SOUTHCOM fala em mobilização militar em 18 horas – A Doutrina Airborne confundida com a crise no Brasil

Uma publicação do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) chamou atenção nesta quinta-feira (1º) ao destacar que militares americanos podem estar prontos para uma operação em até 18 horas após receberem uma ordem. A mensagem ganhou repercussão no Brasil porque foi divulgada praticamente ao mesmo tempo em que os Estados Unidos adotaram medidas de segurança em suas representações diplomáticas no país.

Mas há uma diferença importante entre uma demonstração de capacidade militar e uma ordem para mobilizar tropas.

18 horas, uma doutrina Airborne!

A 82ª Divisão Aerotransportada, sediada em Fort Bragg, na Carolina do Norte, é uma das principais forças de resposta rápida do Exército americano.

Sua missão oficial prevê que a unidade esteja preparada para se deslocar rapidamente quando receber uma ordem, realizar operações aerotransportadas e assumir posições consideradas importantes para permitir a chegada de outras forças.

A própria documentação militar americana descreve o XVIII Corpo Aerotransportado como uma força capaz de ser empregada globalmente e sem aviso prévio. O objetivo é justamente manter tropas em estado de prontidão para crises que possam exigir uma resposta rápida.

Portanto, quando o SOUTHCOM publica uma mensagem dizendo “18 hours notice”, isso não significa, por si só, que uma operação tenha sido autorizada.

Significa que existe uma força treinada e estruturada para conseguir sair rapidamente caso uma autoridade americana determine seu emprego.

É uma diferença fundamental.

Por que o SOUTHCOM publicou isso agora?

É justamente aqui que surge a dúvida. O SOUTHCOM é responsável pela área militar americana que inclui a América Central, a América do Sul e o Caribe. O Brasil está formalmente dentro de sua área de responsabilidade.

Isso faz com que qualquer mensagem do comando sobre capacidade militar na região naturalmente seja observada com atenção no Brasil.

Entretanto, a publicação analisada não menciona o Brasil como alvo, não anuncia uma operação em território brasileiro e não apresenta uma ordem de deslocamento da 82ª Divisão para o país.

A mensagem, portanto, pode ser lida como uma demonstração de prontidão militar, mas não há, nas informações públicas verificadas, evidência suficiente para afirmar que as “18 horas” sejam um prazo estabelecido para uma missão contra o Brasil.

A Doutrina Monroe

Outro elemento que chamou atenção foi a publicação de conteúdo relacionado à Doutrina Monroe por canais diplomáticos americanos.

A Doutrina Monroe surgiu em 1823 e historicamente estabeleceu uma posição americana contrária à expansão e à intervenção de potências europeias no Hemisfério Ocidental. O próprio Departamento de Estado dos EUA descreve o conceito como uma estrutura histórica da política externa americana voltada para os interesses de segurança e comerciais dos Estados Unidos no hemisfério.

A combinação das duas mensagens — uma falando de capacidade militar de resposta rápida e outra mencionando a Doutrina Monroe — naturalmente produz uma leitura mais ampla sobre a política americana para o continente.

Mas é necessário cuidado. Uma publicação sobre uma doutrina histórica não transforma automaticamente uma demonstração de prontidão militar em uma ameaça específica contra determinado país.

O Brasil aparece no cenário?

Sim, mas por outro motivo. O Brasil faz parte da área de responsabilidade do SOUTHCOM e mantém histórico de cooperação militar com os Estados Unidos.

O próprio comando americano já destacou exercícios e atividades de cooperação com o Exército Brasileiro, inclusive envolvendo militares brasileiros em atividades de treinamento nos Estados Unidos com participação da 82ª Divisão Aerotransportada.

Isso demonstra que a relação militar entre Washington e Brasília não é exclusivamente baseada em competição ou ameaça. Existe também uma estrutura de cooperação institucional construída ao longo de anos.

Ao mesmo tempo, o contexto atual é mais sensível porque os Estados Unidos adotaram medidas de segurança em suas representações diplomáticas no Brasil, enquanto outros países também emitiram alertas a seus cidadãos.

A publicação do SOUTHCOM ocorreu antes da mudança no funcionamento das representações diplomáticas americanas no Brasil e um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a segurança dos cidadãos americanos é uma prioridade e que Washington trabalha com as autoridades brasileiras em questões de segurança.

Essa coincidência temporal é relevante para o noticiário, mas não prova que a publicação militar tenha sido uma preparação para uma intervenção no Brasil.

Existe uma ameaça militar ao Brasil?

A resposta é fundamentalmente imutável: NÃO!

Até o momento, as informações públicas e movimentos militares analisados não permitem afirmar isso.

O que existe é uma combinação de acontecimentos que merece acompanhamento: medidas de segurança diplomática, alertas dirigidos a cidadãos americanos, movimentação de comunicação estratégica dos Estados Unidos e uma publicação do SOUTHCOM enfatizando a capacidade de resposta rápida de uma unidade militar americana.

Mas esses elementos precisam ser separados.

A capacidade de mobilizar uma força em 18 horas é uma característica conhecida da 82ª Divisão Aerotransportada. O Exército americano já descreve essa capacidade há anos, inclusive associando a unidade à função de força de resposta imediata.

Portanto, o número de 18 horas, isoladamente, não deve ser interpretado como uma contagem regressiva para uma ação militar no Brasil.

EUA suspendem consulados e Austrália fecha embaixada no Brasil após alertas de segurança

Estados Unidos e Austrália adotaram medidas excepcionais envolvendo suas representações diplomáticas no Brasil nesta sexta-feira (2). O governo americano suspendeu os serviços presenciais de sua embaixada e de seus consulados no país, enquanto a Austrália decidiu fechar temporariamente sua embaixada em Brasília.

Nos dois casos, a justificativa apresentada envolve preocupações com segurança. Até o momento, porém, não foram divulgados detalhes suficientes para determinar exatamente qual ameaça levou às decisões.

A medida americana é a mais abrangente. Foram afetadas a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e as representações consulares em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. Os atendimentos presenciais foram interrompidos, incluindo serviços relacionados à emissão de vistos.

Cidadãos americanos também receberam uma orientação incomum: mesmo aqueles que necessitem de assistência emergencial não devem se dirigir às instalações diplomáticas. Nesses casos, a recomendação é entrar em contato com os canais de plantão.

Não existe, até agora, uma data oficial para a normalização completa dos serviços.

Austrália toma medida após alerta dos EUA

Pouco depois, a Austrália anunciou que sua embaixada em Brasília também permaneceria fechada nesta sexta-feira por preocupações relacionadas à segurança.

O comunicado australiano foi além de informar o fechamento da própria representação. O governo também recomendou que cidadãos australianos evitem a Embaixada dos Estados Unidos, os consulados americanos e outras instalações diplomáticas dos EUA no Brasil, incluindo as áreas próximas.

A orientação australiana faz referência direta ao alerta emitido pelos Estados Unidos.

Mesmo com a embaixada fechada, o governo australiano informou que continuará disponibilizando assistência consular emergencial a seus cidadãos.

O que provocou as medidas?

Essa é justamente a principal questão que permanece sem resposta.

Os governos não divulgaram publicamente detalhes suficientes sobre a natureza da ameaça ou sobre informações de inteligência que possam ter levado às decisões.

A Reuters informou que funcionários americanos teriam recebido orientação para permanecer em casa por causa de uma ameaça recebida pela embaixada. Não foram divulgadas informações sobre a origem ou o conteúdo dessa ameaça.

Também não há confirmação oficial de que Estados Unidos e Austrália estejam reagindo exatamente ao mesmo episódio.

O que pode ser afirmado é que a Austrália adotou sua medida depois do alerta americano e recomendou explicitamente que seus cidadãos mantenham distância das instalações diplomáticas dos Estados Unidos.

15 países do Escudo das Américas anunciam sanções coletivas contra PCC e CV – Brasil fica de fora!

Quinze governos do continente anunciaram nesta terça-feira (22), à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a primeira ação conjunta do Escudo das Américas contra 24 grupos classificados como narcoterroristas.

Na lista estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do Brasil. O governo brasileiro não assinou o comunicado.

A informação foi detalhada pelo jornalista Paulo Figueiredo, exilado político nos EUA, em sua conta no X. O comunicado conjunto, divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em conjunto com os demais países, prevê que cada governo aplique, segundo sua própria legislação, congelamento de bens, restrição de vistos e imigração, e responsabilidade criminal a quem der apoio material, inclusive logístico, a esses grupos.

Esse movimento derruba todas as narrativas em torno dos “riscos” em classificar grupos criminosos como narcoterroristas. Entre as principais justificativas do governo brasileiro está na possibilidade dos EUA invadirem ou lançarem alguma ofensiva contra o país.

Assinam o texto Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Brasil e México ficaram de fora. A foto do encontro reúne governos alinhados a Washington.

Donald Trump lançou a coalizão em março, em Miami, como uma aliança de segurança contra cartéis e o que o governo americano chama de narcoterrorismo. Desde então o grupo incorporou Colômbia e Peru. O Brasil ficou de fora desde o início e permanece de fora agora, quando a iniciativa sai do papel e passa à primeira operação conjunta.

FAB mobiliza Black Hawk em busca de helicóptero desaparecido com cantor Rick em SC

A Força Aérea Brasileira (FAB) mobilizou aeronaves especializadas para localizar um helicóptero que desapareceu nesta segunda-feira (21) durante um voo em Santa Catarina. Entre os ocupantes estão o cantor Rick Sollo, da dupla Rick & Renner, e o empresário Bruno Avelar.

A aeronave havia decolado de Porto Belo, no litoral catarinense, com destino à região de São Joaquim. O último contato ocorreu por volta das 16h. Desde então, equipes de resgate trabalham para identificar a localização do helicóptero e dos ocupantes.

FAB emprega Black Hawk e SC-105 Amazonas

Diante do desaparecimento, o Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba, conhecido como Salvaero Curitiba, passou a coordenar a operação de busca.

A FAB empregou duas aeronaves especializadas: um helicóptero H-60 Black Hawk e um avião SC-105 Amazonas.

O Black Hawk é um dos helicópteros militares mais conhecidos do mundo, inclusive por sua presença em batalhas contra insurgentes e operações de forças especiais americanas. Na FAB, o modelo é empregado em diferentes tipos de operações e possui recursos como radar meteorológico, GPS, piloto automático e sistemas que auxiliam a tripulação durante missões complexas.

Já o SC-105 Amazonas é uma aeronave desenvolvida para missões de busca e salvamento. Sua principal função nessa operação é ampliar a capacidade de localização da aeronave desaparecida e auxiliar na coordenação dos trabalhos.

Segundo a FAB, a prioridade é encontrar o helicóptero e seus ocupantes no menor tempo possível. A área de busca é constantemente atualizada conforme novas informações são obtidas.

Buscas foram ampliadas

Inicialmente, as equipes foram direcionadas para a região de Vacas Gordas, onde havia uma indicação de possível queda. No entanto, os bombeiros não encontraram vestígios da aeronave nesse primeiro ponto.

Posteriormente, os trabalhos foram direcionados também para uma segunda área, próxima a São Joaquim, depois que foi identificado o último sinal de celular de um dos ocupantes.

Os dois pontos considerados na operação estão separados por aproximadamente 30 quilômetros, o que aumentou a área que precisa ser examinada pelas equipes de resgate.

Mau tempo dificulta operação

Outro fator importante é a condição meteorológica na região.

Santa Catarina estava sob alerta vermelho para tempestades emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão incluía chuva intensa, ventos superiores a 100 km/h e possibilidade de granizo em diferentes áreas do estado.

As condições também dificultaram o deslocamento das equipes terrestres. Segundo informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros, havia pontos com pontes submersas e árvores caídas, obrigando os socorristas a buscar rotas alternativas.

Eurodeputados pedem que União Europeia avalie sanções contra Alexandre de Moraes e monitore eleições no Brasil

Três integrantes do Parlamento Europeu solicitaram nesta segunda-feira (21) que a União Europeia avalie a possibilidade de adotar medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido foi encaminhado à alta representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, Kaja Kallas, e solicita que o Serviço Europeu para a Ação Externa (EEAS) examine as alegações apresentadas pelos parlamentares.

O que os parlamentares estão pedindo?

O documento não determina nenhuma punição contra Moraes. Os três eurodeputados pedem que as instituições europeias avaliem as alegações e verifiquem se existem elementos que poderiam justificar medidas previstas no regime de sanções da União Europeia relacionado a violações graves de direitos humanos.

Entre os assuntos mencionados estão possíveis violações relacionadas à liberdade de expressão, devido processo legal, pluralismo político e outros direitos fundamentais.

Na prática, a solicitação representa uma tentativa de levar o tema para dentro das instituições europeias e provocar uma análise formal sobre as acusações apresentadas pelos parlamentares.

Isso é diferente de dizer que a União Europeia já decidiu punir Moraes. Até o momento, não há anúncio de sanções europeias contra o ministro.

Eleições brasileiras entram no centro da discussão

A carta também amplia o pedido para o processo eleitoral brasileiro de 2026.

Os eurodeputados defendem que a União Europeia acompanhe de maneira independente as eleições, incluindo não apenas o dia da votação, mas também aspectos relacionados ao ambiente político e institucional.

O documento menciona, entre outros pontos, o tratamento dado aos candidatos, acesso à mídia, eventuais restrições ao discurso político, decisões judiciais que possam afetar campanhas, funcionamento dos sistemas de votação e totalização e divulgação dos resultados.

Ministro da Defesa tem WhatsApp clonado e golpistas usam número para pedir dinheiro

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, foi alvo de um golpe digital na sexta-feira (18). Criminosos conseguiram assumir o controle de seu número no WhatsApp e passaram a enviar mensagens para contatos do ministro, utilizando sua identidade para tentar obter dinheiro. O episódio foi confirmado pela assessoria do Ministério da Defesa.

A abordagem foi cuidadosamente construída para parecer um convite pessoal. As mensagens enviadas em nome de Múcio afirmavam que ele estaria organizando um evento beneficente relacionado ao Instituto Criança Esperança e pediam uma contribuição de R$ 5 de cada convidado. O golpista também encaminhava o contato de uma pessoa identificada como “Pedro Reis”, apresentada como responsável pela organização do suposto evento.

O detalhe que chama atenção é que o criminoso não se limitou a pedir uma transferência. Em determinado momento, o destinatário era questionado sobre o tipo de celular utilizado, Android ou iPhone. A justificativa era que o suposto organizador precisaria enviar um convite em formato PDF.

Esse tipo de estratégia pode ser usado para criar uma segunda etapa da fraude, aproveitando a confiança conquistada na primeira abordagem.

Como evitar cair nesse tipo de golpe

A principal recomendação é não confiar apenas no nome, na fotografia ou no número que aparece no WhatsApp. Se alguém conhecido solicitar dinheiro, dados pessoais ou pedir que você entre em contato com um terceiro, o ideal é confirmar a informação por outro canal.

Também é importante não fornecer códigos recebidos por SMS, não clicar em arquivos ou links suspeitos e manter a verificação em duas etapas ativada no WhatsApp. Essas medidas são recomendadas em orientações oficiais de segurança digital.

Ministro André Mendonça teme pela própria segurança e passa a usar colete balístico em meio à crise no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça passou a adotar medidas reforçadas de segurança em meio ao aumento das tensões envolvendo as investigações que estão sob sua responsabilidade e aos conflitos recentes dentro da própria Corte.

O caso ganhou ainda mais atenção depois de informações de que o ministro passou a utilizar colete balístico, comumente chamado de colete à prova de balas, em determinadas agendas públicas, além de contar com uma proteção reforçada.

A medida ocorre em um momento de forte tensão política e institucional envolvendo o STF, a Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master.

A integridade física do Ministro Mendonça

Em junho, depois de assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master e também atuar em investigações envolvendo fraudes no INSS, Mendonça afirmou que poderia existir um risco pessoal relacionado à continuidade das investigações.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o ministro chegou a declarar que, diante da possibilidade de alguém atentar contra sua integridade física, ele próprio seria o ponto mais vulnerável da investigação. Naquele momento, o STF reforçou sua segurança após uma avaliação interna indicar aumento do risco à sua integridade.

Isso, porém, não significa que Mendonça tenha sofrido um atentado. Os jornalistas Edilene Lopes e Pedro Venceslau apuraram que não havia registro de qualquer ataque contra o ministro e que o gabinete de André Mendonça também não havia confirmado a ocorrência de um atentado.

Durante a apuração desta matéria, o Área Militar/Analytics entrou em contato com o gabinete do ministro André Mendonça para solicitar esclarecimentos e obter mais detalhes sobre o caso. Até o momento, no entanto, não houve resposta.

Caso o gabinete se manifeste, a matéria será atualizada com o posicionamento oficial.

O “risco do cerco”

A situação se tornou ainda mais delicada depois que Mendonça entrou em confronto institucional com a cúpula da Polícia Federal.

Em setembro, o ministro afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” e ilegal realizado pela inteligência da PF durante aproximadamente um mês.

Segundo a decisão de Mendonça, pelo menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto analisando suas decisões, sua atuação nos casos Banco Master e INSS, suas relações com outras autoridades e possíveis motivações políticas.

É importante esclarecer que esses documentos não descrevem interceptações telefônicas, vigilância física ou acompanhamento do ministro. O chamado “monitoramento” mencionado por Mendonça se refere à produção de relatórios de inteligência sobre sua atuação e suas relações.

Por que o episódio aumentou a preocupação?

Na avaliação de Mendonça, a produção desses relatórios representa uma situação grave porque envolve diretamente um ministro da Suprema Corte.

Diante disso, ele determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.

Mendonça também determinou que a Corregedoria da PF investigasse a elaboração dos relatórios e quem teria determinado ou participado de sua produção.

A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Relatórios de inteligência apontam risco de atentado?

A apuração indica que a segurança do ministro André Mendonça foi reforçada e que ele demonstrou preocupação com sua própria integridade física diante do contexto das investigações sob sua responsabilidade.

Até o momento, porém, não há confirmação pública de que Mendonça tenha recebido uma ameaça específica ou que exista um plano comprovado de atentado contra sua vida.

Instituto oferece novas pós-graduações reconhecidas pelo MEC

O Instituto Doutrina Policial consolida, em 2026, sua atuação como um centro de produção, integração e difusão de conhecimento científico aplicado às áreas de segurança pública, armas, balística, neurociência, comportamento humano e tomada de decisão sob estresse. Reconhecido pelo Ministério da Educação por meio de seus programas de pós-graduação lato sensu, o Instituto desenvolve uma proposta educacional voltada à formação técnica de excelência, aproximando ciência, pesquisa e experiência operacional.

O corpo docente do instituto reúne mestres e doutores em neurociência, psicologia, segurança pública, Direito e ciências policiais, incluindo renomados operadores e pesquisadores reconhecidos nacionalmente. Essa integração entre produção científica e vivência prática proporciona uma formação interdisciplinar alinhada aos desafios contemporâneos da segurança pública.

A democratização desse conhecimento ocorre por meio de uma plataforma digital própria, que permite levar ensino especializado para profissionais de todo o Brasil, preservando a interação entre professores e alunos e ampliando o acesso à formação continuada. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o setor reúne mais de um milhão de profissionais públicos e privados em atividade no país, evidenciando a relevância de iniciativas voltadas à qualificação técnica permanente.

Entre as formações oferecidas estão as pós-graduações em Armas, Munições e Balística, Mecânica das Armas e Neurociência e Comportamento Humano em Combate, concebidas para integrar conhecimento científico, experiência operacional e metodologias modernas de aprendizagem, fortalecendo a capacidade de análise, a tomada de decisão sob risco e o desempenho profissional em cenários complexos.

“Nosso compromisso é democratizar o acesso ao conhecimento científico atual e relevante. Na segurança pública, decisões melhores representam preservar vidas.” Rodrigo Menezes, docente e idealizador do Instituto.

A metodologia do Instituto prioriza aulas ao vivo, permitindo interação direta entre professores e alunos. Após cada encontro, o conteúdo permanece disponível na plataforma própria para acesso ilimitado, acompanhado de resumos escritos, resumos em áudio, glossário técnico, quizzes e materiais complementares voltados à consolidação da aprendizagem e à retenção do conhecimento.

Sobre o Instituto Doutrina Policial

O Instituto Doutrina Policial é uma instituição dedicada à produção, integração e difusão de conhecimento científico aplicado às áreas de segurança pública. Sua atuação reúne pesquisa, ensino, experiência operacional e inovação tecnológica para desenvolver soluções educacionais nas áreas de armas, munições, balística, mecânica das armas, neurociência, comportamento humano, combate e ciências policiais.

https://www.doutrinapolicial.com.br/ 

“Lula faz ligação sigilosa a Maduro sobre ação dos EUA no Caribe”, diz CNN Brasil

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolás Maduro conversaram por telefone no dia 2 de dezembro, uma terça-feira, em um diálogo que durou cerca de 15 minutos.

A existência da ligação, inicialmente mantida sob reserva, foi confirmada ao jornal “O Globo” e posteriormente à “CNN” por fontes do Palácio do Planalto.

Durante a conversa, Lula manifestou inquietação com o reforço da presença militar norte-americana no Caribe e pediu ao líder venezuelano sua leitura sobre as intenções e os movimentos dos Estados Unidos na região.

Trata-se do primeiro contato direto entre os dois chefes de Estado em mais de um ano, período marcado pelo distanciamento diplomático após as eleições presidenciais venezuelanas de julho de 2024, cujo resultado foi amplamente contestado por irregularidades.

Assessores próximos a Lula descreveram o telefonema como “muito cordial” e o classificaram como um gesto de “descongestionamento” das relações bilaterais.

Diferentemente de contatos anteriores com Donald Trump, nos quais o brasileiro chegou a colocar-se à disposição para eventual mediação, dessa vez Lula não tocou no assunto com Maduro.

Segundo integrantes do governo, divergências recentes, entre elas a posição brasileira contrária à entrada imediata da Venezuela no Brics e o resfriamento após as denúncias de fraude eleitoral, haviam criado um clima de desconfiança mútua. Por isso, antes de avançar em temas mais sensíveis, tornou-se necessário esse primeiro “reaproximação”.

As explicações dadas por Maduro, ainda de acordo com as mesmas fontes, repetiram basicamente o discurso oficial já divulgado por Caracas e pelo próprio presidente venezuelano em pronunciamentos públicos.

O “Eixo” em ação: Maduro conversa com Lula, Putin e Lukashenko – Possível refúgio a Maduro!

O governo Trump afirmou que não reconhece Maduro, no poder desde 2013, como o presidente legítimo da Venezuela. Ele alegou ter vencido a reeleição no ano passado em uma votação considerada fraudulenta pelos Estados Unidos e outros governos ocidentais.

Nos últimos meses, Trump intensificou a pressão sobre a Venezuela, sobretudo com um enorme reforço militar no Caribe.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, conversou na semana passada com o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, sobre a situação no Caribe e na América do Sul, informou o governo brasileiro nesta quinta-feira.

Os dois líderes realizaram uma “ligação rápida” em 2 de dezembro, disse o governo, acrescentando que não houve novos desdobramentos após a ligação.

Essa foi a primeira ligação telefônica desde antes da eleição presidencial fraudada em julho do ano passado na Venezuela. Na época, o governo brasileiro e observadores internacionais contestaram a autoproclamada reeleição de Maduro.

O jornal brasileiro O Globo, citando fontes, foi o primeiro a noticiar a ligação na quinta-feira. Segundo a reportagem, Lula expressou preocupação com a crescente presença militar dos EUA no Caribe, em um momento em que o presidente Donald Trump intensifica a pressão sobre o governo socialista de Maduro.

De acordo com reportagens recentes de veículos como Valor Econômico, BBC Brasil e “O Globo”, há indícios de que o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Lula, está atuando diplomaticamente para convencer Nicolás Maduro a adotar uma postura de moderação e contenção em caso de um ataque ou ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Ainda na quinta, a Rússia e seu aliado mais fiel, a Bielorrússia, também entraram em contato Nicolás Maduro, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, intensifica a pressão por sua destituição, aumentando a possibilidade de que ele busque refúgio no exterior.

Maduro disse a Trump em um telefonema em 21 de novembro que estava pronto para deixar a Venezuela , desde que ele e sua família recebessem anistia legal completa, segundo fontes da Reuters.

Essa estratégia visa evitar uma escalada de tensões que pudesse desestabilizar a região, incluindo o Brasil, que já recebe fluxos migratórios significativos da Venezuela.

O presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, realizou na quinta-feira seu segundo encontro em 17 dias com Jesús Rafael Salazar Velázquez, embaixador da Venezuela em Moscou.

Segundo a agência de notícias estatal bielorrussa Belta, Lukashenko disse ao enviado em 25 de novembro que Maduro era sempre bem-vindo na Bielorrússia e que era hora de ele fazer uma visita.

Na quinta-feira, Belta citou Lukashenko lembrando Velázquez de que eles haviam concordado, na primeira reunião, em “coordenar certos assuntos” com Maduro.

“Concordamos que, após a resolução de certas questões, você encontraria um tempo para vir falar comigo e nos encontrarmos novamente para que pudéssemos tomar a decisão apropriada, que está dentro de nossa competência. E, se necessário, envolveremos o presidente da Venezuela.”

Jornalistas europeus solicitaram um posicionamento do gabinete de Lukashenko sobre a importância dos encontros e se Belarus estaria disposta a oferecer refúgio a Maduro caso ele renunciasse. Não houve resposta.

Lukashenko, o veterano líder autoritário da Bielorrússia, mantém relações amistosas com a Venezuela e também iniciou, este ano, um diálogo com o governo Trump, após anos sendo evitado por Washington e outros governos ocidentais devido ao seu histórico de direitos humanos e ao seu apoio à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Trump começou a aliviar as sanções americanas contra Belarus e, no mês passado, nomeou um enviado especial, John Coale, para dar continuidade às negociações com Lukashenko sobre a libertação de presos políticos.

Uma aproximação mais forte ou a concessão de refúgio ao ditador venezuelano poderia comprometer a reaproximação de Lukashenko com Donald Trump, a menos que o presidente americano dê algum aval explícito.

Essas movimentações ocorrem em um momento de tensão máxima, com Trump dando oportunidades para Maduro deixar o poder. Não há confirmação oficial de aceitação por Maduro, mas as ações de 11 de dezembro indicam que o refúgio bielorrusso é uma opção ativa na mesa, mediada por Putin.