Ataques no Oriente Médio colocam lesão cerebral traumática no centro da preocupação com militares americanos

Os recentes ataques iranianos contra instalações militares usadas por forças dos Estados Unidos na Jordânia voltaram a chamar atenção para um tipo de ferimento que nem sempre aparece imediatamente após uma explosão: a Lesão Cerebral Traumática (LCT).

Segundo informações divulgadas sobre os ataques, militares americanos na Jordânia foram expostos a explosões e ondas de choque provocadas por mísseis e drones.

Em episódios anteriores na região, militares chegaram a ser encaminhados para avaliação por suspeita de LCT, inclusive na Base Aérea Muwaffaq Salti, em Azraq.

Documentos militares americanos também registram casos de soldados transferidos para atendimento após apresentarem sinais e sintomas compatíveis com o diagnóstico.

O que é uma lesão cerebral traumática?

De forma simples, a LCT acontece quando um golpe, impacto, explosão ou onda de pressão altera o funcionamento normal do cérebro. Ela pode variar desde uma concussão, considerada uma forma leve, até lesões graves, com perda prolongada de consciência, sangramento ou danos estruturais ao cérebro.

Em uma guerra, entretanto, o problema pode ser diferente de um acidente convencional. O militar não precisa necessariamente ser atingido diretamente por um fragmento. A própria onda de pressão de uma explosão pode provocar alterações no cérebro, especialmente quando a pessoa está próxima do ponto de impacto ou dentro de uma estrutura atingida.

Por isso, ataques com mísseis, drones e outras armas explosivas são uma preocupação importante para a saúde neurológica dos militares. O Departamento de Guerra americano considera a exposição a explosões um fator relevante de risco.

Por que o diagnóstico pode ser difícil?

Um dos principais problemas é que a lesão nem sempre aparece imediatamente.

Depois de uma explosão, um militar pode apresentar sinais e sintomas como dor de cabeça, tontura, confusão, náusea, alterações de visão, dificuldade de concentração ou problemas de memória. Em alguns casos, os sintomas são inicialmente discretos e podem ser confundidos com cansaço, estresse ou efeitos psicológicos do combate.

Além disso, uma tomografia ou outro exame de imagem pode não mostrar alterações estruturais mesmo quando existe uma concussão ou outro tipo de LCT. Por isso, o diagnóstico depende também da avaliação clínica e neurológica.

As Forças Armadas americanas utilizam protocolos específicos para avaliar militares depois de eventos potencialmente causadores de concussão, incluindo o manual MACE2 (Avaliação de Concussão Aguda Militar do inglês Military Acute Concussion Evaluation), atualizado neste ano (2026).

Como os militares são tratados?

Nos centros médicos militares, o tratamento depende da gravidade do caso. Lesões leves normalmente exigem observação, controle dos sintomas e retorno gradual às atividades. Casos mais graves podem exigir neurologistas, neurocirurgiões, exames de imagem, cuidados intensivos e posteriormente fisioterapia e reabilitação.

O protocolo MACE2 trabalha com equipes multidisciplinares que podem envolver neurologia, oftalmologia, fisioterapia, psicologia, psiquiatria, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

No caso de militares feridos em bases da Jordânia, existe ainda a possibilidade de evacuação médica para outras instalações da região ou para hospitais militares especializados, dependendo da gravidade do ferimento.

O problema pode continuar depois que o soldado deixa o campo de batalha

A preocupação não termina quando o militar deixa a área de combate. Algumas pessoas se recuperam rapidamente, enquanto outras podem permanecer com dores de cabeça, alterações de memória, problemas de concentração, distúrbios do sono ou alterações emocionais.

Dados recentes sobre militares americanos feridos durante a guerra contra o Irã indicam que traumas na cabeça estão entre os tipos de ferimento mais incidentes, embora os dados públicos não permitam atribuir todos os casos diretamente a lesões cerebrais traumáticas.

Segundo dados públicos disponíveis, o Pentágono passou a ampliar o acompanhamento dos efeitos da exposição às ondas de pressão das explosões.

Um relatório recente do Government Accountability Office (GAO) alertou que o Departamento de Guerra ainda precisa avaliar adequadamente os recursos necessários para monitorar e tratar esses efeitos a longo prazo.

Diante do exposto, em uma guerra de mísseis e drones, nem todo ferimento é visível. Um militar pode sair de uma explosão aparentemente sem grandes lesões externas e, ainda assim, ter sofrido uma alteração significativa no funcionamento cerebral.

É justamente por isso que a avaliação neurológica após ataques desse tipo se tornou uma preocupação cada vez maior para os centros médicos militares americanos.

Egito diz que palestinos não devem deixar Gaza, após anúncio de Donald Trump

Os palestinos não deveriam deixar Gaza enquanto ela está sendo reconstruída, disse o ministro das Relações Exteriores egípcio, Badr Abdelatty, ao primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Mohammad Mostafa, na quarta-feira.

As autoridades se reuniram horas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou planos de “tomar” Gaza, em comentários que foram recebidos com críticas generalizadas de políticos palestinos e estados árabes.

“Em relação à situação humanitária em Gaza, a reunião enfatizou a importância de avançar com projetos e programas de recuperação antecipada, removendo escombros e entregando ajuda humanitária em um ritmo acelerado, sem que os palestinos deixem a Faixa de Gaza, especialmente devido ao seu apego à sua terra e sua recusa em deixá-la”, disse o Ministério das Relações Exteriores do Egito.

Trump disse aos repórteres na terça-feira que “todos (com quem ele) falou adoram a ideia dos Estados Unidos possuírem aquele pedaço de terra”, referindo-se a Gaza, e disse que esperava que a Jordânia e o Egito acolhessem os palestinos que seriam forçados a sair do enclave.

As nações árabes há muito rejeitam qualquer deslocamento forçado de palestinos de Gaza e pedem uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino.

Tensão! Jordânia fecha a passagem de fronteira para a Síria

AMÃ (Reuters) – A Jordânia fechou sua única passagem de fronteira comercial e de passageiros para a Síria, informou o Ministério do Interior na sexta-feira.

Uma fonte do exército sírio disse à Reuters que grupos armados estavam atirando na passagem de fronteira de Nassib, na Síria, com a Jordânia.

“Grupos armados que se infiltraram na travessia atacaram postos do exército sírio estacionados lá”, acrescentou a fonte. Ele disse que dezenas de trailers e passageiros estavam presos perto da área.

O ministro do Interior da Jordânia disse que jordanianos e caminhões jordanianos teriam permissão para retornar pela travessia, conhecida como travessia de Jaber no lado jordaniano, enquanto ninguém teria permissão para entrar na Síria.