Ucrânia recupera acesso ao Starshield do Pentágono após restrições que afetaram operações militares com drones

A Ucrânia informou nesta quinta-feira (15) que recuperou o acesso ao Starshield, sistema de comunicação via satélite utilizado pelas forças ucranianas em operações militares. A retomada ocorreu depois de restrições que, segundo relatos de representantes ligados à Defesa do país, prejudicaram missões envolvendo drones e outros equipamentos militares em movimento.

A interrupção chamou a atenção porque a comunicação por satélite se tornou um recurso essencial para as forças ucranianas desde o início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022. Além de permitir a troca de informações entre unidades militares, esse tipo de conexão pode ser utilizado para coordenar aeronaves não tripuladas e manter o contato com equipes que operam longe das redes convencionais de comunicação.

Segundo informações divulgadas por fontes do Ministério da Defesa ucraniano, o serviço voltou a funcionar em terminais móveis, e unidades militares relataram a retomada da conexão. Ainda assim, as autoridades continuavam apurando as circunstâncias das restrições e se todas as limitações haviam sido removidas.

O episódio começou depois que militares e especialistas ucranianos relataram problemas de conexão em terminais que operavam acima de determinadas velocidades. As restrições teriam afetado equipamentos utilizados em operações com drones de ataque e interceptação, sistemas empregados tanto para atingir alvos militares russos quanto para combater ameaças aéreas.

A diferença é importante: um drone pode depender de uma conexão estável para transmitir informações, receber comandos ou manter a coordenação com outros componentes de uma missão. Quando essa comunicação falha durante o voo, a operação pode ser comprometida. O impacto exato, porém, depende do equipamento, do tipo de missão e dos sistemas de controle utilizados.

O Starshield é uma plataforma de comunicação e tecnologia espacial voltada a clientes governamentais e militares, desenvolvida pela SpaceX, empresa de Elon Musk. Embora utilize tecnologia relacionada ao Starlink, serviço comercial de internet via satélite conhecido mundialmente, o Starshield foi concebido para atender a necessidades específicas de segurança nacional.

A distinção também é relevante para entender a responsabilidade pelo sistema. Musk afirmou publicamente que o Starshield está sob controle do governo dos Estados Unidos, enquanto o Starlink comercial é administrado pela SpaceX. Portanto, não é correto atribuir automaticamente qualquer alteração no serviço militar a uma decisão pessoal do empresário sem esclarecer quem determinou a medida.

A recuperação do acesso foi divulgada em um momento de tensão nas relações entre Kiev e Washington. Nos últimos dias, surgiram relatos de que autoridades norte-americanas haviam pressionado o governo ucraniano a interromper ataques contra instalações russas de petróleo, sob ameaça de limitar o compartilhamento de informações de inteligência.

O presidente Donald Trump, por sua vez, afirmou que os Estados Unidos continuavam ajudando a Ucrânia e compartilhando informações.

A coincidência entre os problemas de conectividade e esse impasse político alimentou suspeitas de que as restrições pudessem estar relacionadas à pressão exercida sobre Kiev.  A possibilidade de uma mudança operacional, técnica ou administrativa também precisa ser considerada enquanto a investigação permanece em andamento.

Como o Starshield entra nessas operações?

1. Interceptar drones russos: Drones interceptadores ucranianos podem usar a conexão via satélite para manter comunicação com seus operadores durante o voo.

Isso pode ajudar a acompanhar e interceptar drones russos de ataque, incluindo os modelos Geran, derivados da família iraniana Shahed. O Starshield não detecta nem derruba o alvo por conta própria, ele fornece conectividade.

2. Atacar alvos militares: A conexão também pode apoiar drones de ataque que atingem posições, centros de comando e estruturas logísticas russas. O sistema ajuda a manter o controle e o fluxo de dados, mas não é, por si só, o mecanismo que guia automaticamente todos os drones até o alvo.

O contexto militar torna o episódio ainda mais delicado. A Ucrânia utiliza drones em diferentes funções, desde reconhecimento e vigilância até ataques de longo alcance. Ao mesmo tempo, precisa enfrentar ondas de drones e mísseis russos direcionados a cidades e instalações de energia. Nesse cenário, perder temporariamente uma ferramenta de comunicação pode reduzir a capacidade de coordenar determinadas operações, sobretudo quando os equipamentos dependem de conexão durante o deslocamento.

A retomada do Starshield representa, portanto, um alívio operacional para as forças ucranianas, mas não encerra as dúvidas sobre o ocorrido. Kiev ainda precisa esclarecer a extensão das restrições, suas causas e as condições em que o serviço continuará disponível.

O caso também evidencia um problema estratégico mais amplo: em uma guerra moderna, satélites comerciais e sistemas privados podem ter importância semelhante à de equipamentos militares tradicionais. Quando uma força armada depende de uma tecnologia controlada por outro país, sua capacidade de combate passa a estar ligada não apenas ao desempenho técnico do sistema, mas também às decisões políticas de quem tem autoridade sobre ele.

Para a Ucrânia, manter essas comunicações funcionando é fundamental. Para os Estados Unidos, o controle de tecnologias espaciais estratégicas representa uma ferramenta de influência e segurança nacional. O episódio mostra como uma alteração aparentemente técnica pode produzir consequências militares e diplomáticas em meio a uma guerra ainda sem solução.

A principal questão agora é se o restabelecimento do serviço será acompanhado de garantias de continuidade ou se a dependência ucraniana dessas estruturas continuará representando uma vulnerabilidade em futuras operações.

Escalam as tensões Argentina e Reino Unido – Tropas britânicas se mobilizam para exercícios de recaptura das Malvinas

O Reino Unido realizou um exercício militar nas Ilhas Malvinas para preparar suas forças para um possível cenário de invasão e retomada do território. A atividade, chamada Cape Upholder, reuniu militares britânicos e integrantes da força de reserva local em uma operação de seis dias que simulou etapas de uma ofensiva terrestre e anfíbia.

A manobra acontece em meio ao aumento das tensões diplomáticas com a Argentina, que reivindica a soberania sobre o arquipélago, controlado pelos britânicos. Segundo informações publicadas pelo jornal britânico The Times, o treinamento envolveu cerca de 150 soldados do 2º Batalhão do Regimento de Paraquedistas britânico, além de aproximadamente 100 reservistas locais.

O exercício não significa que uma guerra esteja prestes a começar. A preparação militar faz parte da manutenção da capacidade defensiva britânica, embora ocorra em um contexto de declarações cada vez mais contundentes sobre o futuro das ilhas.

Treinamento reproduz operações da Guerra das Malvinas

Durante os seis dias de atividades, os militares participaram de um desembarque anfíbio, realizaram uma marcha noturna de aproximadamente 32 quilômetros e treinaram técnicas de combate a curta distância. O objetivo foi testar a capacidade das tropas de operar no terreno difícil do arquipélago e executar operações militares em condições exigentes.

O treinamento também recuperou elementos da Operação Sutton, realizada em maio de 1982, quando as forças britânicas desembarcaram nas ilhas para iniciar a campanha de retomada do território, ocupado pela Argentina em abril daquele ano.

A escolha desse cenário tem um significado histórico e operacional. A experiência de 1982 continua sendo uma referência para o planejamento militar britânico, sobretudo em operações que exigem coordenação entre tropas terrestres, forças navais e apoio aéreo.

Segundo o The Times, a atividade não foi apresentada como uma resposta direta às declarações recentes do governo argentino, mas como parte da preparação regular das forças britânicas. Ainda assim, a escolha de um cenário de retomada das ilhas ganha relevância diante do atual ambiente diplomático.

Por que as Malvinas voltaram ao centro das tensões?

A disputa pelas Malvinas, chamadas de Falkland Islands no Reino Unido e Ilhas Malvinas na Argentina, permanece sem solução diplomática definitiva. Londres administra o arquipélago e defende o direito de seus habitantes de decidir o próprio futuro. Buenos Aires, por sua vez, considera as ilhas parte de seu território nacional.

A tensão ganhou força com declarações do presidente argentino, Javier Milei, que voltou a classificar a presença britânica como uma ocupação ilegítima. O presidente também defendeu a recuperação da soberania argentina, embora tenha manifestado preferência por uma solução pacífica.

O impasse não se limita à memória da guerra de 1982. A exploração de recursos naturais, especialmente o petróleo, também se tornou um ponto de atrito entre os dois países.

Em 13 de outubro, outra frente de tensão veio à tona: o governo britânico pediu à Interpol que rejeite medidas argentinas contra pessoas ligadas ao projeto petrolífero Sea Lion, nas proximidades das ilhas. Londres considera que iniciativas desse tipo podem ter motivação política, enquanto Buenos Aires busca contestar atividades que considera incompatíveis com sua reivindicação territorial.

Como o Reino Unido pretende defender o arquipélago?

A defesa das Malvinas depende de uma estrutura militar mantida a milhares de quilômetros do território continental britânico. Segundo as informações publicadas pelo The Times, a presença britânica inclui tropas estacionadas nas ilhas, caças Typhoon, sistemas de defesa contra mísseis e uma embarcação de patrulha.

Tropas durante exercício. Foto: Exército Britânico

Essa estrutura tem duas funções principais: dificultar uma eventual tentativa de ocupação e permitir uma resposta militar caso a situação se deteriore.
O desafio é geográfico e logístico. Em um cenário de conflito, o Reino Unido precisaria manter o abastecimento de suas forças, proteger rotas marítimas e aéreas e coordenar diferentes unidades militares em uma região distante de suas principais bases.

Além disso, os planejadores precisam considerar ameaças modernas, como ataques cibernéticos e o emprego de drones. Isso significa que a preparação não se resume à repetição das operações de 1982: também exige adaptação às mudanças na forma como os conflitos são conduzidos.

Uma nova guerra é provável?

Apesar do aumento da tensão política, o exercício militar não comprova a existência de um plano argentino de invasão nem indica que Londres esteja se preparando para iniciar uma ofensiva contra a Argentina.

A diferença é importante: treinar para responder a uma eventual invasão faz parte da estratégia de dissuasão, ou seja, demonstrar que uma ação militar contra determinado território teria custos elevados e enfrentaria resistência.
A Guerra das Malvinas de 1982 deixou um precedente marcante.

Após a ocupação argentina, o Reino Unido enviou uma força-tarefa naval ao Atlântico Sul e recuperou o arquipélago depois de semanas de combates. O conflito terminou com a rendição das forças argentinas em junho daquele ano e provocou perdas humanas significativas para ambos os países.

Quatro décadas depois, o cenário é diferente, mas a disputa permanece. A presença militar britânica, as reivindicações argentinas e os interesses econômicos associados às ilhas continuam alimentando o confronto diplomático.

O principal sinal do exercício, portanto, não é a confirmação de uma guerra iminente, mas a disposição britânica de manter capacidade militar para defender o território que administra. Enquanto Londres insiste na autodeterminação dos habitantes das Malvinas, Buenos Aires mantém sua reivindicação de soberania. Sem uma solução diplomática aceita pelos dois lados, o arquipélago continuará sendo um dos pontos de tensão mais persistentes do Atlântico Sul.

Irã fica perto de esgotar petróleo disponível para exportação, mas resiste aos EUA

Sem conseguir escoar normalmente o petróleo pelo mercado internacional, os estoques armazenados em território iraniano estão aumentando. Eles já se aproximam de 70 milhões de barris, nível próximo aos máximos registrados durante a pandemia.

A consequência foi uma redução expressiva da produção. O Irã está extraindo aproximadamente 2 milhões de barris por dia, cerca da metade do nível registrado antes da guerra. Na prática, esse volume é suficiente principalmente para atender à demanda doméstica.

É justamente aí que está a estratégia americana: não é necessário destruir fisicamente a indústria petrolífera iraniana se Teerã tiver dificuldades para encontrar compradores, transportar sua produção e receber pelo produto.

Isso significa que uma parte importante desse petróleo que está esgotando permanece em navios, fora do Irã, mas também não significa que todo ele esteja navegando neste momento. O problema é que está ficando sem capacidade de transformar petróleo em exportação e receita.

Economia iraniana entra em situação crítica

O petróleo é fundamental para a obtenção de divisas pelo governo iraniano. Portanto, bloquear essa fonte de recursos produz efeitos que se espalham rapidamente pelo restante da economia.

Dados apontam que a economia iraniana encolheu a uma taxa anualizada de 10% entre março e junho. A inflação anual atingiu 90% no mês passado e registrou média de 73% ao longo do último ano.

Para a população comum, números como esses significam perda acelerada do poder de compra. O dinheiro recebido hoje pode comprar consideravelmente menos produtos pouco tempo depois, levando famílias a anteciparem compras de alimentos e outros itens básicos.

O próprio governo reconhece a gravidade do cenário. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, classificou a situação econômica como uma das mais graves da história do país.

Além da inflação, as restrições às importações atingem empresas que dependem de produtos, equipamentos e componentes estrangeiros. O resultado é uma combinação particularmente perigosa: fábricas fechando, desemprego aumentando e o governo recorrendo à emissão de moeda para financiar suas despesas, mecanismo que pode alimentar ainda mais a inflação.

Por que Teerã ainda não cede?

É aqui que surge o principal paradoxo da crise. Em condições normais, uma deterioração econômica dessa magnitude poderia obrigar um governo a negociar. No caso iraniano, entretanto, cinco décadas de convivência com diferentes níveis de sanções criaram mecanismos de sobrevivência econômica e política.

Teerã desenvolveu redes alternativas para movimentar dinheiro, comercializar produtos e reduzir sua dependência dos canais financeiros tradicionais. Ao mesmo tempo, o rígido aparato de segurança interno permite ao governo enfrentar manifestações e controlar movimentos de oposição.

Isso ajuda a explicar por que a pressão econômica, embora extremamente severa, ainda não se transformou automaticamente em concessões políticas.

Também existem suspeitas de que parte do petróleo iraniano continue chegando ao exterior por caminhos difíceis de rastrear. Entre as possibilidades levantadas por especialistas estão rotas terrestres em direção à Rússia e ao Cazaquistão, transporte pelo Mar Cáspio, transferências entre navios e até a reclassificação da origem do petróleo.

Esses mecanismos são difíceis de comprovar em tempo real. Portanto, devem ser tratados como hipóteses levantadas por especialistas, e não como fatos estabelecidos.

O Estreito de Ormuz virou parte central da disputa

A batalha econômica também possui uma dimensão estratégica muito maior.

O Estreito de Ormuz é uma das principais artérias energéticas do planeta. Grande parte do petróleo produzido por países do Golfo precisa atravessar essa estreita passagem marítima para alcançar os mercados internacionais.

O fluxo de petróleo de outros produtores da região voltou praticamente à normalidade, mas manter essa circulação tornou-se extremamente caro.

Os Estados Unidos precisam empregar recursos militares no bloqueio ao Irã e na proteção da navegação. Armadores, por sua vez, enfrentam custos muito maiores de seguro, combustível, tripulação e contratação de embarcações.

Um grande petroleiro do tipo VLCC, utilizado para transportar enormes quantidades de petróleo, estaria custando cerca de US$ 1,6 milhão por dia, aproximadamente 24 vezes o valor registrado em 2025, segundo dados da Clarksons citados pela reportagem.

Teerã pode estar apostando no relógio

A estratégia iraniana parece depender de uma questão fundamental: quem consegue suportar essa situação por mais tempo?

Os Estados Unidos possuem capacidade econômica e militar muito superior à iraniana. Entretanto, manter navios, operações de escolta, vigilância e bloqueio por um período prolongado também custa bilhões de dólares.

Para Teerã, portanto, sobreviver pode ser suficiente.

O governo iraniano pode calcular que não precisa derrotar militarmente os Estados Unidos nem recuperar imediatamente suas exportações. Precisa apenas resistir até que o custo financeiro e político da operação aumente suficientemente para que Washington considere alguma mudança de estratégia ou negociação.

É uma aposta extremamente arriscada.

A economia iraniana está sendo comprimida, a produção petrolífera caiu fortemente e uma das principais fontes de receita do Estado enfrenta obstáculos inéditos. Ao mesmo tempo, porém, décadas de sanções ensinaram Teerã a funcionar em condições que seriam insustentáveis para muitos outros países.

Por isso, o dado mais importante talvez não seja simplesmente que o petróleo disponível para exportação esteja perto do fim.

A verdadeira questão é quanto tempo o governo iraniano consegue continuar funcionando sem essa receita, e quanto tempo os Estados Unidos estão dispostos a pagar pelo esforço necessário para manter o cerco.

É justamente essa disputa de resistência que pode determinar o próximo capítulo da crise no Golfo.

Trump aprova lei de sanções máximas contra Rússia e Irã – A Lei Lindsey Graham

Os Estados Unidos deram um novo passo para aumentar a pressão econômica sobre Rússia e Irã. O Congresso americano aprovou a Lei Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026 (Congressional Bill H.R. 5334), e o presidente Donald Trump sancionou a legislação nesta sexta-feira, 18 de setembro, transformando o pacote em lei.

A medida recebeu o nome do senador republicano Lindsey Graham, que morreu em julho e havia liderado as negociações para aprovar o projeto. A proposta passou pelo Senado em agosto por 86 votos a 11 e posteriormente foi aprovada pela Câmara dos Representantes por 262 votos a 159.

Na prática, a nova lei amplia os instrumentos disponíveis para Washington pressionar a Rússia e também mantém por mais tempo determinadas sanções contra o Irã.

Rússia no centro da nova legislação

O principal alvo do pacote é Moscou. A legislação prevê sanções contra autoridades russas, oligarcas, familiares de pessoas atingidas pelas medidas, bancos e outras instituições financeiras, além de integrantes da chamada “frota fantasma”, formada por navios utilizados para transportar petróleo e contornar restrições internacionais.

Mas existe outro elemento que pode ter consequências internacionais mais amplas.

A lei autoriza o presidente dos Estados Unidos a aplicar tarifas de até 100% sobre determinados produtos importados de países que estejam entre os principais compradores de petróleo ou gás russos ou que contribuam para mecanismos destinados a driblar as sanções contra Moscou.

A lei também abrange compradores da Rússia 

A legislação estabelece limites para a aplicação dessas tarifas, incluindo os principais países compradores de energia russa.

Isso significa que a pressão americana não fica restrita à Rússia. Dependendo da forma como a Casa Branca utilizar esses poderes, empresas e governos que continuam negociando energia com Moscou também podem ser afetados.

A Rússia continua utilizando suas exportações de energia como uma das principais fontes de receita para sustentar sua economia e financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

Por isso, a estratégia americana procura atingir não apenas quem vende o petróleo, mas também parte da cadeia internacional que permite que esses produtos continuem chegando ao mercado.

Irã também entra no pacote

Embora a Rússia seja o principal foco da nova legislação, o Irã também aparece de forma importante.

O texto estende por mais cinco anos o Iran Sanctions Act, legislação criada em 1996 e que restringe atividades relacionadas aos setores de energia e armamentos iranianos. A extensão evita que essas restrições expirem no final de 2026.

Com isso, Washington mantém uma estrutura legal de longo prazo para aplicar sanções relacionadas ao programa energético e às atividades militares do Irã.

China e Índia podem estar entre os países mais afetados

Um dos pontos mais sensíveis da nova lei é o impacto potencial sobre grandes compradores de petróleo russo.

China e Índia estão entre os principais compradores de petróleo russo, segundo análises citadas pela imprensa americana. Por isso, a possibilidade de aplicação de tarifas contra grandes compradores torna a legislação relevante não apenas para Washington e Moscou, mas também para as relações dos Estados Unidos com importantes economias asiáticas.

A legislação, entretanto, não determina automaticamente que todos esses países sofrerão uma tarifa de 100%. Ela dá ao presidente autoridade para aplicar determinadas medidas, cabendo à administração decidir como e quando utilizar esses instrumentos dentro dos limites estabelecidos pela lei.

Ataque de drone no Egito eleva alerta sobre segurança das exportações de petróleo pelo Canal de Suez

Um ataque de drone danificou dois tanques de gás no porto de Damietta, no Egito, na quarta-feira (29), e reacendeu preocupações sobre a segurança do Canal de Suez e do oleoduto Sumed, rotas essenciais para o escoamento de petróleo saudita em meio à guerra no Irã.

Nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque, ocorrido em águas egípcias próximas ao Mediterrâneo, na região do Delta do Nilo. Embora não tenha atingido diretamente o canal, o incidente aumentou o receio de que a rota norte, usada cada vez mais por petroleiros sauditas, possa ficar sob ameaça.

Desde o início do conflito, Irã e seus aliados Houthis têm atacado navios no Estreito de Ormuz e no Bab el-Mandeb. A Arábia Saudita desviou grande parte de seu petróleo para o Mar Vermelho e o terminal de Yanbu. Ameaças Houthis recentes reduziram o tráfego ao sul, empurrando mais cargas para o norte, em direção ao Suez e ao oleoduto Sumed (que liga o Mar Vermelho ao porto de Sidi Kerir, no Mediterrâneo).

Os carregamentos via Sumed subiram de 19,52 milhões de barris em abril para 28,79 milhões em julho. Cerca de 30 navios se concentram perto de Port Said, no extremo mediterrâneo do canal. Analistas alertam que uma interrupção nessa rota poderia afetar até 5 milhões de barris por dia de petróleo que atualmente contornam Ormuz. Para clientes asiáticos, o desvio pelo Suez mais que dobra o tempo de viagem.

specialistas apontam risco de alta nos prêmios de seguro de guerra e reavaliação da segurança por empresas de navegação nos portos mediterrâneos egípcios. O mercado, porém, ainda não precifica uma disrupção imediata no canal: os preços do petróleo caíram na quinta-feira, reagindo a conversas entre Irã e Omã sobre Hormuz. Autoridades egípcias e especialistas locais reforçam que o canal está fortemente protegido.

URGENTE!! Ucrânia DERRUBA 2% do mercado global de petróleo após ataques direcionados ao porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro

O porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro, suspendeu temporariamente as exportações de petróleo, equivalentes a 2,2 milhões de barris por dia, ou 2% da oferta global, na sexta-feira, segundo fontes da indústria, após o que as autoridades locais descreveram como um ataque de drone ucraniano.

O ataque, um dos maiores contra a infraestrutura russa de exportação de petróleo nos últimos meses, ocorre depois que a Ucrânia intensificou, em agosto, os ataques a refinarias de petróleo russas, numa tentativa de prejudicar a capacidade de Moscou de financiar sua guerra.

Os preços globais do petróleo subiram mais de 2% devido a temores relacionados à oferta após o ataque.

Ataques aéreos e marítimos de longo alcance realizados por drones ucranianos têm interrompido repetidamente a infraestrutura petrolífera russa este ano, visando portos nos mares Báltico e Negro, um importante sistema de oleodutos e diversas refinarias de petróleo.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy afirmou na sexta-feira que Kiev também lançou mísseis de cruzeiro de longo alcance “Long Neptune” contra alvos na Rússia durante a noite, acrescentando que esses ataques estão se tornando cada vez mais eficazes.

Ele não mencionou nenhum alvo específico. Transneft, o monopólio russo do petróleo por oleoduto. A empresa também foi obrigada a suspender o fornecimento de produtos ao porto de Novorossiysk, disseram as fontes à Reuters. A empresa se recusou a comentar.

Ucrânia confirma ataque a terminal petrolífero da Crimeia enquanto incêndio de três dias continua

Um terminal de petróleo em Feodosia, na Crimeia sob ocupação temporária, está em chamas há três dias após um ataque conduzido pelas Forças Armadas da Ucrânia, conforme relatado pelo canal do Telegram Krymsky Veter (Vento da Crimeia).

“Hoje, às 01h40, marcou o terceiro dia desde o ataque das Forças Armadas Ucranianas, que causou um incêndio no depósito de petróleo”, informou o canal, com base em imagens de satélite.

O fogo no Terminal Marítimo de Petróleo se alastrou para um novo tanque de combustível, segundo informações. O incêndio teve início após um ataque com drones ucranianos na madrugada de 6 de outubro.

A fumaça gerada pelo incêndio está sendo levada pelo vento a dezenas de quilômetros, impactando os residentes locais. Na noite anterior, a nuvem de fumaça se estendia por 26 quilômetros em direção ao oeste, conforme relatado pelo Krymsky Veter.

O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia confirmou, em 6 de outubro, que realizou um ataque ao complexo de armazenamento e transbordo de petróleo em Feodosia.

As autoridades russas de ocupação na Crimeia não comentaram o incidente, mantendo silêncio oficial. As “autoridades” de ocupação e a mídia controlada na região teriam sido orientadas a ocultar informações sobre o ataque ao terminal de petróleo e eventos similares até 8 de outubro.

Xi Jinping impulsiona uma nova ordem global, apoiado pela Rússia e Índia

O presidente chinês, Xi Jinping, apresentou nesta segunda-feira sua visão para uma nova ordem econômica e de segurança global que priorize o “Sul Global”, em um desafio direto aos Estados Unidos, durante uma cúpula que incluiu os líderes da Rússia e da Índia.

“Devemos continuar a tomar uma posição clara contra o hegemonismo e a política de poder, e praticar o verdadeiro multilateralismo”, disse Xi, em uma crítica velada aos Estados Unidos e às políticas tarifárias do presidente Donald Trump.

O Sul Global refere-se a países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos, principalmente localizados no hemisfério sul, como na África, América Latina, Ásia e Oceania. Esses países compartilham desafios econômicos, sociais e políticos, como pobreza, desigualdade e menor influência global.

Xi estava recebendo mais de 20 líderes de países não ocidentais em uma cúpula na cidade portuária chinesa de Tianjin para a Organização de Cooperação de Xangai, uma iniciativa apoiada pela China que ganhou novo ímpeto com a presença do presidente russo Vladimir Putin e do primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

Em uma imagem criada para transmitir um clima de solidariedade, Putin e Modi foram mostrados de mãos dadas enquanto caminhavam alegremente em direção a Xi antes da abertura da cúpula.

Os três homens estavam ombro a ombro, rindo e cercados por intérpretes.”É difícil dizer se a cena foi coreografada ou improvisada, mas isso realmente não importa”, escreveu Eric Olander, editor-chefe do The China-Global South Project, uma agência de pesquisa.

“Se o presidente dos EUA e seus acólitos pensaram que poderiam usar tarifas para pressionar a China, a Índia ou a Rússia a se submeterem, esse (encontro) diz o contrário.”

Após a cúpula, Modi dividiu uma carona com Putin na limusine blindada Aurus do líder russo a caminho da reunião bilateral.

“As conversas com ele são sempre esclarecedoras”, escreveu Modi no X. Na reunião bilateral, Putin se dirigiu a Modi em russo como “Caro Sr. Primeiro-Ministro, caro amigo”.

China e Índia são os maiores compradores de petróleo bruto da Rússia, o segundo maior exportador mundial. Trump impôs tarifas adicionais à Índia sobre as compras, mas não à China.

Pouco conhecida fora da região, a OCS, com sede em Pequim, foi formada há mais de duas décadas como um bloco de segurança regional. China, Rússia e quatro Estados da Ásia Central são membros fundadores. A Índia aderiu em 2017.

Xi não estabeleceu nenhuma medida concreta no que chamou de “Iniciativa de Governança Global” — a mais recente de uma série de estruturas políticas de Pequim voltadas para promover a liderança da China e desafiar as organizações internacionais dominadas pelos EUA que tomaram forma após a Segunda Guerra Mundial.

Putin , cujo país estreitou laços econômicos e de segurança com a China em meio às consequências da guerra na Ucrânia, disse que a OCS havia revivido o “multilateralismo genuíno”, com moedas nacionais cada vez mais usadas em acordos mútuos.

“Isso, por sua vez, estabelece as bases políticas e socioeconômicas para a formação de um novo sistema de estabilidade e segurança na Eurásia”, disse Putin.

Xi pediu a criação de um novo banco de desenvolvimento da OCS, o que seria um grande passo em direção à antiga aspiração do bloco de desenvolver um sistema de pagamento alternativo que contorne o dólar americano e o poder das sanções dos EUA.

Pequim fornecerá 2 bilhões de yuans (US$ 280 milhões) em ajuda gratuita aos estados-membros este ano e mais 10 bilhões de yuans em empréstimos a um consórcio bancário da OCS.

A China também construirá um centro de cooperação em inteligência artificial para as nações da OCS, que também estão convidadas a participar da estação de pesquisa lunar da China, acrescentou Xi.

Pequim aproveitou a cúpula como uma oportunidade para estreitar laços com Nova Déli. Modi, que visita a China pela primeira vez em sete anos, e Xi concordaram no domingo que seus países são parceiros de desenvolvimento, não rivais, e discutiram maneiras de aprimorar o comércio.

Separadamente, Xi presidirá um grande desfile militar na quarta-feira em Pequim, onde deverá ser acompanhado por Putin e pelo líder norte-coreano Kim Jong Un .

O desfile, para celebrar o 80º aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, apresentará a mais recente tecnologia militar da China em uma demonstração de força que, segundo analistas, terá como objetivo intimidar e dissuadir potenciais rivais.

Trump ordena término de acordo de petróleo de Joe Biden com a Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira, 26 de fevereiro, a reversão das concessões feitas à Venezuela em um acordo de transação de petróleo por seu antecessor Joe Biden.

Trump, em uma publicação no Truth Social, disse que ordenou que o acordo datado de 26 de novembro de 2022 seja rescindido “a partir da opção de renovação em 1º de março”.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e seu governo sempre rejeitaram as sanções dos Estados Unidos e de outros países, dizendo que são medidas ilegítimas que equivalem a uma “guerra econômica” projetada para prejudicar a Venezuela.

Maduro e seus aliados comemoraram o que dizem ser a resiliência do país apesar das medidas, embora historicamente tenham atribuído algumas dificuldades econômicas e escassez às sanções.

Drones ucranianos atingem grande oleoduto no sul da Rússia, interrompendo o fornecimento de petróleo

Drones ucranianos atingiram uma importante estação de bombeamento em um grande oleoduto internacional no sul da Rússia, interrompendo o fornecimento de petróleo do Cazaquistão, informou a operadora do oleoduto nesta segunda-feira.

No último ataque durante a noite, sete drones carregados de explosivos atingiram uma estação de bombeamento do Consórcio de Oleodutos do Cáspio (CPC), que transporta petróleo cazaque pelo sul da Rússia para exportação pelo Mar Negro, incluindo para a Europa Ocidental.

“O transporte de petróleo pelo sistema de oleoduto Tengiz-Novorossiysk está sendo realizado com níveis de bombeamento reduzidos”, disse a empresa nas redes sociais.

O oleoduto de 1.500 quilômetros (930 milhas) é operado por um consórcio que inclui os governos russo e cazaque, bem como as grandes empresas de energia ocidentais Chevron, ExxonMobil e Shell. Em 2024, o oleoduto carregou mais de 63 milhões de toneladas de petróleo em navios-tanque em seu terminal no porto de Novorossiysk, no sul da Rússia, disse a empresa.