Arábia Saudita lança grande ofensiva contra os houthis enquanto “OTAN islâmica” ativa defesa coletiva

Encontro de alto nível Arábia Saudita e Turquia. Imagem: ©Área Militar/Reprodução
X
Threads
Telegram
Email

A guerra no Iêmen entrou em uma nova fase de escalada. A Arábia Saudita colocou cerca de 100 caças em operação contra posições dos houthis, enquanto uma aliança formada por Arábia Saudita, Turquia e Paquistão decidiu acelerar a mobilização de forças militares para reforçar a defesa do território saudita.

A movimentação ocorre depois que os houthis, grupo armado apoiado pelo Irã, intensificaram ataques contra cidades, aeroportos e instalações econômicas da Arábia Saudita. O episódio também coloca novamente no centro da disputa o estreito de Bab el-Mandeb, uma das passagens marítimas mais importantes do mundo.

Arábia Saudita coloca 100 caças em ação

A operação saudita recebeu o nome de “Dawn of Yemen”, “Amanhecer do Iêmen” em português.

Segundo o comando da coalizão liderada por Riad, aproximadamente 100 aeronaves de combate participaram da primeira fase da ofensiva. O objetivo é fornecer cobertura aérea às forças do governo iemenita, que avançam contra posições dos houthis no oeste e sudoeste do país.

A coalizão afirmou ter atingido 324 alvos considerados de alto valor militar. Esses números, porém, são declarações das próprias forças envolvidas e não foram verificados de forma independente.

Avanço dos Houthis sobre o pontal da ilha de Perim, território até então dominado pelas Forças de Resistência leais ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.

No campo de batalha, forças do governo iemenita anunciaram a retomada de áreas próximas ao Bab el-Mandeb, incluindo Dhubab, além de avanços em direção à cidade portuária de Mocha.

Os houthis contestaram parte dessas informações e afirmaram que as forças adversárias estão divulgando “vitórias imaginárias”. Portanto, a extensão exata dos ganhos territoriais ainda permanece parcialmente incerta.

Por que Bab el-Mandeb é tão importante?

Para entender a dimensão dessa ofensiva, é preciso olhar para o mapa.
O Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Por essa passagem circula uma parcela importante do comércio marítimo internacional, incluindo cargas de energia que seguem em direção ao Canal de Suez e à Europa.

Isso transforma o estreito em um ponto estratégico não apenas para o Iêmen e a Arábia Saudita, mas para o comércio mundial.

Os houthis haviam ampliado seu controle sobre áreas próximas à costa do Mar Vermelho nas últimas semanas, aumentando sua capacidade de pressionar as rotas marítimas.

Para Riad, recuperar essas posições significa muito mais do que conquistar território iemenita: significa reduzir a capacidade dos houthis de ameaçar a navegação e o próprio território saudita.

O conflito agora ultrapassa as fronteiras do Iêmen

A grande novidade é que a crise deixou de ser apenas uma guerra entre forças iemenitas. Na segunda-feira, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão ativaram os mecanismos de defesa coletiva da chamada Aliança de Defesa de Meca, conhecida como OTAN Islâmica.

O acordo firmado em agosto estabelece que um ataque contra um dos países pode ser tratado como uma ameaça contra os demais, em uma estrutura que lembra, embora não seja idêntica, ao princípio de defesa coletiva da OTAN.

Os três governos anunciaram que pretendem colocar em prática os compromissos de defesa e providenciar a rápida mobilização de forças e capacidades militares para a Arábia Saudita.

O risco de uma guerra regional aumenta

A ofensiva acontece em um momento em que o Oriente Médio já enfrenta uma forte instabilidade envolvendo Estados Unidos, Irã, Israel e grupos armados aliados de Teerã.

Os houthis são considerados parte da rede de grupos apoiados pelo Irã. Isso não significa que cada decisão militar dos houthis seja necessariamente ordenada diretamente por Teerã, mas o grupo possui relações militares e políticas profundas com o governo iraniano.

Agora, com Arábia Saudita, Turquia e Paquistão discutindo a mobilização de forças, o conflito iemenita pode começar a adquirir uma dimensão ainda mais internacional.

A entrada direta de novos países não é inevitável, mas o mecanismo de defesa coletiva aumenta o risco de que um ataque de grandes proporções contra a Arábia Saudita provoque uma resposta coordenada.


Descubra mais sobre Área Militar

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

X
Threads
Telegram
Email

Deixe um comentário