Arábia Saudita lança grande ofensiva contra os houthis enquanto “OTAN islâmica” ativa defesa coletiva

A guerra no Iêmen entrou em uma nova fase de escalada. A Arábia Saudita colocou cerca de 100 caças em operação contra posições dos houthis, enquanto uma aliança formada por Arábia Saudita, Turquia e Paquistão decidiu acelerar a mobilização de forças militares para reforçar a defesa do território saudita.

A movimentação ocorre depois que os houthis, grupo armado apoiado pelo Irã, intensificaram ataques contra cidades, aeroportos e instalações econômicas da Arábia Saudita. O episódio também coloca novamente no centro da disputa o estreito de Bab el-Mandeb, uma das passagens marítimas mais importantes do mundo.

Arábia Saudita coloca 100 caças em ação

A operação saudita recebeu o nome de “Dawn of Yemen”, “Amanhecer do Iêmen” em português.

Segundo o comando da coalizão liderada por Riad, aproximadamente 100 aeronaves de combate participaram da primeira fase da ofensiva. O objetivo é fornecer cobertura aérea às forças do governo iemenita, que avançam contra posições dos houthis no oeste e sudoeste do país.

A coalizão afirmou ter atingido 324 alvos considerados de alto valor militar. Esses números, porém, são declarações das próprias forças envolvidas e não foram verificados de forma independente.

Avanço dos Houthis sobre o pontal da ilha de Perim, território até então dominado pelas Forças de Resistência leais ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.

No campo de batalha, forças do governo iemenita anunciaram a retomada de áreas próximas ao Bab el-Mandeb, incluindo Dhubab, além de avanços em direção à cidade portuária de Mocha.

Os houthis contestaram parte dessas informações e afirmaram que as forças adversárias estão divulgando “vitórias imaginárias”. Portanto, a extensão exata dos ganhos territoriais ainda permanece parcialmente incerta.

Por que Bab el-Mandeb é tão importante?

Para entender a dimensão dessa ofensiva, é preciso olhar para o mapa.
O Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Por essa passagem circula uma parcela importante do comércio marítimo internacional, incluindo cargas de energia que seguem em direção ao Canal de Suez e à Europa.

Isso transforma o estreito em um ponto estratégico não apenas para o Iêmen e a Arábia Saudita, mas para o comércio mundial.

Os houthis haviam ampliado seu controle sobre áreas próximas à costa do Mar Vermelho nas últimas semanas, aumentando sua capacidade de pressionar as rotas marítimas.

Para Riad, recuperar essas posições significa muito mais do que conquistar território iemenita: significa reduzir a capacidade dos houthis de ameaçar a navegação e o próprio território saudita.

O conflito agora ultrapassa as fronteiras do Iêmen

A grande novidade é que a crise deixou de ser apenas uma guerra entre forças iemenitas. Na segunda-feira, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão ativaram os mecanismos de defesa coletiva da chamada Aliança de Defesa de Meca, conhecida como OTAN Islâmica.

O acordo firmado em agosto estabelece que um ataque contra um dos países pode ser tratado como uma ameaça contra os demais, em uma estrutura que lembra, embora não seja idêntica, ao princípio de defesa coletiva da OTAN.

Os três governos anunciaram que pretendem colocar em prática os compromissos de defesa e providenciar a rápida mobilização de forças e capacidades militares para a Arábia Saudita.

O risco de uma guerra regional aumenta

A ofensiva acontece em um momento em que o Oriente Médio já enfrenta uma forte instabilidade envolvendo Estados Unidos, Irã, Israel e grupos armados aliados de Teerã.

Os houthis são considerados parte da rede de grupos apoiados pelo Irã. Isso não significa que cada decisão militar dos houthis seja necessariamente ordenada diretamente por Teerã, mas o grupo possui relações militares e políticas profundas com o governo iraniano.

Agora, com Arábia Saudita, Turquia e Paquistão discutindo a mobilização de forças, o conflito iemenita pode começar a adquirir uma dimensão ainda mais internacional.

A entrada direta de novos países não é inevitável, mas o mecanismo de defesa coletiva aumenta o risco de que um ataque de grandes proporções contra a Arábia Saudita provoque uma resposta coordenada.

Houthis afirmam ter derrubado caça F-15SA da Arábia Saudita enquanto avançam no Iêmen

Os rebeldes houthis afirmam ter derrubado um caça F-15 da Força Aérea Saudita durante os combates na província de Marib, no centro do Iêmen. O grupo divulgou imagens que supostamente mostram os destroços da aeronave e afirmou que o avião foi atingido por um míssil produzido localmente.

Até o momento, porém, a derrubada não foi verificada de forma independente, e autoridades sauditas não confirmaram publicamente a perda do caça.

O episódio ocorre em meio a uma rápida ofensiva dos houthis, que avançaram por áreas da costa do Mar Vermelho e assumiram posições próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais passagens marítimas entre o Mar Vermelho e o oceano Índico.

Segundo a Reuters, os combates também envolveram ataques contra cidades e instalações de energia sauditas, enquanto Riad realiza ataques aéreos contra posições houthis no Iêmen.

O cenário é grave, e pode piorar!

O F-15 é uma das principais plataformas de combate utilizadas pela Arábia Saudita. Por isso, uma eventual perda da aeronave representaria um episódio militar relevante, especialmente porque demonstraria que os houthis continuam capazes de ameaçar aeronaves sauditas mesmo diante da superioridade tecnológica de Riad.

A Arábia Saudita opera várias versões do F-15, mas, para o caso divulgado pelos houthis em Marib, a identificação mais provável é particularmente interessante.

As imagens divulgadas pelos houthis foram analisadas por especialistas da Janes e pelo The War Zone (TWZ). A avaliação do TWZ aponta especificamente para um caça modernizado F-15SA/F-15SR, e não simplesmente um F-15 genérico. O TWZ identificou o que aparenta ser o número de cauda 5539, associado ao 55º Esquadrão, baseado na King Khalid Air Base.

O F-15SA é uma das versões mais avançadas do Eagle e deriva diretamente do conceito do F-15E Strike Eagle. Ele recebeu importantes melhorias em sensores, aviônicos e guerra eletrônica. A própria Força Aérea dos EUA descreve o F-15SA como uma versão avançada do F-15S saudita.

Mas existe uma diferença importante entre a alegação e o fato confirmado. Até agora, as evidências disponíveis são principalmente materiais divulgados pelos próprios houthis.

A Associated Press, emissora com ampla presença no Iêmen, informou que não conseguiu verificar independentemente que os destroços mostrados pertencem realmente a um F-15 saudita abatido durante os combates atuais.

Ao mesmo tempo, a ofensiva terrestre dos houthis é confirmada por diferentes fontes. A Reuters relata que o grupo conquistou posições importantes na costa do Mar Vermelho, incluindo Mocha e áreas próximas ao Bab el-Mandeb, aumentando a pressão sobre as rotas utilizadas pelo transporte marítimo e pelas exportações de petróleo sauditas.

Houthis avançam para dominar o sul do Iêmen Ocidental, preocupando as grandes potências

Os houthis ampliaram nos últimos dias sua ofensiva no Iêmen e avançaram pela costa do Mar Vermelho em direção ao sul, conquistando posições consideradas estratégicas para o controle do acesso ao estreito de Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis em direção ao sul do Iêmen Ocidental.

O movimento colocou o grupo armado, apoiado pelo Irã, em uma posição de maior influência sobre uma das principais rotas marítimas entre o Oriente Médio, a África e a Europa. Entre os pontos conquistados estão a cidade portuária de Mokha, a cidade costeira de Dhubab e a ilha de Perim, localizada dentro do próprio estreito.

Os houthis ainda não controlam todo o sul ou o leste do Iêmen. O objetivo imediato da ofensiva parece estar concentrado em ampliar o domínio da costa oeste e chegar a posições que permitam controlar ou ameaçar diretamente o Bab el-Mandeb. Aden, Hadramaut e Al Mahrah que continuam em mãos de forças adversárias ou de grupos locais aliados ao governo reconhecido internacionalmente.

Os desejos imediatos dos houthis

O primeiro objetivo é consolidar o controle da costa do Mar Vermelho. A tomada de Mokha representa um avanço importante porque amplia a área costeira sob domínio houthi e aproxima o grupo do Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis sobre o pontal da ilha de Perim, território também chamado de Mayyun até então dominado pelas Forças de Resistência leais ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.

A ilha de Perim é ainda mais significativa: ela está localizada dentro do estreito e divide suas rotas marítimas. Isso aumenta a capacidade dos houthis de ameaçar embarcações que utilizam essa passagem.

O segundo objetivo é transformar o controle territorial em poder de negociação. Os próprios houthis afirmam que querem o fim do que classificam como bloqueio contra o território que controlam, liberdade de circulação pelos portos e aeroportos, troca de prisioneiros e acesso às receitas provenientes do petróleo para financiar salários e serviços públicos.

Analistas avaliam que a expansão militar também pode proporcionar ao grupo uma posição muito mais forte nas negociações políticas.

Existe ainda uma terceira dimensão: a guerra do Iêmen está ligada à disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Estados Unidos e outros atores do Oriente Médio.

O Irã apoia os houthis, embora o grupo possua sua própria agenda política e militar. Com o estreito de Ormuz sob forte pressão e o Bab el-Mandeb também ameaçado, Teerã passa a contar com mais de um ponto estratégico capaz de pressionar o comércio internacional e os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados.

O Bab el-Mandeb é uma espécie de “porta de entrada” do Mar Vermelho. Quem navega pelo oceano Índico em direção ao Canal de Suez precisa passar por essa região para alcançar a rota marítima que conecta a Ásia à Europa.

Isso significa que a expansão houthi não é apenas uma questão de território dentro do Iêmen. Se o grupo conseguir manter posições militares próximas ao estreito, poderá ameaçar navios comerciais, petroleiros e outras embarcações que utilizam uma das principais artérias do comércio mundial. Dados citados pelo Washington Post apontam que cerca de 8,7% do comércio marítimo mundial passa pelo Bab el-Mandeb, incluindo parcela significativa do transporte de petróleo e derivados.

Quanto mais território estratégico os houthis conquistarem, maior será sua capacidade de pressionar seus adversários. O controle da costa, dos portos e das proximidades do Bab el-Mandeb pode ser utilizado tanto militarmente quanto como instrumento de negociação.

Principal oleoduto da Arábia Saudita explode em chamas após ataques de drones

A infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita sofreu um novo ataque que pode aumentar ainda mais a pressão sobre o mercado internacional de energia.

Um importante sistema de oleodutos do país foi atingido por drones na quinta-feira (10), provocando incêndios e danos em estações de bombeamento.

As informações foram divulgadas inicialmente por autoridades dos Estados Unidos. Uma análise preliminar indicou que os alvos estavam nas proximidades do oleoduto, principalmente estruturas responsáveis por manter o petróleo em movimento ao longo da extensa rede.

Imagens de satélite analisadas após o ataque mostram sinais de incêndio em uma das estações, marcando uma coluna de fumaça escura saindo de uma instalação.

Arábia Saudita interrompe operação do oleoduto

O Ministério da Energia saudita confirmou que o sistema foi atacado e informou que sua operação foi interrompida como medida de precaução.

Segundo autoridades sauditas, os ataques ocorreram nas regiões de Riad e Medina e deixaram algumas pessoas feridas, que receberam atendimento médico. Equipes especializadas foram mobilizadas para avaliar a situação e garantir a segurança das instalações.

Posteriormente, o governo saudita afirmou que os ataques foram realizados por drones lançados a partir do Iraque. Riad também declarou que, por enquanto, não adotaria uma retaliação contra o Iraque, dando ao governo iraquiano a oportunidade de tomar medidas contra os responsáveis.

Por que o oleoduto East-West é tão importante?

O alvo é o chamado East-West Pipeline, uma das principais estruturas utilizadas pela Arábia Saudita para transportar petróleo do leste do país até a costa do Mar Vermelho, desviando milhões de barris da zona quente do Estreito de Ormuz.

Cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia estavam sendo redirecionados por essa rota.

Normalmente, grande parte do petróleo produzido no leste da Arábia Saudita é transportada até terminais localizados no Golfo Pérsico. A partir dali, os navios-tanque precisam atravessar o Estreito de Ormuz para alcançar os mercados internacionais.

O problema é que a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã deixou o estreito praticamente bloqueado para uma parcela significativa do tráfego comercial.

Por isso, a Arábia Saudita passou a utilizar mais intensamente o East-West Pipeline para levar petróleo diretamente até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a passagem pelo Estreito de Ormuz.

No entanto, a rota alternativa também está sob ameaça. É justamente nesse ponto que o ataque ganha uma dimensão maior.

Se o Estreito de Ormuz continua sob forte pressão e o principal oleoduto alternativo da Arábia Saudita também passa a ser alvo de ataques, o país fica com menos opções para transportar seu petróleo até os mercados internacionais.

No extremo sul dessa rota está o Mar Vermelho, que se conecta ao Golfo de Áden através do Estreito de Bab el-Mandeb, uma região cada vez mais ameaçada pelo avanço dos militantes Houthis no Iêmen.

Houthis avançam sobre Bab el-Mandeb e colocam rota estratégica sob ameaça

A guerra no Iêmen ganhou uma nova dimensão estratégica nos últimos dias. Os rebeldes Houthis, grupo apoiado pelo Irã, avançaram pela costa do Mar Vermelho, tomaram a cidade portuária de Mocha e, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (11), também assumiram o controle da estratégica ilha de Perim, localizada no estreito de Bab el-Mandeb.

A movimentação aproxima os Houthis de uma posição capaz de ameaçar diretamente a navegação em um dos principais corredores marítimos do planeta.

O Bab el-Mandeb é a passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e, consequentemente, ao oceano Índico. Na prática, navios que seguem entre a Ásia e a Europa utilizam essa rota para chegar ao Canal de Suez.

Por isso, o avanço Houthi não representa apenas uma disputa territorial dentro do Iêmen. Ele pode ter consequências sobre petróleo, comércio internacional, fretes e preços de produtos em diversos países.

Quem são os Houthis?

Os Houthis, oficialmente chamados de Ansar Allah, são um movimento político, religioso e militar originário do norte do Iêmen.

O grupo surgiu entre a comunidade zaidita, uma corrente do islamismo xiita tradicionalmente presente no norte do país. A organização ganhou força na década de 1990 e passou a combater o governo iemenita.

A grande virada aconteceu em 2014, quando os Houthis conquistaram Sanaa, a capital do Iêmen. O avanço provocou uma guerra civil e levou a Arábia Saudita a intervir militarmente em 2015, apoiando o governo reconhecido internacionalmente.

Desde então, o Iêmen permanece dividido.

Os Houthis controlam grande parte do norte e oeste do país, incluindo áreas densamente povoadas, enquanto o governo internacionalmente reconhecido e seus aliados mantêm posições principalmente no sul e no leste.

Quem financia os Houthis?

O principal apoio externo aos Houthis vem do Irã. Teerã fornece, segundo autoridades e fontes de inteligência citadas por veículos internacionais, armamentos, tecnologia, treinamento e assistência militar.

Entre os equipamentos associados ao arsenal Houthi estão drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro.

O apoio iraniano não significa, necessariamente, que cada operação Houthi seja ordenada diretamente por Teerã. O grupo possuem estrutura própria, liderança própria e interesses ligados à política interna do Iêmen.

Mas a relação com o Irã transformou o grupo em uma importante peça da disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Israel e Estados Unidos.

Além do apoio externo, os Houthis também obtêm recursos dentro das áreas que controlam, por meio de arrecadação, cobrança de impostos, controle econômico de territórios e redes comerciais e de contrabando.

A importância da cidade de Mocha

A cidade fica na costa do Mar Vermelho, relativamente próximo ao Bab el-Mandeb. A captura permite aos Houthis ampliar sua presença militar em direção ao estreito.

Segundo fontes citadas pela Reuters, o grupo também avançou contra as ilhas Hanish e buscava posições em Dhubab e Perim, pontos considerados fundamentais para exercer influência sobre a passagem marítima.

A situação evoluiu ainda mais com a notícia da tomada de Perim, uma pequena ilha situada praticamente no centro da entrada do Bab el-Mandeb.

Isso é importante porque controlar posições terrestres próximas ao estreito oferece aos militantes melhores condições para observar, ameaçar ou atacar embarcações que atravessem a região.

Isso não significa que o grupo tenha literalmente “fechado” o estreito.

Mas significa que os Houthis estão muito mais próximos de possuir capacidade para transformar o Bab el-Mandeb em uma área de alto risco para a navegação internacional.

O que significa “fechar” o Bab el-Mandeb?

“Fechar o estreito” não necessariamente significa colocar uma barreira física no mar.

Um grupo armado pode provocar o fechamento de uma rota simplesmente tornando a passagem perigosa demais para navios comerciais.

Se empresas de navegação considerarem que seus navios podem ser atingidos por mísseis, drones ou minas, elas podem decidir suspender as viagens ou utilizar rotas alternativas.

Foi justamente esse tipo de ameaça que já provocou alterações significativas no tráfego do Mar Vermelho nos últimos anos.

O Bab el-Mandeb funciona como uma espécie de porta de entrada e saída do Mar Vermelho. Depois dele está o Canal de Suez, que conecta a região ao Mediterrâneo.

Por isso, uma crise nessa passagem pode atingir diretamente o comércio entre Ásia, Oriente Médio e Europa.

Por que a Arábia Saudita apoia o governo do Iêmen?

Para a Arábia Saudita, a questão é muito maior do que a guerra civil iemenita.

O Iêmen está localizado imediatamente ao sul do território saudita. Um governo Houthi forte e aliado do Irã representa, portanto, uma ameaça estratégica direta para Riad.

A Arábia Saudita já enfrentou ataques Houthis contra seu território utilizando mísseis e drones, inclusive contra instalações relacionadas à indústria de energia.

Por isso, Riad apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen e tenta impedir que os Houthis controlem todo o país ou dominem posições estratégicas próximas às fronteiras sauditas e ao Mar Vermelho.

Mas existe um problema. A Arábia Saudita já passou anos tentando derrotar militarmente os Houthis e descobriu que uma vitória definitiva é extremamente difícil.

Depois de anos de guerra, uma trégua estabelecida em 2022 reduziu significativamente os combates, mas nunca produziu um acordo de paz definitivo.

Agora, com a nova ofensiva Houthi, Riad enfrenta novamente uma escolha difícil: intervir militarmente em maior escala ou tentar evitar uma nova guerra prolongada no Iêmen.

A importância dos EUA

Os Estados Unidos são um dos principais parceiros militares e estratégicos da Arábia Saudita. A relação envolve armamentos, treinamento, inteligência, defesa aérea e cooperação militar.

Neste momento, porém, a Arábia Saudita está pedindo maior apoio americano, mas Washington não necessariamente quer entrar diretamente em uma nova guerra no Iêmen.

Mais de 100 militares e conselheiros americanos estão em território saudita, fornecendo apoio de inteligência e direcionamento de alvos dentro de uma estrutura de cooperação militar com Riad.

Além disso, segundo fontes citadas pela Reuters, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu ao presidente Donald Trump uma participação militar americana mais direta contra os Houthis.

Trump, porém, teria recusado o envio direto de forças americanas para atacar os Houthis, embora tenha concordado com apoio de inteligência e direcionamento de alvos.

EUA e os ataques contra os Houthis

Porque qualquer ataque americano pode ampliar ainda mais o conflito regional.

Os Houthis são aliados do Irã. Portanto, uma campanha militar americana contra o grupo poderia ser interpretada por Teerã como uma nova frente direta de confronto.

Além disso, os Estados Unidos precisam proteger simultaneamente seus interesses no Golfo Pérsico, Mar Vermelho, Arábia Saudita e outras áreas estratégicas do Oriente Médio.

A estratégia do Irã

Para o Irã, os Houthis representam uma maneira de aumentar sua capacidade de pressionar adversários sem necessariamente utilizar diretamente as Forças Armadas iranianas.

O país possui aliados e grupos armados em diferentes partes do Oriente Médio. Os Houthis acrescentam uma dimensão marítima a essa rede.

Ao possuir influência sobre o Iêmen e capacidade de ameaçar o Bab el-Mandeb, o Irã pode aumentar a pressão sobre Arábia Saudita, Estados Unidos e o comércio marítimo internacional.

O que pode acontecer agora?

A grande preocupação é que a captura de Mocha e o avanço sobre Perim transformem o Bab el-Mandeb em uma nova frente da guerra regional.

A primeira consequência pode ser militar, a Arábia Saudita pode aumentar os ataques contra posições Houthis. A segunda é econômica, com empresas de navegação podem evitar a região, aumentando o tempo e o custo do transporte.

A terceira, e não menos importante, é energética. Qualquer ameaça simultânea ao Bab el-Mandeb e ao Estreito de Hormuz pode aumentar a pressão sobre o mercado internacional de petróleo.

E existe ainda um quarto risco, o retorno de uma guerra civil em grande escala no Iêmen. A trégua de 2022 havia reduzido drasticamente a intensidade do conflito, mas os combates recentes já provocaram novos deslocamentos de civis e ameaçam destruir o frágil equilíbrio construído nos últimos anos.

E é justamente essa porta que os Houthis estão tentando colocar sob seu controle.

Chefes de inteligência de Donald Trump enfrentarão interrogatório dos democratas da Câmara sobre erro do Signal

Os democratas da Câmara exigirão na quarta-feira respostas de dois chefes de inteligência dos EUA que foram revelados como membros de um grupo de bate-papo usado por autoridades do governo Trump para discutir planos de bombardear o Iêmen na presença de um jornalista.

A notícia da existência do bate-papo em grupo e da inclusão de Jeffrey Goldberg , editor-chefe da Atlantic, gerou indignação no Capitólio em um momento conveniente para os democratas, que são minoria no Senado e na Câmara dos Representantes e estão se recuperando do retorno de Donald Trump à Casa Branca há dois meses.

A diretora de inteligência nacional, Tulsi Gabbard, e o diretor da CIA, John Ratcliffe, ambos participantes do bate-papo em grupo no aplicativo Signal, estão dando depoimentos anuais aos legisladores com suas avaliações das ameaças enfrentadas pelos Estados Unidos, e os senadores democratas já os bombardearam com perguntas em uma audiência do comitê de inteligência na terça-feira.

URGENTE!! Israel ataca rebeldes Houthi na capital do Iêmen enquanto o Direto da OMS realizava uma visita

Uma nova rodada de ataques aéreos israelenses no Iêmen nesta quinta-feira teve como alvo a capital controlada pelos terroristas Houthi, Sanaa, e vários portos.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, disse que o bombardeio ocorreu perto de onde ele estava no momento, se preparando para embarcar em um voo em Sanaa, e que um membro da tripulação ficou ferido.

A foto mostra a torre ATC no Aeroporto de Sana’a completamente destruída.

“A torre de controle de tráfego aéreo, a sala de embarque — a poucos metros de onde estávamos — e a pista foram danificadas”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus na plataforma de mídia social X.

Ele acrescentou que ele e os colegas da ONU estavam seguros. “Precisaremos esperar que os danos ao aeroporto sejam reparados antes de podermos sair”, disse ele, sem mencionar nada sobre a fonte do bombardeio.

Os ataques israelenses seguiram vários dias de lançamentos Houthis disparando sirenes em Israel. O exército israelense disse que atacou a infraestrutura usada pelos Houthis no aeroporto internacional em Sanaa e portos nas cidades de Hodeida, Al-Salif e Ras Qantib, junto com usinas de energia.

Os últimos ataques ocorreram um dia após o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ter dito que “os houthis também aprenderão o que o Hamas, o Hezbollah, o regime de Assad e outros aprenderam”, enquanto seus militares lutavam contra os representantes mais poderosos do Irã.

Netanyahu monitorou os ataques de quinta-feira junto com líderes militares, disse seu governo.

O meio de comunicação dos Houthis apoiado pelo Irã confirmou os ataques em uma postagem no Telegram, mas não deu detalhes imediatos. Os militares dos EUA também têm como alvo os Houthis no Iêmen nos últimos dias.

Militares israelenses atacam o Iêmen horas após ataque dos Houthis atingir Israel

Os militares israelenses lançaram ataques mortais contra alvos Houthis no Iêmen na manhã de quinta-feira, poucas horas após o último ataque do grupo militante apoiado pelo Irã contra Israel.

Nove pessoas morreram e outras três ficaram feridas em ataques aéreos israelenses em um porto e instalação petrolífera perto da capital Sanaa, disse Nasruddin Amer, vice-chefe do escritório de mídia Houthi, em uma publicação no X. Mais cedo, a TV Al-Masirah, administrada pelos Houthis, disse que os ataques israelenses tinham como alvo as usinas de energia de Heyzaz e Dhahban, perto da capital, e o porto de Hodeidah e a instalação petrolífera de Ras Isa.

Os militares israelenses disseram que os ataques aéreos foram uma retaliação aos ataques com mísseis e drones dos Houthis contra Israel no ano passado, a maioria dos quais foi interceptada.

“A longa mão de Israel também alcançará vocês”, disse o Ministro da Defesa Israelense, Israel Katz, em um aviso aos líderes Houthi após os ataques. “Quem quer que levante a mão contra o Estado de Israel — sua mão será cortada, quem quer que nos prejudique — será prejudicado sete vezes mais.”

As tensões entre Israel e os Houthis aumentaram durante meses enquanto Israel travava uma guerra contra o Hamas em Gaza após os ataques do grupo militante palestino em 7 de outubro – com líderes mundiais alertando sobre o potencial de um conflito mais amplo no Oriente Médio.

Mais cedo na quinta-feira, sirenes foram ouvidas no centro de Israel depois que o exército israelense interceptou um míssil lançado do Iêmen, disseram as Forças de Defesa de Israel (IDF). Uma escola foi danificada e nenhum ferimento foi relatado, disseram as IDF.

Mais tarde, os Houthis alegaram que haviam alcançado seus objetivos em ataques duplos com mísseis contra alvos militares israelenses na área de Tel Aviv.

Os Houthis atacaram Israel, seus aliados e linhas de navegação vitais do Mar Vermelho em rejeição à campanha militar de Israel em Gaza. Em julho, os Houthis assumiram a responsabilidade por um ataque mortal com drones em Tel Aviv, o centro comercial de Israel — o primeiro ataque desse tipo na cidade feito pelo grupo.