EUA planejam reabrir duas bases militares na Groenlândia em meio a novo acordo de segurança

Os Estados Unidos planejam ampliar significativamente sua presença militar na Groenlândia com a reabertura de uma antiga base da Guerra Fria e a instalação de uma nova presença militar no leste da ilha. A informação foi divulgada pela Reuters nesta segunda-feira (21), com base em relatos de três pessoas familiarizadas com as negociações.

A movimentação ocorre no contexto de um novo acordo de segurança que Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia devem assinar nesta terça-feira (22), durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O texto completo do acordo ainda não foi divulgado, e os detalhes permanecem em negociação até a assinatura.

As duas posições estratégicas

A primeira é Narsarsuaq, no sul da Groenlândia. O local abrigou a antiga base americana Bluie West One, utilizada durante a Guerra Fria e fechada pelos Estados Unidos na década de 1950.

A segunda é Mestersvig, na costa leste. Atualmente, a região é utilizada pela Patrulha Sirius, uma unidade das forças especiais dinamarquesas que realiza operações de vigilância no Ártico utilizando trenós puxados por cães.

Na prática, a medida representa uma retomada de instalações militares americanas em uma região que já teve uma presença muito maior de Washington.

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a manter 17 instalações militares e mais de 10 mil militares na Groenlândia. Atualmente, a presença americana permanente está concentrada principalmente na Base Espacial de Pituffik, no noroeste da ilha, onde permanecem cerca de 150 militares americanos, segundo a Reuters.

A importância da Groenlândia frente às ameaças ao norte

A Groenlândia está localizada entre a América do Norte, o Atlântico Norte e o Ártico. Sua posição permite monitorar uma das principais áreas de aproximação entre a América do Norte, a Europa e o Polo Norte.

Mapa das atividades chineses na região do Círculo Polar Ártico. Imagem: Google, USNIC, NGA, OSM-Boundaries

Além disso, o derretimento do gelo no Ártico vem aumentando o interesse estratégico pelas rotas marítimas e pelos recursos naturais da região.

É justamente essa combinação, posição geográfica, defesa aérea, vigilância espacial, rotas marítimas e recursos naturais, que tornou a Groenlândia um território de crescente importância para Estados Unidos, Rússia, China e países europeus.

A presença americana na região, portanto, não representa apenas uma questão relacionada à Groenlândia. Ela está diretamente ligada à estratégia de segurança do Ártico e do Atlântico Norte.

HISTÓRICO! Trump anuncia acordo que dá aos EUA controle permanente sobre a segurança da Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que Washington chegou a um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia para ampliar de forma permanente o papel americano na segurança do território localizado no Ártico.

A declaração foi publicada por Trump em sua rede social, a Truth Social. Segundo o presidente, o acordo garante aos Estados Unidos a capacidade permanente de tomar as medidas que considerar necessárias para proteger a segurança da Groenlândia e dos próprios Estados Unidos.

Trump também afirmou que os Estados Unidos começarão imediatamente a trabalhar na expansão de sua presença militar na ilha. O presidente disse ainda que países considerados adversários de Washington não poderão estabelecer bases militares, manter presença militar ou realizar determinados investimentos estratégicos na Groenlândia sem autorização expressa dos Estados Unidos.

A Reuters informou que as negociações entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia vinham avançando para um acordo que aumentaria significativamente a presença militar americana, mas que ficaria distante da antiga proposta de Trump de simplesmente adquirir a Groenlândia.

A importância da Groenlândia

A Groenlândia ocupa uma posição extremamente estratégica no Ártico. A ilha está localizada entre a América do Norte e a Europa e fica próxima das rotas que podem ser utilizadas por aeronaves, mísseis e outras forças militares que se movimentem entre a América do Norte, o Atlântico Norte e o Ártico.

Além disso, a região ganhou importância com o aumento da competição entre Estados Unidos, Rússia e China no extremo norte do planeta.

Os Estados Unidos já possuem uma instalação militar na Groenlândia: a Pituffik Space Base, localizada no norte da ilha. Um acordo de defesa firmado entre Washington e Copenhague em 1951, posteriormente atualizado, já permite uma ampla atuação militar americana no território.

O novo entendimento anunciado por Trump busca, segundo o próprio governo americano, levar essa presença para um nível muito maior.

A questão da Rússia e da China

Um dos pontos mais importantes do anúncio é a tentativa de limitar a presença de adversários dos Estados Unidos na Groenlândia.

Trump afirmou que nenhum adversário americano poderá estabelecer uma base, manter presença militar ou realizar determinados investimentos considerados sensíveis sem autorização de Washington.

A preocupação americana está relacionada à crescente disputa estratégica pelo Ártico.

A região possui importância militar, econômica e energética e, com o derretimento do gelo em determinadas áreas, novas rotas marítimas e possibilidades de exploração de recursos passaram a receber maior atenção internacional.

O efeito do projeto Golden Dome

Esse é talvez o ponto mais importante para entender o anúncio. O Golden Dome não depende apenas de interceptadores.

Um sistema de defesa antimísseis precisa detectar uma ameaça o mais cedo possível, determinar sua trajetória e transmitir essas informações rapidamente para os elementos responsáveis pela resposta.

Por isso, a arquitetura de sensores e instalações de apoio é tão importante quanto os próprios mísseis interceptadores. A posição da Groenlândia pode oferecer aos Estados Unidos uma plataforma estratégica para ampliar sua cobertura no extremo norte.

Chefe militar da UE diz que faria sentido colocar tropas europeias na Groenlândia

O principal oficial militar da União Europeia e presidente do Comitê militar, Robert Brieger, disse que faria sentido estacionar tropas de países da UE na Groenlândia, de acordo com uma entrevista ao jornal alemão Welt am Sonntag publicada no sábado, já que o presidente dos EUA, Donald Trump, expressou interesse em adquirir o território dinamarquês .

“Na minha opinião, faria todo o sentido não apenas estacionar forças dos EUA na Groenlândia, como tem sido o caso até agora, mas também considerar estacionar soldados da UE lá no futuro”, disse o presidente do Comitê Militar da União Europeia.

Em última análise, tal passo exigiria uma decisão política, disse o general nascido na Áustria. O comitê militar é o mais alto cargo militar do Conselho Europeu, mas serve como um corpo consultivo, já que o bloco não tem um exército dedicado.

A OTAN liderada pelos EUA é a principal aliança militar da UE. Embora a Groenlândia não faça parte da UE como território ultramarino da Dinamarca, os europeus, assim como os EUA, têm interesses na Groenlândia, acrescentou o general, citando suas matérias-primas e localização estratégica.