Japão lança sua primeira Agência de Inteligência Centralizada desde a Segunda Guerra Mundial

O Japão deu um passo histórico nesta sexta-feira (31) ao lançar oficialmente o Bureau Nacional de Inteligência, a primeira estrutura centralizada de inteligência do país desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A nova entidade, que substitui e eleva o antigo Escritório de Inteligência e Pesquisa do Gabinete, nasce em um momento de profundas mudanças na arquitetura de segurança japonesa, impulsionada pelo governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, e representa o início de uma reforma mais ampla que pode incluir, nos próximos anos, uma lei anti-espionagem e até mesmo a criação de um serviço de inteligência externa dedicado.

Durante décadas, o sistema japonês de coleta e análise de informações permaneceu fragmentado. Diferentes órgãos, a Agência Nacional de Polícia, o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Defesa, a Agência de Inteligência de Segurança Pública ligada ao Ministério da Justiça e o próprio Escritório de Inteligência e Pesquisa do Gabinete, reuniam dados de forma isolada, com pouca coordenação efetiva e sem autoridade formal para obrigar o compartilhamento entre si.

O resultado era um fluxo de informações desconectado, que dificultava a tomada de decisões estratégicas no mais alto nível do governo. O Bureau Nacional de Inteligência, com cerca de 700 a 730 funcionários e liderado por Kazuya Hara, um experiente oficial da Agência Nacional de Polícia que já comandava o órgão antecessor desde 2023, passa a atuar como núcleo operacional e administrativo.

Ele tem mandato legal para integrar, organizar e analisar material proveniente de todo o governo, definindo prioridades de forma independente das agendas setoriais de cada ministério. Acima dele funciona o Conselho Nacional de Inteligência, presidido pela própria primeira-ministra e composto por ministros-chave, incluindo os titulares das pastas de Relações Exteriores, Defesa, Justiça, Economia e Segurança Pública.

O conselho reuniu-se pela primeira vez no mesmo dia do lançamento do bureau, iniciando discussões sobre a primeira estratégia nacional de inteligência do Japão.

A reestruturação da inteligência

A criação dessa estrutura responde a vulnerabilidades acumuladas ao longo de oito décadas. Após a derrota em 1945, a ocupação aliada e o processo de democratização desmantelaram deliberadamente o aparato de inteligência imperial, associado a abusos contra cidadãos e à repressão política.

O Japão passou a depender fortemente dos Estados Unidos para inteligência externa e manteve um sistema doméstico cauteloso, temeroso de qualquer retorno a práticas autoritárias.

Ao longo dos anos, líderes como o ex-primeiro-ministro Yasuhiro Nakasone alertaram, ainda na década de 1980, que o país se tornara um “paraíso para espiões”. Sem uma lei específica anti-espionagem e sem um serviço próprio de inteligência exterior comparável ao de aliados como o Reino Unido, a Austrália ou o Canadá, agentes estrangeiros e informantes locais podiam operar com relativa impunidade.

Investigações recentes revelaram como Moscou explorou essas falhas para adquirir e contrabandear componentes eletrônicos japoneses destinados a mísseis e drones usados na guerra da Ucrânia.

China e Coreia do Norte, por sua vez, intensificaram operações de influência, desinformação e espionagem tecnológica, aproveitando a posição do Japão como aliado dos Estados Unidos e anfitrião de bases americanas.

O momento ideal de reformas…

A primeira-ministra Takaichi, eleita em outubro de 2025 e fortalecida por uma supermaioria no Parlamento após eleições no início de 2026, tem defendido consistentemente o fortalecimento das capacidades de defesa e segurança, inclusive a revisão da Constituição pacifista.

Em um ambiente regional marcado pelo crescente alinhamento entre China, Rússia e Coreia do Norte, simbolizado por aparições conjuntas em desfiles militares e por exercícios navais combinados, Tóquio reconhece que precisa assumir maior responsabilidade pela própria proteção e pela qualidade das informações compartilhadas com aliados.

A fragmentação anterior tornava o Japão “vazado” aos olhos de parceiros, reduzindo a disposição destes em fornecer dados sensíveis. A nova estrutura busca corrigir isso, abrangendo contraterrorismo, resposta a emergências nacionais e contramedidas às atividades de inteligência estrangeira, incluindo operações de influência encoberta.

Uma Agência com doutrinas próprias, mas com expertise de aliados

Quanto aos modelos de referência, o governo japonês não pretende simplesmente copiar um sistema estrangeiro, mas tem buscado ativamente conselhos e experiências de parceiros ocidentais.

Nos últimos meses, autoridades de Tóquio consultaram informalmente Estados Unidos, Austrália e Alemanha sobre tecnologia, formação de pessoal, definição de prioridades e métodos de coordenação interministerial.

Oficiais americanos ofereceram orientações sobre sistemas de ciberdefesa e combate à espionagem industrial. Australianos, com experiência na construção de estruturas como o Escritório de Inteligência Nacional, aconselharam estratégias para integrar ministérios díspares.

O chefe do serviço de inteligência exterior alemão, o BND, visitou Tóquio para discutir compartilhamento de informações. Membros da aliança Five Eyes, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia, demonstraram apoio às reformas, vendo nelas potencial para aprofundar a cooperação contra ameaças comuns.

A estrutura do Conselho Nacional de Inteligência inspira-se, em parte, no Conselho de Segurança Nacional americano, estabelecido no Japão em 2013 sob Shinzo Abe, mentor político de Takaichi.

Para o futuro, o governo prevê estudar a criação de um serviço de inteligência externa autônomo, cuja função de coleta de informações humanas no exterior tem sido comparada, por analistas e pela própria discussão oficial, a modelos como a CIA norte-americana ou o MI6 britânico.

Especialistas apontam ainda que o Japão observa de perto mecanismos de supervisão parlamentar existentes nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha, a fim de equilibrar eficácia com transparência de atuação.

A Centralização de contra-espionagem e inteligência

Os motivos que impulsionam essas referências são pragmáticos e estratégicos. Em um mundo de ameaças híbridas, cibernéticas, de influência e de espionagem tecnológica, a dependência excessiva de um único aliado e a ausência de capacidades próprias limitavam a autonomia japonesa.

A centralização permite decisões mais rápidas e baseadas em informações de melhor qualidade, fortalece a posição do Japão na aliança com Washington e prepara o terreno para eventual integração mais profunda com redes de compartilhamento de inteligência.

Ao mesmo tempo, responde à percepção de que a balança de poder na Ásia está em transformação e de que o país precisa proteger segredos industriais, bases militares e processos políticos internos.

A reforma, no entanto, não ocorre sem controvérsias. Críticos alertam para o risco de aumento da vigilância sobre cidadãos, possível uso político das novas estruturas e insuficiência de mecanismos de controle externo.

Memórias do aparato repressivo pré-guerra ainda ecoam em setores da sociedade e da oposição, que veem na centralização um desvio dos ideais pacifistas do pós-guerra. O governo responde enfatizando que o bureau e o conselho produzirão registros das deliberações para verificação posterior e que a formulação de uma estratégia nacional de inteligência incluirá salvaguardas (garantias).

Especialistas observam que o sucesso dependerá da capacidade de construir legitimidade pública e de equilibrar eficácia com respeito a direitos fundamentais.

Assim, o lançamento do Bureau Nacional de Inteligência marca não apenas uma reorganização burocrática, mas o início de uma transformação mais profunda na forma como o Japão se protege e se posiciona no cenário internacional. É o primeiro passo de um caminho que, segundo a própria primeira-ministra, visa preparar o país para métodos de guerra e competição cada vez mais sofisticados, em um ambiente global instável.

Neste mesmo dia, a Crise dos Mísseis Cubanos chegou ao ponto máximo após os soviéticos abateram avião espião U-2 da CIA em Cuba

Na manhã de 27 de outubro, um avião espião U-2F (o terceiro U-2A da CIA, modificado para reabastecimento ar-ar) pilotado pelo Major da USAF Rudolf Anderson, partiu de sua localização operacional avançada na Base Aérea McCoy, na Flórida.

Aproximadamente às 12h00 EDT (13H Brasília), a aeronave foi atingida por um míssil soviético terra-ar SA-2 lançado de Cuba. A aeronave caiu e Major Anderson morreu.

File:Rudolf Anderson.jpg
U.S. Air Force photo

As já estressantes negociações entre a União Soviética e os EUA se intensificaram em relação aos mísseis soviéticos implantados em Cuba, a poucos quilômetros dos EUA continentais.

Só mais tarde foi assumido que a decisão de disparar o míssil foi tomada localmente por um comandante soviético indeterminado, agindo por sua própria autoridade. Mais tarde naquele dia, por volta das 15h41 EDT (16H41 Brasília), várias aeronaves RF-8A Crusader da Marinha dos EUA , em missões de foto-reconhecimento de baixo nível, foram alvejadas.

Às 16h00 EDT (17H Brasília), Kennedy chamou de volta os membros do EXCOMM para a Casa Branca e ordenou que uma mensagem fosse enviada imediatamente a Moscou que suspendessem o trabalho nos mísseis enquanto as negociações eram realizadas.

Durante a reunião, o general Maxwell Taylor deu a notícia de que o U-2 havia sido abatido. Kennedy havia afirmado anteriormente que ordenaria um ataque a tais locais se fossem alvejados, mas decidiu não agir a menos que outro ataque fosse feito, uma ação contra a vontade dos militares.

Em 28 de outubro de 1962, Khrushchev disse a seu filho Sergei que o abate do U-2 de Anderson foi feito pelos “militares cubanos sob a direção de Raúl Castro “.

Uma autoridade americana transmitiu uma mensagem ao embaixador soviético Dobrynin de que o presidente Kennedy estava sob pressão dos militares para usar a força contra Cuba e que “uma cadeia irreversível de eventos poderia ocorrer contra sua vontade”, pois “o presidente não tem certeza de que os militares não o derrubarão e tomarão o poder”.

Ele, portanto, implorou a Khrushchev que aceitasse o acordo proposto por Kennedy.

Emissários enviados por Kennedy e Khrushchev concordaram em se encontrar no restaurante chinês Yenching Palace, no bairro de Cleveland Park , em Washington, DC, na noite de sábado, 27 de outubro. Kennedy sugeriu aceitar a oferta de Khrushchev de negociar os mísseis, ou seja, a retirada não pública de mísseis americanos Júpiter da Itália e Turquia, e de mísseis soviéticos de Cuba.

Neste mesmo dia, forças bolivianas eliminaram o líder revolucionário de extrema-esquerda matador de gays e religiosos Che Guevara

Neste dia, em 1967, o líder revolucionário de extrema-esquerda e assassino Che Guevara foi morto por forças bolivianas apoiadas pelos militares dos EUA, liderados pela CIA. Che Guevara era homofóbico, racista, assassino em massa e esteve disposto a usar qualquer meio para atingir sua autodeclarada sociedade superior.

O revolucionário Ernesto “Che” Guevara, nascido na Argentina em 1928, ganhou destaque internacional como um dos principais líderes da Revolução Cubana de 1959, que derrubou Fulgencio Batista, apoiado pelos EUA.

Tanto Guevara quanto Castro consideravam a homossexualidade uma decadência burguesa. Em uma entrevista em 1965, Castro explicou que “Um desvio dessa natureza colide com o conceito que temos do que um comunista militante deveria ser”.

Brasileiro especialista em cibersegurança e reconhecido pelo FBI e Mossad revela o atual cenário cibernético no mundo

Na medida em que guerras se propagam pelo mundo, é cada vez mais evidente que o campo de batalha não se limita apenas ao físico. Hoje, países possuem a capacidade de atacar uns aos outros virtualmente, através do que chamamos de “Cyber War” (Guerra Cibernética).

Pensando nisso, nós da Área Militar decidimos conversar com Everton (@hydd3n.sec instagram), um Pesquisador de Segurança brasileiro que ganhou notoriedade por suas descobertas de falhas de segurança em sistemas de gigantes como Microsoft, Apple, Meta, NVIDIA, agências como NASA, FBI, Mossad e o Serviço Secreto dos EUA.

Durante nossa conversa, discutimos como as nações já não se garantem apenas em poderio bélico tradicional, mas constroem verdadeiras fortalezas e armas no campo digital.

Desde a atuação de grupos APT (Ameaças Persistentes Avançadas), compostos por hackers a serviço de governos, até o financiamento de campanhas de hacktivismo, desenvolvimento de ferramentas ofensivas e defensivas, e aquisição de spywares como o Pegasus, que permite espionagem silenciosa de alvos de alto valor estratégico.

Um dos casos mais emblemáticos desse tipo de guerra é o conflito entre Rússia e Ucrânia. Desde 2014, e de forma ainda mais intensa após 2022, a guerra cibernética entre essas nações tem escalado. Invasões a sites governamentais, ataques DDoS coordenados, tentativas de desestabilizar infraestruturas críticas e campanhas de desinformação digital são ações recorrentes.

A Rússia, com seu vasto histórico e estrutura cibernética consolidada, mantém protagonismo no cenário, com apoio de grupos como o Killnet e outros atores não estatais aliados ao Kremlin.

Outro episódio marcante e pioneiro foi o caso Stuxnet em 2010, um ataque cibernético altamente sofisticado, atribuído aos Estados Unidos e Israel, que visava sabotar o programa nuclear do Irã. O vírus Stuxnet conseguiu danificar fisicamente centrífugas nucleares sem a necessidade de um único disparo. Esse ataque foi um divisor de águas, mostrando ao mundo que uma linha de código poderia causar danos comparáveis a um míssil de precisão.

O cenário da guerra cibernética é silencioso, invisível a olho nu, mas com efeitos reais e devastadores.

Para saber mais sobre o trabalho do especialista brasileiro em cibersegurança basta acessa o perfil no instagram ( @hydd3n.sec )

CIA oferece indenizações para a demissão de funcionários no último movimento de “limpeza” na Era Trump

A Agência Central de Inteligência (CIA) ofereceu demissões a toda a sua força de trabalho na terça-feira, citando o objetivo de alinhar a agência às prioridades de Donald Trump, relataram o Wall Street Journal e a CNN.

A agência de espionagem dos EUA também está congelando a contratação de candidatos a empregos que já receberam uma oferta condicional.

O assessor, não identificado no relatório, disse que algumas dessas ofertas congeladas provavelmente seriam rescindidas se os candidatos não tivessem o histórico adequado para os novos objetivos da agência, que incluem atacar cartéis de drogas, a guerra comercial de Trump e minar a China.

Um porta-voz não identificado da CIA disse à CNN que a decisão era parte dos esforços de Ratcliffe para “garantir que a força de trabalho da CIA seja receptiva às prioridades de segurança nacional do governo” e que é “parte de uma estratégia holística para infundir a agência com energia renovada”.

Não está claro quem poderá aceitar a oferta, disse outra fonte não identificada familiarizada com o assunto à CNN, mas algumas operações específicas ou áreas de especialização podem ser restritas.

A agência não divulga seu orçamento ou o número de pessoas que emprega.  O relato de ofertas de aquisição está alinhado com uma grande reformulação do governo dos EUA iniciada pelo governo Trump , que demitiu e afastou centenas de servidores públicos como primeiros passos para reduzir a burocracia e instalar mais pessoas leais.

Na semana passada, a Casa Branca ofereceu a dois milhões de funcionários federais civis em tempo integral uma oportunidade de parar de trabalhar esta semana e receber salários e benefícios até 30 de setembro, enquanto Trump busca reduzir o tamanho do governo.

Incluir a CIA nesse programa parece ter sido uma decisão recente, informou a CNN, citando uma fonte que disse que as autoridades estavam tentando determinar recentemente se seriam incluídas no programa.

Mais cedo na terça-feira, sindicatos que representam funcionários do governo dos EUA entraram com uma ação judicial para bloquear o plano do governo Trump de oferecer indenizações aos funcionários federais.

Trump terá um foco maior no hemisfério ocidental, visando países que não são tradicionalmente considerados adversários dos EUA.

Ex-funcionário de estado americano denuncia que os EUA interferiram em assuntos críticos no Brasil

Durante uma entrevista exclusiva para o ex-chefe da Casa Branca de Donald Trump, Steve Bannon, um ex-funcionário do Departamento de Estado Americano Michael Benz denunciou uma grave interferência da Administração de Joe Biden em eventos críticos no Brasil.

De acordo com matéria da Revista Oeste, Michael Benz foi chefe da divisão de informática do Departamento de Estado durante o primeiro governo Trump, e em declarações inéditas denunciou como a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) prejudicou a campanha de Jair Bolsonaro em 2022.

As declarações foram feitas ao “The War Room”, um programa de entrevistas apresentado pelo ex-estrategista-chefe da Casa Branca e conselheiro de Trump, Steve Bannon, na tarde da última segunda-feira, 3 de fevereiro.

Como a Usaid atuou no Brasil?

Segundo Michael Benz, a Usaid financiou e coordenou uma ampla operação de censura e controle de informações no Brasil, com o objetivo explícito de minar o apoio ao ex-presidente brasileiro, descrito por ele como o “Trump tropical”.

De modo geral, a Usaid atuou como um agente mercenário organizacional através de meios digitais e influências pessoais que atuou como um braço de influência política global entre o Departamento de Estado, o Pentágono e a CIA.

A princípio, a máquina do caos Usaid buscava neutralizar governos e políticos populistas que pudessem ameaçar a ordem progressista na América, propriamente aqueles que ameaçavam “o estado democrático de direito”.

De acordo com a Revista Oeste, essa postura justificou uma “cruzada de censura” contra movimentos populistas em todo o mundo, como Donald Trump nos EUA, Marine Le Pen na França, Matteo Salvini na Itália, Nigel Farage no Reino Unido e Jair Bolsonaro no Brasil.

Em suas falas, segundo matéria da Oeste, Michael Benz afirmou que a Usaid desempenhou um papel decisivo na derrota de Bolsonaro, “se a Usaid não existisse, Bolsonaro ainda seria o presidente do Brasil, e o Brasil ainda teria uma internet livre e aberta”, declarou o ex-chefe de divisão.

Não houve qualquer elementos circunstanciais de provas por Michael Benz para evidenciar suas denúncias, mas se sabe que a Administração de Donald Trump deve abrir todos os arquivos sigilosos e secretos americano contra organismos e políticos no exterior.

Agências de espionagem dos EUA constatam possível infiltração de agentes espião em ataques da “síndrome de Havana”

De acordo com um relatório divulgado pelo jornal The Washington Post, duas agências de inteligência dos EUA agora julgam ser possível que alguns dos misteriosos incidentes médicos conhecidos como “síndrome de Havana” tenham sido causados ​​por um adversário estrangeiro, uma mudança que parece provável que reacenda o debate sobre doenças inexplicáveis ​​que atingiram centenas de funcionários da CIA e do Departamento de Estado que operam no exterior.

As descobertas, baseadas em novas informações sobre pesquisas de armas por adversários americanos, não resolvem conclusivamente a questão de quem ou o que está por trás dos eventos, que o governo dos EUA chama de Incidentes Anômalos de Saúde, ou AHIs.

Os ferimentos traumáticos no cérebro e no sistema nervoso, relatados pela primeira vez em Cuba em 2016, afetaram mais de uma dúzia de funcionários que trabalhavam na Embaixada dos EUA em Havana.

A maioria das agências de espionagem continua avaliando que é “muito improvável” que um adversário, como a Rússia, esteja por trás dos incidentes, de acordo com o relatório divulgado na sexta-feira pelo Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional.

Essa é a conclusão a que o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional chegou em um estudo de março de 2023 , atraindo refutações contundentes de algumas vítimas e republicanos do Congresso.

Mas o novo estudo, cuja versão desclassificada foi divulgada publicamente , diz que as duas agências mudaram sua visão, com base em novas informações coletadas pelo governo dos EUA sobre o progresso que adversários estrangeiros fizeram em armas de energia de radiofrequência que poderiam causar o tipo de ferimentos relatados por vítimas de AHI.

As agências não foram identificadas no relatório, mas uma pessoa familiarizada com o assunto, que falou sob condição de anonimato para discutir informações confidenciais, disse que uma delas é a Agência de Segurança Nacional, uma das maiores unidades de espionagem dos EUA, responsável pela escuta eletrônica ou o que é conhecido como inteligência de sinais.

Vítimas de AHI relataram uma ampla gama de sintomas neurológicos, incluindo tontura, náusea, desafios cognitivos e problemas de equilíbrio. Pessoal dos EUA estacionado no exterior em Cuba, China, Europa Oriental e outros lugares relataram ter sido afetados.

A questão sobre o que está por trás dos incidentes misteriosos e o tratamento dado às vítimas tem preocupado sucessivas administrações.

O novo relatório, conhecido como Intelligence Community Assessment, diz que as agências de espionagem julgam esmagadoramente que é improvável que uma potência estrangeira hostil esteja envolvida.

“Anos de coleta, direcionamento e esforços analíticos [da Intelligence Community] não trouxeram à tona relatórios de inteligência convincentes que vinculassem um ator estrangeiro a qualquer evento específico relatado como um possível AHI”, diz o relatório.

Um funcionário do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI), informando os repórteres sobre a condição de anonimato segundo as regras básicas estabelecidas pela agência, disse que as agências de espionagem dos EUA também coletaram informações mostrando que, em conversas privadas, adversários dos EUA expressaram sua própria surpresa com os incidentes do AHI e negaram envolvimento.

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Sean Savett, disse em uma declaração que o relatório representava “uma mudança nos julgamentos-chave” das agências. A equipe do presidente Joe Biden informará a administração Trump sobre o assunto, disse ele.

“Precisamos estar abertos ao fato de que não temos todas as respostas”, disse um alto funcionário do governo Biden aos repórteres.

Pesquisas recentes de laboratório financiadas pelo governo produziram algumas evidências — embora os resultados sejam mistos — de que armas de radiofrequência podem causar efeitos biológicos em humanos semelhantes aos relatados por vítimas de AHI, ele disse. Estudos anteriores não encontraram nenhuma evidência desse tipo.