Arábia Saudita lança grande ofensiva contra os houthis enquanto “OTAN islâmica” ativa defesa coletiva

A guerra no Iêmen entrou em uma nova fase de escalada. A Arábia Saudita colocou cerca de 100 caças em operação contra posições dos houthis, enquanto uma aliança formada por Arábia Saudita, Turquia e Paquistão decidiu acelerar a mobilização de forças militares para reforçar a defesa do território saudita.

A movimentação ocorre depois que os houthis, grupo armado apoiado pelo Irã, intensificaram ataques contra cidades, aeroportos e instalações econômicas da Arábia Saudita. O episódio também coloca novamente no centro da disputa o estreito de Bab el-Mandeb, uma das passagens marítimas mais importantes do mundo.

Arábia Saudita coloca 100 caças em ação

A operação saudita recebeu o nome de “Dawn of Yemen”, “Amanhecer do Iêmen” em português.

Segundo o comando da coalizão liderada por Riad, aproximadamente 100 aeronaves de combate participaram da primeira fase da ofensiva. O objetivo é fornecer cobertura aérea às forças do governo iemenita, que avançam contra posições dos houthis no oeste e sudoeste do país.

A coalizão afirmou ter atingido 324 alvos considerados de alto valor militar. Esses números, porém, são declarações das próprias forças envolvidas e não foram verificados de forma independente.

Avanço dos Houthis sobre o pontal da ilha de Perim, território até então dominado pelas Forças de Resistência leais ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.

No campo de batalha, forças do governo iemenita anunciaram a retomada de áreas próximas ao Bab el-Mandeb, incluindo Dhubab, além de avanços em direção à cidade portuária de Mocha.

Os houthis contestaram parte dessas informações e afirmaram que as forças adversárias estão divulgando “vitórias imaginárias”. Portanto, a extensão exata dos ganhos territoriais ainda permanece parcialmente incerta.

Por que Bab el-Mandeb é tão importante?

Para entender a dimensão dessa ofensiva, é preciso olhar para o mapa.
O Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Por essa passagem circula uma parcela importante do comércio marítimo internacional, incluindo cargas de energia que seguem em direção ao Canal de Suez e à Europa.

Isso transforma o estreito em um ponto estratégico não apenas para o Iêmen e a Arábia Saudita, mas para o comércio mundial.

Os houthis haviam ampliado seu controle sobre áreas próximas à costa do Mar Vermelho nas últimas semanas, aumentando sua capacidade de pressionar as rotas marítimas.

Para Riad, recuperar essas posições significa muito mais do que conquistar território iemenita: significa reduzir a capacidade dos houthis de ameaçar a navegação e o próprio território saudita.

O conflito agora ultrapassa as fronteiras do Iêmen

A grande novidade é que a crise deixou de ser apenas uma guerra entre forças iemenitas. Na segunda-feira, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão ativaram os mecanismos de defesa coletiva da chamada Aliança de Defesa de Meca, conhecida como OTAN Islâmica.

O acordo firmado em agosto estabelece que um ataque contra um dos países pode ser tratado como uma ameaça contra os demais, em uma estrutura que lembra, embora não seja idêntica, ao princípio de defesa coletiva da OTAN.

Os três governos anunciaram que pretendem colocar em prática os compromissos de defesa e providenciar a rápida mobilização de forças e capacidades militares para a Arábia Saudita.

O risco de uma guerra regional aumenta

A ofensiva acontece em um momento em que o Oriente Médio já enfrenta uma forte instabilidade envolvendo Estados Unidos, Irã, Israel e grupos armados aliados de Teerã.

Os houthis são considerados parte da rede de grupos apoiados pelo Irã. Isso não significa que cada decisão militar dos houthis seja necessariamente ordenada diretamente por Teerã, mas o grupo possui relações militares e políticas profundas com o governo iraniano.

Agora, com Arábia Saudita, Turquia e Paquistão discutindo a mobilização de forças, o conflito iemenita pode começar a adquirir uma dimensão ainda mais internacional.

A entrada direta de novos países não é inevitável, mas o mecanismo de defesa coletiva aumenta o risco de que um ataque de grandes proporções contra a Arábia Saudita provoque uma resposta coordenada.

Forças dos EUA deixam o Iraque após 20 anos: o país está preparado para ficar sem tropas americanas?

As últimas forças militares dos Estados Unidos estão deixando o Iraque, encerrando uma presença que começou com a invasão de 2003 e atravessou mais de duas décadas de guerras, ocupação, combate ao terrorismo e disputas de influência no Oriente Médio.

A retirada deve ser concluída até 30 de setembro e ocorre em um momento particularmente sensível: os Estados Unidos estão em conflito com o Irã, enquanto grupos armados ligados a Teerã possuem forte influência dentro do território iraquiano.

Será um novo Afeganistão?

Em 20021, os Estados Unidos encerram uma presença militar que durou muitos anos no Afeganistão e transferiram para as forças locais a responsabilidade pela segurança do país.

O principal risco, agora, está na possibilidade de surgir um vácuo de poder que seja aproveitado por grupos armados ou organizações extremistas no Iraque.

No entanto, existe uma diferença importante. O Iraque de 2026 não é o Afeganistão de 2021. O país possui forças armadas próprias, instituições políticas estabelecidas e uma estrutura de segurança que foi construída e treinada durante anos.

Além disso, o Estado Islâmico e milícias islâmicas não controlam atualmente grandes áreas do território iraquiano como o Talibã controlava partes significativas do Afeganistão antes da retirada americana. Portanto, não existe, neste momento, uma indicação de que esteja ocorrendo uma repetição direta do cenário que levou à queda de Cabul.

Porém, o Irã tem a ganhar estrategicamente com a saída da coalizão, pois isso elimina uma presença militar que, durante anos, serviu de contrapeso à influência de Teerã no Iraque.

De acordo com especialistas no assunto, os grupos de milícias islâmicas xiitas pró-Irã não só retratariam a saída como uma vitória para o seu movimento, mas também “procurariam traduzir esse ímpeto em maior influência sobre a segurança e a tomada de decisões políticas”.

Abu Mojtaba al-Yasiri, comandante da Resistência Islâmica no Iraque, um grupo que engloba facções armadas apoiadas pelo Irã, descreveu a retirada dos EUA como “uma vitória histórica para os grupos de resistência islâmica iraquianos e para os iraquianos honrados, e uma derrota esmagadora para o projeto americano”.

A saída representa uma mudança importante no equilíbrio de poder dentro do Iraque. Para o Irã e suas milícias aliadas, a retirada americana é apresentada como uma vitória.

Para setores da sociedade e das forças de segurança iraquianas, porém, existe o temor de que a ausência dos Estados Unidos reduza a capacidade de conter grupos armados e facilite uma eventual reorganização do Estado Islâmico.

Uma presença militar que começou em 2003

A história começou em 2003, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque para derrubar o governo de Saddam Hussein. A operação transformou completamente o país e deu início a anos de ocupação e combate contra grupos insurgentes.

As forças americanas deixaram o Iraque no final de 2011, mas retornaram menos de três anos depois. O motivo foi o avanço do Estado Islâmico, que havia conquistado grandes áreas do território iraquiano e sírio.

A partir de 2014, a missão americana passou a concentrar-se principalmente no apoio às forças iraquianas na luta contra o grupo extremista. O Estado Islâmico perdeu seu território e seu chamado califado foi derrotado militarmente, embora células clandestinas tenham permanecido ativas.

Durante esse período, cerca de 4.500 militares americanos morreram em operações relacionadas à guerra do Iraque ao longo de mais de duas décadas.

As forças de segurança que defenderão o Iraque

O sistema de segurança do Iraque é bastante fragmentado e reúne forças regulares do Estado, unidades de contraterrorismo, polícia, forças curdas e também grupos de mobilização tribal e milícias incorporadas formalmente à estrutura estatal.

Em termos simples, é possível imaginar o aparato de segurança iraquiano como várias camadas.

A principal é o Exército Iraquiano, subordinado ao Ministério da Defesa. É a força militar convencional responsável pela defesa do território e por operações contra grupos armados. Dentro dessa estrutura estão as forças terrestres, além de componentes como Força Aérea, aviação do Exército, Marinha e defesa aérea. O Exército é, portanto, uma instituição estatal regular, e não uma força tribal.

Depois existe o Ministério do Interior, que controla uma grande estrutura policial e paramilitar. Ela inclui a Polícia Federal, polícia provincial, forças de proteção de fronteiras, unidades de resposta a emergências e outras forças especializadas. A Polícia Federal, em particular, acabou adquirindo características bastante militarizadas depois dos anos de combate contra o Estado Islâmico.

Existe também o Serviço de Contraterrorismo do Iraque, conhecido como CTS. Essa é uma das forças mais importantes para operações especiais e combate ao terrorismo. Diferentemente do Exército e da Polícia Federal, o CTS responde diretamente ao primeiro-ministro iraquiano. Ele inclui unidades de operações especiais e foi criado justamente para enfrentar ameaças como a Al-Qaeda e, posteriormente, o Estado Islâmico.

E aí chegamos à parte mais complicada: as Forças de Mobilização Popular, conhecidas como PMF ou Hashd al-Shaabi. Elas foram criadas em 2014, quando o Estado Islâmico conquistou grandes áreas do Iraque. Depois da ofensiva do grupo contra Mosul e outras cidades, uma convocação religiosa do aiatolá Ali al-Sistani ajudou a mobilizar milhares de combatentes para enfrentar o Estado Islâmico.

Em 2016, o Parlamento iraquiano transformou a estrutura em uma formação militar oficialmente integrante das Forças Armadas e subordinada, em termos legais, ao comandante-em-chefe, o primeiro-ministro.

Mas aqui está a grande peculiaridade: as PMF não são um exército homogêneo. Elas funcionam como uma espécie de guarda-chuva que reúne dezenas de organizações armadas diferentes. A maioria é formada por árabes xiitas, mas também existem unidades sunitas, yazidis, cristãs e de outras minorias. Algumas dessas organizações possuem relações políticas próprias e algumas facções mantêm vínculos muito próximos com o Irã.

As Forças de Mobilização Tribal, ou Tribal Mobilisation/Hashd al-Asha’iri. Essas são diferentes das PMF xiitas tradicionais. Elas são compostas principalmente por combatentes de tribos árabes sunitas, especialmente em regiões que foram ocupadas pelo Estado Islâmico. Sua função historicamente foi combater o Estado Islâmico e depois ajudar a proteger as áreas reconquistadas.

O efeito Estado Islâmico x Fragilidade de segurança do Afeganistão em 2021

Depois do avanço do Estado Islâmico em 2014, o governo iraquiano precisava de uma estrutura capaz de mobilizar rapidamente milhares de combatentes. Surgiram ou foram ampliadas diversas forças de mobilização, incluindo grupos tribais e milícias.

Posteriormente, as Forças de Mobilização Popular (PMF/Hashd al-Shaabi) foram reconhecidas legalmente como parte das forças de segurança do Estado e colocadas formalmente sob autoridade do primeiro-ministro.

A diferença para o Afeganistão é significativa. O que ocorreu foi uma incorporação parcial e institucionalização de várias forças dentro do aparato estatal iraquiano, mantendo estruturas e cadeias de comando próprias em alguns casos.

Isso criou uma situação bastante peculiar: um combatente pode pertencer a uma organização que nasceu como milícia ou força local, mas estar oficialmente enquadrado dentro da estrutura de segurança do Estado iraquiano.

Isso é muito diferente do que ocorreu no Afeganistão. Ali, durante a retirada americana de 2021, o governo dependia principalmente das Forças de Segurança e Defesa Nacionais Afegãs (ANDSF), Exército, Força Aérea, polícia e unidades especiais. Quando o apoio americano desapareceu, essas estruturas começaram a entrar em colapso rapidamente em várias regiões, enquanto o Talibã avançava.

No Iraque, portanto, existe uma espécie de “redundância” de segurança. Se uma estrutura enfraquece, existem outras: Exército, contraterrorismo, polícia, PMF, forças tribais e Peshmerga. Isso não elimina os riscos de fragmentação, mas torna o sistema muito mais complexo do que o modelo afegão de 2021.

7 meses de guerra! Trump rejeita proposta de paz do Irã, mas negociações indiretas devem recomeçar

Hoje, 28 de setembro, a guerra entre Estados Unidos e Irã completa sete meses. No mesmo momento em que o conflito chega a essa marca, Washington e Teerã voltam a movimentar canais diplomáticos por meio de mediadores, numa tentativa de encontrar uma saída para a crise.

Os Estados Unidos e o Irã voltaram a movimentar os canais diplomáticos em uma tentativa de encontrar uma saída para o conflito que envolve os dois países.

Segundo uma autoridade familiarizada com as negociações ouvida pela Reuters, mediadores do Catar devem realizar conversas separadas com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e com representantes norte-americanos nesta segunda ou terça-feira, em Nova York.

As reuniões não serão, neste momento, uma negociação direta entre Washington e Teerã. A ideia é que o Catar funcione como intermediário, levando propostas de um lado ao outro e tentando aproximar posições que continuam bastante distantes.

O movimento ocorre pouco depois de o Irã apresentar uma proposta de sete dias para interromper as hostilidades. Agora, segundo a autoridade ouvida pela Reuters, os mediadores trabalham sobre uma versão modificada desse plano, apresentada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

A proposta iraniana rejeitada

A proposta iraniana prevê uma série de medidas que precisariam acontecer de forma coordenada.

Entre elas estão o fim das hostilidades no Irã e no Líbano, o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos, a suspensão das sanções contra o petróleo do país e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos.

Em contrapartida, Teerã se comprometeria a permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais passagens marítimas para o transporte mundial de petróleo, além de retomar as negociações sobre seu programa nuclear.

É justamente essa ligação entre segurança, petróleo e programa nuclear que torna as negociações particularmente complexas.

Trump rejeitou a primeira proposta, mas manteve o canal aberto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que havia rejeitado a proposta iraniana. Segundo Trump, Teerã estaria buscando um acordo rápido devido à forte pressão econômica enfrentada pelo país.

Apesar disso, no domingo, Trump afirmou ao Axios que esperava que representantes norte-americanos participassem de novas conversas durante esta semana.

A posição cria uma situação aparentemente contraditória: Washington rejeitou a proposta apresentada inicialmente por Teerã, mas continua permitindo que o processo diplomático avance por meio de intermediários.

O que pode acontecer agora

O principal ponto de atenção será saber se os mediadores conseguem transformar a proposta iraniana em uma fórmula que também seja aceitável para Washington.

Para isso, questões como sanções econômicas, bloqueio de portos, circulação pelo Estreito de Ormuz, suspensão das hostilidades e o futuro do programa nuclear iraniano precisarão ser tratadas conjuntamente.

Por enquanto, portanto, não há confirmação de um cessar-fogo definitivo ou de um acordo de paz.

A visita secreta de Netanyahu aos Emirados Árabes Unidos no domingo contou com a presença do Mossad

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, realizou uma visita não anunciada aos Emirados Árabes Unidos, onde se encontrou com o presidente emiradense, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

A informação foi revelada pela CNN nesta segunda-feira (28) em um momento de forte tensão no Oriente Médio. A viagem teria ocorrido sem anúncio prévio, e os detalhes completos da conversa entre os dois líderes ainda não foram divulgados.

O encontro chama atenção porque Israel e Emirados mantêm relações diplomáticas desde os Acordos de Abraão, firmados em 2020, mas a aproximação entre os dois países ocorre em um ambiente regional extremamente delicado.

Nos últimos anos, a cooperação passou a envolver comércio, investimentos e, principalmente, questões de segurança. A guerra e as tensões envolvendo o Irã aumentaram ainda mais a importância estratégica dessa relação.

Para entender a dimensão da reunião, é preciso lembrar que os Emirados estão tentando equilibrar duas necessidades: manter suas relações econômicas e diplomáticas com Israel e, ao mesmo tempo, evitar uma escalada regional que possa atingir diretamente seu território e seus interesses.

Israel, por sua vez, considera a ameaça iraniana uma das principais questões de sua política de segurança. Por isso, uma conversa reservada entre Netanyahu e o presidente dos Emirados pode envolver temas muito mais amplos do que as relações bilaterais.

O aspecto mais misterioso, porém, está justamente no que não foi revelado. Não há, até o momento, uma descrição pública completa da agenda da reunião nem confirmação independente de todos os assuntos discutidos. A informação disponível indica que o encontro ocorreu em Abu Dhabi e que aconteceu em meio ao agravamento das tensões regionais.

A aproximação árabe-israelense contra o Irã

A reunião também mostra como a arquitetura de alianças no Oriente Médio vem mudando. Países árabes que durante décadas mantiveram distância oficial de Israel passaram a estabelecer relações diretas, enquanto a ameaça de conflitos envolvendo o Irã aproximou ainda mais alguns governos árabes de Israel em questões de segurança.

Assim, uma visita que aparentemente poderia ser apenas diplomática ganha peso estratégico justamente por ocorrer em segredo e em um momento de grande instabilidade regional.

Por enquanto, qualquer conclusão sobre um possível acordo secreto, operação conjunta ou nova iniciativa diplomática seria especulação. O que está confirmado é que Netanyahu esteve nos Emirados e se reuniu com Sheikh Mohamed bin Zayed, enquanto os detalhes da conversa permanecem, em grande parte, fora do conhecimento público.

A hipótese de cooperação militar

O contexto regional dá bastante peso a essa possibilidade. Israel e Emirados têm interesses convergentes diante da ameaça iraniana, e a cooperação entre os dois países aumentou justamente durante o conflito.

Uma reunião reservada entre Netanyahu e Mohammed bin Zayed pode ter tratado de defesa aérea, inteligência, mísseis, drones, movimentações iranianas e coordenação regional.

Há ainda um detalhe que chama atenção: segundo o Israel Hayom, Netanyahu teria viajado acompanhado pelo chefe do Mossad, Roman Gofman, pelo chefe do Conselho de Segurança Nacional e por integrantes da estrutura de segurança. Isso não prova que uma operação militar estivesse sendo preparada, mas indica que a reunião tinha uma dimensão de segurança significativa.

A Arábia Saudita e o Acordo de Abraão

Aqui existe uma segunda possibilidade interessante. Os Emirados podem funcionar como uma ponte entre Israel e outros países árabes, principalmente porque Abu Dhabi já normalizou relações com Israel por meio dos Acordos de Abraão.

A expansão para a Arábia Saudita é, há anos, uma das questões mais importantes envolvendo o futuro desses acordos. E há um fato especialmente relevante: poucos dias antes da visita de Netanyahu, representantes dos países que já participam dos Acordos de Abraão se reuniram em Nova York com autoridades americanas para discutir justamente a expansão e aprofundamento da iniciativa.

A reunião contou com EUA, Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos, e ocorreu em 24 de setembro.

Por que a Arábia Saudita seria tão importante?

A entrada saudita mudaria significativamente a dimensão política e estratégica dos Acordos de Abraão. Riad é uma potência regional muito maior que os países que atualmente normalizaram relações com Israel e possui enorme peso político e econômico no mundo árabe.

Além disso, existe uma possível conexão entre normalização diplomática e arquitetura de segurança. Análises publicadas neste ano apontaram que a cooperação de defesa entre Israel e países do Golfo poderia ganhar uma dimensão regional maior caso a Arábia Saudita aderisse aos Acordos de Abraão.

Mas há um obstáculo importante: a questão palestina continua sendo um dos principais fatores que dificultam a normalização saudita com Israel, e a guerra em Gaza tornou politicamente mais difícil para Riad avançar publicamente nessa direção.

O sonho do Corredor Econômico IMEC (Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa)

Corredor Econômico IMEC (Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa). Imagem: ©Área Militar

 

A principal importância econômica de uma aproximação entre Arábia Saudita e Israel seria justamente logística, e o projeto mais importante nesse contexto é o Corredor IMEC (Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa) de aproximadamente 6.400 km, com rotas ferroviárias e marítimas, cabos digitais e gasodutos.

A ideia é criar essa grande rota multimodal ligando Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia, Israel e Europa.

Não seria simplesmente uma estrada. O projeto prevê uma combinação de navios, ferrovias, portos, energia e cabos de dados. A mercadoria chegaria da Índia aos portos do Golfo, atravessaria a Península Arábica por ferrovia e seguiria pelo território de Israel até o Mediterrâneo, especialmente pelo porto de Haifa, de onde poderia continuar para a Europa.

A grande vantagem seria criar uma alternativa às rotas marítimas que dependem do Estreito de Bab el-Mandeb, Mar Vermelho e Canal de Suez. O projeto também poderia diminuir tempo e custos de transporte em determinadas operações.

China aguarda ansiosa a venda de caças americanos F-35 à Arábia Saudita

A possível venda de 48 caças F-35 à Arábia Saudita entrou em uma zona de forte preocupação dentro do próprio governo dos Estados Unidos.

Documentos de inteligência norte-americanos indicam que a China poderia tentar obter informações ou tecnologia sensível do caça por meio da cooperação militar e tecnológica que mantém com Riad. Mesmo diante desses alertas, o governo Donald Trump decidiu avançar com o processo de venda, estimado em US$ 24,3 bilhões.sao mais de 43 anosd e tradição jurídica

O ponto central da preocupação americana não é apenas o avião em si, mas o que existe dentro dele. O F-35 reúne tecnologias consideradas altamente sensíveis, incluindo sensores avançados, sistemas de guerra eletrônica, comunicações seguras e recursos de vigilância.

Segundo informações citadas pelo New York Times, uma avaliação da Defense Intelligence Agency, a agência de inteligência do Pentágono, questionou se seria possível manter essas tecnologias protegidas em instalações sauditas diante da presença e da cooperação chinesa no país.

Um dos problemas identificados pelos analistas americanos é a presença chinesa na infraestrutura tecnológica da Arábia Saudita. Empresas como Huawei e ZTE fornecem equipamentos de telecomunicações utilizados no país, e os documentos de inteligência levantaram dúvidas sobre a segurança de redes e instalações que poderiam abrigar sistemas relacionados aos F-35. A avaliação também questiona o acesso de militares e integrantes dos serviços de inteligência chineses a bases sauditas.

Existe ainda um segundo elemento que torna a situação mais delicada: a própria cooperação militar entre China e Arábia Saudita. Riad não depende exclusivamente dos Estados Unidos para desenvolver suas capacidades de defesa.

O país também adquiriu mísseis balísticos chineses e recebeu assistência de Pequim para desenvolver capacidade própria de produção e operação desses sistemas. Para Washington, essa aproximação aumenta o risco de que tecnologias americanas extremamente avançadas acabem ficando mais expostas.

O caso Turquia

Um precedente importante para entender a preocupação atual de Washington é o caso da Turquia com o sistema russo S-400. Ancara comprou e recebeu o sistema apesar dos alertas dos Estados Unidos de que sua operação poderia comprometer a segurança de tecnologias militares americanas e criar riscos para o programa F-35.

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S-400 russo. Foto: mil.ru/Ekaterina Smola/CC

Em 2019, Washington iniciou a retirada da Turquia do programa, afirmando que o S-400 e o F-35 eram incompatíveis, e, em 2020, impôs sanções à Presidência da Indústria de Defesa turca com base na lei CAATSA.

A solução americana

A solução discutida nos documentos de inteligência passa por restrições de acesso. Uma das avaliações citadas pelo New York Times indica que somente militares e contratados americanos e sauditas deveriam ter acesso às áreas onde a tecnologia do F-35 estivesse instalada. Também foram levantadas questões sobre a necessidade de limitar contatos entre instalações militares sauditas e entidades militares ou de inteligência chinesas.

Outro ponto é a infraestrutura de telecomunicações. Os analistas americanos questionaram se Riad estaria disposto a retirar determinados equipamentos chineses de empresas como Huawei e ZTE de redes e instalações relacionadas à defesa.

Isso demonstra que a discussão sobre os F-35 vai muito além da compra dos aviões: envolve também quem controla as redes, os dados e o ambiente tecnológico no qual essas aeronaves serão utilizadas.

O Congresso americano agora terá um papel importante no processo. Os parlamentares receberam a notificação formal e possuem um período de análise antes que a venda possa avançar definitivamente.

Alguns congressistas já manifestaram oposição justamente por causa dos alertas da comunidade de inteligência. A legislação americana prevê mecanismos para que o Congresso tente bloquear uma venda desse tipo, embora o procedimento enfrente obstáculos políticos e legislativos significativos.

Houthis afirmam ter derrubado caça F-15SA da Arábia Saudita enquanto avançam no Iêmen

Os rebeldes houthis afirmam ter derrubado um caça F-15 da Força Aérea Saudita durante os combates na província de Marib, no centro do Iêmen. O grupo divulgou imagens que supostamente mostram os destroços da aeronave e afirmou que o avião foi atingido por um míssil produzido localmente.

Até o momento, porém, a derrubada não foi verificada de forma independente, e autoridades sauditas não confirmaram publicamente a perda do caça.

O episódio ocorre em meio a uma rápida ofensiva dos houthis, que avançaram por áreas da costa do Mar Vermelho e assumiram posições próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais passagens marítimas entre o Mar Vermelho e o oceano Índico.

Segundo a Reuters, os combates também envolveram ataques contra cidades e instalações de energia sauditas, enquanto Riad realiza ataques aéreos contra posições houthis no Iêmen.

O cenário é grave, e pode piorar!

O F-15 é uma das principais plataformas de combate utilizadas pela Arábia Saudita. Por isso, uma eventual perda da aeronave representaria um episódio militar relevante, especialmente porque demonstraria que os houthis continuam capazes de ameaçar aeronaves sauditas mesmo diante da superioridade tecnológica de Riad.

A Arábia Saudita opera várias versões do F-15, mas, para o caso divulgado pelos houthis em Marib, a identificação mais provável é particularmente interessante.

As imagens divulgadas pelos houthis foram analisadas por especialistas da Janes e pelo The War Zone (TWZ). A avaliação do TWZ aponta especificamente para um caça modernizado F-15SA/F-15SR, e não simplesmente um F-15 genérico. O TWZ identificou o que aparenta ser o número de cauda 5539, associado ao 55º Esquadrão, baseado na King Khalid Air Base.

O F-15SA é uma das versões mais avançadas do Eagle e deriva diretamente do conceito do F-15E Strike Eagle. Ele recebeu importantes melhorias em sensores, aviônicos e guerra eletrônica. A própria Força Aérea dos EUA descreve o F-15SA como uma versão avançada do F-15S saudita.

Mas existe uma diferença importante entre a alegação e o fato confirmado. Até agora, as evidências disponíveis são principalmente materiais divulgados pelos próprios houthis.

A Associated Press, emissora com ampla presença no Iêmen, informou que não conseguiu verificar independentemente que os destroços mostrados pertencem realmente a um F-15 saudita abatido durante os combates atuais.

Ao mesmo tempo, a ofensiva terrestre dos houthis é confirmada por diferentes fontes. A Reuters relata que o grupo conquistou posições importantes na costa do Mar Vermelho, incluindo Mocha e áreas próximas ao Bab el-Mandeb, aumentando a pressão sobre as rotas utilizadas pelo transporte marítimo e pelas exportações de petróleo sauditas.

Houthis avançam para dominar o sul do Iêmen Ocidental, preocupando as grandes potências

Os houthis ampliaram nos últimos dias sua ofensiva no Iêmen e avançaram pela costa do Mar Vermelho em direção ao sul, conquistando posições consideradas estratégicas para o controle do acesso ao estreito de Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis em direção ao sul do Iêmen Ocidental.

O movimento colocou o grupo armado, apoiado pelo Irã, em uma posição de maior influência sobre uma das principais rotas marítimas entre o Oriente Médio, a África e a Europa. Entre os pontos conquistados estão a cidade portuária de Mokha, a cidade costeira de Dhubab e a ilha de Perim, localizada dentro do próprio estreito.

Os houthis ainda não controlam todo o sul ou o leste do Iêmen. O objetivo imediato da ofensiva parece estar concentrado em ampliar o domínio da costa oeste e chegar a posições que permitam controlar ou ameaçar diretamente o Bab el-Mandeb. Aden, Hadramaut e Al Mahrah que continuam em mãos de forças adversárias ou de grupos locais aliados ao governo reconhecido internacionalmente.

Os desejos imediatos dos houthis

O primeiro objetivo é consolidar o controle da costa do Mar Vermelho. A tomada de Mokha representa um avanço importante porque amplia a área costeira sob domínio houthi e aproxima o grupo do Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis sobre o pontal da ilha de Perim, território também chamado de Mayyun até então dominado pelas Forças de Resistência leais ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.

A ilha de Perim é ainda mais significativa: ela está localizada dentro do estreito e divide suas rotas marítimas. Isso aumenta a capacidade dos houthis de ameaçar embarcações que utilizam essa passagem.

O segundo objetivo é transformar o controle territorial em poder de negociação. Os próprios houthis afirmam que querem o fim do que classificam como bloqueio contra o território que controlam, liberdade de circulação pelos portos e aeroportos, troca de prisioneiros e acesso às receitas provenientes do petróleo para financiar salários e serviços públicos.

Analistas avaliam que a expansão militar também pode proporcionar ao grupo uma posição muito mais forte nas negociações políticas.

Existe ainda uma terceira dimensão: a guerra do Iêmen está ligada à disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Estados Unidos e outros atores do Oriente Médio.

O Irã apoia os houthis, embora o grupo possua sua própria agenda política e militar. Com o estreito de Ormuz sob forte pressão e o Bab el-Mandeb também ameaçado, Teerã passa a contar com mais de um ponto estratégico capaz de pressionar o comércio internacional e os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados.

O Bab el-Mandeb é uma espécie de “porta de entrada” do Mar Vermelho. Quem navega pelo oceano Índico em direção ao Canal de Suez precisa passar por essa região para alcançar a rota marítima que conecta a Ásia à Europa.

Isso significa que a expansão houthi não é apenas uma questão de território dentro do Iêmen. Se o grupo conseguir manter posições militares próximas ao estreito, poderá ameaçar navios comerciais, petroleiros e outras embarcações que utilizam uma das principais artérias do comércio mundial. Dados citados pelo Washington Post apontam que cerca de 8,7% do comércio marítimo mundial passa pelo Bab el-Mandeb, incluindo parcela significativa do transporte de petróleo e derivados.

Quanto mais território estratégico os houthis conquistarem, maior será sua capacidade de pressionar seus adversários. O controle da costa, dos portos e das proximidades do Bab el-Mandeb pode ser utilizado tanto militarmente quanto como instrumento de negociação.

EUA quebram sigilo e revelam detalhes da maior operação de resgate de militares no Irã

Na madrugada de 2 para 3 de abril de 2026, um míssil portátil de ombro avaliado em cerca de cem mil dólares do Irã cruzou o céu montanhoso ao sul de Isfahan e atingiu o motor de um caça F-15E Strike Eagle americano de trinta milhões. A bordo, dois militares, sendo o piloto e um especialista de armas (copiloto).

O programa 60 minutes da CBS News fez revelações espetaculares ao entrevistar os principais envolvidos da mega operação de resgate, nada mais que Pete Hegseth, Brad Cooper, Dan Caine e o oficial de armas do caça abatido, aqui designado como Bravo.

Coronel de sistemas de armas do F-15E AE designado como Bravo. © Área Militar/Reprodução

O caça de dois assentos voava com o indicativo Dude 44. Na frente estava Alpha, o piloto. Atrás, Bravo, o oficial de sistemas de armas, um coronel da Força Aérea cuja identidade o Pentágono ainda protege.

A missão daquela noite era atingir instalações industriais ligadas ao programa iraniano de mísseis e drones, numa região montanhosa próxima de onde o Irã guardava material nuclear altamente enriquecido. O alvo, segundo o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos Estados Unidos, não era o sítio nuclear em si.

Cooper resumiu o ambiente com uma frase simples: havia superioridade aérea, mas ninguém estava voando sobre o Kansas, ou seja, o perigo ainda existia.

O impacto foi como ser atingido por um trem de carga. Os dois tentaram manter o F-15E no ar. Em segundos ficou evidente que isso não era mais possível.

Vista do teste de um assento ejetor utilizando uma seção da cabine de um McDonnell F-4B Phantom II no Centro de Armas Navais da Marinha dos EUA em China Lake, Califórnia (EUA). Foto: Museu Nacional da Aviação Naval da Marinha dos EUA

O sistema da aeronave atrasa a ejeção de cada assento por alguns instantes para separar a tripulação no solo. Alpha e Bravo saíram da cabine e caíram a cerca de oito quilômetros um do outro, no deserto alto do centro do Irã.

O Alpha ejetou com o paraquedas íntegro. Bravo não teve a mesma sorte. O míssil danificou parte do sistema de emergência. Os analistas militares calcularam que o especialista bateu no chão entre 112 e 160 quilômetros por hora.

Piloto do F-15E AE buscando melhor posição no terreno iraniano. © Área Militar/Reprodução

Ao amanhecer, o oficial Bravo começou a subir uma crista montanhosa de cerca de 2.100 metros com as costelas fraturadas, quase sem água e sem comida, no vento e no frio. Bravo buscou altura, cobertura e um lugar de onde pudesse se comunicar sem entregar a posição.

Enquanto isso, em Washington, o secretário de Guerra Pete Hegseth foi acordado no meio da noite. A pergunta imediata foi se a tripulação estava viva e se o Irã já sabia. A ordem que ele deu não dependia da resposta: vivos ou não, os Estados Unidos iriam buscá-los.

Dan Caine e a jornalista Norah O’Donnell para o programa 60 minutes da CBS News. © Área Militar/Reprodução

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto e antigo piloto de caça, descreveu a intenção iraniana. Havia determinação clara das forças de terra para encontrar os dois.

O Comandante Brad Cooper diria que cerca de 1.500 iranianos estavam num raio de 16 km e que alguns chegaram a poucas centenas de metros de Bravo. Havia recompensa pela captura. Cães farejaram os assentos ejetados. Vídeos começaram a circular. O relógio passou a medir a distância entre um resgate e uma caça mortal pelo regime iraniano.

Os americanos souberam primeiro que Alpha estava vivo. Seis horas depois da queda, uma força de 21 aeronaves entrou em território inimigo à luz do dia. Dois helicópteros daquele pacote foram buscar o piloto.

Dois Sikorsky HH-60 sendo reabastecidos por um C-130J adaptado para operações especiais no espaço aéreo de Isfahan, no Irã. © Área Militar/Reprodução

Hegseth descreveu o trecho como um tiroteio na ida e na volta. Um A-10 foi atingido. Um HH-60 levou tiros de armas leves. Mesmo assim, o Alpha foi extraído. A equipe aérea ainda procurou Bravo, mas não o encontrou.

Hegseth, na Sala de Situação, precisou recuar e tomar a decisão que ele próprio chamou de uma das mais duras da operação: “Vamos rolar 24”, ou seja, Bravo ficaria mais um dia sozinho pelas próximas 24 horas.

Foi nesse intervalo que a confirmação da sobrevivência de Bravo foi confirmada, não havia contato anterior de propósito para não comprometer a própria localização. Depois enviou mensagens pelo equipamento de sobrevivência, entre elas a frase “God is good”.

Houve um momento de alarme quando a decodificação inicial pareceu outra. A autenticação veio com uma pergunta que só ele poderia responder corretamente, sobre o pai.

A CIA montou uma campanha de confusão em várias frentes para convencer os iranianos de que o Bravo já estava em movimento para outra direção, na fronteira, em direção ao mar do sul, e usou tecnologia ainda classificada para cravar a posição na crista.

Então começou o que o próprio comando americano descreveu como uma das operações de resgate de combate mais complexas da história dos Estados Unidos. Pela primeira vez em 46 anos, houve botas americanas no solo iraniano.

Um Sikorsky RH-53D Sea Stallion da Marinha dos EUA colidiu com um Lockheed EC-130E Hercules da Força Aérea dos EUA. Foto: SOCOM/EUA

O Pentágono sabia que não podia repetir o fracasso da Operação Eagle Claw, ocorrida em solo iraniano em 24 de abril de 1980. Embora a nova ação também tenha acontecido em um mês de abril, o desfecho desta vez foi completamente diferente.

Mais de 90 militares de elite desceram. Centenas voaram. Milhares sustentaram a missão atrás das linhas. Os relatos apontam um pacote conjunto do Comando de Operações Especiais com a presença de Navy SEALs, com a unidade DevGru Team 6, Rangers, operadores Delta Force como força de reação, controladores de combate da Força Aérea e pararesgatistas (PJs) encarregados de chegar até o ferido.

Para isso, a operação contou com a unidade especial aérea Night Stalkers com seus MH-6 Little Birds, que fez parte da onda de 155 aeronaves: quatro bombardeiros, 64 caças, 48 reabastecedores e 13 aeronaves de resgate, além de plataformas de inteligência e interferência.

MC-130 adaptado para operações especiais no espaço aéreo de Isfahan, no Irã. © Área Militar/Reprodução

Dois MC-130 de operações especiais pousaram numa faixa improvisada no deserto. Dali saíram os MH-6 Little Birds, helicópteros leves capazes de voar até a crista a alguns quilômetros de distância.

Antes que qualquer helicoptero se aproximasse de Bravo, o CENTCOM precisou atacar o que vinha no chão. Aviões de ataque e drones abriram fogo contra comboios iranianos que avançavam na direção do oficial.

Ataques de supressão ao solo feito por drones e aeronaves de apoio para neutralizar o avanço da força iraniana. © Área Militar/Reprodução

Bombardeiros e aeronaves não tripuladas atingiram forças da Guarda Revolucionária nas proximidades do esconderijo. Estradas foram crivadas com munição de precisão para abrir crateras e impedir que colunas fechassem o cerco.

Ao longo das cerca de 50 horas das duas extrações, as forças americanas dispararam 339 munições de alta precisão para afastar e confundir o inimigo que chegou a menos de três quilômetros.

Momento do resgate do piloto Bravo nas montanhas iranianas. © Área Militar/Reprodução

A extração de Bravo aconteceu ao nascer do sol do Domingo de Páscoa como nessas imagens impressionantes desclassificadas e entregues pelo Pentágono ao 60 Minutes, com componentes sensíveis do helicóptero completamente desfocados. Mas a missão ainda não tinha acabado.

No pouso de volta à faixa improvisada, o trem de pouso dos dois aviões MC-130 afundou na areia úmida. Mais de 90 operadores e o próprio Bravo ficaram presos em solo iraniano. Uma unidade clandestina da Força Aérea teve de tirá-los dali com aeronaves mais leves.

Os dois MC-130 — cerca de cem milhões de dólares cada um — e os Little Birds foram destruídos de propósito. A ordem era não deixar radar, suíte de guerra eletrônica, modificações de fuselagem nem qualquer componente sensível nas mãos do Irã, um dos motivos de parte dos vídeos estarem desfocados.

Cinquenta horas depois da queda do Dude 44, Bravo estava a salvo. Hegseth, Caine e Cooper apresentaram a operação como prova de uma regra antiga: os Estados Unidos não deixam os seus para trás, mesmo quando isso exige dezenas de aeronaves, quase uma centena de homens no deserto iraniano e a destruição deliberada de meios caros demais para serem capturados.

Bravo foi mais direto. Disse ter fé no Criador e, logo depois, fé nos homens e nas mulheres das Forças Armadas dizendo: “É o que nós fazemos.”

Trump aponta Irã como provável responsável por ataque que atingiu oleoduto da Arábia Saudita

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 12 de setembro, que o Irã provavelmente está por trás do ataque com drones que atingiu o sistema de oleodutos Leste-Oeste da Arábia Saudita.

A declaração aumenta a pressão sobre Teerã em um momento especialmente delicado, no qual a guerra no Oriente Médio já ameaça importantes rotas utilizadas para transportar petróleo do Golfo Pérsico para os mercados internacionais.

O ataque ocorreu na quinta-feira e atingiu instalações associadas ao oleoduto que atravessa a Arábia Saudita de leste a oeste. Segundo autoridades sauditas, os drones partiram do território iraquiano. O governo do Iraque confirmou que os ataques tiveram origem em seu território e abriu uma investigação sobre o episódio.

Trump foi questionado sobre a possibilidade de o Irã estar por trás da operação e respondeu que acredita que sim, provavelmente.

A declaração do presidente americano, porém, não representa uma comprovação pública de que o governo iraniano tenha ordenado diretamente o ataque. Até o momento, o que foi divulgado é que os drones partiram do Iraque. A região também abriga grupos armados apoiados pelo Irã, embora uma das milícias iraquianas tenha negado envolvimento no episódio.

A importância do oleoduto saudita

O oleoduto Leste-Oeste possui uma função estratégica para a Arábia Saudita porque permite transportar petróleo produzido no leste do país até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Coluna de fumaça decorrente dos ataques de drones contra o oleoduto saudita. © Área Militar/Reprodução

Na prática, essa infraestrutura oferece aos sauditas uma alternativa ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das passagens mais importantes para o comércio mundial de petróleo e localizada entre o Irã e Omã.

Essa capacidade se tornou ainda mais importante durante a atual guerra. Com o tráfego pelo Estreito de Ormuz sob pressão, a Arábia Saudita passou a depender mais de sua infraestrutura terrestre para levar petróleo até o Mar Vermelho.

Aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia foram redirecionados dessa maneira do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho.

Isso transforma o oleoduto em uma espécie de rota de emergência para manter parte das exportações sauditas funcionando mesmo diante de dificuldades no Golfo Pérsico.

O risco dos ataques na Arábia

Se o Estreito de Ormuz enfrenta riscos de interrupção e, ao mesmo tempo, a principal infraestrutura terrestre utilizada pela Arábia Saudita para contornar essa passagem também é atingida, a capacidade do país de manter suas exportações de petróleo fica mais vulnerável.

Existe ainda outro ponto estratégico no sul da região. No Iêmen, os houthis, grupo apoiado pelo Irã, possuem capacidade militar e posições próximas ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem fundamental para o comércio entre o Oceano Índico, o Mar Vermelho e o Mediterrâneo.

Apesar da gravidade do ataque, a Arábia Saudita decidiu inicialmente evitar uma resposta militar direta.

O governo saudita afirmou que pretende dar ao governo iraquiano a oportunidade de investigar o lançamento dos drones e impedir novos ataques provenientes de seu território.

Essa postura é importante porque uma eventual retaliação saudita contra grupos armados dentro do Iraque poderia ampliar rapidamente o conflito e envolver diretamente outro país da região.

Principal oleoduto da Arábia Saudita explode em chamas após ataques de drones

A infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita sofreu um novo ataque que pode aumentar ainda mais a pressão sobre o mercado internacional de energia.

Um importante sistema de oleodutos do país foi atingido por drones na quinta-feira (10), provocando incêndios e danos em estações de bombeamento.

As informações foram divulgadas inicialmente por autoridades dos Estados Unidos. Uma análise preliminar indicou que os alvos estavam nas proximidades do oleoduto, principalmente estruturas responsáveis por manter o petróleo em movimento ao longo da extensa rede.

Imagens de satélite analisadas após o ataque mostram sinais de incêndio em uma das estações, marcando uma coluna de fumaça escura saindo de uma instalação.

Arábia Saudita interrompe operação do oleoduto

O Ministério da Energia saudita confirmou que o sistema foi atacado e informou que sua operação foi interrompida como medida de precaução.

Segundo autoridades sauditas, os ataques ocorreram nas regiões de Riad e Medina e deixaram algumas pessoas feridas, que receberam atendimento médico. Equipes especializadas foram mobilizadas para avaliar a situação e garantir a segurança das instalações.

Posteriormente, o governo saudita afirmou que os ataques foram realizados por drones lançados a partir do Iraque. Riad também declarou que, por enquanto, não adotaria uma retaliação contra o Iraque, dando ao governo iraquiano a oportunidade de tomar medidas contra os responsáveis.

Por que o oleoduto East-West é tão importante?

O alvo é o chamado East-West Pipeline, uma das principais estruturas utilizadas pela Arábia Saudita para transportar petróleo do leste do país até a costa do Mar Vermelho, desviando milhões de barris da zona quente do Estreito de Ormuz.

Cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia estavam sendo redirecionados por essa rota.

Normalmente, grande parte do petróleo produzido no leste da Arábia Saudita é transportada até terminais localizados no Golfo Pérsico. A partir dali, os navios-tanque precisam atravessar o Estreito de Ormuz para alcançar os mercados internacionais.

O problema é que a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã deixou o estreito praticamente bloqueado para uma parcela significativa do tráfego comercial.

Por isso, a Arábia Saudita passou a utilizar mais intensamente o East-West Pipeline para levar petróleo diretamente até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a passagem pelo Estreito de Ormuz.

No entanto, a rota alternativa também está sob ameaça. É justamente nesse ponto que o ataque ganha uma dimensão maior.

Se o Estreito de Ormuz continua sob forte pressão e o principal oleoduto alternativo da Arábia Saudita também passa a ser alvo de ataques, o país fica com menos opções para transportar seu petróleo até os mercados internacionais.

No extremo sul dessa rota está o Mar Vermelho, que se conecta ao Golfo de Áden através do Estreito de Bab el-Mandeb, uma região cada vez mais ameaçada pelo avanço dos militantes Houthis no Iêmen.