EUA deslocam drones MQ-9 Reaper para Colômbia e Equador e ampliam presença militar na América do Sul

Os Estados Unidos estão ampliando sua atuação militar na América do Sul com o deslocamento de drones MQ-9 Reaper para Colômbia e Equador, em uma operação apresentada por Washington como parte do esforço de combate ao narcotráfico e a organizações criminosas.

A movimentação representa uma mudança importante na presença militar americana na região e ocorre em meio ao fortalecimento da cooperação entre Washington, Bogotá e Quito.

Os MQ-9 Reaper são aeronaves remotamente pilotadas de grande autonomia, capazes de permanecer muitas horas no ar e realizar missões de inteligência, vigilância e reconhecimento. Embora sejam conhecidos também por sua capacidade de ataque de precisão, o emprego anunciado na América do Sul está principalmente associado à coleta de informações e monitoramento de grupos ligados ao tráfico de drogas.

Drones deixam a África e chegam à América do Sul

Segundo informações obtidas pela CNN, os equipamentos estavam anteriormente vinculados a operações americanas na África. O deslocamento para o comando militar responsável pela América do Sul faz parte de uma reorganização dos recursos dos Estados Unidos, que passaram a concentrar maior atenção no Hemisfério Ocidental.

Nos últimos meses, Washington aumentou a cooperação militar com governos da região e passou a defender uma participação mais direta das Forças Armadas americanas no combate a organizações classificadas pelos Estados Unidos como ameaças terroristas ou criminosas.

Colômbia e Equador se aproximam de Washington

No Equador, forças americanas já participam de operações conjuntas contra organizações criminosas. Em uma dessas ações, os Estados Unidos utilizaram meios navais e aéreos em colaboração com Quito para combater estruturas ligadas ao narcotráfico.

Na Colômbia, Washington também vem ampliando os acordos de segurança. Em setembro, os dois países assinaram novos acordos envolvendo controle de fronteiras, identificação biométrica e combate a redes criminosas transnacionais.

Bogotá também anunciou planos para modernizar suas capacidades militares, incluindo drones e forças especiais. Na prática, portanto, os MQ-9 representam apenas uma parte de uma aproximação militar muito maior.

Pressão máxima – Corolário Trump

A justificativa oficial é combater o narcotráfico e organizações criminosas que, segundo os Estados Unidos, representam uma ameaça à segurança nacional americana.

Mas existe também uma dimensão estratégica. Ao transferir equipamentos militares da África para a América Latina, Washington demonstra que o Hemisfério Ocidental passou a ocupar uma posição mais importante na estratégia de segurança do governo Donald Trump. Apolítica combina combate ao narcotráfico, fortalecimento de alianças regionais e aumento da influência americana.

Essa mudança ocorre paralelamente aos planos americanos de ampliar operações terrestres contra organizações criminosas na América Latina. O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, já afirmou que Washington trabalha com países parceiros, entre eles Colômbia e Equador, para realizar esse tipo de operação.

A postura atual do governo americano faz parte do chamado “Corolário Trump”, que pode ser entendido como uma ampliação da atuação dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, especialmente no combate ao narcotráfico e às organizações criminosas.

A estratégia combina pressão diplomática, cooperação militar e maior uso de inteligência e tecnologia, como drones, para reforçar a presença americana na região. Na prática, representa uma releitura contemporânea da tradicional influência estratégica de Washington sobre as Américas.

Por que isso chama atenção no Brasil?

O aumento da presença militar americana na América do Sul também provoca preocupação em Brasília. O principal ponto de atenção é que drones como o MQ-9 possuem capacidade de realizar vigilância de grandes áreas e coletar informações a distância.

Por isso, qualquer expansão dessas operações levanta discussões sobre soberania, inteligência militar e até sobre os limites da atuação estrangeira no espaço aéreo regional.

Isso não significa, porém, que os Estados Unidos estejam preparando uma operação militar contra o Brasil, pelo contrário, nunca foi cogitado publicamente pelos americanos.

A missão anunciada está relacionada principalmente ao combate ao narcotráfico e ao apoio às forças colombianas e equatorianas. O ponto mais relevante é outro: Washington está transformando o combate às organizações criminosas em uma questão cada vez mais ligada à sua estratégia militar para a América Latina.

Uma nova fase na presença dos EUA

O deslocamento dos MQ-9 Reaper mostra que a política americana para a região deixou de se limitar a acordos diplomáticos e assistência militar. Agora, Washington está colocando capacidade operacional e inteligência aérea diretamente à disposição de parceiros sul-americanos.

A medida também ocorre enquanto os Estados Unidos realizam operações contra embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico no Caribe e no Pacífico Oriental e aprofundam a cooperação com países latino-americanos.

O resultado é uma transformação gradual do papel americano na região: menos dependência de ações exclusivamente policiais e mais participação militar direta no combate ao crime organizado.

Para Colômbia e Equador, a chegada dos drones representa acesso a uma capacidade de vigilância extremamente sofisticada. Para Washington, significa ampliar sua capacidade de acompanhar e atingir redes criminosas.

SOUTHCOM fala em mobilização militar em 18 horas – A Doutrina Airborne confundida com a crise no Brasil

Uma publicação do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) chamou atenção nesta quinta-feira (1º) ao destacar que militares americanos podem estar prontos para uma operação em até 18 horas após receberem uma ordem. A mensagem ganhou repercussão no Brasil porque foi divulgada praticamente ao mesmo tempo em que os Estados Unidos adotaram medidas de segurança em suas representações diplomáticas no país.

Mas há uma diferença importante entre uma demonstração de capacidade militar e uma ordem para mobilizar tropas.

18 horas, uma doutrina Airborne!

A 82ª Divisão Aerotransportada, sediada em Fort Bragg, na Carolina do Norte, é uma das principais forças de resposta rápida do Exército americano.

Sua missão oficial prevê que a unidade esteja preparada para se deslocar rapidamente quando receber uma ordem, realizar operações aerotransportadas e assumir posições consideradas importantes para permitir a chegada de outras forças.

A própria documentação militar americana descreve o XVIII Corpo Aerotransportado como uma força capaz de ser empregada globalmente e sem aviso prévio. O objetivo é justamente manter tropas em estado de prontidão para crises que possam exigir uma resposta rápida.

Portanto, quando o SOUTHCOM publica uma mensagem dizendo “18 hours notice”, isso não significa, por si só, que uma operação tenha sido autorizada.

Significa que existe uma força treinada e estruturada para conseguir sair rapidamente caso uma autoridade americana determine seu emprego.

É uma diferença fundamental.

Por que o SOUTHCOM publicou isso agora?

É justamente aqui que surge a dúvida. O SOUTHCOM é responsável pela área militar americana que inclui a América Central, a América do Sul e o Caribe. O Brasil está formalmente dentro de sua área de responsabilidade.

Isso faz com que qualquer mensagem do comando sobre capacidade militar na região naturalmente seja observada com atenção no Brasil.

Entretanto, a publicação analisada não menciona o Brasil como alvo, não anuncia uma operação em território brasileiro e não apresenta uma ordem de deslocamento da 82ª Divisão para o país.

A mensagem, portanto, pode ser lida como uma demonstração de prontidão militar, mas não há, nas informações públicas verificadas, evidência suficiente para afirmar que as “18 horas” sejam um prazo estabelecido para uma missão contra o Brasil.

A Doutrina Monroe

Outro elemento que chamou atenção foi a publicação de conteúdo relacionado à Doutrina Monroe por canais diplomáticos americanos.

A Doutrina Monroe surgiu em 1823 e historicamente estabeleceu uma posição americana contrária à expansão e à intervenção de potências europeias no Hemisfério Ocidental. O próprio Departamento de Estado dos EUA descreve o conceito como uma estrutura histórica da política externa americana voltada para os interesses de segurança e comerciais dos Estados Unidos no hemisfério.

A combinação das duas mensagens — uma falando de capacidade militar de resposta rápida e outra mencionando a Doutrina Monroe — naturalmente produz uma leitura mais ampla sobre a política americana para o continente.

Mas é necessário cuidado. Uma publicação sobre uma doutrina histórica não transforma automaticamente uma demonstração de prontidão militar em uma ameaça específica contra determinado país.

O Brasil aparece no cenário?

Sim, mas por outro motivo. O Brasil faz parte da área de responsabilidade do SOUTHCOM e mantém histórico de cooperação militar com os Estados Unidos.

O próprio comando americano já destacou exercícios e atividades de cooperação com o Exército Brasileiro, inclusive envolvendo militares brasileiros em atividades de treinamento nos Estados Unidos com participação da 82ª Divisão Aerotransportada.

Isso demonstra que a relação militar entre Washington e Brasília não é exclusivamente baseada em competição ou ameaça. Existe também uma estrutura de cooperação institucional construída ao longo de anos.

Ao mesmo tempo, o contexto atual é mais sensível porque os Estados Unidos adotaram medidas de segurança em suas representações diplomáticas no Brasil, enquanto outros países também emitiram alertas a seus cidadãos.

A publicação do SOUTHCOM ocorreu antes da mudança no funcionamento das representações diplomáticas americanas no Brasil e um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a segurança dos cidadãos americanos é uma prioridade e que Washington trabalha com as autoridades brasileiras em questões de segurança.

Essa coincidência temporal é relevante para o noticiário, mas não prova que a publicação militar tenha sido uma preparação para uma intervenção no Brasil.

Existe uma ameaça militar ao Brasil?

A resposta é fundamentalmente imutável: NÃO!

Até o momento, as informações públicas e movimentos militares analisados não permitem afirmar isso.

O que existe é uma combinação de acontecimentos que merece acompanhamento: medidas de segurança diplomática, alertas dirigidos a cidadãos americanos, movimentação de comunicação estratégica dos Estados Unidos e uma publicação do SOUTHCOM enfatizando a capacidade de resposta rápida de uma unidade militar americana.

Mas esses elementos precisam ser separados.

A capacidade de mobilizar uma força em 18 horas é uma característica conhecida da 82ª Divisão Aerotransportada. O Exército americano já descreve essa capacidade há anos, inclusive associando a unidade à função de força de resposta imediata.

Portanto, o número de 18 horas, isoladamente, não deve ser interpretado como uma contagem regressiva para uma ação militar no Brasil.

EUA avançam na América do Sul e colocam até US$ 7 bilhões na Argentina para exploração mineral e infraestrutura

Os Estados Unidos anunciaram um novo pacote de cooperação financeira com a Argentina que pode mobilizar até US$ 7 bilhões até 2027, em uma iniciativa voltada principalmente para setores considerados estratégicos pelos dois países.

O acordo foi firmado pelo Export-Import Bank dos Estados Unidos (EXIM) e pelo governo argentino durante os eventos da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

O dinheiro não será entregue de uma única vez nem corresponde a um empréstimo de US$ 7 bilhões já liberado para o governo argentino. O que foi estabelecido é um marco de cooperação financeira, chamado U.S.-Argentina Build the Future Framework, que poderá apoiar diferentes projetos até 2027.

Entre as áreas incluídas estão minerais críticos, processamento mineral, segurança energética, modernização da rede elétrica, conectividade digital, sistemas de segurança, espaço comercial e tecnologias avançadas.

Por que os minerais argentinos interessam aos Estados Unidos?

A Argentina possui grandes reservas de minerais importantes para setores como baterias, veículos elétricos, eletrônica e tecnologias de alta complexidade. Entre os recursos que aparecem no radar estão principalmente lítio e cobre, além de outros minerais considerados estratégicos.

Para Washington, a questão não é apenas financiar novas minas. O objetivo também envolve aproximar esses projetos de fornecedores, equipamentos e tecnologias norte-americanas.

O próprio EXIM afirma que o acordo poderá apoiar o desenvolvimento e o processamento de minerais estratégicos argentinos por meio do uso de equipamentos, tecnologias e conhecimento técnico dos Estados Unidos.

Na prática, isso significa que uma mina argentina financiada dentro desse modelo pode acabar adquirindo parte relevante de seus equipamentos e serviços de empresas norte-americanas. O financiamento, portanto, funciona também como uma ferramenta para ampliar a presença dos Estados Unidos na cadeia de produção mineral.

Mas existe outro projeto ainda maior no pacote

Embora a mineração esteja entre os setores estratégicos do acordo, existe um detalhe que ajuda a dimensionar o anúncio: uma parcela significativa do financiamento está relacionada ao setor de gás natural liquefeito.

O projeto Argentina LNG, ligado à YPF e seus parceiros, aparece associado a uma proposta de financiamento de aproximadamente US$ 6 bilhões do EXIM. A iniciativa faz parte do chamado Corredor Andes-Atlântico, concebido para conectar regiões produtoras de petróleo, gás e minerais aos portos argentinos no Atlântico.

15 países do Escudo das Américas anunciam sanções coletivas contra PCC e CV – Brasil fica de fora!

Quinze governos do continente anunciaram nesta terça-feira (22), à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a primeira ação conjunta do Escudo das Américas contra 24 grupos classificados como narcoterroristas.

Na lista estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do Brasil. O governo brasileiro não assinou o comunicado.

A informação foi detalhada pelo jornalista Paulo Figueiredo, exilado político nos EUA, em sua conta no X. O comunicado conjunto, divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em conjunto com os demais países, prevê que cada governo aplique, segundo sua própria legislação, congelamento de bens, restrição de vistos e imigração, e responsabilidade criminal a quem der apoio material, inclusive logístico, a esses grupos.

Esse movimento derruba todas as narrativas em torno dos “riscos” em classificar grupos criminosos como narcoterroristas. Entre as principais justificativas do governo brasileiro está na possibilidade dos EUA invadirem ou lançarem alguma ofensiva contra o país.

Assinam o texto Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Brasil e México ficaram de fora. A foto do encontro reúne governos alinhados a Washington.

Donald Trump lançou a coalizão em março, em Miami, como uma aliança de segurança contra cartéis e o que o governo americano chama de narcoterrorismo. Desde então o grupo incorporou Colômbia e Peru. O Brasil ficou de fora desde o início e permanece de fora agora, quando a iniciativa sai do papel e passa à primeira operação conjunta.

Trinidad e Tobago confirma que os EUA estão instalando um novo radar no país, próximo à costa da Venezuela

A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, confirmou que o Exército dos Estados Unidos está instalando um novo radar no país, próximo à costa da Venezuela.

O radar está localizado na ilha de Tobago e tem como objetivo monitorar atividades dentro e fora do país, de acordo com declarações de Persad-Bissessar publicadas nesta sexta-feira pela mídia local.

Persad-Bissessar observou que as tropas americanas permanecem no país e têm auxiliado na modernização do aeroporto e na vigilância em Tobago, apesar de ter afirmado na quarta-feira que os fuzileiros navais já haviam partido.

“A instalação nos ajudará a melhorar a vigilância dos narcotraficantes em nossas águas”, disse o primeiro-ministro, usando um tom semelhante ao empregado por Washington nesta crise com a Venezuela.

A confirmação veio depois que cidadãos relataram ter visto fuzileiros navais americanos em um hotel popular de Tobago e plataformas de rastreamento de voos também detectaram aeronaves militares pousando no Aeroporto Internacional ANR Robinson.

Cerca de 350 militares da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais realizaram exercícios de treinamento conjuntos com a Força de Defesa de Trinidad e Tobago entre os dias 16 e 21 de novembro.

Na última terça-feira, Persad-Bissessar se reuniu com o Chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine, para discutir os desafios de segurança regional e as atividades de organizações criminosas transnacionais.

Um dia depois, a primeira-ministra de Trinidad e Tobago afirmou que os EUA não haviam pedido ao seu país para ser “uma base para qualquer guerra contra a Venezuela”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou na quinta-feira que suas Forças Armadas agiriam “muito em breve” em terra contra supostos “traficantes de drogas venezuelanos”, enquanto o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, demonstrava a força de sua força aérea e pedia a defesa do território.

As forças armadas dos EUA realizaram o 21º ataque contra um barco do narcotráfico, matando 3 terroristas

O Pentágono realizou no sábado o 21º ataque conhecido contra uma embarcação supostamente envolvida com tráfico de drogas, anunciou o Comando Sul dos EUA no domingo.

“Informações de inteligência confirmaram que a embarcação estava envolvida no contrabando de narcóticos, transitando por uma rota conhecida de narcotráfico e transportando drogas”, publicou o Comando Sul nas redes sociais . “Três narcoterroristas do sexo masculino a bordo da embarcação foram mortos.”

“A embarcação transportava narcóticos no Pacífico Oriental e foi interceptada em águas internacionais”, segundo o comunicado.

O ataque mais recente eleva para 83 o número total de mortos em decorrência dos ataques militares dos EUA contra supostos barcos de narcotráfico. Os militares americanos estão utilizando diversos tipos de caças, drones e helicópteros de ataque para realizar os ataques, em uma campanha que, segundo autoridades, visa interromper o fluxo de drogas para os EUA.

O ataque ocorre dias depois de um oficial do Departamento de Defesa ter afirmado que os EUA realizaram seu 20º ataque contra um suposto barco de tráfico de drogas na semana passada.

O Departamento de Justiça informou ao Congresso que o governo não precisa de sua aprovação para realizar os ataques, que, segundo alguns especialistas, podem violar as leis americanas e internacionais.

A campanha em curso também começou a gerar tensões com aliados; o Reino Unido suspendeu o compartilhamento de informações com os EUA sobre embarcações suspeitas de tráfico de drogas para evitar cumplicidade nos ataques, que o Reino Unido considera ilegais.

O presidente da Colômbia também afirmou na semana passada que ordenou ao seu país a suspensão do compartilhamento de informações de inteligência com os EUA até que os ataques cessem.

Pela primeira vez, ataque dos EUA no Caribe deixa sobreviventes, diz autoridade dos EUA

O exército dos EUA realizou um novo ataque na quinta-feira contra um suposto navio de drogas no Caribe e, no que se acredita ser o primeiro caso desse tipo, houve sobreviventes entre a tripulação, disse uma autoridade dos EUA à Reuters.

O funcionário, que falou sob condição de anonimato, não ofereceu detalhes adicionais sobre o incidente, que não havia sido relatado anteriormente, exceto para dizer que não estava claro se o ataque havia sido planejado para deixar sobreviventes.

O desenvolvimento levanta novas questões, incluindo se os militares dos EUA prestaram ajuda aos sobreviventes e se eles estão agora sob custódia militar dos EUA, possivelmente como prisioneiros de guerra.

O governo Trump argumenta que os EUA já estão envolvidos em uma guerra com grupos narcoterroristas da Venezuela, o que torna os ataques legítimos.

O Pentágono, que classificou aqueles que foram alvos dos ataques como narcoterroristas. Antes da operação de quinta-feira, ataques militares dos EUA contra supostos barcos de drogas na costa da Venezuela mataram pelo menos 27 pessoas, gerando alarmes entre alguns especialistas jurídicos e legisladores democratas, que questionam se eles cumprem as leis da guerra.

EUA rejeitam plano de saída proposto por Nicolás Maduro, e conflito se aproxima

Autoridades do governo venezuelano apresentaram um plano no qual o presidente Nicolás Maduro eventualmente deixaria o cargo, uma tentativa de aliviar a crescente pressão dos EUA sobre o governo em Caracas, de acordo com um ex-funcionário do governo Trump.

A proposta, que foi rejeitada pela Casa Branca, pede que Maduro deixe o poder em três anos e entregue a autoridade à sua vice-presidente, Delcy Rodriguez, que completaria o atual mandato de seis anos de Maduro, que vai até janeiro de 2031, de acordo com a autoridade que foi informada sobre o plano, mas não estava autorizada a comentar publicamente sobre o assunto e falou sob condição de anonimato.

Rodríguez não concorreria à reeleição segundo o plano, disse a autoridade, acrescentando que a Casa Branca rejeitou a proposta porque ela continua questionando a legitimidade do governo de Maduro e o acusa de supervisionar um estado narcoterrorista.

A revelação das tentativas de Maduro de oferecer um plano para sair lentamente do poder ocorre em meio à crescente inquietação no governo do líder venezuelano de que o presidente Donald Trump possa ordenar uma ação militar para tentar derrubá-lo.

Os EUA pediram à ilha caribenha de Granada que implante militares e equipamentos bélicos

O Ministério das Relações Exteriores de Granada, uma ilha caribenha perto da Venezuela, informou na quinta-feira que os Estados Unidos solicitaram que ele hospedasse pessoal e equipamento militar norte-americano em seu território.

De acordo com a declaração do Ministério das Relações Exteriores, o Governo de Granada recebeu uma solicitação para “instalação temporária de equipamento de radar e pessoal técnico associado no Aeroporto Internacional Maurice Bishop”.

Este pedido ocorre em meio a crescentes tensões entre Washington e Caracas sobre o destacamento militar dos EUA no Caribe para supostamente combater o tráfico de drogas originário da Venezuela.

Granada indicou que os Ministérios da Segurança Nacional, Assuntos Jurídicos e Relações Exteriores do país estão “avaliando e revisando cuidadosamente a solicitação”, em coordenação com a Autoridade Aeroportuária e outras agências relevantes.

O Ministério das Relações Exteriores de Granada enfatizou que “qualquer decisão será tomada somente após a conclusão de todas as avaliações técnicas e jurídicas”.

“Asseguramos aos nossos cidadãos que qualquer decisão tomada será guiada pela soberania de Granada, pela segurança pública e pelos interesses nacionais, incluindo a proteção da nossa indústria do turismo, dos viajantes e do bem-estar econômico do país”, diz o comunicado.

Granada é membro da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), que condenou na sexta-feira passada o que chamou de “incursão ilegal e provocativa” de aeronaves dos EUA perto da Venezuela, no Mar do Caribe.

Em um comunicado, a aliança afirmou que esse “assédio militar sistemático” faz parte de um “padrão de agressão que busca desestabilizar a região, incutir medo e impor uma lógica de intimidação exemplificada pela doutrina imperial”.

Até agora, os EUA destruíram pelo menos cinco barcos no Caribe em ataques que, segundo autoridades americanas, mataram 21 pessoas acusadas de tráfico de drogas.

Ditador Nicolás Maduro oferece todas as riquezas minerais para evitar guerra com EUA, mas Trump recusa

Durante recentes “negociações secretas” com o governo Trump, o presidente venezuelano Nicolás Maduro ofereceu-se para abrir todos os projetos de petróleo e ouro, existentes e futuros, a empresas americanas, conceder contratos preferenciais a empresas americanas, reverter o fluxo de exportações de petróleo venezuelano da China para os Estados Unidos e cortar os contratos de energia e mineração de seu país com a China, o Irã e a Rússia.

O governo americano recusou o acordo e suspendeu quaisquer negociações diplomáticas futuras com a Venezuela, de acordo com uma reportagem exclusiva do New York Times.