Oficial de alto escalão vê possível mudança de governo como oportunidade para modernizar as Forças Armadas do Brasil

Um oficial de alto escalão da Força Aérea Brasileira, que pediu para não ser identificado, afirmou estar otimista com a possibilidade de uma mudança na política federal para a área de Defesa em um eventual novo governo.

Segundo o militar, a expectativa é de que uma nova orientação estratégica possa dar maior prioridade à revitalização e à modernização de setores considerados fundamentais para preparar o Brasil para os conflitos e ameaças do século XXI.

De acordo com o relato obtido pela reportagem, a preocupação não está apenas na aquisição de equipamentos tradicionais, mas principalmente na incorporação de tecnologias capazes de mudar a forma como as Forças Armadas detectam ameaças, tomam decisões e conduzem operações.

Entre as áreas apontadas pelo oficial estão inteligência artificial, inclusive sistemas avançados de IA; defesa cibernética; defesa aérea baseada em artilharia e sistemas integrados; além do uso e compartilhamento estratégico de informações obtidas por satélites.

A avaliação ocorre em um momento em que o próprio Ministério da Defesa brasileiro vem tratando os domínios cibernético e espacial como setores prioritários. A Estratégia Nacional de Defesa estabelece os setores nuclear, cibernético e espacial como áreas estratégicas para a modernização da estrutura nacional de defesa.

A aposta em inteligência artificial

Para o oficial, uma das principais mudanças necessárias seria acelerar a entrada da inteligência artificial na estrutura militar.

Na prática, “isso significa utilizar sistemas capazes de processar grandes volumes de informações em pouco tempo, auxiliar no planejamento de operações, identificar padrões e melhorar o processo de tomada de decisão”, disse o oficial.

A Força Aérea já estabeleceu uma diretriz específica para inteligência artificial. O documento prevê o emprego da tecnologia como multiplicador de poder e destaca aplicações relacionadas a comando e controle, planejamento de missões, alocação de recursos e processo decisório.

A expectativa do militar ouvido pela reportagem, entretanto, é que esse movimento possa ganhar escala e deixar de ser tratado apenas como projetos isolados.

O objetivo seria construir uma capacidade nacional mais ampla, com integração entre as três Forças e desenvolvimento de tecnologias próprias.

Defesa aérea: detectar antes de reagir

A modernização da defesa aérea também aparece entre as prioridades mencionadas pelo oficial.

A lógica é relativamente simples: “quanto mais cedo uma ameaça for detectada, maior será a possibilidade de neutralizá-la”, destacou o militar.

Isso exige uma rede integrada de radares, sensores, sistemas de comando e controle e meios capazes de responder a diferentes tipos de ameaça.

Drones, aeronaves, mísseis e outros vetores podem exigir respostas distintas. Por isso, uma defesa aérea moderna não depende de uma única arma, mas de uma arquitetura integrada.

Nesse cenário, sistemas de artilharia antiaérea poderiam funcionar conectados a sensores e centros de comando, formando camadas de proteção para instalações militares, infraestrutura crítica e áreas estratégicas.

Uma mudança de lógica

O ponto central da avaliação do oficial é que modernizar as Forças Armadas não significa simplesmente comprar mais equipamentos. “A questão seria construir uma estrutura militar capaz de operar de maneira integrada em diferentes domínios: terra, mar, ar, espaço e ambiente cibernético”, destaca o militar.

Essa transformação exigiria investimentos de longo prazo, planejamento contínuo e uma política de Estado que sobreviva às mudanças de governo.

O Brasil já possui programas e estruturas voltados para parte dessas capacidades. O Ministério da Defesa, por exemplo, mantém uma política de tecnologias críticas destinada a orientar atividades de pesquisa e desenvolvimento em projetos das Forças Armadas.

A diferença, segundo a avaliação do militar, estaria na escala e na prioridade que um eventual novo governo poderia dar a esses programas.

A questão levantada pelo oficial, portanto, não seria apenas quanto o país gastará em Defesa, mas em quais capacidades pretende investir e qual papel deseja ocupar no cenário militar internacional nas próximas décadas.

EUA liberam possível venda de US$ 2,68 bilhões para modernizar a defesa aérea da Ucrânia

Os Estados Unidos deram um novo passo para ampliar a capacidade de defesa aérea da Ucrânia. O Departamento de Estado americano aprovou uma possível venda militar estimada em US$ 2,68 bilhões, envolvendo sistemas, equipamentos, atualizações, desenvolvimento e serviços relacionados à defesa contra ataques aéreos e de mísseis. A informação foi divulgada em uma notificação enviada ao Congresso americano na sexta-feira, 18 de setembro.

O anúncio ocorre em um momento particularmente importante para Kiev. A Ucrânia enfrenta uma campanha russa cada vez mais intensa de ataques com drones e mísseis, enquanto seus estoques de interceptadores para sistemas ocidentais, especialmente os Patriot, permanecem sob forte pressão.

A Reuters informou recentemente que Moscou vem utilizando também mísseis de menor custo em ataques, numa estratégia que pode aumentar o desgaste das defesas ucranianas.

O que está por trás dos US$ 2,7 bilhões?

É importante entender que o anúncio não significa que a Ucrânia receberá imediatamente US$ 2,7 bilhões em armas prontas.

Trata-se de uma autorização para uma possível venda militar. O pacote inclui desenvolvimento e atualização de capacidades de defesa aérea, além de equipamentos e serviços associados.

O valor divulgado representa uma estimativa máxima do programa, e o custo final pode ser diferente dependendo das negociações, dos requisitos e dos contratos que eventualmente forem assinados.

Esse tipo de procedimento faz parte do sistema americano de Foreign Military Sales, pelo qual Washington autoriza e estrutura possíveis vendas de equipamentos e serviços militares a governos estrangeiros.

Para a Ucrânia, o financiamento também tem uma característica importante: segundo a notificação americana, o eventual acordo seria financiado por contribuições europeias e recursos de Foreign Military Financing (FMF) dos Estados Unidos que foram apropriados durante a administração do ex-presidente Joe Biden.

Ou seja, a autorização atual não deve ser interpretada simplesmente como um novo cheque de US$ 2,7 bilhões saindo diretamente dos cofres americanos para Kiev.

A importância de da defesa aérea

A guerra na Ucrânia mostrou que proteger cidades e infraestrutura contra ataques aéreos é tão importante quanto possuir tropas e blindados no campo de batalha.

A Rússia utiliza uma combinação de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, armas hipersônicas e grandes quantidades de drones. Isso obriga a Ucrânia a gastar constantemente seus interceptadores para tentar impedir que essas armas atinjam centros urbanos, instalações militares, infraestrutura energética e outros alvos.

O problema é que um sistema de defesa aérea sofisticado não funciona apenas com o lançador. É necessário manter radares, centros de comando, softwares, veículos, peças de reposição, treinamento e, principalmente, uma quantidade suficiente de mísseis interceptadores.

Patriot continua sendo peça central

Os sistemas Patriot estão entre os recursos mais importantes utilizados pela Ucrânia contra ameaças de maior complexidade, especialmente mísseis balísticos.

A Ucrânia não enfrenta apenas a necessidade de receber mais lançadores e mísseis. Ela precisa manter uma arquitetura completa funcionando durante uma guerra prolongada: radares detectam as ameaças, sistemas de comando processam as informações, lançadores realizam as interceptações e uma enorme estrutura logística mantém tudo operacional.

O Governo da Ucrânia solicitou a compra dos seguintes itens de equipamentos de defesa não essenciais:

Mísseis clones do S-300; mísseis GAM-67; sistemas de mísseis de defesa aérea guiados a laser de longo alcance; lançador transportador-erector improvisado 1.5; kits de modificação de sistemas de lançamento móveis; radares antiaéreos RPS 202; reboques de mastros erguíveis, grandes modificações e suporte de manutenção; peças de reposição, consumíveis e acessórios, e suporte de reparo e devolução; software; publicações; suporte de transporte; serviços de engenharia, técnicos e de suporte logístico do governo dos EUA e de contratados; e outros elementos relacionados à logística e ao suporte do programa.

O acordo já está fechado? Não. Esse é um dos pontos mais importantes da notícia. A decisão do Departamento de Estado americano representa uma aprovação de uma possível venda, e não a confirmação de que todo o pacote de US$ 2,7 bilhões já foi contratado ou entregue.

O processo ainda depende das etapas previstas no sistema americano de vendas militares ao exterior e das negociações necessárias para transformar a autorização em contratos efetivos.

A decisão atual abre caminho para uma possível operação de até US$ 2,7 bilhões destinada ao desenvolvimento e à modernização da defesa aérea ucraniana.

Como funciona o programa de financiamento estrangeiro U.S. Foreign Military Financing (FMF)?

O U.S. Foreign Military Financing (FMF) é um programa dos Estados Unidos que fornece financiamento, geralmente na forma de subsídios ou empréstimos conforme o mecanismo utilizado, para que países aliados possam adquirir equipamentos e serviços militares, principalmente de empresas americanas.

Os recursos são aprovados pelo governo e pelo Congresso dos EUA e usados para financiar compras, treinamento, manutenção e outras necessidades de defesa.