Os Estados Unidos e a China estão discutindo a possibilidade de permitir visitas recíprocas a instalações relacionadas aos seus programas nucleares, segundo informações inéditas obtidas pela CNN.
As conversas ainda estão em estágio inicial e informal, mas podem representar uma tentativa de reduzir os riscos de uma escalada nuclear entre Washington e Pequim.
A proposta prevê, entre outras possibilidades, visitas de representantes americanos a laboratórios nacionais ligados ao Departamento de Energia dos EUA e o acesso de representantes chineses a instalações equivalentes na China. Também existe abertura americana para discutir possíveis visitas a locais relacionados a testes nucleares.
Uma proposta que partiu da China
Um dos aspectos mais relevantes da negociação é que a ideia de visitas recíprocas teria sido apresentada inicialmente por representantes chineses durante contatos com autoridades americanas neste ano.
As conversas ocorreram principalmente à margem de reuniões envolvendo os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França.
Apesar disso, não existe até o momento um acordo formal entre Washington e Pequim.
Por que isso é importante?
A iniciativa ocorre em um momento delicado para o controle de armas nucleares.
O último acordo estratégico de controle de armas entre Estados Unidos e Rússia, o New START, expirou em fevereiro de 2026. Com isso, desapareceu uma das principais estruturas que durante anos estabeleceram limites e mecanismos de verificação para os arsenais estratégicos americano e russo.
Ao mesmo tempo, a China vem ampliando sua capacidade nuclear. Washington tem demonstrado preocupação especialmente com a velocidade e a falta de transparência percebida na expansão chinesa.
Pequim, por sua vez, argumenta que seu arsenal continua muito menor do que os estoques mantidos pelos Estados Unidos e pela Rússia.
Esse ponto é central para entender a posição chinesa: Pequim historicamente resistiu a participar de negociações de controle de armas nos mesmos moldes aplicados às duas maiores potências nucleares.
Visitar uma instalação não significa abrir o arsenal
As possíveis visitas não significariam que Estados Unidos ou China estariam dispostos a revelar integralmente o tamanho, a localização ou a capacidade de seus arsenais nucleares.
A ideia seria muito mais limitada: permitir algum nível de transparência para que cada lado compreenda melhor as estruturas e procedimentos do outro.
Para Washington, isso poderia ajudar a reduzir o risco de interpretações equivocadas durante uma eventual crise. Para Pequim, poderia representar uma forma de estabelecer mecanismos de confiança sem necessariamente assumir, neste momento, compromissos de redução de armas.