Ministro André Mendonça teme pela própria segurança e passa a usar colete balístico em meio à crise no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça passou a adotar medidas reforçadas de segurança em meio ao aumento das tensões envolvendo as investigações que estão sob sua responsabilidade e aos conflitos recentes dentro da própria Corte.

O caso ganhou ainda mais atenção depois de informações de que o ministro passou a utilizar colete balístico, comumente chamado de colete à prova de balas, em determinadas agendas públicas, além de contar com uma proteção reforçada.

A medida ocorre em um momento de forte tensão política e institucional envolvendo o STF, a Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master.

A integridade física do Ministro Mendonça

Em junho, depois de assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master e também atuar em investigações envolvendo fraudes no INSS, Mendonça afirmou que poderia existir um risco pessoal relacionado à continuidade das investigações.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o ministro chegou a declarar que, diante da possibilidade de alguém atentar contra sua integridade física, ele próprio seria o ponto mais vulnerável da investigação. Naquele momento, o STF reforçou sua segurança após uma avaliação interna indicar aumento do risco à sua integridade.

Isso, porém, não significa que Mendonça tenha sofrido um atentado. Os jornalistas Edilene Lopes e Pedro Venceslau apuraram que não havia registro de qualquer ataque contra o ministro e que o gabinete de André Mendonça também não havia confirmado a ocorrência de um atentado.

Durante a apuração desta matéria, o Área Militar/Analytics entrou em contato com o gabinete do ministro André Mendonça para solicitar esclarecimentos e obter mais detalhes sobre o caso. Até o momento, no entanto, não houve resposta.

Caso o gabinete se manifeste, a matéria será atualizada com o posicionamento oficial.

O “risco do cerco”

A situação se tornou ainda mais delicada depois que Mendonça entrou em confronto institucional com a cúpula da Polícia Federal.

Em setembro, o ministro afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” e ilegal realizado pela inteligência da PF durante aproximadamente um mês.

Segundo a decisão de Mendonça, pelo menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto analisando suas decisões, sua atuação nos casos Banco Master e INSS, suas relações com outras autoridades e possíveis motivações políticas.

É importante esclarecer que esses documentos não descrevem interceptações telefônicas, vigilância física ou acompanhamento do ministro. O chamado “monitoramento” mencionado por Mendonça se refere à produção de relatórios de inteligência sobre sua atuação e suas relações.

Por que o episódio aumentou a preocupação?

Na avaliação de Mendonça, a produção desses relatórios representa uma situação grave porque envolve diretamente um ministro da Suprema Corte.

Diante disso, ele determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.

Mendonça também determinou que a Corregedoria da PF investigasse a elaboração dos relatórios e quem teria determinado ou participado de sua produção.

A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Relatórios de inteligência apontam risco de atentado?

A apuração indica que a segurança do ministro André Mendonça foi reforçada e que ele demonstrou preocupação com sua própria integridade física diante do contexto das investigações sob sua responsabilidade.

Até o momento, porém, não há confirmação pública de que Mendonça tenha recebido uma ameaça específica ou que exista um plano comprovado de atentado contra sua vida.

Revolta popular nacional? Exército Brasileiro está discutindo onde Jair Bolsonaro poderá ficar preso, segundo Estadão

Há um receio de que o julgamento sobre a suposta tentativa de golpe avance para o ano eleitoral de 2026 e não seja possível terminar ainda este ano, como o Supremo Tribunal Federal (STF) calcula, o Exército Brasileiro, segundo matéria de Monica Gugliano ao Estadão, já articula e planeja como serão acomodados nas prisões os denunciados militares da ativa ou da reserva que forem condenados.

Entre os possíveis denunciados estaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que pode levar milhões de manifestantes às ruas e nas porta de unidades militares.

A matéria veiculada pelo Estadão cita um oficial do Exército, mantido em sigilo, que confirma a discussão na alta cúpula da Força Terrestre “como e por quanto tempo” cada um dos possíveis denunciados poderá ser preso, mas é importante que haja uma mínima organização, para que, se esta hora chegar, tenha-se uma ideia de como agir.

Os militares estariam pressionando pela condenção ou julgamento acelerado?

De acordo com a matéria, oficiais extraoficialmente têm dito que o ideal seria o final do julgamento até dezembro, sem entrar em 2026, ano eleitoral em que os ânimos ficam muito mais exaltados.

As dúvidas que pairam no ar é: Por que os denunciados estão sendo julgados no STF? De toda a forma, há 34 denunciados e, por enquanto o julgamento ficará na 1ª Turma, é pequena a expectativa de que tudo termine nos próximos nove meses.