Houthis avançam para dominar o sul do Iêmen Ocidental, preocupando as grandes potências

Os houthis ampliaram nos últimos dias sua ofensiva no Iêmen e avançaram pela costa do Mar Vermelho em direção ao sul, conquistando posições consideradas estratégicas para o controle do acesso ao estreito de Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis em direção ao sul do Iêmen Ocidental.

O movimento colocou o grupo armado, apoiado pelo Irã, em uma posição de maior influência sobre uma das principais rotas marítimas entre o Oriente Médio, a África e a Europa. Entre os pontos conquistados estão a cidade portuária de Mokha, a cidade costeira de Dhubab e a ilha de Perim, localizada dentro do próprio estreito.

Os houthis ainda não controlam todo o sul ou o leste do Iêmen. O objetivo imediato da ofensiva parece estar concentrado em ampliar o domínio da costa oeste e chegar a posições que permitam controlar ou ameaçar diretamente o Bab el-Mandeb. Aden, Hadramaut e Al Mahrah que continuam em mãos de forças adversárias ou de grupos locais aliados ao governo reconhecido internacionalmente.

Os desejos imediatos dos houthis

O primeiro objetivo é consolidar o controle da costa do Mar Vermelho. A tomada de Mokha representa um avanço importante porque amplia a área costeira sob domínio houthi e aproxima o grupo do Bab el-Mandeb.

Avanço dos Houthis sobre o pontal da ilha de Perim, território também chamado de Mayyun até então dominado pelas Forças de Resistência leais ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.

A ilha de Perim é ainda mais significativa: ela está localizada dentro do estreito e divide suas rotas marítimas. Isso aumenta a capacidade dos houthis de ameaçar embarcações que utilizam essa passagem.

O segundo objetivo é transformar o controle territorial em poder de negociação. Os próprios houthis afirmam que querem o fim do que classificam como bloqueio contra o território que controlam, liberdade de circulação pelos portos e aeroportos, troca de prisioneiros e acesso às receitas provenientes do petróleo para financiar salários e serviços públicos.

Analistas avaliam que a expansão militar também pode proporcionar ao grupo uma posição muito mais forte nas negociações políticas.

Existe ainda uma terceira dimensão: a guerra do Iêmen está ligada à disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Estados Unidos e outros atores do Oriente Médio.

O Irã apoia os houthis, embora o grupo possua sua própria agenda política e militar. Com o estreito de Ormuz sob forte pressão e o Bab el-Mandeb também ameaçado, Teerã passa a contar com mais de um ponto estratégico capaz de pressionar o comércio internacional e os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados.

O Bab el-Mandeb é uma espécie de “porta de entrada” do Mar Vermelho. Quem navega pelo oceano Índico em direção ao Canal de Suez precisa passar por essa região para alcançar a rota marítima que conecta a Ásia à Europa.

Isso significa que a expansão houthi não é apenas uma questão de território dentro do Iêmen. Se o grupo conseguir manter posições militares próximas ao estreito, poderá ameaçar navios comerciais, petroleiros e outras embarcações que utilizam uma das principais artérias do comércio mundial. Dados citados pelo Washington Post apontam que cerca de 8,7% do comércio marítimo mundial passa pelo Bab el-Mandeb, incluindo parcela significativa do transporte de petróleo e derivados.

Quanto mais território estratégico os houthis conquistarem, maior será sua capacidade de pressionar seus adversários. O controle da costa, dos portos e das proximidades do Bab el-Mandeb pode ser utilizado tanto militarmente quanto como instrumento de negociação.

Trump aponta Irã como provável responsável por ataque que atingiu oleoduto da Arábia Saudita

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 12 de setembro, que o Irã provavelmente está por trás do ataque com drones que atingiu o sistema de oleodutos Leste-Oeste da Arábia Saudita.

A declaração aumenta a pressão sobre Teerã em um momento especialmente delicado, no qual a guerra no Oriente Médio já ameaça importantes rotas utilizadas para transportar petróleo do Golfo Pérsico para os mercados internacionais.

O ataque ocorreu na quinta-feira e atingiu instalações associadas ao oleoduto que atravessa a Arábia Saudita de leste a oeste. Segundo autoridades sauditas, os drones partiram do território iraquiano. O governo do Iraque confirmou que os ataques tiveram origem em seu território e abriu uma investigação sobre o episódio.

Trump foi questionado sobre a possibilidade de o Irã estar por trás da operação e respondeu que acredita que sim, provavelmente.

A declaração do presidente americano, porém, não representa uma comprovação pública de que o governo iraniano tenha ordenado diretamente o ataque. Até o momento, o que foi divulgado é que os drones partiram do Iraque. A região também abriga grupos armados apoiados pelo Irã, embora uma das milícias iraquianas tenha negado envolvimento no episódio.

A importância do oleoduto saudita

O oleoduto Leste-Oeste possui uma função estratégica para a Arábia Saudita porque permite transportar petróleo produzido no leste do país até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Coluna de fumaça decorrente dos ataques de drones contra o oleoduto saudita. © Área Militar/Reprodução

Na prática, essa infraestrutura oferece aos sauditas uma alternativa ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das passagens mais importantes para o comércio mundial de petróleo e localizada entre o Irã e Omã.

Essa capacidade se tornou ainda mais importante durante a atual guerra. Com o tráfego pelo Estreito de Ormuz sob pressão, a Arábia Saudita passou a depender mais de sua infraestrutura terrestre para levar petróleo até o Mar Vermelho.

Aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia foram redirecionados dessa maneira do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho.

Isso transforma o oleoduto em uma espécie de rota de emergência para manter parte das exportações sauditas funcionando mesmo diante de dificuldades no Golfo Pérsico.

O risco dos ataques na Arábia

Se o Estreito de Ormuz enfrenta riscos de interrupção e, ao mesmo tempo, a principal infraestrutura terrestre utilizada pela Arábia Saudita para contornar essa passagem também é atingida, a capacidade do país de manter suas exportações de petróleo fica mais vulnerável.

Existe ainda outro ponto estratégico no sul da região. No Iêmen, os houthis, grupo apoiado pelo Irã, possuem capacidade militar e posições próximas ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem fundamental para o comércio entre o Oceano Índico, o Mar Vermelho e o Mediterrâneo.

Apesar da gravidade do ataque, a Arábia Saudita decidiu inicialmente evitar uma resposta militar direta.

O governo saudita afirmou que pretende dar ao governo iraquiano a oportunidade de investigar o lançamento dos drones e impedir novos ataques provenientes de seu território.

Essa postura é importante porque uma eventual retaliação saudita contra grupos armados dentro do Iraque poderia ampliar rapidamente o conflito e envolver diretamente outro país da região.

Principal oleoduto da Arábia Saudita explode em chamas após ataques de drones

A infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita sofreu um novo ataque que pode aumentar ainda mais a pressão sobre o mercado internacional de energia.

Um importante sistema de oleodutos do país foi atingido por drones na quinta-feira (10), provocando incêndios e danos em estações de bombeamento.

As informações foram divulgadas inicialmente por autoridades dos Estados Unidos. Uma análise preliminar indicou que os alvos estavam nas proximidades do oleoduto, principalmente estruturas responsáveis por manter o petróleo em movimento ao longo da extensa rede.

Imagens de satélite analisadas após o ataque mostram sinais de incêndio em uma das estações, marcando uma coluna de fumaça escura saindo de uma instalação.

Arábia Saudita interrompe operação do oleoduto

O Ministério da Energia saudita confirmou que o sistema foi atacado e informou que sua operação foi interrompida como medida de precaução.

Segundo autoridades sauditas, os ataques ocorreram nas regiões de Riad e Medina e deixaram algumas pessoas feridas, que receberam atendimento médico. Equipes especializadas foram mobilizadas para avaliar a situação e garantir a segurança das instalações.

Posteriormente, o governo saudita afirmou que os ataques foram realizados por drones lançados a partir do Iraque. Riad também declarou que, por enquanto, não adotaria uma retaliação contra o Iraque, dando ao governo iraquiano a oportunidade de tomar medidas contra os responsáveis.

Por que o oleoduto East-West é tão importante?

O alvo é o chamado East-West Pipeline, uma das principais estruturas utilizadas pela Arábia Saudita para transportar petróleo do leste do país até a costa do Mar Vermelho, desviando milhões de barris da zona quente do Estreito de Ormuz.

Cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia estavam sendo redirecionados por essa rota.

Normalmente, grande parte do petróleo produzido no leste da Arábia Saudita é transportada até terminais localizados no Golfo Pérsico. A partir dali, os navios-tanque precisam atravessar o Estreito de Ormuz para alcançar os mercados internacionais.

O problema é que a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã deixou o estreito praticamente bloqueado para uma parcela significativa do tráfego comercial.

Por isso, a Arábia Saudita passou a utilizar mais intensamente o East-West Pipeline para levar petróleo diretamente até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a passagem pelo Estreito de Ormuz.

No entanto, a rota alternativa também está sob ameaça. É justamente nesse ponto que o ataque ganha uma dimensão maior.

Se o Estreito de Ormuz continua sob forte pressão e o principal oleoduto alternativo da Arábia Saudita também passa a ser alvo de ataques, o país fica com menos opções para transportar seu petróleo até os mercados internacionais.

No extremo sul dessa rota está o Mar Vermelho, que se conecta ao Golfo de Áden através do Estreito de Bab el-Mandeb, uma região cada vez mais ameaçada pelo avanço dos militantes Houthis no Iêmen.

Houthis avançam sobre Bab el-Mandeb e colocam rota estratégica sob ameaça

A guerra no Iêmen ganhou uma nova dimensão estratégica nos últimos dias. Os rebeldes Houthis, grupo apoiado pelo Irã, avançaram pela costa do Mar Vermelho, tomaram a cidade portuária de Mocha e, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (11), também assumiram o controle da estratégica ilha de Perim, localizada no estreito de Bab el-Mandeb.

A movimentação aproxima os Houthis de uma posição capaz de ameaçar diretamente a navegação em um dos principais corredores marítimos do planeta.

O Bab el-Mandeb é a passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e, consequentemente, ao oceano Índico. Na prática, navios que seguem entre a Ásia e a Europa utilizam essa rota para chegar ao Canal de Suez.

Por isso, o avanço Houthi não representa apenas uma disputa territorial dentro do Iêmen. Ele pode ter consequências sobre petróleo, comércio internacional, fretes e preços de produtos em diversos países.

Quem são os Houthis?

Os Houthis, oficialmente chamados de Ansar Allah, são um movimento político, religioso e militar originário do norte do Iêmen.

O grupo surgiu entre a comunidade zaidita, uma corrente do islamismo xiita tradicionalmente presente no norte do país. A organização ganhou força na década de 1990 e passou a combater o governo iemenita.

A grande virada aconteceu em 2014, quando os Houthis conquistaram Sanaa, a capital do Iêmen. O avanço provocou uma guerra civil e levou a Arábia Saudita a intervir militarmente em 2015, apoiando o governo reconhecido internacionalmente.

Desde então, o Iêmen permanece dividido.

Os Houthis controlam grande parte do norte e oeste do país, incluindo áreas densamente povoadas, enquanto o governo internacionalmente reconhecido e seus aliados mantêm posições principalmente no sul e no leste.

Quem financia os Houthis?

O principal apoio externo aos Houthis vem do Irã. Teerã fornece, segundo autoridades e fontes de inteligência citadas por veículos internacionais, armamentos, tecnologia, treinamento e assistência militar.

Entre os equipamentos associados ao arsenal Houthi estão drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro.

O apoio iraniano não significa, necessariamente, que cada operação Houthi seja ordenada diretamente por Teerã. O grupo possuem estrutura própria, liderança própria e interesses ligados à política interna do Iêmen.

Mas a relação com o Irã transformou o grupo em uma importante peça da disputa regional entre Irã, Arábia Saudita, Israel e Estados Unidos.

Além do apoio externo, os Houthis também obtêm recursos dentro das áreas que controlam, por meio de arrecadação, cobrança de impostos, controle econômico de territórios e redes comerciais e de contrabando.

A importância da cidade de Mocha

A cidade fica na costa do Mar Vermelho, relativamente próximo ao Bab el-Mandeb. A captura permite aos Houthis ampliar sua presença militar em direção ao estreito.

Segundo fontes citadas pela Reuters, o grupo também avançou contra as ilhas Hanish e buscava posições em Dhubab e Perim, pontos considerados fundamentais para exercer influência sobre a passagem marítima.

A situação evoluiu ainda mais com a notícia da tomada de Perim, uma pequena ilha situada praticamente no centro da entrada do Bab el-Mandeb.

Isso é importante porque controlar posições terrestres próximas ao estreito oferece aos militantes melhores condições para observar, ameaçar ou atacar embarcações que atravessem a região.

Isso não significa que o grupo tenha literalmente “fechado” o estreito.

Mas significa que os Houthis estão muito mais próximos de possuir capacidade para transformar o Bab el-Mandeb em uma área de alto risco para a navegação internacional.

O que significa “fechar” o Bab el-Mandeb?

“Fechar o estreito” não necessariamente significa colocar uma barreira física no mar.

Um grupo armado pode provocar o fechamento de uma rota simplesmente tornando a passagem perigosa demais para navios comerciais.

Se empresas de navegação considerarem que seus navios podem ser atingidos por mísseis, drones ou minas, elas podem decidir suspender as viagens ou utilizar rotas alternativas.

Foi justamente esse tipo de ameaça que já provocou alterações significativas no tráfego do Mar Vermelho nos últimos anos.

O Bab el-Mandeb funciona como uma espécie de porta de entrada e saída do Mar Vermelho. Depois dele está o Canal de Suez, que conecta a região ao Mediterrâneo.

Por isso, uma crise nessa passagem pode atingir diretamente o comércio entre Ásia, Oriente Médio e Europa.

Por que a Arábia Saudita apoia o governo do Iêmen?

Para a Arábia Saudita, a questão é muito maior do que a guerra civil iemenita.

O Iêmen está localizado imediatamente ao sul do território saudita. Um governo Houthi forte e aliado do Irã representa, portanto, uma ameaça estratégica direta para Riad.

A Arábia Saudita já enfrentou ataques Houthis contra seu território utilizando mísseis e drones, inclusive contra instalações relacionadas à indústria de energia.

Por isso, Riad apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen e tenta impedir que os Houthis controlem todo o país ou dominem posições estratégicas próximas às fronteiras sauditas e ao Mar Vermelho.

Mas existe um problema. A Arábia Saudita já passou anos tentando derrotar militarmente os Houthis e descobriu que uma vitória definitiva é extremamente difícil.

Depois de anos de guerra, uma trégua estabelecida em 2022 reduziu significativamente os combates, mas nunca produziu um acordo de paz definitivo.

Agora, com a nova ofensiva Houthi, Riad enfrenta novamente uma escolha difícil: intervir militarmente em maior escala ou tentar evitar uma nova guerra prolongada no Iêmen.

A importância dos EUA

Os Estados Unidos são um dos principais parceiros militares e estratégicos da Arábia Saudita. A relação envolve armamentos, treinamento, inteligência, defesa aérea e cooperação militar.

Neste momento, porém, a Arábia Saudita está pedindo maior apoio americano, mas Washington não necessariamente quer entrar diretamente em uma nova guerra no Iêmen.

Mais de 100 militares e conselheiros americanos estão em território saudita, fornecendo apoio de inteligência e direcionamento de alvos dentro de uma estrutura de cooperação militar com Riad.

Além disso, segundo fontes citadas pela Reuters, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu ao presidente Donald Trump uma participação militar americana mais direta contra os Houthis.

Trump, porém, teria recusado o envio direto de forças americanas para atacar os Houthis, embora tenha concordado com apoio de inteligência e direcionamento de alvos.

EUA e os ataques contra os Houthis

Porque qualquer ataque americano pode ampliar ainda mais o conflito regional.

Os Houthis são aliados do Irã. Portanto, uma campanha militar americana contra o grupo poderia ser interpretada por Teerã como uma nova frente direta de confronto.

Além disso, os Estados Unidos precisam proteger simultaneamente seus interesses no Golfo Pérsico, Mar Vermelho, Arábia Saudita e outras áreas estratégicas do Oriente Médio.

A estratégia do Irã

Para o Irã, os Houthis representam uma maneira de aumentar sua capacidade de pressionar adversários sem necessariamente utilizar diretamente as Forças Armadas iranianas.

O país possui aliados e grupos armados em diferentes partes do Oriente Médio. Os Houthis acrescentam uma dimensão marítima a essa rede.

Ao possuir influência sobre o Iêmen e capacidade de ameaçar o Bab el-Mandeb, o Irã pode aumentar a pressão sobre Arábia Saudita, Estados Unidos e o comércio marítimo internacional.

O que pode acontecer agora?

A grande preocupação é que a captura de Mocha e o avanço sobre Perim transformem o Bab el-Mandeb em uma nova frente da guerra regional.

A primeira consequência pode ser militar, a Arábia Saudita pode aumentar os ataques contra posições Houthis. A segunda é econômica, com empresas de navegação podem evitar a região, aumentando o tempo e o custo do transporte.

A terceira, e não menos importante, é energética. Qualquer ameaça simultânea ao Bab el-Mandeb e ao Estreito de Hormuz pode aumentar a pressão sobre o mercado internacional de petróleo.

E existe ainda um quarto risco, o retorno de uma guerra civil em grande escala no Iêmen. A trégua de 2022 havia reduzido drasticamente a intensidade do conflito, mas os combates recentes já provocaram novos deslocamentos de civis e ameaçam destruir o frágil equilíbrio construído nos últimos anos.

E é justamente essa porta que os Houthis estão tentando colocar sob seu controle.

Crime Humanitário! Houthis atacam navio e equipes civis de resgate no Mar Vermelho, seis mortos

Um ataque atribuído aos rebeldes houthis do Iêmen contra o navio de carga Tihamah no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, matou pelo menos seis pessoas na terça-feira, 11 de agosto.

O incidente incluiu um segundo ataque, conhecido como “double-tap”, enquanto equipes de resgate tentavam evacuar a tripulação, segundo o governo iemenita reconhecido internacionalmente no Iêmen Oriental.

O Tihamah, um pequeno cargueiro de bandeira tanzaniana e propriedade egípcia (cerca de 63 metros, construído em 2024), transportava suprimentos alimentares e mercadorias comerciais, de acordo com o Ministério dos Transportes do Iêmen Oriental.

As imagens e vídeos do ocorrido foram amplamente divulgadas por fontes árabes nas redes sociais:

Fontes da guarda costeira e oficiais militares iemenitas indicaram que a embarcação estava ancorada ou navegando perto da costa de al-Mokha, a nordeste da Ilha de Perim, quando foi atingida por mísseis balísticos.

A UK Maritime Trade Operations (UKMTO) e a empresa de segurança marítima Ambrey confirmaram o impacto de um projétil e a ocorrência de vítimas.

UKMTO WARNING 110-26

Quatro tripulantes morreram no primeiro ataque: três paquistaneses e um indonésio. Relatos indonésios confirmaram a morte de pelo menos um cidadão indonésio a bordo, com outros feridos.

Dois membros das equipes de resgate (forças da Resistência Nacional e guarda costeira iemenitas) foram mortos no segundo ataque, que ocorreu enquanto socorristas tentavam ajudar os sobreviventes. Cerca de dez pessoas ficaram feridas no total.

Os houthis reivindicaram o ataque, alegando que o navio transportava equipamento militar saudita, uma afirmação contestada pelo governo iemenita, que descreveu a embarcação como civil e ligada ao fornecimento de alimentos à população iemenita. Não houve confirmação imediata de resposta oficial da Arábia Saudita.

O ataque ocorre no contexto de um bloqueio naval declarado pelos houthis contra a Arábia Saudita no mês anterior, em meio à escalada do conflito regional e à guerra civil iemenita, que se intensificou após o início das hostilidades envolvendo EUA, Israel e Irã no início de 2026.

As mortes a bordo do Tihamah foram descritas como as primeiras em ataques houthis a navios desde o início dessa fase do conflito.

Crime Humanitário!

O Direito Internacional Humanitário (DIH), também conhecido como direito dos conflitos armados, aplica-se a este tipo de situação. Os principais instrumentos e regras relevantes incluem:

Princípio da distinção (Protocolo Adicional I às Convenções de Genebra de 1949, artigos 48, 51 e 52; e direito consuetudinário): Partes em conflito devem distinguir entre combatentes/militares e civis/objetos civis. Ataques só podem ser dirigidos contra objetivos militares. Navios mercantes civis são, em regra, objetos civis protegidos, a menos que façam contribuição efetiva à ação militar do inimigo (ex.: transporte de tropas ou material militar comprovado, ou ameaça imediata).

Proteção de náufragos, feridos e equipes de resgate (Segunda Convenção de Genebra, artigo 18; Artigo 3 comum às Convenções de Genebra): Após um engajamento, as partes devem tomar todas as medidas possíveis para buscar e recolher náufragos, feridos e doentes no mar, sem distinção. Pessoas hors de combat (fora de combate) e aquelas que prestam socorro gozam de proteção especial. Atacar deliberadamente equipes de resgate ou feridos pode constituir violação grave.

Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (artigo 8): Define como crimes de guerra, entre outros, o ataque intencional contra a população civil ou contra pessoas civis que não participem diretamente das hostilidades.

Ataques da IAF na Faixa de Gaza matam cinco altos oficiais do Hamas

Quatro membros seniores do Hamas foram mortos nos ataques das FDI em Gaza durante a noite, afirmou o Hamas na terça-feira.

Na noite de segunda-feira, as IDF começaram a atacar a Faixa de Gaza, em um movimento que o Gabinete do Primeiro Ministro disse ser uma resposta à recusa do Hamas em libertar os reféns ainda mantidos em Gaza.

Na manhã de terça-feira, o Hamas afirmou que mais de 300 pessoas foram mortas até agora, entre elas quatro de seus altos funcionários. Ele os nomeou como Mahmoud Abu Watfa, o diretor-geral do Ministério do Interior do Hamas; Issam al-Da’alis, membros do bureau político do Hamas; Ahmed Omar al-Hatta, um líder sênior; e Bahjat Abu Sultan, responsável pelo aparato de segurança interna do Hamas.

Detalhes dos membros seniores

Da’alis, um nativo de Jabalya, serviu anteriormente como primeiro-ministro de fato do Hamas em Gaza. No entanto, a mídia árabe afirmou que Da’alis foi eliminado em um ataque em 23 de julho de 2024, confirmando sua morte meses depois, em 22 de janeiro de 2025.

Da’alis também trabalhou como consultor de Ismail Haniyeh.

Hatta, conhecido como “Abu Omar”, supostamente serviu como diretor-geral do Ministério da Justiça do Hamas e esteve envolvido no fortalecimento do sistema legal islâmico na Faixa de Gaza, informou o Ynet.

Sultan era supostamente responsável pelas operações internas em Gaza e era considerado um líder proeminente no Hamas, de acordo com a Sky News Arabia.

Anteriormente, ele ocupou o cargo de diretor-geral da Autoridade de Organização e Administração no Ministério do Interior do Hamas.

Watfa era diretor-geral do Ministério do Interior do Hamas em Gaza. A mídia israelense relatou que sua família também foi morta no ataque à sua casa em Gaza.

O Hamas elogiou os “mártires” dizendo: “Enquanto lamentamos esses líderes que trabalharam desde o início da guerra de extermínio para aliviar o sofrimento de seu povo, assumindo fielmente a responsabilidade confiada a eles, e que ascenderam após uma jornada cheia de sacrifícios e posições honrosas — servindo como exemplos de dedicação e devoção ao seu trabalho — afirmamos que a perda da liderança do governo não nos impedirá de cumprir nosso dever nacional para com nosso povo palestino. Continuamos comprometidos com nossa obrigação religiosa e nosso papel ético e profissional em servi-los, apoiando sua resiliência e permanecendo firmes diante dessa agressão brutal.”

IDF diz que derrubou míssil do Iêmen que disparou sirenes no centro de Israel e Jerusalém

Sirenes foram ativadas no centro de Israel e em Jerusalém por volta das 4h30 da manhã de sexta-feira, depois que um míssil balístico foi lançado contra o país a partir do Iêmen, disseram as Forças de Defesa de Israel.

Os militares disseram que conseguiram derrubar o projétil, mas um fragmento após a interceptação caiu perto da cidade central de Modiin.

Imagens postadas nas redes sociais mostraram um projétil caindo do céu antes de uma explosão ser vista perto da cidade.

Os militares estavam investigando o incidente. No passado, mísseis parcialmente interceptados lançados contra Israel às vezes caíam com suas ogivas intactas, causando danos extensos. Outro fragmento teria caído no assentamento de Har Gilo, perto de Jerusalém.

Nenhum ferimento físico foi relatado como resultado direto do ataque. No entanto, os médicos trataram mais de nove pessoas que sofriam de ansiedade aguda e 12 que se machucaram enquanto procuravam abrigo, disse o serviço de ambulância Magen David Adom.

Mais tarde na manhã de sexta-feira, um drone lançado em Israel do Iêmen foi interceptado com sucesso pela Força Aérea Israelense, disseram os militares. De acordo com a IDF, o drone foi abatido fora das fronteiras de Israel e, portanto, nenhuma sirene soou.

Mais tarde, os Houthis no Iêmen assumiram a responsabilidade pelos ataques, alegando ter atingido uma usina elétrica a leste de Tel Aviv com o míssil balístico durante a noite e um “alvo militar” na área de Tel Aviv com o drone da manhã.

Militares israelenses atacam o Iêmen horas após ataque dos Houthis atingir Israel

Os militares israelenses lançaram ataques mortais contra alvos Houthis no Iêmen na manhã de quinta-feira, poucas horas após o último ataque do grupo militante apoiado pelo Irã contra Israel.

Nove pessoas morreram e outras três ficaram feridas em ataques aéreos israelenses em um porto e instalação petrolífera perto da capital Sanaa, disse Nasruddin Amer, vice-chefe do escritório de mídia Houthi, em uma publicação no X. Mais cedo, a TV Al-Masirah, administrada pelos Houthis, disse que os ataques israelenses tinham como alvo as usinas de energia de Heyzaz e Dhahban, perto da capital, e o porto de Hodeidah e a instalação petrolífera de Ras Isa.

Os militares israelenses disseram que os ataques aéreos foram uma retaliação aos ataques com mísseis e drones dos Houthis contra Israel no ano passado, a maioria dos quais foi interceptada.

“A longa mão de Israel também alcançará vocês”, disse o Ministro da Defesa Israelense, Israel Katz, em um aviso aos líderes Houthi após os ataques. “Quem quer que levante a mão contra o Estado de Israel — sua mão será cortada, quem quer que nos prejudique — será prejudicado sete vezes mais.”

As tensões entre Israel e os Houthis aumentaram durante meses enquanto Israel travava uma guerra contra o Hamas em Gaza após os ataques do grupo militante palestino em 7 de outubro – com líderes mundiais alertando sobre o potencial de um conflito mais amplo no Oriente Médio.

Mais cedo na quinta-feira, sirenes foram ouvidas no centro de Israel depois que o exército israelense interceptou um míssil lançado do Iêmen, disseram as Forças de Defesa de Israel (IDF). Uma escola foi danificada e nenhum ferimento foi relatado, disseram as IDF.

Mais tarde, os Houthis alegaram que haviam alcançado seus objetivos em ataques duplos com mísseis contra alvos militares israelenses na área de Tel Aviv.

Os Houthis atacaram Israel, seus aliados e linhas de navegação vitais do Mar Vermelho em rejeição à campanha militar de Israel em Gaza. Em julho, os Houthis assumiram a responsabilidade por um ataque mortal com drones em Tel Aviv, o centro comercial de Israel — o primeiro ataque desse tipo na cidade feito pelo grupo.

Navios comerciais continuam adicionando milhares de quilômetros nas viagens para evitar ataques dos Houthis no Iêmen

Alguns navios de carga estão estendendo suas viagens por até 10 dias e milhares de milhas para evitar ataques Houthis no Mar Vermelho, informou o The New York Times na quarta-feira.

Mais de um ano atrás, rebeldes Houthis baseados no Iêmen começaram a atacar navios e embarcações no Mar Vermelho, o que eles disseram ser uma resposta à escalada de Israel em Gaza.

No entanto, os rebeldes também atacaram navios sem nenhuma conexão óbvia com o conflito Israel-Hamas.

O historiador marítimo Salvatore Mercogliano disse ao Times que a situação era um dos desafios mais significativos que a navegação enfrentava há algum tempo.

Um relatório da Agência de Inteligência de Defesa disse que os interesses comerciais de pelo menos 65 países foram afetados pelos ataques Houthis à navegação comercial em abril.

Houve cerca de 130 incidentes desse tipo envolvendo navios comerciais desde outubro de 2023, segundo números coletados pelo Armed Conflict Location and Event Data Project.

Map showing alternate shipping routes caused by the Gaza war.

O desvio de navios ao redor do Cabo da Boa Esperança, na África, acrescenta milhares de milhas náuticas, até duas semanas de tempo de trânsito e cerca de US$ 1 milhão em custos de combustível para cada viagem, de acordo com o relatório.

Ele também disse que o transporte de contêineres pelo Mar Vermelho, que normalmente representa cerca de 10% a 15% do comércio marítimo internacional, caiu cerca de 90% entre dezembro de 2023 e fevereiro.

Os EUA e a UE enviaram navios de guerra ao Mar Vermelho e ao Golfo de Áden para impedir ataques Houthis, mas a medida teve pouco impacto.

De acordo com o Portwatch , um banco de dados administrado pelo FMI e pela Universidade de Oxford, o número médio de navios porta-contêineres passando pelo Mar Vermelho por semana em 1º de dezembro era de 26, abaixo dos 73 do mesmo período do ano passado.

Além de tempos de viagem mais longos e custos mais altos, a consultoria de gestão Inverto estimou que 14 milhões de toneladas adicionais de dióxido de carbono foram emitidas desde o início da crise.