A visita secreta de Netanyahu aos Emirados Árabes Unidos no domingo contou com a presença do Mossad

Vista secreta de Netanyahu ao Emirados Árabes Unidos. Imagem: ©Área Militar/Reprodução
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, realizou uma visita não anunciada aos Emirados Árabes Unidos, onde se encontrou com o presidente emiradense, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

A informação foi revelada pela CNN nesta segunda-feira (28) em um momento de forte tensão no Oriente Médio. A viagem teria ocorrido sem anúncio prévio, e os detalhes completos da conversa entre os dois líderes ainda não foram divulgados.

O encontro chama atenção porque Israel e Emirados mantêm relações diplomáticas desde os Acordos de Abraão, firmados em 2020, mas a aproximação entre os dois países ocorre em um ambiente regional extremamente delicado.

Nos últimos anos, a cooperação passou a envolver comércio, investimentos e, principalmente, questões de segurança. A guerra e as tensões envolvendo o Irã aumentaram ainda mais a importância estratégica dessa relação.

Para entender a dimensão da reunião, é preciso lembrar que os Emirados estão tentando equilibrar duas necessidades: manter suas relações econômicas e diplomáticas com Israel e, ao mesmo tempo, evitar uma escalada regional que possa atingir diretamente seu território e seus interesses.

Israel, por sua vez, considera a ameaça iraniana uma das principais questões de sua política de segurança. Por isso, uma conversa reservada entre Netanyahu e o presidente dos Emirados pode envolver temas muito mais amplos do que as relações bilaterais.

O aspecto mais misterioso, porém, está justamente no que não foi revelado. Não há, até o momento, uma descrição pública completa da agenda da reunião nem confirmação independente de todos os assuntos discutidos. A informação disponível indica que o encontro ocorreu em Abu Dhabi e que aconteceu em meio ao agravamento das tensões regionais.

A aproximação árabe-israelense contra o Irã

A reunião também mostra como a arquitetura de alianças no Oriente Médio vem mudando. Países árabes que durante décadas mantiveram distância oficial de Israel passaram a estabelecer relações diretas, enquanto a ameaça de conflitos envolvendo o Irã aproximou ainda mais alguns governos árabes de Israel em questões de segurança.

Assim, uma visita que aparentemente poderia ser apenas diplomática ganha peso estratégico justamente por ocorrer em segredo e em um momento de grande instabilidade regional.

Por enquanto, qualquer conclusão sobre um possível acordo secreto, operação conjunta ou nova iniciativa diplomática seria especulação. O que está confirmado é que Netanyahu esteve nos Emirados e se reuniu com Sheikh Mohamed bin Zayed, enquanto os detalhes da conversa permanecem, em grande parte, fora do conhecimento público.

A hipótese de cooperação militar

O contexto regional dá bastante peso a essa possibilidade. Israel e Emirados têm interesses convergentes diante da ameaça iraniana, e a cooperação entre os dois países aumentou justamente durante o conflito.

Uma reunião reservada entre Netanyahu e Mohammed bin Zayed pode ter tratado de defesa aérea, inteligência, mísseis, drones, movimentações iranianas e coordenação regional.

Há ainda um detalhe que chama atenção: segundo o Israel Hayom, Netanyahu teria viajado acompanhado pelo chefe do Mossad, Roman Gofman, pelo chefe do Conselho de Segurança Nacional e por integrantes da estrutura de segurança. Isso não prova que uma operação militar estivesse sendo preparada, mas indica que a reunião tinha uma dimensão de segurança significativa.

A Arábia Saudita e o Acordo de Abraão

Aqui existe uma segunda possibilidade interessante. Os Emirados podem funcionar como uma ponte entre Israel e outros países árabes, principalmente porque Abu Dhabi já normalizou relações com Israel por meio dos Acordos de Abraão.

A expansão para a Arábia Saudita é, há anos, uma das questões mais importantes envolvendo o futuro desses acordos. E há um fato especialmente relevante: poucos dias antes da visita de Netanyahu, representantes dos países que já participam dos Acordos de Abraão se reuniram em Nova York com autoridades americanas para discutir justamente a expansão e aprofundamento da iniciativa.

A reunião contou com EUA, Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos, e ocorreu em 24 de setembro.

Por que a Arábia Saudita seria tão importante?

A entrada saudita mudaria significativamente a dimensão política e estratégica dos Acordos de Abraão. Riad é uma potência regional muito maior que os países que atualmente normalizaram relações com Israel e possui enorme peso político e econômico no mundo árabe.

Além disso, existe uma possível conexão entre normalização diplomática e arquitetura de segurança. Análises publicadas neste ano apontaram que a cooperação de defesa entre Israel e países do Golfo poderia ganhar uma dimensão regional maior caso a Arábia Saudita aderisse aos Acordos de Abraão.

Mas há um obstáculo importante: a questão palestina continua sendo um dos principais fatores que dificultam a normalização saudita com Israel, e a guerra em Gaza tornou politicamente mais difícil para Riad avançar publicamente nessa direção.

O sonho do Corredor Econômico IMEC (Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa)

Corredor Econômico IMEC (Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa). Imagem: ©Área Militar

 

A principal importância econômica de uma aproximação entre Arábia Saudita e Israel seria justamente logística, e o projeto mais importante nesse contexto é o Corredor IMEC (Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa) de aproximadamente 6.400 km, com rotas ferroviárias e marítimas, cabos digitais e gasodutos.

A ideia é criar essa grande rota multimodal ligando Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia, Israel e Europa.

Não seria simplesmente uma estrada. O projeto prevê uma combinação de navios, ferrovias, portos, energia e cabos de dados. A mercadoria chegaria da Índia aos portos do Golfo, atravessaria a Península Arábica por ferrovia e seguiria pelo território de Israel até o Mediterrâneo, especialmente pelo porto de Haifa, de onde poderia continuar para a Europa.

A grande vantagem seria criar uma alternativa às rotas marítimas que dependem do Estreito de Bab el-Mandeb, Mar Vermelho e Canal de Suez. O projeto também poderia diminuir tempo e custos de transporte em determinadas operações.


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