poderia ser suficiente para introduzir dúvida e confusão em uma parcela do público.

5. Pressão econômica ou diplomática durante a eleição

Existe ainda uma diferença importante entre influência externa e interferência eleitoral propriamente dita.

Um país pode utilizar sanções, tarifas, restrições comerciais, declarações diplomáticas ou outras ferramentas de política externa para pressionar um governo. Isso não significa automaticamente interferência eleitoral.

A questão mudaria de natureza se essas ferramentas fossem utilizadas deliberadamente para alterar o comportamento eleitoral dos brasileiros, por exemplo, condicionando uma determinada medida econômica ao resultado político.

A própria Abin descreveu medidas americanas envolvendo sanções financeiras e seus possíveis efeitos sobre relações econômicas brasileiras como parte do contexto que motivou sua avaliação de risco.

Uma das possibilidades analisadas em estudos sobre interferência estrangeira são operações de influência, que podem utilizar técnicas tradicionalmente associadas à guerra psicológica para explorar emoções, ampliar divisões e reduzir a confiança nas instituições.

Estudos oficiais da comunidade de inteligência dos EUA documentam que operações estrangeiras de influência podem combinar desinformação, conteúdo fabricado, deepfakes, redes de intermediários, ciberoperações e exploração de divisões sociais.

Em uma atualização oficial de 2024, o ODNI (Office of the Director of National Intelligence/Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos) registrou ainda o uso de empresas de relações públicas, plataformas de influência e pessoas reais, algumas conscientes e outras possivelmente sem saber da origem da operação, para dar credibilidade e ampliar narrativas estrangeiras.

Em termos de guerra psicológica, o objetivo pode ser menos “convencer o público de uma mentira” e mais provocar medo, polarização, desconfiança e incerteza, afetando o comportamento político e a confiança nas instituições.

Na era digital, uma informação falsa não precisa permanecer verdadeira para causar danos; basta permanecer circulando depois de ser desmentida.

Nota: As suspeitas de interferência estrangeira atribuídas aos Estados Unidos estão atualmente sob apuração da Polícia Federal, mas permanecem muito distantes de constituir fatos comprovados. Até o momento, os elementos apresentados publicamente deram origem a uma investigação preliminar, enquanto o presidente do TSE afirmou não haver indicativo concreto de interferência internacional; tampouco foram divulgadas evidências que comprovem o emprego das técnicas de operações de influência descritas nesta matéria.

Donald Trump assina ordem para substituir “inteligência artificial” por “superinteligência”

WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (29) uma ordem executiva que determina que órgãos do governo americano passem a utilizar o termo “superinteligência”, em vez de “inteligência artificial”, em documentos, declarações públicas e materiais oficiais.

A medida formaliza uma mudança de linguagem que Trump já havia anunciado durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro. Para o presidente, a palavra “artificial” daria a impressão de que a tecnologia é falsa ou menos avançada do que realmente é.

Apesar do impacto simbólico da mudança, há uma diferença importante: a ordem não cria uma nova tecnologia nem transforma juridicamente a inteligência artificial em uma categoria diferente. O principal efeito imediato é determinar como o governo federal deverá se referir à tecnologia.

Trump quer que os EUA mantenham vantagem sobre a China

Por trás da mudança de terminologia está uma disputa muito maior.

Trump vem apresentando o desenvolvimento de sistemas avançados de IA como uma questão estratégica para os Estados Unidos. Segundo o presidente, Washington possui uma vantagem significativa sobre a China e precisa evitar medidas que possam reduzir o ritmo de desenvolvimento da indústria americana.

Em declarações recentes, Trump afirmou que não pretende “frear” uma tecnologia que, em sua avaliação, poderá ter impacto econômico maior que a própria Revolução Industrial.

A competição com Pequim é um dos principais argumentos utilizados pela Casa Branca para defender uma política de expansão acelerada da inteligência artificial.

A questão não envolve apenas empresas de tecnologia. A disputa inclui computação avançada, semicondutores, centros de dados, energia, pesquisa científica, segurança cibernética e aplicações militares.

Por isso, Washington considera a liderança em IA um elemento cada vez mais importante da competição estratégica entre Estados Unidos e China.

O que muda na prática?

Para o cidadão comum, a troca de nome não significa que os aplicativos, computadores ou sistemas de IA passarão imediatamente a funcionar de maneira diferente.

A mudança é principalmente administrativa e política.

O decreto determina a utilização de “super intelligence”, frequentemente abreviada como SI, nos materiais do governo americano. A Casa Branca ressalta que a ordem não estabelece, por si só, um novo marco regulatório para o setor privado.

Isso é importante porque o termo “superinteligência” já possui outro significado no debate tecnológico.

No campo da pesquisa em IA, superinteligência costuma descrever sistemas hipotéticos capazes de superar seres humanos em uma ampla variedade de tarefas intelectuais. Portanto, utilizar o termo como substituto geral de “inteligência artificial” pode gerar uma diferença entre a nomenclatura política adotada pelo governo e o significado técnico utilizado por pesquisadores.

Trump reúne gigantes da tecnologia na Casa Branca

A mudança ocorreu no mesmo dia em que Trump recebeu executivos de algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

Gigantes da tecnologia na Casa Branca. Foto: ©Área Militar/Reprodução

Entre os nomes presentes estavam Elon Musk e Mark Zuckerberg, além de executivos de empresas como Anthropic, Nvidia e outras companhias do setor.

Durante o encontro, Trump também anunciou um acordo voluntário envolvendo empresas de tecnologia.

O compromisso estabelece princípios e controles internos relacionados ao desenvolvimento e à utilização de sistemas avançados de IA. O presidente descreveu o acordo como “moralmente vinculante”, enquanto outros participantes o apresentaram como uma espécie de compromisso conjunto de segurança.

A característica voluntária do acordo é relevante.

Em vez de estabelecer imediatamente uma série de novas obrigações legais para as empresas, a administração Trump vem defendendo maior participação do próprio setor na definição de mecanismos de segurança.

7 meses de guerra! Trump rejeita proposta de paz do Irã, mas negociações indiretas devem recomeçar

Hoje, 28 de setembro, a guerra entre Estados Unidos e Irã completa sete meses. No mesmo momento em que o conflito chega a essa marca, Washington e Teerã voltam a movimentar canais diplomáticos por meio de mediadores, numa tentativa de encontrar uma saída para a crise.

Os Estados Unidos e o Irã voltaram a movimentar os canais diplomáticos em uma tentativa de encontrar uma saída para o conflito que envolve os dois países.

Segundo uma autoridade familiarizada com as negociações ouvida pela Reuters, mediadores do Catar devem realizar conversas separadas com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e com representantes norte-americanos nesta segunda ou terça-feira, em Nova York.

As reuniões não serão, neste momento, uma negociação direta entre Washington e Teerã. A ideia é que o Catar funcione como intermediário, levando propostas de um lado ao outro e tentando aproximar posições que continuam bastante distantes.

O movimento ocorre pouco depois de o Irã apresentar uma proposta de sete dias para interromper as hostilidades. Agora, segundo a autoridade ouvida pela Reuters, os mediadores trabalham sobre uma versão modificada desse plano, apresentada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

A proposta iraniana rejeitada

A proposta iraniana prevê uma série de medidas que precisariam acontecer de forma coordenada.

Entre elas estão o fim das hostilidades no Irã e no Líbano, o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos, a suspensão das sanções contra o petróleo do país e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos.

Em contrapartida, Teerã se comprometeria a permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais passagens marítimas para o transporte mundial de petróleo, além de retomar as negociações sobre seu programa nuclear.

É justamente essa ligação entre segurança, petróleo e programa nuclear que torna as negociações particularmente complexas.

Trump rejeitou a primeira proposta, mas manteve o canal aberto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que havia rejeitado a proposta iraniana. Segundo Trump, Teerã estaria buscando um acordo rápido devido à forte pressão econômica enfrentada pelo país.

Apesar disso, no domingo, Trump afirmou ao Axios que esperava que representantes norte-americanos participassem de novas conversas durante esta semana.

A posição cria uma situação aparentemente contraditória: Washington rejeitou a proposta apresentada inicialmente por Teerã, mas continua permitindo que o processo diplomático avance por meio de intermediários.

O que pode acontecer agora

O principal ponto de atenção será saber se os mediadores conseguem transformar a proposta iraniana em uma fórmula que também seja aceitável para Washington.

Para isso, questões como sanções econômicas, bloqueio de portos, circulação pelo Estreito de Ormuz, suspensão das hostilidades e o futuro do programa nuclear iraniano precisarão ser tratadas conjuntamente.

Por enquanto, portanto, não há confirmação de um cessar-fogo definitivo ou de um acordo de paz.

Terrorismo! Trump afirma que homens presos queriam causar “grandes danos” contra a base aérea Fairford na Inglaterra!

A segurança foi significativamente reforçada nos últimos dias na RAF Fairford, base aérea localizada em Gloucestershire, no sudoeste da Inglaterra, que é utilizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

O aumento da vigilância ocorreu pouco antes da prisão de cinco homens nas proximidades da instalação, em uma operação que passou a ser investigada pela polícia britânica como possível preparação de um ato terrorista.

O caso começou durante a madrugada de domingo, quando a polícia recebeu uma denúncia sobre três veículos suspeitos que aparentemente seguiam em direção à base.

Policiais armados foram enviados para a região de Whelford, onde os cinco homens acabaram detidos. Inicialmente, eles foram presos por suspeitas relacionadas à legislação britânica sobre explosivos e, posteriormente, também passaram a ser investigados por suspeita de preparação de um ato terrorista.

Homens presos pretendiam causar “grandes danos”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os suspeitos estavam sendo acompanhados pelas autoridades e que pretendiam causar “grandes danos” à instalação.

A declaração, porém, representa a avaliação apresentada pelo presidente e não substitui as conclusões da investigação britânica. A Força Aérea dos EUA confirmou apenas que permanece vigilante e que avalia continuamente as medidas necessárias para proteger seus militares, funcionários, contratados e familiares.

A operação britânica provocou uma grande mobilização das forças de segurança. Cerca de 85 residências foram evacuadas como medida de precaução, enquanto especialistas em desativação de explosivos do Exército britânico examinaram os veículos encontrados.

Um perímetro de aproximadamente 400 metros foi estabelecido ao redor da área, e a presença de policiais armados e equipes de emergência permaneceu elevada.

A preocupação ganhou dimensão internacional porque a RAF Fairford possui importância estratégica para as operações aéreas americanas. A instalação tem sido utilizada por aeronaves militares dos Estados Unidos em operações relacionadas ao conflito com o Irã.

A base é preparada para receber grandes bombardeiros, incluindo o B-1B Lancer, e já recebeu aeronaves americanas envolvidas nas operações no Oriente Médio.

O contexto também explica por que a segurança ao redor da instalação vinha sendo ampliada. Em julho, autoridades britânicas afirmaram que as Forças Armadas do país estavam preparadas para responder a qualquer ameaça depois que a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que bases utilizadas para operações americanas contra território iraniano poderiam ser consideradas alvos legítimos. A RAF Fairford estava entre as instalações mencionadas nesse contexto.

EUA avançam na América do Sul e colocam até US$ 7 bilhões na Argentina para exploração mineral e infraestrutura

Os Estados Unidos anunciaram um novo pacote de cooperação financeira com a Argentina que pode mobilizar até US$ 7 bilhões até 2027, em uma iniciativa voltada principalmente para setores considerados estratégicos pelos dois países.

O acordo foi firmado pelo Export-Import Bank dos Estados Unidos (EXIM) e pelo governo argentino durante os eventos da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

O dinheiro não será entregue de uma única vez nem corresponde a um empréstimo de US$ 7 bilhões já liberado para o governo argentino. O que foi estabelecido é um marco de cooperação financeira, chamado U.S.-Argentina Build the Future Framework, que poderá apoiar diferentes projetos até 2027.

Entre as áreas incluídas estão minerais críticos, processamento mineral, segurança energética, modernização da rede elétrica, conectividade digital, sistemas de segurança, espaço comercial e tecnologias avançadas.

Por que os minerais argentinos interessam aos Estados Unidos?

A Argentina possui grandes reservas de minerais importantes para setores como baterias, veículos elétricos, eletrônica e tecnologias de alta complexidade. Entre os recursos que aparecem no radar estão principalmente lítio e cobre, além de outros minerais considerados estratégicos.

Para Washington, a questão não é apenas financiar novas minas. O objetivo também envolve aproximar esses projetos de fornecedores, equipamentos e tecnologias norte-americanas.

O próprio EXIM afirma que o acordo poderá apoiar o desenvolvimento e o processamento de minerais estratégicos argentinos por meio do uso de equipamentos, tecnologias e conhecimento técnico dos Estados Unidos.

Na prática, isso significa que uma mina argentina financiada dentro desse modelo pode acabar adquirindo parte relevante de seus equipamentos e serviços de empresas norte-americanas. O financiamento, portanto, funciona também como uma ferramenta para ampliar a presença dos Estados Unidos na cadeia de produção mineral.

Mas existe outro projeto ainda maior no pacote

Embora a mineração esteja entre os setores estratégicos do acordo, existe um detalhe que ajuda a dimensionar o anúncio: uma parcela significativa do financiamento está relacionada ao setor de gás natural liquefeito.

O projeto Argentina LNG, ligado à YPF e seus parceiros, aparece associado a uma proposta de financiamento de aproximadamente US$ 6 bilhões do EXIM. A iniciativa faz parte do chamado Corredor Andes-Atlântico, concebido para conectar regiões produtoras de petróleo, gás e minerais aos portos argentinos no Atlântico.

Homem ferido em atentado contra Donald Trump morre devido a complicações dos ferimentos!

James Copenhaver, um dos dois espectadores gravemente feridos durante a tentativa de assassinato de Donald Trump em julho de 2024, morreu aos 76 anos. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, por familiares e confirmada por diferentes veículos americanos.

Copenhaver estava no comício realizado em Butler, na Pensilvânia, quando o atirador Thomas Matthew Crooks abriu fogo contra Trump. Copenhaver foi atingido duas vezes, uma no braço e outra no abdômen, e precisou passar por tratamento e cirurgias. Segundo relatos recentes, ele continuava convivendo com consequências permanentes dos ferimentos, inclusive fragmentos de projéteis que permaneceram em seu corpo.

O atentado de Butler

O ataque ocorreu em 13 de julho de 2024. Thomas Matthew Crooks disparou contra o então candidato republicano durante um comício ao ar livre. Trump foi atingido de raspão na orelha, enquanto três pessoas da plateia foram baleadas.

IMPRESSIONANTE!! Imagens mostrando a reação da equipe de contra-atiradores do Serviço Secreto dos EUA que eliminou o atirador, o momento em que os tiros soaram no comício da campanha Trump em Butler, Pensilvânia.

Corey Comperatore, de 50 anos, morreu no local. David Dutch e James Copenhaver ficaram gravemente feridos. O atirador foi morto por um agente de contra-atiradores do Serviço Secreto pouco depois de iniciar os disparos.

Copenhaver chegou a receber alta hospitalar ainda em julho de 2024 e iniciou um longo processo de recuperação. Na época, imagens feitas por ele próprio mostraram uma pessoa se movimentando no telhado de onde Crooks posteriormente efetuaria os disparos.

A morte ocorre mais de dois anos depois do atentado

A informação sobre a causa exata da morte ainda não está completamente esclarecida. A Fox News informou que Copenhaver morreu após complicações relacionadas aos ferimentos, mas autoridades locais disseram que a causa oficial ainda não havia sido divulgada.

Relatos apontam que ele continuava enfrentando problemas decorrentes do episódio, mas a causa médica definitiva ainda depende de confirmação.

15 países do Escudo das Américas anunciam sanções coletivas contra PCC e CV – Brasil fica de fora!

Quinze governos do continente anunciaram nesta terça-feira (22), à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a primeira ação conjunta do Escudo das Américas contra 24 grupos classificados como narcoterroristas.

Na lista estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do Brasil. O governo brasileiro não assinou o comunicado.

A informação foi detalhada pelo jornalista Paulo Figueiredo, exilado político nos EUA, em sua conta no X. O comunicado conjunto, divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em conjunto com os demais países, prevê que cada governo aplique, segundo sua própria legislação, congelamento de bens, restrição de vistos e imigração, e responsabilidade criminal a quem der apoio material, inclusive logístico, a esses grupos.

Esse movimento derruba todas as narrativas em torno dos “riscos” em classificar grupos criminosos como narcoterroristas. Entre as principais justificativas do governo brasileiro está na possibilidade dos EUA invadirem ou lançarem alguma ofensiva contra o país.

Assinam o texto Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Brasil e México ficaram de fora. A foto do encontro reúne governos alinhados a Washington.

Donald Trump lançou a coalizão em março, em Miami, como uma aliança de segurança contra cartéis e o que o governo americano chama de narcoterrorismo. Desde então o grupo incorporou Colômbia e Peru. O Brasil ficou de fora desde o início e permanece de fora agora, quando a iniciativa sai do papel e passa à primeira operação conjunta.

EUA liberam possível venda de US$ 2,68 bilhões para modernizar a defesa aérea da Ucrânia

Os Estados Unidos deram um novo passo para ampliar a capacidade de defesa aérea da Ucrânia. O Departamento de Estado americano aprovou uma possível venda militar estimada em US$ 2,68 bilhões, envolvendo sistemas, equipamentos, atualizações, desenvolvimento e serviços relacionados à defesa contra ataques aéreos e de mísseis. A informação foi divulgada em uma notificação enviada ao Congresso americano na sexta-feira, 18 de setembro.

O anúncio ocorre em um momento particularmente importante para Kiev. A Ucrânia enfrenta uma campanha russa cada vez mais intensa de ataques com drones e mísseis, enquanto seus estoques de interceptadores para sistemas ocidentais, especialmente os Patriot, permanecem sob forte pressão.

A Reuters informou recentemente que Moscou vem utilizando também mísseis de menor custo em ataques, numa estratégia que pode aumentar o desgaste das defesas ucranianas.

O que está por trás dos US$ 2,7 bilhões?

É importante entender que o anúncio não significa que a Ucrânia receberá imediatamente US$ 2,7 bilhões em armas prontas.

Trata-se de uma autorização para uma possível venda militar. O pacote inclui desenvolvimento e atualização de capacidades de defesa aérea, além de equipamentos e serviços associados.

O valor divulgado representa uma estimativa máxima do programa, e o custo final pode ser diferente dependendo das negociações, dos requisitos e dos contratos que eventualmente forem assinados.

Esse tipo de procedimento faz parte do sistema americano de Foreign Military Sales, pelo qual Washington autoriza e estrutura possíveis vendas de equipamentos e serviços militares a governos estrangeiros.

Para a Ucrânia, o financiamento também tem uma característica importante: segundo a notificação americana, o eventual acordo seria financiado por contribuições europeias e recursos de Foreign Military Financing (FMF) dos Estados Unidos que foram apropriados durante a administração do ex-presidente Joe Biden.

Ou seja, a autorização atual não deve ser interpretada simplesmente como um novo cheque de US$ 2,7 bilhões saindo diretamente dos cofres americanos para Kiev.

A importância de da defesa aérea

A guerra na Ucrânia mostrou que proteger cidades e infraestrutura contra ataques aéreos é tão importante quanto possuir tropas e blindados no campo de batalha.

A Rússia utiliza uma combinação de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, armas hipersônicas e grandes quantidades de drones. Isso obriga a Ucrânia a gastar constantemente seus interceptadores para tentar impedir que essas armas atinjam centros urbanos, instalações militares, infraestrutura energética e outros alvos.

O problema é que um sistema de defesa aérea sofisticado não funciona apenas com o lançador. É necessário manter radares, centros de comando, softwares, veículos, peças de reposição, treinamento e, principalmente, uma quantidade suficiente de mísseis interceptadores.

Patriot continua sendo peça central

Os sistemas Patriot estão entre os recursos mais importantes utilizados pela Ucrânia contra ameaças de maior complexidade, especialmente mísseis balísticos.

A Ucrânia não enfrenta apenas a necessidade de receber mais lançadores e mísseis. Ela precisa manter uma arquitetura completa funcionando durante uma guerra prolongada: radares detectam as ameaças, sistemas de comando processam as informações, lançadores realizam as interceptações e uma enorme estrutura logística mantém tudo operacional.

O Governo da Ucrânia solicitou a compra dos seguintes itens de equipamentos de defesa não essenciais:

Mísseis clones do S-300; mísseis GAM-67; sistemas de mísseis de defesa aérea guiados a laser de longo alcance; lançador transportador-erector improvisado 1.5; kits de modificação de sistemas de lançamento móveis; radares antiaéreos RPS 202; reboques de mastros erguíveis, grandes modificações e suporte de manutenção; peças de reposição, consumíveis e acessórios, e suporte de reparo e devolução; software; publicações; suporte de transporte; serviços de engenharia, técnicos e de suporte logístico do governo dos EUA e de contratados; e outros elementos relacionados à logística e ao suporte do programa.

O acordo já está fechado? Não. Esse é um dos pontos mais importantes da notícia. A decisão do Departamento de Estado americano representa uma aprovação de uma possível venda, e não a confirmação de que todo o pacote de US$ 2,7 bilhões já foi contratado ou entregue.

O processo ainda depende das etapas previstas no sistema americano de vendas militares ao exterior e das negociações necessárias para transformar a autorização em contratos efetivos.

A decisão atual abre caminho para uma possível operação de até US$ 2,7 bilhões destinada ao desenvolvimento e à modernização da defesa aérea ucraniana.

Como funciona o programa de financiamento estrangeiro U.S. Foreign Military Financing (FMF)?

O U.S. Foreign Military Financing (FMF) é um programa dos Estados Unidos que fornece financiamento, geralmente na forma de subsídios ou empréstimos conforme o mecanismo utilizado, para que países aliados possam adquirir equipamentos e serviços militares, principalmente de empresas americanas.

Os recursos são aprovados pelo governo e pelo Congresso dos EUA e usados para financiar compras, treinamento, manutenção e outras necessidades de defesa.

China aguarda ansiosa a venda de caças americanos F-35 à Arábia Saudita

A possível venda de 48 caças F-35 à Arábia Saudita entrou em uma zona de forte preocupação dentro do próprio governo dos Estados Unidos.

Documentos de inteligência norte-americanos indicam que a China poderia tentar obter informações ou tecnologia sensível do caça por meio da cooperação militar e tecnológica que mantém com Riad. Mesmo diante desses alertas, o governo Donald Trump decidiu avançar com o processo de venda, estimado em US$ 24,3 bilhões.sao mais de 43 anosd e tradição jurídica

O ponto central da preocupação americana não é apenas o avião em si, mas o que existe dentro dele. O F-35 reúne tecnologias consideradas altamente sensíveis, incluindo sensores avançados, sistemas de guerra eletrônica, comunicações seguras e recursos de vigilância.

Segundo informações citadas pelo New York Times, uma avaliação da Defense Intelligence Agency, a agência de inteligência do Pentágono, questionou se seria possível manter essas tecnologias protegidas em instalações sauditas diante da presença e da cooperação chinesa no país.

Um dos problemas identificados pelos analistas americanos é a presença chinesa na infraestrutura tecnológica da Arábia Saudita. Empresas como Huawei e ZTE fornecem equipamentos de telecomunicações utilizados no país, e os documentos de inteligência levantaram dúvidas sobre a segurança de redes e instalações que poderiam abrigar sistemas relacionados aos F-35. A avaliação também questiona o acesso de militares e integrantes dos serviços de inteligência chineses a bases sauditas.

Existe ainda um segundo elemento que torna a situação mais delicada: a própria cooperação militar entre China e Arábia Saudita. Riad não depende exclusivamente dos Estados Unidos para desenvolver suas capacidades de defesa.

O país também adquiriu mísseis balísticos chineses e recebeu assistência de Pequim para desenvolver capacidade própria de produção e operação desses sistemas. Para Washington, essa aproximação aumenta o risco de que tecnologias americanas extremamente avançadas acabem ficando mais expostas.

O caso Turquia

Um precedente importante para entender a preocupação atual de Washington é o caso da Turquia com o sistema russo S-400. Ancara comprou e recebeu o sistema apesar dos alertas dos Estados Unidos de que sua operação poderia comprometer a segurança de tecnologias militares americanas e criar riscos para o programa F-35.

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S-400 russo. Foto: mil.ru/Ekaterina Smola/CC

Em 2019, Washington iniciou a retirada da Turquia do programa, afirmando que o S-400 e o F-35 eram incompatíveis, e, em 2020, impôs sanções à Presidência da Indústria de Defesa turca com base na lei CAATSA.

A solução americana

A solução discutida nos documentos de inteligência passa por restrições de acesso. Uma das avaliações citadas pelo New York Times indica que somente militares e contratados americanos e sauditas deveriam ter acesso às áreas onde a tecnologia do F-35 estivesse instalada. Também foram levantadas questões sobre a necessidade de limitar contatos entre instalações militares sauditas e entidades militares ou de inteligência chinesas.

Outro ponto é a infraestrutura de telecomunicações. Os analistas americanos questionaram se Riad estaria disposto a retirar determinados equipamentos chineses de empresas como Huawei e ZTE de redes e instalações relacionadas à defesa.

Isso demonstra que a discussão sobre os F-35 vai muito além da compra dos aviões: envolve também quem controla as redes, os dados e o ambiente tecnológico no qual essas aeronaves serão utilizadas.

O Congresso americano agora terá um papel importante no processo. Os parlamentares receberam a notificação formal e possuem um período de análise antes que a venda possa avançar definitivamente.

Alguns congressistas já manifestaram oposição justamente por causa dos alertas da comunidade de inteligência. A legislação americana prevê mecanismos para que o Congresso tente bloquear uma venda desse tipo, embora o procedimento enfrente obstáculos políticos e legislativos significativos.

Após promessa, Trump agora hesita: “Não tenho certeza” se Ucrânia poderá fabricar interceptadores Patriot

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quinta-feira (30) que ainda não decidiu se concederá à Ucrânia a licença para fabricar interceptadores do sistema de defesa aérea Patriot.

Em entrevista por telefone ao jornal britânico Financial Times, Trump afirmou: “Não tenho certeza. Estamos analisando a questão”. Ele acrescentou que se trata de “uma arma extraordinária” e que “temos de ser um pouco cautelosos sobre a quem concedemos a licença. Nós não costumamos licenciar equipamentos”.

A declaração marca uma aparente hesitação em relação a posicionamentos anteriores. No início de julho, durante a cúpula da Otan na Turquia, Trump havia dito que os Estados Unidos dariam à Ucrânia “o direito de fabricar Patriots”.

Dois dias antes da entrevista ao FT, após encontro com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no Salão Oval, em 28 de julho, o líder de Kiev afirmou que Trump “aceitou que nos dará as licenças” e que o tema da produção de interceptadores havia sido discutido.

Os sistemas Patriot são considerados essenciais pela Ucrânia para interceptar mísseis balísticos russos que atingem cidades e infraestrutura civil. Atualmente, apenas Japão e Alemanha possuem licenças para coproduzir esses equipamentos no exterior. A fabricação é complexa e demorada, o que significa que, mesmo com eventual autorização, a produção em escala útil não seria imediata.

Trump reforçou que o foco de sua administração permanece na busca pelo fim da guerra, e não no aumento do fornecimento de armamentos. “Não estou buscando mísseis. Estamos buscando a paz”, afirmou. Ele também informou que seu genro Jared Kushner e o enviado especial Steve Witkoff visitarão a Ucrânia em breve pela primeira vez.

A incerteza de Washington deixa em aberto uma das principais demandas de Kiev em meio aos contínuos ataques russos, enquanto o processo de eventual licenciamento permanece sob análise.