Israel fecha Cisjordânia após ataque terrorista palestino – Netanyahu alerta possibilidade de ofensiva militar

Israel intensificou as medidas de segurança na Cisjordânia após um ataque a tiros atribuído a dois palestinos que matou dois soldados israelenses e deixou outros três feridos, nas proximidades de Hebron. O episódio levou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a ameaçar uma ampla operação militar na região, incluindo buscas em residências, apreensão de armas e destruição de estruturas ligadas a grupos armados.

O caso aumenta a tensão em um dos territórios mais sensíveis do conflito israelense-palestino. Além das possíveis consequências militares, as medidas anunciadas podem afetar a circulação de civis palestinos, aprofundar o confronto com grupos armados e provocar novas críticas internacionais à atuação de Israel na região.

O que aconteceu perto de Hebron?

O ataque ocorreu em 23 de outubro, nas proximidades de Hebron, no sul da Cisjordânia. Segundo as Forças de Defesa de Israel, dois homens palestinos abriram fogo contra militares em um ponto de controle. Os dois soldados israelenses morreram, outros três ficaram feridos e os suspeitos foram mortos pelas forças israelenses durante o confronto.

As autoridades israelenses afirmaram que encontraram uma quantidade significativa de armas e munições no veículo utilizado pelos atacantes. Segundo a avaliação militar, o material indicaria a possibilidade de uma ação de maior escala contra civis. Essa interpretação foi apresentada por Israel, mas não deve ser confundida com uma comprovação independente de todos os objetivos planejados pelos suspeitos.

O Hamas elogiou o ataque, mas não assumiu formalmente a responsabilidade pela ação, de acordo com as informações divulgadas pela imprensa internacional.

Netanyahu ordena bloqueio e prepara ofensiva

Após o ataque, Netanyahu determinou o fechamento imediato de Hebron e ordenou que as forças de segurança se preparassem para um bloqueio mais amplo da Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967. O governo também anunciou operações antiterroristas e buscas na região.

O primeiro-ministro afirmou que o Exército entraria nos bairros de onde os suspeitos teriam saído, retiraria moradores, realizaria buscas de casa em casa, apreenderia armas e destruiria estruturas que Israel considera ligadas a atividades terroristas. A possibilidade de ampliar a ofensiva para outras áreas da Cisjordânia também foi mencionada.

Na prática, um bloqueio dessa natureza pode significar estradas interditadas, postos de controle adicionais e restrições ao deslocamento entre cidades e vilarejos palestinos. Isso afeta não apenas suspeitos de envolvimento em atividades armadas, mas também trabalhadores, estudantes, pacientes e famílias que dependem dessas rotas para suas atividades cotidianas.

Embora Israel tenha anunciado a preparação para um fechamento abrangente, a extensão e a duração efetivas das restrições precisam ser distinguidas das ordens inicialmente divulgadas.

Por que a Cisjordânia é estratégica?

A Cisjordânia fica a oeste do rio Jordão e faz fronteira com Israel. É um território central para as aspirações nacionais palestinas e abriga cidades importantes, como Hebron, Ramallah, Nablus e Jenin.

Israel mantém presença militar no território e controla importantes pontos de acesso e circulação. A região também possui assentamentos israelenses que são considerados ilegais pela maior parte da comunidade internacional, posição contestada pelo governo israelense.

O território é administrado parcialmente pela Autoridade Palestina, rival do Hamas. Por isso, operações israelenses na Cisjordânia não envolvem apenas a relação entre Israel e o Hamas: elas também afetam a população palestina, as instituições locais e a estabilidade política da região.

O risco de uma escalada militar

A resposta anunciada por Netanyahu lembra operações anteriores realizadas por Israel em áreas palestinas, incluindo incursões em campos de refugiados no norte da Cisjordânia em 2025. Naquelas operações, dezenas de milhares de pessoas foram deslocadas, segundo informações citadas pela imprensa internacional e por organismos de direitos humanos.

A possibilidade de novas remoções de moradores e demolições de imóveis eleva a preocupação com as consequências humanitárias. A Reuters informou que máquinas israelenses começaram a demolir casas nas proximidades do local do ataque após as declarações de Netanyahu. Moradores afirmaram que os imóveis não tinham ligação com os suspeitos. Essa alegação dos residentes não equivale, por si só, a uma conclusão independente sobre cada propriedade.

O contexto político também importa, isso porque Israel se prepara para eleições legislativas em 27 de outubro de 2026, e a segurança nacional ocupa lugar central no debate político. A proximidade da votação aumenta a relevância política da resposta do governo, embora não seja suficiente, isoladamente, para estabelecer as motivações da decisão militar.

Os próximos desdobramentos dependerão da dimensão das operações israelenses, da duração dos bloqueios e da possibilidade de novos confrontos. Uma ofensiva mais ampla pode aumentar a pressão sobre grupos armados, mas também ampliar alguma vulnerabilidade para a população civil e causar um novo ciclo de operações militares.

O ponto central é que o ataque que matou dois soldados israelenses desencadeou uma resposta que pode ultrapassar os limites de uma operação localizada em Hebron. Se as restrições forem estendidas a toda a Cisjordânia e acompanhadas por incursões prolongadas, a crise poderá assumir uma dimensão militar e humanitária ainda maior.

Israel envia dezenas de caças até a fronteira do Irã em demonstração de força que pode reacender a guerra

aviação israelense realizou uma missão de longo alcance até as proximidades da fronteira iraniana, em uma operação que, segundo autoridades citadas pela imprensa americana, buscava demonstrar capacidade militar e dissuadir Teerã. O episódio, porém, levantou uma preocupação adicional: a possibilidade de um erro de cálculo provocar uma nova escalada militar no Oriente Médio.

Caças israelenses seguiram uma rota compatível com um ataque
Segundo reportagem publicada pelo Axios em 21 de outubro, dezenas de caças da Força Aérea de Israel, acompanhados por aeronaves de reabastecimento em voo, participaram da missão na segunda-feira, 19 de outubro.

O deslocamento percorreu mais de 800 milhas — aproximadamente 1.300 quilômetros — e atravessou os espaços aéreos da Síria e do Iraque, seguindo uma rota semelhante à que poderia ser utilizada em uma operação contra alvos iranianos.

As aeronaves se aproximaram da fronteira do Irã, mas deram meia-volta antes de entrar em território iraniano e retornaram a Israel. Não há, nessa reportagem, confirmação de que a missão tenha envolvido ataques ou disparos contra alvos iranianos.

A diferença entre um exercício e uma operação de combate, nesse caso, está também na mensagem transmitida. Ao demonstrar que consegue deslocar um grande número de aeronaves a longa distância, Israel sinaliza que mantém capacidade para executar missões complexas contra um adversário geograficamente distante.

O que Israel pretendia demonstrar a Teerã?

De acordo com as autoridades israelenses e americanas ouvidas pelo Axios, Israel informou Washington antecipadamente sobre a missão e apresentou o deslocamento como um exercício de treinamento e uma demonstração de força militar.

O objetivo declarado seria desencorajar o Irã de realizar novos ataques contra Israel, especialmente em um momento de elevada tensão regional.

Esse tipo de operação é conhecido no meio militar como projeção de poder. Em termos simples, significa demonstrar que um país tem capacidade de empregar suas forças militares longe de suas próprias fronteiras, inclusive contra alvos protegidos por sistemas de defesa adversários.

A presença de aeronaves de reabastecimento é particularmente importante. Elas permitem que caças permaneçam mais tempo no ar e percorram distâncias maiores sem precisar retornar à base para abastecer.

Entretanto, a missão também teria sido detectável pelas defesas aéreas iranianas. Segundo fontes americanas citadas pelo Axios, alguns integrantes do governo dos Estados Unidos suspeitaram que Israel pudesse estar interessado em provocar uma reação iraniana que servisse de justificativa para novos ataques.

Essa hipótese, contudo, representa a avaliação atribuída a algumas fontes, e não uma intenção israelense comprovada. Outras autoridades descreveram a operação como uma demonstração de força destinada à dissuasão.

O maior risco é um erro de cálculo militar

Em uma região marcada por confrontos recentes e ameaças recíprocas, até mesmo uma missão apresentada como exercício pode ser interpretada pelo adversário como preparação para um ataque iminente.

Se os comandantes iranianos concluírem que uma ofensiva está prestes a começar, poderão considerar medidas preventivas. Da mesma forma, uma reação iraniana contra aeronaves israelenses poderia ser interpretada por Israel como uma ameaça que exige resposta militar.

É nesse cenário que surge o risco de uma escalada involuntária: uma sequência de decisões tomadas em resposta às ações do outro lado pode transformar uma demonstração de força em um confronto real.

O ponto central é que a proximidade das aeronaves não comprova, por si só, que Israel tenha decidido iniciar uma nova ofensiva. Mas demonstra como as operações militares podem aumentar a pressão sobre os dois lados, principalmente quando há pouca confiança e negociações diplomáticas limitadas.

A missão ocorreu em meio a tensões políticas em Israel

A operação também chamou a atenção por ter ocorrido uma semana antes das eleições parlamentares israelenses, previstas para 27 de outubro.

No mesmo dia, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, encontrou-se com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na base aérea de Ovda, no sul de Israel. Segundo as fontes ouvidas pelo Axios, entretanto, a missão aérea não estava relacionada à visita americana.

O contexto político é relevante porque uma nova guerra poderia afetar diretamente o calendário eleitoral. Segundo a reportagem, o chefe do Estado-Maior israelense, general Eyal Zamir, havia alertado o principal comandante militar americano, general Dan Caine, de que a retomada dos combates naquele período poderia levar ao adiamento das eleições, diante da provável retaliação iraniana.

Ainda de acordo com o Axios, Netanyahu havia discutido anteriormente com o presidente americano Donald Trump a possibilidade de uma nova grande operação contra o Irã, em meio a preocupações israelenses sobre a retomada do programa nuclear iraniano. Trump teria inicialmente demonstrado disposição para considerar a proposta, mas acabou recuando.

Esses relatos indicam que a possibilidade de novos ataques estava em discussão, mas não comprovam que uma decisão de iniciar outra ofensiva tenha sido tomada.

Netanyahu endurece o discurso contra o programa nuclear iraniano

Em 21 de outubro, Netanyahu voltou a acusar a liderança iraniana de permitir avanços na direção da construção de uma arma nuclear. O primeiro-ministro também afirmou que seu governo havia orientado as Forças de Defesa de Israel, o Mossad e os órgãos de segurança a trabalhar para derrubar o regime iraniano.

As declarações elevam o tom do confronto político entre os dois países. Israel considera o programa nuclear iraniano uma ameaça estratégica, enquanto Teerã sustenta que suas atividades nucleares têm finalidade pacífica.

É importante distinguir as acusações políticas das evidências verificadas: as declarações de Netanyahu expressam a posição do governo israelense, mas, isoladamente, não comprovam que o Irã tenha decidido construir uma arma nuclear.

O que pode acontecer agora?

Israel continua demonstrando capacidade de realizar operações de longo alcance e mantendo pressão militar sobre o Irã.

Os próximos acontecimentos dependerão de fatores como as decisões dos governos israelense e americano, a reação de Teerã e a evolução das tensões em torno do programa nuclear iraniano.

Há também um componente político importante: uma escalada militar às vésperas das eleições israelenses poderia alterar as prioridades do governo e aumentar a pressão sobre seus aliados.

O principal alerta é que uma demonstração de força pode funcionar como instrumento de dissuasão, mas também pode produzir o efeito contrário se for interpretada como o início de uma ofensiva. No Oriente Médio, onde as forças militares permanecem em estado de alerta e os dois lados desconfiam das intenções um do outro, essa diferença pode determinar se uma operação termina como exercício ou se transforma no início de um novo confronto.

3 anos após o 7 de Outubro, Israel ainda enfrenta as consequências do ataque que mudou o Oriente Médio

Três anos depois do ataque que abalou Israel em 7 de outubro de 2023, o país voltou nesta quarta-feira a um dos capítulos mais traumáticos de sua história. Em comunidades próximas à Faixa de Gaza, famílias das vítimas, sobreviventes e antigos moradores participaram de cerimônias em memória daqueles mortos durante a ofensiva liderada pelo Hamas.

O ataque deixou cerca de 1.200 mortos em Israel e terminou com 251 pessoas levadas como reféns para Gaza. Entre os locais mais marcados pela violência está o festival Nova, onde centenas de jovens foram mortos durante a incursão. Para os israelenses, aquela manhã não representa apenas uma tragédia do passado, mas o momento em que a percepção de segurança do país foi profundamente alterada.

A resposta israelense veio em escala inédita. O governo declarou que a destruição da estrutura militar e política do Hamas e a eliminação da ameaça representada pelo grupo seriam objetivos centrais da campanha. O conflito posteriormente transformou Gaza em um dos principais focos de instabilidade do Oriente Médio.

O ponto de partida foi o ataque do Hamas

A sequência dos acontecimentos é fundamental para compreender a guerra.

Em 7 de outubro de 2023, combatentes liderados pelo Hamas atravessaram a fronteira, atacaram comunidades israelenses e instalações militares e sequestraram centenas de pessoas. Foi o dia mais letal da história de Israel desde a fundação do Estado.

Para Israel, portanto, a guerra não começou com os bombardeios sobre Gaza. Ela começou com uma operação armada planejada pelo Hamas contra território israelense, que matou civis, provocou uma crise nacional de segurança e levou o governo a concluir que manter o status quo permitiria a repetição de um ataque semelhante.

A partir daí, Israel passou a conduzir uma campanha militar destinada a impedir que o Hamas mantivesse capacidade para realizar outro 7 de Outubro.

A guerra mudou Gaza, e também Israel

A ofensiva israelense teve consequências devastadoras para Gaza. Segundo autoridades de saúde do território até então controlado pelos terroristas, mais de 74 mil palestinos morreram desde o início da guerra.

A maior parte da população foi deslocada e extensas áreas urbanas foram destruídas. Esses números, porém, são divulgados pelas autoridades de saúde de Gaza e não significam que todas as vítimas tenham sido combatentes do Hamas.

Para Israel, entretanto, o custo da guerra também foi enorme.

Comunidades inteiras próximas à fronteira foram esvaziadas. Muitos sobreviventes do ataque continuam carregando traumas psicológicos, enquanto famílias das vítimas cobram respostas sobre como uma operação dessa magnitude conseguiu ocorrer.

A lembrança do ataque permanece, portanto, diretamente ligada à discussão sobre a segurança futura de Israel.

O Hamas conseguiu provocar uma guerra que ultrapassou Gaza

Um dos aspectos mais importantes do 7 de Outubro foi que suas consequências não ficaram restritas ao território israelense e à Faixa de Gaza.

O conflito alterou o equilíbrio de forças no Oriente Médio, aumentou a tensão entre Israel e grupos apoiados pelo Irã e colocou novamente a segurança regional no centro da política internacional.

Do ponto de vista israelense, o ataque demonstrou que uma organização armada instalada junto à fronteira poderia transformar rapidamente uma ameaça localizada em uma crise nacional.

Essa percepção passou a sustentar uma conclusão dentro de Israel: simplesmente retornar à situação existente antes de outubro de 2023 não seria suficiente.

Três anos depois, Israel ainda discute quem falhou

O aniversário do ataque também se transformou em um momento de cobrança política. Embora o governo de Benjamin Netanyahu defenda sua condução da guerra e afirme que Israel continuará impedindo que o Hamas volte a representar uma ameaça, vítimas e familiares pressionam por uma investigação independente sobre as falhas de inteligência e segurança que permitiram a invasão.

Manifestantes se reuniram em Jerusalém para cobrar responsabilidades, enquanto o país se aproxima de uma nova eleição. O episódio tornou-se, assim, não apenas uma questão militar, mas também um dos principais fatores da disputa política israelense.

Netanyahu afirmou que Israel continuará sua missão contra os responsáveis pelo ataque. Ao mesmo tempo, pesquisas e manifestações mostram que uma parcela significativa da sociedade israelense deseja respostas sobre como o país foi surpreendido daquela maneira.

O legado do 7 de Outubro

Três anos depois, uma conclusão permanece incontornável: o ataque do Hamas modificou radicalmente a relação de Israel com sua própria segurança.

A estratégia israelense passou a ser marcada pela ideia de que grupos armados nas proximidades de suas fronteiras não podem adquirir capacidade suficiente para repetir uma operação semelhante.

Isso ajuda a explicar por que Israel adotou uma resposta militar tão prolongada e por que o governo considera a eliminação da ameaça do Hamas uma questão existencial.

Ao mesmo tempo, a dimensão da destruição em Gaza mostra o enorme preço humano de uma guerra iniciada após o ataque de 7 de outubro. A tragédia palestina não apaga a responsabilidade pelo ataque que desencadeou o conflito, assim como a existência do Hamas não transforma todos os habitantes de Gaza em responsáveis por suas ações.

Três anos depois, Israel permanece diante de uma escolha difícil: garantir que o 7 de Outubro jamais se repita, sem permitir que a guerra produza uma nova geração de ameaças ainda mais difíceis de conter.

Para os israelenses que voltaram nesta quarta-feira aos locais dos massacres, porém, a discussão começa em um ponto específico e impossível de ignorar: 7 de outubro de 2023.

Foi naquele dia que 1.200 pessoas foram mortas, 251 foram sequestradas e a arquitetura de segurança do Oriente Médio começou a mudar.

Israel recebeu lista do voo da Flydubai 48 horas antes, mas copiloto terrorista de Omã não foi barrado

O caso do voo FZ1073 da Flydubai ganhou uma nova dimensão depois que informações divulgadas neste domingo indicaram que as autoridades israelenses receberam antecipadamente os dados dos passageiros e da tripulação da aeronave, incluindo informações sobre a nacionalidade dos pilotos.

O voo partiu de Dubai com destino a Tel Aviv em 30 de setembro, levando dezenas de passageiros, em sua maioria israelenses. Durante a viagem, o copiloto, identificado por fontes como Hamam al-Hammami, teria atacado o comandante indiano Smit Machchhar dentro da cabine e tentado assumir o controle da aeronave. O avião chegou a perder milhares de metros de altitude antes que passageiros e tripulantes conseguissem conter o agressor.

A aeronave acabou sendo desviada para Tabuk, na Arábia Saudita, onde realizou um pouso de emergência. O episódio poderia ter terminado em uma catástrofe, mas a reação do comandante ferido, de tripulantes e de passageiros impediu que o copiloto permanecesse no controle da aeronave.

O que agora provoca questionamentos em Israel é o que aconteceu antes da decolagem.

Israel recebeu previamente a relação de passageiros e tripulantes do voo. Os dados incluíam a nacionalidade dos membros da tripulação. Mesmo assim, o copiloto, que possuía cidadania de Omã, não teria sido identificado como uma ameaça antes de embarcar para um voo com destino a Israel.

Essa informação é particularmente relevante porque Omã não mantém relações diplomáticas com Israel. Por isso, a presença de um cidadão omanense na cabine de um avião transportando passageiros para Tel Aviv passou a ser uma das questões analisadas pelas autoridades.

Mas existe uma diferença importante entre ter os dados de uma pessoa e ter informações de inteligência que indiquem que ela representa uma ameaça. Receber uma lista de passageiros e tripulantes não significa automaticamente que cada nome será associado a um alerta de segurança. A questão que está sendo investigada é se os mecanismos israelenses de análise deveriam ter identificado o copiloto antes do voo.

Histórico de risco de segurança

Fontes de inteligência e segurança ouvidas por veículos americanos afirmaram que al-Hammami havia trabalhado anteriormente na Oman Air e teria sido afastado das atividades de voo depois de ser identificado como possível risco de segurança.

Segundo essas fontes, ele teria sido encontrado em posse de material considerado extremista e posteriormente deixado a companhia.

A investigação agora tenta entender como uma pessoa que já havia despertado preocupação em seu país de origem conseguiu posteriormente trabalhar como copiloto da Flydubai e participar de um voo internacional com destino a Israel.

Ainda não está definitivamente estabelecido qual era a motivação do ataque. Autoridades dos Emirados Árabes Unidos classificaram o episódio como uma tentativa de ataque terrorista, mas investigadores continuam analisando o comportamento do copiloto, seu histórico e possíveis conexões com outras pessoas ou organizações.

Também permanece em investigação exatamente como funcionou a cadeia de verificação de segurança antes do voo.

Informações divulgadas em Israel indicam que os dados de passageiros e tripulantes podem ser disponibilizados a diferentes órgãos de segurança, incluindo estruturas ligadas ao Ministério dos Transportes, Shin Bet, Mossad e polícia, conforme suas respectivas atribuições. Isso aumenta a pressão para esclarecer quem recebeu os dados, quais verificações foram realizadas e se algum alerta deveria ter sido emitido.

A visita secreta de Netanyahu aos Emirados Árabes Unidos no domingo contou com a presença do Mossad

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, realizou uma visita não anunciada aos Emirados Árabes Unidos, onde se encontrou com o presidente emiradense, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

A informação foi revelada pela CNN nesta segunda-feira (28) em um momento de forte tensão no Oriente Médio. A viagem teria ocorrido sem anúncio prévio, e os detalhes completos da conversa entre os dois líderes ainda não foram divulgados.

O encontro chama atenção porque Israel e Emirados mantêm relações diplomáticas desde os Acordos de Abraão, firmados em 2020, mas a aproximação entre os dois países ocorre em um ambiente regional extremamente delicado.

Nos últimos anos, a cooperação passou a envolver comércio, investimentos e, principalmente, questões de segurança. A guerra e as tensões envolvendo o Irã aumentaram ainda mais a importância estratégica dessa relação.

Para entender a dimensão da reunião, é preciso lembrar que os Emirados estão tentando equilibrar duas necessidades: manter suas relações econômicas e diplomáticas com Israel e, ao mesmo tempo, evitar uma escalada regional que possa atingir diretamente seu território e seus interesses.

Israel, por sua vez, considera a ameaça iraniana uma das principais questões de sua política de segurança. Por isso, uma conversa reservada entre Netanyahu e o presidente dos Emirados pode envolver temas muito mais amplos do que as relações bilaterais.

O aspecto mais misterioso, porém, está justamente no que não foi revelado. Não há, até o momento, uma descrição pública completa da agenda da reunião nem confirmação independente de todos os assuntos discutidos. A informação disponível indica que o encontro ocorreu em Abu Dhabi e que aconteceu em meio ao agravamento das tensões regionais.

A aproximação árabe-israelense contra o Irã

A reunião também mostra como a arquitetura de alianças no Oriente Médio vem mudando. Países árabes que durante décadas mantiveram distância oficial de Israel passaram a estabelecer relações diretas, enquanto a ameaça de conflitos envolvendo o Irã aproximou ainda mais alguns governos árabes de Israel em questões de segurança.

Assim, uma visita que aparentemente poderia ser apenas diplomática ganha peso estratégico justamente por ocorrer em segredo e em um momento de grande instabilidade regional.

Por enquanto, qualquer conclusão sobre um possível acordo secreto, operação conjunta ou nova iniciativa diplomática seria especulação. O que está confirmado é que Netanyahu esteve nos Emirados e se reuniu com Sheikh Mohamed bin Zayed, enquanto os detalhes da conversa permanecem, em grande parte, fora do conhecimento público.

A hipótese de cooperação militar

O contexto regional dá bastante peso a essa possibilidade. Israel e Emirados têm interesses convergentes diante da ameaça iraniana, e a cooperação entre os dois países aumentou justamente durante o conflito.

Uma reunião reservada entre Netanyahu e Mohammed bin Zayed pode ter tratado de defesa aérea, inteligência, mísseis, drones, movimentações iranianas e coordenação regional.

Há ainda um detalhe que chama atenção: segundo o Israel Hayom, Netanyahu teria viajado acompanhado pelo chefe do Mossad, Roman Gofman, pelo chefe do Conselho de Segurança Nacional e por integrantes da estrutura de segurança. Isso não prova que uma operação militar estivesse sendo preparada, mas indica que a reunião tinha uma dimensão de segurança significativa.

A Arábia Saudita e o Acordo de Abraão

Aqui existe uma segunda possibilidade interessante. Os Emirados podem funcionar como uma ponte entre Israel e outros países árabes, principalmente porque Abu Dhabi já normalizou relações com Israel por meio dos Acordos de Abraão.

A expansão para a Arábia Saudita é, há anos, uma das questões mais importantes envolvendo o futuro desses acordos. E há um fato especialmente relevante: poucos dias antes da visita de Netanyahu, representantes dos países que já participam dos Acordos de Abraão se reuniram em Nova York com autoridades americanas para discutir justamente a expansão e aprofundamento da iniciativa.

A reunião contou com EUA, Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos, e ocorreu em 24 de setembro.

Por que a Arábia Saudita seria tão importante?

A entrada saudita mudaria significativamente a dimensão política e estratégica dos Acordos de Abraão. Riad é uma potência regional muito maior que os países que atualmente normalizaram relações com Israel e possui enorme peso político e econômico no mundo árabe.

Além disso, existe uma possível conexão entre normalização diplomática e arquitetura de segurança. Análises publicadas neste ano apontaram que a cooperação de defesa entre Israel e países do Golfo poderia ganhar uma dimensão regional maior caso a Arábia Saudita aderisse aos Acordos de Abraão.

Mas há um obstáculo importante: a questão palestina continua sendo um dos principais fatores que dificultam a normalização saudita com Israel, e a guerra em Gaza tornou politicamente mais difícil para Riad avançar publicamente nessa direção.

O sonho do Corredor Econômico IMEC (Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa)

Corredor Econômico IMEC (Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa). Imagem: ©Área Militar

 

A principal importância econômica de uma aproximação entre Arábia Saudita e Israel seria justamente logística, e o projeto mais importante nesse contexto é o Corredor IMEC (Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa) de aproximadamente 6.400 km, com rotas ferroviárias e marítimas, cabos digitais e gasodutos.

A ideia é criar essa grande rota multimodal ligando Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia, Israel e Europa.

Não seria simplesmente uma estrada. O projeto prevê uma combinação de navios, ferrovias, portos, energia e cabos de dados. A mercadoria chegaria da Índia aos portos do Golfo, atravessaria a Península Arábica por ferrovia e seguiria pelo território de Israel até o Mediterrâneo, especialmente pelo porto de Haifa, de onde poderia continuar para a Europa.

A grande vantagem seria criar uma alternativa às rotas marítimas que dependem do Estreito de Bab el-Mandeb, Mar Vermelho e Canal de Suez. O projeto também poderia diminuir tempo e custos de transporte em determinadas operações.

Ódio aos judeus! Homens imigrantes armados em Sydney, identificados como pai e filho ligados ao jihadismo islâmico

Os atiradores do ataque terrorista que teve como alvo uma celebração de Hanukkah na praia de Bondi, em Sydney, matando pelo menos 15 pessoas, foram identificados pelas autoridades como Naveed Akram, de 24 anos, e seu pai, Sajid, de 50 anos.

Segundo informações, o filho já havia sido investigado em 2019 por supostos vínculos com o Estado Islâmico.

As identidades e histórias dos dois homens foram divulgadas enquanto a Austrália, sua comunidade judaica e o mundo judaico em geral continuavam a lidar com as consequências do ataque, que foi um dos tiroteios mais sangrentos da história da Austrália e o massacre antissemita mais mortal fora de Israel desde 7 de outubro de 2023.

Segundo a emissora australiana ABC , acredita-se que ambos os homens armados tenham jurado lealdade ao grupo terrorista Estado Islâmico.

Um oficial da Equipe Conjunta de Combate ao Terrorismo do país disse ao veículo de comunicação que uma bandeira do Estado Islâmico foi encontrada em um carro próximo ao local do ataque, e a polícia afirmou no domingo que um artefato explosivo improvisado foi encontrado em um carro ligado a um dos atacantes.

Sajid, que segundo as autoridades possuía porte de arma e seis armas, foi morto a tiros pela polícia no local do ataque. Naveed está gravemente ferido e hospitalizado sob custódia policial, de acordo com relatos locais, e responderá por acusações caso sobreviva.

O pai chegou à Austrália pela primeira vez em 1998 com um visto de estudante, disse o Ministro do Interior, Tony Burke, a repórteres na segunda-feira.

Em 2001, ele obteve um visto concedido aos parceiros de cidadãos australianos ou residentes permanentes. Desde então, o governo afirma que ele viajou para o exterior três vezes.

As armas já foram recuperadas e a casa do casal foi alvo de buscas, assim como um imóvel do Airbnb onde estavam hospedados antes do ataque.

Líder de grupo de resistência contra os terroristas do Hamas e apoiado por Israel foi morto em Gaza após tentar apaziguar uma briga local

O líder de um grupo anti-Hamas, armado e apoiado por Israel, foi morto em Gaza, confirmou o grupo nesta quinta-feira, em um potencial golpe para os planos de Israel no pós-guerra no território devastado.

Yasser Abu Shabab, que liderava um grupo de resistência que controlava uma área em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, foi morto enquanto tentava “apaziguar um conflito” entre membros de uma família em uma praça pública, informou a organização. Uma fonte israelense havia dito anteriormente que a morte resultou de “confrontos internos”.

Duas fontes israelenses afirmaram que Israel tentou evacuar Abu Shabab para um hospital no sul do país antes que ele fosse declarado morto.

Abu Shabab era o líder do mais proeminente dos vários grupos armados apoiados por Israel em Gaza, e sua morte pode representar um revés para os planos ainda incertos de Israel para o futuro do enclave.

Abu Shabab, que tinha pouco mais de 30 anos, parecia estar expandindo sua influência gradualmente no sul de Gaza, enquanto tentava criar uma área livre do Hamas. Israel pretendia usar a milícia de Abu Shabab para enfraquecer o Hamas, como uma alternativa ao regime islamista do grupo militante.

Irã e Israel se preparam para mais um conflito à medida que os preparativos militares se intensificam!

De acordo com as principais mídias árabes e israelenses, o Irã está realizando intensos testes de defesa aérea, enquanto Teerã e Jerusalém aceleram os preparativos que, segundo analistas, podem desencadear um novo confronto.

Uma pesquisa da revista The Economist, de novembro de 2025, revelou que a maioria dos israelenses espera uma nova guerra com o Irã em breve, após as ameaças de Teerã de “atacar o território israelense em profundidade” caso seja provocada.

O comentarista militar Yossi Yehoshua declarou à i24 News que Israel está treinando para um ataque preventivo com o objetivo de enfraquecer o arsenal de mísseis reconstruído do Irã, classificando a situação atual como uma “realidade de combates” onde a defesa por si só não é suficiente.

Ali Vaez, do International Crisis Group, afirmou que Israel acredita que “o trabalho está inacabado”, enquanto a produção de mísseis iranianos continua sem parar.

As previsões regionais apontam para uma possível escalada já no final deste mês ou no início de 2026, potencialmente atraindo o apoio dos EUA e visando grupos aliados do Irã, como o Hezbollah.

Nenhum ataque foi confirmado, mas sem negociações diplomáticas em andamento e com ambos os lados se rearmando, analistas descrevem o impasse como um barril de pólvora prestes a explodir.

Príncipe saudita, Bin Salman, sinaliza intenção de reconhecer Israel através do Acordo de Abraão, mas há um problema…

Os dois líderes discutiram os Acordos de Abraão na Casa Branca, isso foi afirmado por Donald Trump, em resposta à pergunta de um repórter.

“Acho que obtive uma resposta positiva”, disse Trump. O príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman (MBS)) acrescentou mais sobre sua posição: “Queremos fazer parte dos Acordos de Abraão. Mas também queremos ter certeza de que garantiremos um caminho claro para a solução de dois Estados”, referindo-se à criação de um Estado palestino.

Os Acordos de Abraão são um conjunto de acordos para normalizar as relações diplomáticas entre Israel e alguns estados árabes.

Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein assinaram os acordos durante o primeiro mandato de Trump, em 2020. Os dois países quebraram um tabu de longa data ao se tornarem os primeiros estados árabes a reconhecer Israel em um quarto de século (25 anos).

Jared Kushner , genro de Trump, ajudou a intermediar os acordos. Na época, Kushner era um dos principais assessores do presidente.

Washington há muito nutre a esperança de que o dinamismo do comércio e do investimento incentive outros estados árabes a se juntarem ao grupo, sobretudo a Arábia Saudita, potência regional e a mais rica de todas.

Mas Riade insiste que não pode haver normalização das relações com Israel sem um caminho claro para a criação de um Estado palestino, o que o atual governo israelense rejeita.

Desde que militantes do Hamas atacaram Israel em outubro de 2023, matando 1.200 pessoas e precipitando a campanha militar israelense em Gaza, que resultou na morte de dezenas de milhares de palestinos, os estados árabes se distanciaram cada vez mais de Israel. A opinião pública nos países árabes também se tornou mais indignada.

Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein foram os primeiros a normalizar as relações com Israel ao abrigo dos Acordos de Abraão em 2020, seguidos por Marrocos e Sudão.

Trump espera que mais países da região se juntem a eles em breve.

“Temos muitas pessoas aderindo aos Acordos de Abraão agora, e esperamos que a Arábia Saudita também adote em breve”, disse ele em 5 de novembro, sem oferecer um prazo.

O acordo assinado pelos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos contornou a questão da criação de um Estado palestino. Trump afirmou em 6 de novembro que o Cazaquistão aderiria aos Acordos.

Reino Unido implanta tropas militares em Israel para se juntar à Força-Tarefa Multinacional em Gaza, enquanto Trump teme fracasso do acordo

As Forças Armadas Britânicas foram enviadas a Israel para se juntar a uma força-tarefa multinacional que monitorará o frágil cessar-fogo em Gaza após um pedido dos Estados Unidos, segundo o The Times.

Um oficial de duas estrelas e um pequeno número de militares ficarão baseados no país como parte do Centro de Coordenação Civil-Militar (CMCC), estabelecido e liderado pelos EUA, que fornecerá apoio logístico, segurança e monitorará o cessar-fogo na Faixa de Gaza.

O oficial de duas estrelas servirá como adjunto de um comandante das Forças Armadas dos EUA, com a expectativa de auxiliar no fluxo de ajuda humanitária aos palestinos em Gaza.

O vice-presidente JD Vance minimizou as preocupações sobre a fragilidade do cessar-fogo entre Israel e o Hamas ao discursar em Israel na terça-feira, mesmo com alguns funcionários do governo Trump preocupados que o acordo possa fracassar.

Vance também se recusou a estabelecer um cronograma para o retorno de todos os restos mortais de reféns israelenses e para o desarmamento do Hamas, dizendo que “levará um pouco de tempo” e que estruturas de segurança e humanitárias devem ser implementadas em Gaza.