A viagem do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, à Colômbia, ao Equador e ao Peru, entre 8 e 10 de setembro, mostra que Washington está tentando ampliar sua presença política, econômica e de segurança no noroeste da América do Sul. A agenda oficial envolve combate ao narcotráfico, migração e comércio, mas os encontros também têm um componente estratégico: reduzir a dependência desses países em relação à China em setores considerados importantes para os Estados Unidos.
No Peru, a presidente Keiko Fujimori anunciou a entrada do país no “Escudo das Américas”, uma coalizão liderada pelos EUA para aumentar o compartilhamento de informações e a cooperação contra organizações criminosas que atuam além das fronteiras. A medida aproxima ainda mais Lima de Washington em segurança.
O Peru também ganhou importância estratégica por causa de suas grandes reservas de cobre e da crescente presença chinesa em sua infraestrutura. O país é um dos maiores produtores mundiais do metal, utilizado em eletrônicos, redes elétricas, veículos e equipamentos industriais.
Além disso, a China possui participação estratégica no porto de Chancay, no litoral peruano, e presença em empresas importantes do setor elétrico.
Possíveis interesses econômicos dos Estados Unidos
A aproximação de Washington com Peru, Colômbia e Equador também envolve interesses econômicos estratégicos.
No Peru, um dos principais focos está no cobre, mineral essencial para a fabricação de equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, redes de transmissão de energia e sistemas industriais.
Como um dos maiores produtores mundiais, o país ganhou importância em um momento em que os Estados Unidos buscam diversificar suas cadeias de fornecimento e reduzir a dependência de fornecedores ligados à China. A infraestrutura peruana também chama a atenção de Washington, especialmente os portos de Callao e Chancay, que podem ampliar a importância do país como centro logístico no Pacífico.
Na Colômbia, os interesses americanos passam pela exploração e pelo processamento de minerais críticos, além de energia e novas tecnologias. Washington busca estimular cadeias de produção que incluam mineração, processamento e financiamento fora da esfera de influência chinesa.
A cooperação em energia nuclear civil também pode abrir espaço para empresas americanas em projetos de geração de energia e fornecimento de tecnologia.
Já no Equador, os Estados Unidos têm interesse em ampliar sua presença comercial e de investimentos em setores como energia, mineração, infraestrutura e logística.
A posição geográfica do país, voltada para o Pacífico, aumenta sua importância para as rotas comerciais regionais. Ao mesmo tempo, o forte relacionamento econômico entre Quito e Pequim cria uma disputa por espaço que vai além da questão comercial.
No conjunto, a estratégia americana busca garantir acesso a recursos naturais considerados estratégicos, ampliar oportunidades para empresas dos Estados Unidos e fortalecer cadeias de fornecimento alternativas às dominadas pela China.
A segurança, portanto, aparece como apenas uma parte de uma agenda mais ampla, na qual comércio, infraestrutura, energia e minerais críticos estão diretamente ligados à competição geopolítica entre Washington e Pequim.
Um objetivo estratégico: conter a influência chinesa
Esse é provavelmente o ponto que conecta as três visitas. Washington não está olhando apenas para drogas e segurança. Está tentando impedir que a China se torne a principal potência econômica e estratégica do norte da América do Sul.
Na Colômbia, os EUA avançaram justamente em dois setores nos quais a competição com Pequim é importante: minerais críticos e energia nuclear. O acordo prevê cooperação para mineração, processamento, reciclagem, financiamento e diversificação das cadeias de fornecimento.
No Equador, a situação é diferente. O país possui um acordo comercial com a China e mantém relações econômicas importantes com Pequim. Por isso, aumentar a presença americana significa disputar espaço econômico sem necessariamente romper os vínculos equatorianos com os chineses.
No Peru, a disputa é ainda mais evidente. O porto de Chancay, construído e operado com participação chinesa, pode se transformar em um importante ponto de conexão entre a América do Sul e a Ásia. Rubio já criticou a influência chinesa no país e questionou investimentos de empresas ligadas ao governo de Pequim.
Os Estados Unidos querem que os países latino-americanos continuem negociando com a China, mas Washington tenta garantir que infraestrutura, minerais estratégicos, energia, tecnologia e segurança não fiquem excessivamente concentrados nas mãos de Pequim.
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