Principal oleoduto da Arábia Saudita explode em chamas após ataques de drones

A infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita sofreu um novo ataque que pode aumentar ainda mais a pressão sobre o mercado internacional de energia.

Um importante sistema de oleodutos do país foi atingido por drones na quinta-feira (10), provocando incêndios e danos em estações de bombeamento.

As informações foram divulgadas inicialmente por autoridades dos Estados Unidos. Uma análise preliminar indicou que os alvos estavam nas proximidades do oleoduto, principalmente estruturas responsáveis por manter o petróleo em movimento ao longo da extensa rede.

Imagens de satélite analisadas após o ataque mostram sinais de incêndio em uma das estações, marcando uma coluna de fumaça escura saindo de uma instalação.

Arábia Saudita interrompe operação do oleoduto

O Ministério da Energia saudita confirmou que o sistema foi atacado e informou que sua operação foi interrompida como medida de precaução.

Segundo autoridades sauditas, os ataques ocorreram nas regiões de Riad e Medina e deixaram algumas pessoas feridas, que receberam atendimento médico. Equipes especializadas foram mobilizadas para avaliar a situação e garantir a segurança das instalações.

Posteriormente, o governo saudita afirmou que os ataques foram realizados por drones lançados a partir do Iraque. Riad também declarou que, por enquanto, não adotaria uma retaliação contra o Iraque, dando ao governo iraquiano a oportunidade de tomar medidas contra os responsáveis.

Por que o oleoduto East-West é tão importante?

O alvo é o chamado East-West Pipeline, uma das principais estruturas utilizadas pela Arábia Saudita para transportar petróleo do leste do país até a costa do Mar Vermelho, desviando milhões de barris da zona quente do Estreito de Ormuz.

Cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia estavam sendo redirecionados por essa rota.

Normalmente, grande parte do petróleo produzido no leste da Arábia Saudita é transportada até terminais localizados no Golfo Pérsico. A partir dali, os navios-tanque precisam atravessar o Estreito de Ormuz para alcançar os mercados internacionais.

O problema é que a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã deixou o estreito praticamente bloqueado para uma parcela significativa do tráfego comercial.

Por isso, a Arábia Saudita passou a utilizar mais intensamente o East-West Pipeline para levar petróleo diretamente até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a passagem pelo Estreito de Ormuz.

No entanto, a rota alternativa também está sob ameaça. É justamente nesse ponto que o ataque ganha uma dimensão maior.

Se o Estreito de Ormuz continua sob forte pressão e o principal oleoduto alternativo da Arábia Saudita também passa a ser alvo de ataques, o país fica com menos opções para transportar seu petróleo até os mercados internacionais.

No extremo sul dessa rota está o Mar Vermelho, que se conecta ao Golfo de Áden através do Estreito de Bab el-Mandeb, uma região cada vez mais ameaçada pelo avanço dos militantes Houthis no Iêmen.

Após 25 anos, nova técnica de DNA identifica vítima do 11 de setembro

25 anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, uma família nos Estados Unidos finalmente recebeu uma resposta que aguardava há décadas.

Autoridades de Nova York identificaram uma mulher que morreu nos ataques ao World Trade Center por meio de uma técnica que combina análise de DNA com pesquisas genealógicas. O nome da vítima não foi divulgado porque seus familiares solicitaram que sua identidade permanecesse em sigilo.

A identificação foi anunciada pelo Escritório do Médico-Legista-Chefe de Nova York (OCME) em agosto de 2026 e representa um avanço importante em uma das maiores operações de identificação de vítimas da história dos Estados Unidos. A mulher é a 1.654ª vítima do World Trade Center identificada oficialmente desde os ataques.

O que mudou depois de 25 anos?

A principal novidade está na técnica utilizada pelos investigadores: a chamada genealogia genética forense investigativa, conhecida pela sigla FIGG.

Em termos simples, o método combina duas ferramentas.

Primeiro, os especialistas trabalham com o DNA obtido de restos humanos recuperados após os ataques. Depois, procuram correspondências genéticas e utilizam informações genealógicas para reconstruir possíveis relações familiares.

É como montar um quebra-cabeça: em vez de depender exclusivamente de uma comparação direta entre o DNA encontrado e uma amostra fornecida por um familiar próximo, os investigadores podem utilizar parentesco genético e árvores familiares para chegar a uma possível identificação.

A identificação encontrada dessa maneira ainda precisa ser confirmada pelos procedimentos forenses oficiais antes de ser considerada definitiva. No caso anunciado por Nova York, a confirmação foi realizada pelo OCME.

Por que foi tão difícil identificar todas as vítimas?

Os ataques ao World Trade Center provocaram a morte de 2.753 pessoas em Nova York. A destruição das torres, seguida por incêndios de grandes proporções e pelo colapso dos edifícios, tornou extremamente difícil recuperar e identificar os restos das vítimas.

Nos primeiros anos após os ataques, os investigadores utilizaram métodos tradicionais, como impressões digitais, registros odontológicos e comparação de DNA.

O problema é que muitos dos restos recuperados estavam extremamente fragmentados ou degradados. Em vários casos, não havia material suficiente ou uma amostra familiar adequada para estabelecer uma identificação.

Segundo o governo de Nova York, aproximadamente 1.099 vítimas, cerca de 40% das pessoas que morreram no World Trade Center, ainda não foram identificadas.

Ministro André Mendonça teme pela própria segurança e passa a usar colete balístico em meio à crise no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça passou a adotar medidas reforçadas de segurança em meio ao aumento das tensões envolvendo as investigações que estão sob sua responsabilidade e aos conflitos recentes dentro da própria Corte.

O caso ganhou ainda mais atenção depois de informações de que o ministro passou a utilizar colete balístico, comumente chamado de colete à prova de balas, em determinadas agendas públicas, além de contar com uma proteção reforçada.

A medida ocorre em um momento de forte tensão política e institucional envolvendo o STF, a Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master.

A integridade física do Ministro Mendonça

Em junho, depois de assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master e também atuar em investigações envolvendo fraudes no INSS, Mendonça afirmou que poderia existir um risco pessoal relacionado à continuidade das investigações.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o ministro chegou a declarar que, diante da possibilidade de alguém atentar contra sua integridade física, ele próprio seria o ponto mais vulnerável da investigação. Naquele momento, o STF reforçou sua segurança após uma avaliação interna indicar aumento do risco à sua integridade.

Isso, porém, não significa que Mendonça tenha sofrido um atentado. Os jornalistas Edilene Lopes e Pedro Venceslau apuraram que não havia registro de qualquer ataque contra o ministro e que o gabinete de André Mendonça também não havia confirmado a ocorrência de um atentado.

Durante a apuração desta matéria, o Área Militar/Analytics entrou em contato com o gabinete do ministro André Mendonça para solicitar esclarecimentos e obter mais detalhes sobre o caso. Até o momento, no entanto, não houve resposta.

Caso o gabinete se manifeste, a matéria será atualizada com o posicionamento oficial.

O “risco do cerco”

A situação se tornou ainda mais delicada depois que Mendonça entrou em confronto institucional com a cúpula da Polícia Federal.

Em setembro, o ministro afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” e ilegal realizado pela inteligência da PF durante aproximadamente um mês.

Segundo a decisão de Mendonça, pelo menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto analisando suas decisões, sua atuação nos casos Banco Master e INSS, suas relações com outras autoridades e possíveis motivações políticas.

É importante esclarecer que esses documentos não descrevem interceptações telefônicas, vigilância física ou acompanhamento do ministro. O chamado “monitoramento” mencionado por Mendonça se refere à produção de relatórios de inteligência sobre sua atuação e suas relações.

Por que o episódio aumentou a preocupação?

Na avaliação de Mendonça, a produção desses relatórios representa uma situação grave porque envolve diretamente um ministro da Suprema Corte.

Diante disso, ele determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.

Mendonça também determinou que a Corregedoria da PF investigasse a elaboração dos relatórios e quem teria determinado ou participado de sua produção.

A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Relatórios de inteligência apontam risco de atentado?

A apuração indica que a segurança do ministro André Mendonça foi reforçada e que ele demonstrou preocupação com sua própria integridade física diante do contexto das investigações sob sua responsabilidade.

Até o momento, porém, não há confirmação pública de que Mendonça tenha recebido uma ameaça específica ou que exista um plano comprovado de atentado contra sua vida.

Houthis avançam sobre Bab el-Mandeb e colocam rota estratégica sob ameaça

A guerra no Iêmen ganhou uma nova dimensão estratégica nos últimos dias. Os rebeldes Houthis, grupo apoiado pelo Irã, avançaram pela costa do Mar Vermelho, tomaram a cidade portuária de Mocha e, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (11), também assumiram o controle da estratégica ilha de Perim, localizada no estreito de Bab el-Mandeb.

A movimentação aproxima os Houthis de uma posição capaz de ameaçar diretamente a navegação em um dos principais corredores marítimos do planeta.

O Bab el-Mandeb é a passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e, consequentemente, ao oceano Índico. Na prática, navios que seguem entre a Ásia e a Europa utilizam essa rota para chegar ao Canal de Suez.

Por isso, o avanço Houthi não representa apenas uma disputa territorial dentro do Iêmen. Ele pode ter consequências sobre petróleo, comércio internacional, fretes e preços de produtos em diversos países.

Quem são os Houthis?

Os Houthis, oficialmente chamados de Ansar Allah, são um movimento político, religioso e militar originário do norte do Iêmen.

O grupo surgiu entre a comunidade zaidita, uma corrente do islamismo xiita tradicionalmente presente no norte do país. A organização ganhou força na década de 1990 e passou a combater o governo iemenita.

A grande virada aconteceu em 2014, quando os Houthis conquistaram Sanaa, a capital do Iêmen. O avanço provocou uma guerra civil e levou a Arábia Saudita a intervir militarmente em 2015, apoiando o governo reconhecido internacionalmente.

Desde então, o Iêmen permanece dividido.

Os Houthis controlam grande parte do norte e oeste do país, incluindo áreas densamente povoadas, enquanto o governo internacionalmente reconhecido e seus aliados mantêm posições principalmente no sul e no leste.

Quem financia os Houthis?

O principal apoio externo aos Houthis vem do Irã. Teerã fornece, segundo autoridades e fontes de inteligência citadas por veículos internacionais, armamentos, tecnologia, treinamento e assistência militar.

Entre os equipamentos associados ao arsenal Houthi estão drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro.

O apoio iraniano não significa, necessariamente, que cada operação Houthi seja ordenada diretamente por Teerã. O grupo possuem estrutura própria, liderança própria e interesses ligados à política interna do Iêmen.

Mas a relação com o Irã transformou o grupo em uma importante peça da disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Israel e Estados Unidos.

Além do apoio externo, os Houthis também obtêm recursos dentro das áreas que controlam, por meio de arrecadação, cobrança de impostos, controle econômico de territórios e redes comerciais e de contrabando.

A importância da cidade de Mocha

A cidade fica na costa do Mar Vermelho, relativamente próximo ao Bab el-Mandeb. A captura permite aos Houthis ampliar sua presença militar em direção ao estreito.

Segundo fontes citadas pela Reuters, o grupo também avançou contra as ilhas Hanish e buscava posições em Dhubab e Perim, pontos considerados fundamentais para exercer influência sobre a passagem marítima.

A situação evoluiu ainda mais com a notícia da tomada de Perim, uma pequena ilha situada praticamente no centro da entrada do Bab el-Mandeb.

Isso é importante porque controlar posições terrestres próximas ao estreito oferece aos militantes melhores condições para observar, ameaçar ou atacar embarcações que atravessem a região.

Isso não significa que o grupo tenha literalmente “fechado” o estreito.

Mas significa que os Houthis estão muito mais próximos de possuir capacidade para transformar o Bab el-Mandeb em uma área de alto risco para a navegação internacional.

O que significa “fechar” o Bab el-Mandeb?

“Fechar o estreito” não necessariamente significa colocar uma barreira física no mar.

Um grupo armado pode provocar o fechamento de uma rota simplesmente tornando a passagem perigosa demais para navios comerciais.

Se empresas de navegação considerarem que seus navios podem ser atingidos por mísseis, drones ou minas, elas podem decidir suspender as viagens ou utilizar rotas alternativas.

Foi justamente esse tipo de ameaça que já provocou alterações significativas no tráfego do Mar Vermelho nos últimos anos.

O Bab el-Mandeb funciona como uma espécie de porta de entrada e saída do Mar Vermelho. Depois dele está o Canal de Suez, que conecta a região ao Mediterrâneo.

Por isso, uma crise nessa passagem pode atingir diretamente o comércio entre Ásia, Oriente Médio e Europa.

Por que a Arábia Saudita apoia o governo do Iêmen?

Para a Arábia Saudita, a questão é muito maior do que a guerra civil iemenita.

O Iêmen está localizado imediatamente ao sul do território saudita. Um governo Houthi forte e aliado do Irã representa, portanto, uma ameaça estratégica direta para Riad.

A Arábia Saudita já enfrentou ataques Houthis contra seu território utilizando mísseis e drones, inclusive contra instalações relacionadas à indústria de energia.

Por isso, Riad apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen e tenta impedir que os Houthis controlem todo o país ou dominem posições estratégicas próximas às fronteiras sauditas e ao Mar Vermelho.

Mas existe um problema. A Arábia Saudita já passou anos tentando derrotar militarmente os Houthis e descobriu que uma vitória definitiva é extremamente difícil.

Depois de anos de guerra, uma trégua estabelecida em 2022 reduziu significativamente os combates, mas nunca produziu um acordo de paz definitivo.

Agora, com a nova ofensiva Houthi, Riad enfrenta novamente uma escolha difícil: intervir militarmente em maior escala ou tentar evitar uma nova guerra prolongada no Iêmen.

A importância dos EUA

Os Estados Unidos são um dos principais parceiros militares e estratégicos da Arábia Saudita. A relação envolve armamentos, treinamento, inteligência, defesa aérea e cooperação militar.

Neste momento, porém, a Arábia Saudita está pedindo maior apoio americano, mas Washington não necessariamente quer entrar diretamente em uma nova guerra no Iêmen.

Mais de 100 militares e conselheiros americanos estão em território saudita, fornecendo apoio de inteligência e direcionamento de alvos dentro de uma estrutura de cooperação militar com Riad.

Além disso, segundo fontes citadas pela Reuters, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu ao presidente Donald Trump uma participação militar americana mais direta contra os Houthis.

Trump, porém, teria recusado o envio direto de forças americanas para atacar os Houthis, embora tenha concordado com apoio de inteligência e direcionamento de alvos.

EUA e os ataques contra os Houthis

Porque qualquer ataque americano pode ampliar ainda mais o conflito regional.

Os Houthis são aliados do Irã. Portanto, uma campanha militar americana contra o grupo poderia ser interpretada por Teerã como uma nova frente direta de confronto.

Além disso, os Estados Unidos precisam proteger simultaneamente seus interesses no Golfo Pérsico, Mar Vermelho, Arábia Saudita e outras áreas estratégicas do Oriente Médio.

A estratégia do Irã

Para o Irã, os Houthis representam uma maneira de aumentar sua capacidade de pressionar adversários sem necessariamente utilizar diretamente as Forças Armadas iranianas.

O país possui aliados e grupos armados em diferentes partes do Oriente Médio. Os Houthis acrescentam uma dimensão marítima a essa rede.

Ao possuir influência sobre o Iêmen e capacidade de ameaçar o Bab el-Mandeb, o Irã pode aumentar a pressão sobre Arábia Saudita, Estados Unidos e o comércio marítimo internacional.

O que pode acontecer agora?

A grande preocupação é que a captura de Mocha e o avanço sobre Perim transformem o Bab el-Mandeb em uma nova frente da guerra regional.

A primeira consequência pode ser militar, a Arábia Saudita pode aumentar os ataques contra posições Houthis. A segunda é econômica, com empresas de navegação podem evitar a região, aumentando o tempo e o custo do transporte.

A terceira, e não menos importante, é energética. Qualquer ameaça simultânea ao Bab el-Mandeb e ao Estreito de Hormuz pode aumentar a pressão sobre o mercado internacional de petróleo.

E existe ainda um quarto risco, o retorno de uma guerra civil em grande escala no Iêmen. A trégua de 2022 havia reduzido drasticamente a intensidade do conflito, mas os combates recentes já provocaram novos deslocamentos de civis e ameaçam destruir o frágil equilíbrio construído nos últimos anos.

E é justamente essa porta que os Houthis estão tentando colocar sob seu controle.