O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 12 de setembro, que o Irã provavelmente está por trás do ataque com drones que atingiu o sistema de oleodutos Leste-Oeste da Arábia Saudita.
A declaração aumenta a pressão sobre Teerã em um momento especialmente delicado, no qual a guerra no Oriente Médio já ameaça importantes rotas utilizadas para transportar petróleo do Golfo Pérsico para os mercados internacionais.
O ataque ocorreu na quinta-feira e atingiu instalações associadas ao oleoduto que atravessa a Arábia Saudita de leste a oeste. Segundo autoridades sauditas, os drones partiram do território iraquiano. O governo do Iraque confirmou que os ataques tiveram origem em seu território e abriu uma investigação sobre o episódio.
Trump foi questionado sobre a possibilidade de o Irã estar por trás da operação e respondeu que acredita que sim, provavelmente.
A declaração do presidente americano, porém, não representa uma comprovação pública de que o governo iraniano tenha ordenado diretamente o ataque. Até o momento, o que foi divulgado é que os drones partiram do Iraque. A região também abriga grupos armados apoiados pelo Irã, embora uma das milícias iraquianas tenha negado envolvimento no episódio.
A importância do oleoduto saudita
O oleoduto Leste-Oeste possui uma função estratégica para a Arábia Saudita porque permite transportar petróleo produzido no leste do país até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Na prática, essa infraestrutura oferece aos sauditas uma alternativa ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das passagens mais importantes para o comércio mundial de petróleo e localizada entre o Irã e Omã.
Essa capacidade se tornou ainda mais importante durante a atual guerra. Com o tráfego pelo Estreito de Ormuz sob pressão, a Arábia Saudita passou a depender mais de sua infraestrutura terrestre para levar petróleo até o Mar Vermelho.
Aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia foram redirecionados dessa maneira do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho.
Isso transforma o oleoduto em uma espécie de rota de emergência para manter parte das exportações sauditas funcionando mesmo diante de dificuldades no Golfo Pérsico.
O risco dos ataques na Arábia
Se o Estreito de Ormuz enfrenta riscos de interrupção e, ao mesmo tempo, a principal infraestrutura terrestre utilizada pela Arábia Saudita para contornar essa passagem também é atingida, a capacidade do país de manter suas exportações de petróleo fica mais vulnerável.
Existe ainda outro ponto estratégico no sul da região. No Iêmen, os houthis, grupo apoiado pelo Irã, possuem capacidade militar e posições próximas ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem fundamental para o comércio entre o Oceano Índico, o Mar Vermelho e o Mediterrâneo.
Apesar da gravidade do ataque, a Arábia Saudita decidiu inicialmente evitar uma resposta militar direta.
O governo saudita afirmou que pretende dar ao governo iraquiano a oportunidade de investigar o lançamento dos drones e impedir novos ataques provenientes de seu território.
Essa postura é importante porque uma eventual retaliação saudita contra grupos armados dentro do Iraque poderia ampliar rapidamente o conflito e envolver diretamente outro país da região.
Descubra mais sobre Área Militar
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

