Zelensky desafia Trump e retoma ataques a refinarias russas após fracasso de trégua energética

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, decidiu retomar os ataques contra refinarias de petróleo da Rússia e elevou a tensão com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. A decisão foi anunciada depois que Kiev acusou Moscou de continuar bombardeando a infraestrutura energética ucraniana, apesar da trégua proposta por Washington.

Na madrugada desta quinta-feira (15), um ataque com drones atingiu uma refinaria na região russa de Riazan, provocando um incêndio, segundo autoridades locais.

A medida representa um novo capítulo na deterioração das relações entre Zelensky e Trump. O presidente americano vinha pressionando a Ucrânia a suspender os ataques contra instalações petrolíferas russas, em meio à preocupação com a alta dos preços dos combustíveis. Zelensky, porém, sustenta que não faz sentido interromper as operações ucranianas enquanto a Rússia continua atacando cidades, usinas elétricas e instalações de gás do país.

O impasse vai além de uma disputa sobre alvos militares. A crise envolve o futuro da ajuda americana, o compartilhamento de informações de inteligência e o acesso ucraniano a tecnologias essenciais para a guerra. Na prática, Kiev tenta manter sua capacidade de atingir pontos estratégicos da máquina de guerra russa enquanto enfrenta uma pressão crescente de seu principal aliado militar.

Trégua anunciada por Trump não conteve os ataques russos

A suspensão dos ataques contra instalações energéticas havia sido apresentada por Trump como uma tentativa de reduzir a escalada do conflito e aliviar a pressão sobre os mercados de combustíveis. O presidente americano atribuiu parte da alta dos preços do diesel aos ataques ucranianos contra refinarias russas e exigiu que Kiev interrompesse essas operações.

A Ucrânia chegou a suspender temporariamente os ataques a refinarias para atender ao pedido americano. Segundo Zelensky, entretanto, a Rússia continuou lançando mísseis e drones contra o território ucraniano, atingindo estruturas responsáveis pelo fornecimento de eletricidade e gás. Os bombardeios deixaram centenas de milhares de pessoas sem energia, segundo relatos divulgados durante o conflito.

Diante desse cenário, Zelensky declarou ao jornal Financial Times que a restrição aos ataques ucranianos havia terminado. A posição de Kiev é que uma trégua precisa ser respeitada pelos dois lados, e não apenas pela Ucrânia.

O Kremlin, por sua vez, afirmou que os ataques ucranianos contra instalações energéticas contrariam os esforços de paz liderados pelos Estados Unidos. Moscou também alegou que o alcance da trégua ainda não havia sido definido de maneira conclusiva.

Refinaria de Riazan entra novamente na mira da Ucrânia

A instalação atingida na região de Riazan pertence à estatal russa Rosneft e tem importância para o abastecimento de combustíveis. Segundo informações divulgadas pela Reuters, a refinaria responde por aproximadamente 5% da capacidade de processamento de petróleo das refinarias russas.

O governador regional, Pavel Malkov, informou que um ataque com drones provocou um incêndio no complexo industrial. As autoridades russas afirmaram que os danos estavam sendo avaliados e que equipes de emergência haviam sido mobilizadas.

A escolha desse tipo de alvo tem uma explicação estratégica. Uma refinaria transforma petróleo bruto em produtos como diesel, gasolina e combustível de aviação. Quando uma instalação desse porte é danificada, sua capacidade de produção pode ser reduzida, dificultando a distribuição de combustíveis e aumentando os custos de reparação e operação.

Para a Ucrânia, atacar refinarias é uma maneira de pressionar a economia russa e dificultar a logística de um país que mantém uma guerra de larga escala. Moscou, por sua vez, precisa proteger instalações que também têm importância para o abastecimento civil e para a economia nacional.

É importante ressaltar que um incêndio em uma refinaria não significa, automaticamente, que toda a instalação tenha sido destruída ou que seu funcionamento tenha sido interrompido por um período prolongado. A extensão dos danos em Riazan ainda estava sendo avaliada nas informações divulgadas nesta quinta-feira.

Zelensky acusa Washington de enfraquecer a defesa ucraniana

A retomada dos ataques ocorre em meio a uma disputa ainda mais delicada: a dependência da Ucrânia em relação à inteligência e às tecnologias militares americanas.

Zelensky afirmou que as forças ucranianas deixaram de receber determinados alertas antecipados sobre mísseis russos. Essas informações são importantes porque ajudam a identificar ameaças em aproximação e permitem que as defesas aéreas tentem interceptar projéteis antes que atinjam seus alvos.

O presidente ucraniano também criticou mudanças no funcionamento dos sistemas de comunicação por satélite utilizados por suas forças armadas. Segundo ele, limitações recentes prejudicaram operações com drones, incluindo missões de ataque e interceptação.

Zelensky disse que representantes militares americanos haviam alertado os ucranianos de que o compartilhamento de inteligência poderia ser bloqueado caso Kiev não interrompesse os ataques contra a infraestrutura energética russa. Posteriormente, segundo o relato ucraniano, a ausência dos alertas foi apresentada como uma falha técnica.

Trump negou que seu governo estivesse retendo informações de inteligência da Ucrânia. Portanto, embora a denúncia de Kiev aumente a tensão diplomática, não se deve tratar como comprovado que Washington tenha suspendido deliberadamente todo o compartilhamento de informações.

A controvérsia envolvendo Starlink e Starshield

Outro ponto de atrito envolve as redes de comunicação por satélite associadas à SpaceX, empresa de Elon Musk.

O Starlink é um serviço de internet por satélite utilizado também em operações militares ucranianas. Já o Starshield é uma iniciativa voltada a aplicações governamentais e de segurança nacional, com sistemas controlados pelo governo americano.

Zelensky afirmou que as limitações enfrentadas por equipamentos utilizados em drones não eram simplesmente um problema técnico, mas resultado de decisões sobre o uso do sistema. Musk, por sua vez, declarou que o Starshield pertence e é controlado pelo governo dos Estados Unidos, acrescentando que eventuais restrições de utilização são determinadas pelas autoridades americanas.

A diferença é importante: os relatos sobre limitações em equipamentos empregados nas operações militares não significam que toda a rede Starlink tenha sido desligada na Ucrânia. O problema relatado envolve funcionalidades específicas relevantes para determinados usos militares, especialmente drones em movimento.

Por que Trump quer interromper os ataques às refinarias russas?

A preocupação de Trump está relacionada, entre outros fatores, aos preços dos combustíveis nos Estados Unidos. Os ataques às instalações petrolíferas russas podem prejudicar a produção e a distribuição de derivados de petróleo, embora o efeito efetivo sobre os preços internacionais dependa de diversos fatores, como oferta global, demanda, estoques e condições geopolíticas.

A questão ganhou importância adicional em meio à guerra envolvendo o Irã, iniciada em fevereiro de 2026, que também tem pressionado o mercado energético. Nesse contexto, Washington procura evitar novos fatores de instabilidade nos preços do diesel.

A posição americana, porém, coloca a Casa Branca diante de um dilema. Pressionar Kiev a interromper seus ataques pode ajudar a criar condições para uma negociação, mas também pode reduzir a capacidade ucraniana de atingir recursos estratégicos utilizados pela Rússia durante a guerra.

Zelensky criticou ainda a disposição do governo americano para realizar acordos comerciais com Moscou, argumentando que novas oportunidades econômicas poderiam beneficiar a Rússia enquanto o conflito continua. A decisão de Washington de suspender determinadas sanções relacionadas ao diesel russo também aumentou o descontentamento ucraniano.

Não se trata, portanto, apenas de uma divergência sobre uma trégua. Kiev questiona se os interesses econômicos e políticos americanos estão sendo colocados acima das necessidades de defesa de um país que continua sob ataque.

Zelensky exige mais defesa aérea para aceitar uma nova suspensão

Apesar do confronto verbal, Zelensky não descartou completamente uma nova interrupção dos ataques contra instalações energéticas. Ele afirmou, contudo, que uma eventual suspensão dependeria de contrapartidas concretas.

Entre as condições mencionadas está o fornecimento de mais interceptadores Patriot, munições utilizadas pelos sistemas americanos de defesa aérea para tentar destruir mísseis e outras ameaças em voo.

O Patriot é particularmente importante para a Ucrânia por sua capacidade de enfrentar determinadas ameaças aéreas de alto valor. O sistema, entretanto, não oferece proteção absoluta: sua eficácia depende do tipo de ameaça, da disponibilidade de interceptadores, da cobertura territorial e das condições de cada ataque.

Ao vincular a suspensão das ofensivas à obtenção de mais munições de defesa aérea, Zelensky procura transformar a pressão americana em uma negociação sobre as necessidades militares ucranianas.

A mensagem é direta: Kiev não pretende aceitar uma restrição que considere unilateral enquanto continuar enfrentando bombardeios russos.

O que essa crise significa para o futuro da guerra?

O principal risco é que a disputa entre Washington e Kiev enfraqueça a coordenação entre os países ocidentais justamente quando a Ucrânia continua dependendo de equipamentos, inteligência e apoio militar estrangeiros.

A Europa pode ampliar sua assistência, mas substituir rapidamente todas as capacidades americanas não é uma tarefa simples. Sistemas de defesa aérea, informações sobre lançamentos de mísseis e redes de comunicação militar exigem recursos, infraestrutura e integração técnica que não podem ser reproduzidos da noite para o dia.

Para o presidente russo, Vladimir Putin, um afastamento entre os Estados Unidos e a Ucrânia pode representar uma oportunidade diplomática. Quanto maior a dificuldade de Kiev para obter apoio externo, maior poderá ser a pressão sobre o governo ucraniano nas negociações e no campo de batalha.

Isso não significa, contudo, que o rompimento entre Trump e Zelensky seja inevitável ou que a Rússia já tenha obtido uma vitória estratégica. A evolução da crise dependerá das decisões de Washington, da capacidade europeia de sustentar a Ucrânia e da disposição de Moscou para aceitar compromissos concretos.

O que já está claro é que a trégua energética não conseguiu impedir a retomada dos ataques e que a disputa entre os dois presidentes deixou de ser apenas uma questão de retórica. Agora, ela envolve diretamente a estratégia militar ucraniana, a segurança energética e o futuro da cooperação entre os Estados Unidos e um de seus principais parceiros na guerra contra a Rússia.

Ucrânia recupera acesso ao Starshield do Pentágono após restrições que afetaram operações militares com drones

A Ucrânia informou nesta quinta-feira (15) que recuperou o acesso ao Starshield, sistema de comunicação via satélite utilizado pelas forças ucranianas em operações militares. A retomada ocorreu depois de restrições que, segundo relatos de representantes ligados à Defesa do país, prejudicaram missões envolvendo drones e outros equipamentos militares em movimento.

A interrupção chamou a atenção porque a comunicação por satélite se tornou um recurso essencial para as forças ucranianas desde o início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022. Além de permitir a troca de informações entre unidades militares, esse tipo de conexão pode ser utilizado para coordenar aeronaves não tripuladas e manter o contato com equipes que operam longe das redes convencionais de comunicação.

Segundo informações divulgadas por fontes do Ministério da Defesa ucraniano, o serviço voltou a funcionar em terminais móveis, e unidades militares relataram a retomada da conexão. Ainda assim, as autoridades continuavam apurando as circunstâncias das restrições e se todas as limitações haviam sido removidas.

O episódio começou depois que militares e especialistas ucranianos relataram problemas de conexão em terminais que operavam acima de determinadas velocidades. As restrições teriam afetado equipamentos utilizados em operações com drones de ataque e interceptação, sistemas empregados tanto para atingir alvos militares russos quanto para combater ameaças aéreas.

A diferença é importante: um drone pode depender de uma conexão estável para transmitir informações, receber comandos ou manter a coordenação com outros componentes de uma missão. Quando essa comunicação falha durante o voo, a operação pode ser comprometida. O impacto exato, porém, depende do equipamento, do tipo de missão e dos sistemas de controle utilizados.

O Starshield é uma plataforma de comunicação e tecnologia espacial voltada a clientes governamentais e militares, desenvolvida pela SpaceX, empresa de Elon Musk. Embora utilize tecnologia relacionada ao Starlink, serviço comercial de internet via satélite conhecido mundialmente, o Starshield foi concebido para atender a necessidades específicas de segurança nacional.

A distinção também é relevante para entender a responsabilidade pelo sistema. Musk afirmou publicamente que o Starshield está sob controle do governo dos Estados Unidos, enquanto o Starlink comercial é administrado pela SpaceX. Portanto, não é correto atribuir automaticamente qualquer alteração no serviço militar a uma decisão pessoal do empresário sem esclarecer quem determinou a medida.

A recuperação do acesso foi divulgada em um momento de tensão nas relações entre Kiev e Washington. Nos últimos dias, surgiram relatos de que autoridades norte-americanas haviam pressionado o governo ucraniano a interromper ataques contra instalações russas de petróleo, sob ameaça de limitar o compartilhamento de informações de inteligência.

O presidente Donald Trump, por sua vez, afirmou que os Estados Unidos continuavam ajudando a Ucrânia e compartilhando informações.

A coincidência entre os problemas de conectividade e esse impasse político alimentou suspeitas de que as restrições pudessem estar relacionadas à pressão exercida sobre Kiev.  A possibilidade de uma mudança operacional, técnica ou administrativa também precisa ser considerada enquanto a investigação permanece em andamento.

Como o Starshield entra nessas operações?

1. Interceptar drones russos: Drones interceptadores ucranianos podem usar a conexão via satélite para manter comunicação com seus operadores durante o voo.

Isso pode ajudar a acompanhar e interceptar drones russos de ataque, incluindo os modelos Geran, derivados da família iraniana Shahed. O Starshield não detecta nem derruba o alvo por conta própria, ele fornece conectividade.

2. Atacar alvos militares: A conexão também pode apoiar drones de ataque que atingem posições, centros de comando e estruturas logísticas russas. O sistema ajuda a manter o controle e o fluxo de dados, mas não é, por si só, o mecanismo que guia automaticamente todos os drones até o alvo.

O contexto militar torna o episódio ainda mais delicado. A Ucrânia utiliza drones em diferentes funções, desde reconhecimento e vigilância até ataques de longo alcance. Ao mesmo tempo, precisa enfrentar ondas de drones e mísseis russos direcionados a cidades e instalações de energia. Nesse cenário, perder temporariamente uma ferramenta de comunicação pode reduzir a capacidade de coordenar determinadas operações, sobretudo quando os equipamentos dependem de conexão durante o deslocamento.

A retomada do Starshield representa, portanto, um alívio operacional para as forças ucranianas, mas não encerra as dúvidas sobre o ocorrido. Kiev ainda precisa esclarecer a extensão das restrições, suas causas e as condições em que o serviço continuará disponível.

O caso também evidencia um problema estratégico mais amplo: em uma guerra moderna, satélites comerciais e sistemas privados podem ter importância semelhante à de equipamentos militares tradicionais. Quando uma força armada depende de uma tecnologia controlada por outro país, sua capacidade de combate passa a estar ligada não apenas ao desempenho técnico do sistema, mas também às decisões políticas de quem tem autoridade sobre ele.

Para a Ucrânia, manter essas comunicações funcionando é fundamental. Para os Estados Unidos, o controle de tecnologias espaciais estratégicas representa uma ferramenta de influência e segurança nacional. O episódio mostra como uma alteração aparentemente técnica pode produzir consequências militares e diplomáticas em meio a uma guerra ainda sem solução.

A principal questão agora é se o restabelecimento do serviço será acompanhado de garantias de continuidade ou se a dependência ucraniana dessas estruturas continuará representando uma vulnerabilidade em futuras operações.

Rússia atinge empresas americanas na Ucrânia, e silêncio de Trump aumenta tensão com Kiev

A guerra entre Rússia e Ucrânia abriu uma nova frente de tensão envolvendo os Estados Unidos: os danos provocados por ataques russos a instalações de empresas americanas em território ucraniano. Enquanto a Casa Branca pressiona Kiev a interromper ataques contra refinarias e estruturas energéticas russas, a ausência de uma condenação pública contundente aos danos sofridos por companhias dos EUA provoca questionamentos entre representantes do setor empresarial.

Segundo informações atuais, mísseis e drones russos atingiram, nos últimos meses, instalações relacionadas a grandes marcas americanas, entre elas Coca-Cola, PepsiCo e McDonald’s. Os episódios ampliam as preocupações sobre a segurança de investimentos estrangeiros na Ucrânia e levantam dúvidas sobre a disposição do governo de Donald Trump de confrontar Moscou em defesa de interesses comerciais americanos.

Ataques atingem instalações de grandes empresas

Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu no início de setembro, quando um drone russo atingiu uma fábrica da Coca-Cola nos arredores de Kiev, capital ucraniana. Na ocasião, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que o ataque representava um sinal dirigido aos Estados Unidos, argumentando que Moscou sabia que se tratava de uma empresa americana.

Poucas semanas depois, em 25 de setembro, um depósito utilizado pelo McDonald’s na região de Kiev também foi danificado por um ataque com drone. A própria empresa confirmou os danos em uma instalação operada por um parceiro logístico. Como consequência, restaurantes da rede na Ucrânia passaram a oferecer um cardápio reduzido.

A PepsiCo também reconheceu que uma unidade de produção na região de Mykolaiv sofreu danos no final de agosto. Segundo a companhia, não houve vítimas nesse episódio.

Os ataques ocorrem em um cenário de intensificação das ofensivas russas contra a infraestrutura ucraniana. Além das instalações comerciais, sistemas de energia, centros de dados e outros serviços essenciais também enfrentam riscos decorrentes da guerra.

Embora os danos a empresas não comprovem, por si só, que cada instalação tenha sido escolhida especificamente por sua ligação com os Estados Unidos, a repetição dos episódios alimenta a preocupação de que interesses comerciais americanos estejam sendo diretamente afetados pelo conflito.

Empresários cobram reação de Washington

Andy Hunder, presidente da Câmara de Comércio Americana na Ucrânia, afirmou à CNN que os ataques registrados nos últimos meses representam uma situação sem precedentes em sua experiência recente no país.

Segundo Hunder, instalações ligadas a empresas americanas estão sendo atingidas por drones e mísseis, enquanto a reação pública da Casa Branca permanece limitada.

A preocupação vai além dos prejuízos materiais. Para os representantes empresariais, a falta de uma resposta clara de Washington pode enfraquecer a confiança de investidores que mantêm operações em um país submetido a ataques militares frequentes.

A situação, entretanto, não é simples para as próprias companhias. De acordo com a reportagem, algumas empresas preferem denunciar publicamente os danos, enquanto outras evitam se manifestar com receio das consequências de uma exposição maior durante a guerra.

O setor empresarial busca, assim, chamar a atenção do governo americano para a necessidade de proteger investimentos e avaliar os riscos enfrentados por companhias que continuam operando em território ucraniano.

Trump pressiona a Ucrânia por causa do setor energético russo

O contraste que mais chama a atenção está na postura adotada pelo governo Trump em relação aos ataques ucranianos contra instalações russas.

Nas últimas semanas, o presidente americano criticou ofensivas de Kiev contra estruturas ligadas à produção e à distribuição de combustíveis na Rússia, atribuindo parte da pressão sobre os preços da energia aos efeitos da guerra. Washington também demonstrou preocupação com possíveis prejuízos a investimentos americanos afetados por ataques ucranianos contra instalações petrolíferas russas.

Em fevereiro, segundo uma reportagem anterior da CNN, o governo dos Estados Unidos havia alertado Kiev de que ataques a uma instalação petrolífera russa no Mar Negro, no final de 2025, prejudicaram investimentos americanos no Cazaquistão.

Mais recentemente, a administração Trump ameaçou restringir o compartilhamento de informações de inteligência e o fornecimento de munições à Ucrânia caso o governo ucraniano não interrompesse determinadas ofensivas contra alvos energéticos russos.

A diferença de tratamento alimenta críticas: Washington demonstra disposição para pressionar seu parceiro ucraniano quando interesses econômicos americanos são afetados por ataques contra estruturas russas, mas não apresentou uma reação pública de intensidade semelhante diante dos danos sofridos por empresas americanas na Ucrânia.

Isso não significa necessariamente que os Estados Unidos estejam ignorando o problema em todas as instâncias diplomáticas. A questão central é a falta de uma resposta pública clara e proporcional aos episódios relatados.

Tentativas de diálogo não recebem resposta

A Câmara de Comércio Americana na Ucrânia tentou levar o assunto diretamente a integrantes da equipe de Trump envolvidos nas negociações sobre a guerra.

De acordo com Hunder, a entidade enviou, no mês anterior à publicação da reportagem, uma solicitação de reunião com Steve Witkoff e Jared Kushner para apresentar a situação das empresas americanas no país, incluindo os ataques recentes. Segundo ele, não houve resposta ao pedido.

A ausência de retorno reforça a percepção de que o tema ocupa um espaço limitado nas discussões conduzidas pela Casa Branca, especialmente diante da prioridade atribuída às negociações para encerrar o conflito.

Uma autoridade da Casa Branca afirmou que Trump deseja o fim da guerra e que o presidente e sua equipe continuam empenhados em buscar uma solução negociada entre Moscou e Kiev. A declaração, porém, não apresentou um compromisso específico de resposta aos ataques contra empresas americanas.

Parlamentares democratas também cobraram publicamente uma posição mais firme do governo. Para esses críticos, a proteção dos interesses econômicos dos Estados Unidos deveria fazer parte da abordagem diplomática adotada em relação à Rússia.

O que está em jogo para os Estados Unidos?

A situação envolve uma contradição política e estratégica. Trump tenta se apresentar como o presidente capaz de negociar com Moscou e encerrar a guerra, mas precisa lidar com os custos econômicos e políticos de manter empresas americanas expostas a ataques em território ucraniano.

Uma condenação mais dura à Rússia poderia aumentar a pressão diplomática sobre o Kremlin e reforçar a mensagem de que Washington não tolerará ataques contra seus interesses comerciais. Por outro lado, uma escalada de declarações e medidas punitivas poderia dificultar as negociações que a administração americana tenta conduzir.

Há também um problema de credibilidade. Se empresas americanas continuarem sofrendo danos sem uma resposta pública consistente, investidores poderão questionar o nível de proteção política que Washington está disposto a oferecer em regiões de conflito.

Ao mesmo tempo, a pressão exercida sobre Kiev demonstra que o governo Trump está disposto a utilizar instrumentos importantes de apoio militar e de inteligência para influenciar as decisões ucranianas.

O desafio da Casa Branca é equilibrar esses interesses sem transformar a defesa de investimentos privados em mais um obstáculo para uma eventual negociação de paz.

Uma nova dificuldade para a estratégia de Trump

Os ataques contra instalações ligadas a empresas americanas acrescentam uma dimensão econômica a uma guerra que já envolve disputas territoriais, segurança energética e rivalidade entre grandes potências.

Para a Ucrânia, os episódios reforçam o argumento de que a continuidade das operações comerciais depende de garantias de segurança e de apoio militar ocidental. Para os empresários, representam riscos concretos aos investimentos e às cadeias de abastecimento. Para Washington, criam uma situação delicada: cobrar Kiev por danos econômicos associados à guerra enquanto empresas americanas também sofrem as consequências dos ataques russos.

Até o momento, a questão permanece sem uma resposta pública suficientemente clara da administração Trump.

O episódio mostra que a busca por um acordo entre Moscou e Kiev não depende apenas de concessões territoriais ou de negociações militares. Também envolve a credibilidade dos Estados Unidos, a proteção de seus interesses econômicos e a capacidade de convencer aliados e adversários de que sua política externa segue critérios consistentes.

Enquanto os ataques continuarem, o silêncio de Washington poderá se tornar mais um ponto de pressão sobre a estratégia americana para encerrar a guerra.

Donald Trump afasta embaixadora dos EUA e ex-noiva de Trump Jr. na Grécia por suspeita de tráfico de influência

A Casa Branca pediu, nesta terça-feira (13), a renúncia de Kimberly Guilfoyle, embaixadora dos Estados Unidos na Grécia, após uma série de reportagens levantar suspeitas de que ela teria oferecido acesso a integrantes do governo de Donald Trump em troca de dinheiro, presentes e favores. O caso provocou questionamentos em Washington e colocou sob pressão uma diplomata que mantém vínculos com o círculo político do presidente americano.

O anúncio foi feito pela secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, durante uma entrevista coletiva. A decisão ocorreu um dia depois de Trump afirmar que avaliava demitir Guilfoyle e demonstrar insatisfação com as informações divulgadas pela imprensa.

“Pedimos à embaixadora Guilfoyle que renuncie”, declarou Zacharia, acrescentando que a diplomata havia sido um importante integrante da equipe e que o governo lhe desejava sucesso.

O episódio ganhou repercussão por envolver uma representante americana em um país estrategicamente importante para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Além das consequências políticas para Guilfoyle, as denúncias levantam dúvidas sobre a relação entre interesses privados, influência política e o exercício de funções diplomáticas.

Denúncias envolvem dinheiro e acesso ao governo Trump

As suspeitas vieram à tona após reportagens do jornal americano The Wall Street Journal, que começaram a ser publicadas no mês anterior. Segundo o veículo, Guilfoyle teria utilizado suas conexões políticas para buscar vantagens financeiras e favorecer interesses empresariais.

Uma das acusações mais graves foi apresentada pelo empresário americano Eric Deters. Ele afirmou ao jornal que Guilfoyle teria solicitado dinheiro para quitar uma fatura de cartão de crédito de US$ 100 mil, oferecendo, em contrapartida, acesso a integrantes do governo Trump.

Deters também relatou que a proposta teria ocorrido antes da confirmação de Guilfoyle para o cargo de embaixadora. O empresário afirmou que não transferiu o dinheiro solicitado.

Os advogados da diplomata contestaram as acusações. Em declarações à CNN americana, a defesa sustentou que Deters tinha valores pendentes por serviços profissionais prestados por Guilfoyle, incluindo palestras e consultoria. Segundo os advogados, cobrar por trabalhos realizados não constitui corrupção, e as alegações do empresário seriam falsas.

Outra reportagem apontou a proximidade de Guilfoyle com um lobista ligado a uma empresa grega do setor energético e sua suposta atuação em favor dos interesses da companhia. Também foram divulgadas informações sobre gravações nas quais ela teria comentado suas relações com empresários gregos influentes enquanto buscava um convite para um jantar em Davos, na Suíça, em homenagem a Eric Trump, filho do presidente americano.

As acusações não devem ser tratadas como fatos comprovados. Guilfoyle nega ter cometido irregularidades, e a existência de denúncias não equivale, por si só, à comprovação de um crime.

Trump muda o tom após as denúncias

A saída de Guilfoyle representa um revés para uma figura conhecida do movimento político de Trump e próxima de sua família. Ela foi noiva de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, antes de assumir a representação diplomática americana na Grécia.

Na segunda-feira (12), Trump indicou que estudava afastá-la. No dia seguinte, ao comentar o caso, afirmou que ela vinha desempenhando um bom trabalho, mas que a administração estava insatisfeita com o que havia sido divulgado.

A declaração sinalizou que, apesar dos vínculos políticos de Guilfoyle, as denúncias passaram a representar um problema para o governo americano.

A diplomata, por sua vez, publicou uma mensagem na rede social X na qual reafirmou seu respeito por Trump e pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Ela também classificou as acusações como falsas e disse que pretende defender vigorosamente seu nome, sua reputação e sua integridade.

Paralelamente, reportagens da imprensa americana apontaram que o órgão de fiscalização interna do Departamento de Estado estava examinando reclamações de funcionários da embaixada em Atenas relacionadas à conduta da diplomata.

Escalam as tensões Argentina e Reino Unido – Tropas britânicas se mobilizam para exercícios de recaptura das Malvinas

O Reino Unido realizou um exercício militar nas Ilhas Malvinas para preparar suas forças para um possível cenário de invasão e retomada do território. A atividade, chamada Cape Upholder, reuniu militares britânicos e integrantes da força de reserva local em uma operação de seis dias que simulou etapas de uma ofensiva terrestre e anfíbia.

A manobra acontece em meio ao aumento das tensões diplomáticas com a Argentina, que reivindica a soberania sobre o arquipélago, controlado pelos britânicos. Segundo informações publicadas pelo jornal britânico The Times, o treinamento envolveu cerca de 150 soldados do 2º Batalhão do Regimento de Paraquedistas britânico, além de aproximadamente 100 reservistas locais.

O exercício não significa que uma guerra esteja prestes a começar. A preparação militar faz parte da manutenção da capacidade defensiva britânica, embora ocorra em um contexto de declarações cada vez mais contundentes sobre o futuro das ilhas.

Treinamento reproduz operações da Guerra das Malvinas

Durante os seis dias de atividades, os militares participaram de um desembarque anfíbio, realizaram uma marcha noturna de aproximadamente 32 quilômetros e treinaram técnicas de combate a curta distância. O objetivo foi testar a capacidade das tropas de operar no terreno difícil do arquipélago e executar operações militares em condições exigentes.

O treinamento também recuperou elementos da Operação Sutton, realizada em maio de 1982, quando as forças britânicas desembarcaram nas ilhas para iniciar a campanha de retomada do território, ocupado pela Argentina em abril daquele ano.

A escolha desse cenário tem um significado histórico e operacional. A experiência de 1982 continua sendo uma referência para o planejamento militar britânico, sobretudo em operações que exigem coordenação entre tropas terrestres, forças navais e apoio aéreo.

Segundo o The Times, a atividade não foi apresentada como uma resposta direta às declarações recentes do governo argentino, mas como parte da preparação regular das forças britânicas. Ainda assim, a escolha de um cenário de retomada das ilhas ganha relevância diante do atual ambiente diplomático.

Por que as Malvinas voltaram ao centro das tensões?

A disputa pelas Malvinas, chamadas de Falkland Islands no Reino Unido e Ilhas Malvinas na Argentina, permanece sem solução diplomática definitiva. Londres administra o arquipélago e defende o direito de seus habitantes de decidir o próprio futuro. Buenos Aires, por sua vez, considera as ilhas parte de seu território nacional.

A tensão ganhou força com declarações do presidente argentino, Javier Milei, que voltou a classificar a presença britânica como uma ocupação ilegítima. O presidente também defendeu a recuperação da soberania argentina, embora tenha manifestado preferência por uma solução pacífica.

O impasse não se limita à memória da guerra de 1982. A exploração de recursos naturais, especialmente o petróleo, também se tornou um ponto de atrito entre os dois países.

Em 13 de outubro, outra frente de tensão veio à tona: o governo britânico pediu à Interpol que rejeite medidas argentinas contra pessoas ligadas ao projeto petrolífero Sea Lion, nas proximidades das ilhas. Londres considera que iniciativas desse tipo podem ter motivação política, enquanto Buenos Aires busca contestar atividades que considera incompatíveis com sua reivindicação territorial.

Como o Reino Unido pretende defender o arquipélago?

A defesa das Malvinas depende de uma estrutura militar mantida a milhares de quilômetros do território continental britânico. Segundo as informações publicadas pelo The Times, a presença britânica inclui tropas estacionadas nas ilhas, caças Typhoon, sistemas de defesa contra mísseis e uma embarcação de patrulha.

Tropas durante exercício. Foto: Exército Britânico

Essa estrutura tem duas funções principais: dificultar uma eventual tentativa de ocupação e permitir uma resposta militar caso a situação se deteriore.
O desafio é geográfico e logístico. Em um cenário de conflito, o Reino Unido precisaria manter o abastecimento de suas forças, proteger rotas marítimas e aéreas e coordenar diferentes unidades militares em uma região distante de suas principais bases.

Além disso, os planejadores precisam considerar ameaças modernas, como ataques cibernéticos e o emprego de drones. Isso significa que a preparação não se resume à repetição das operações de 1982: também exige adaptação às mudanças na forma como os conflitos são conduzidos.

Uma nova guerra é provável?

Apesar do aumento da tensão política, o exercício militar não comprova a existência de um plano argentino de invasão nem indica que Londres esteja se preparando para iniciar uma ofensiva contra a Argentina.

A diferença é importante: treinar para responder a uma eventual invasão faz parte da estratégia de dissuasão, ou seja, demonstrar que uma ação militar contra determinado território teria custos elevados e enfrentaria resistência.
A Guerra das Malvinas de 1982 deixou um precedente marcante.

Após a ocupação argentina, o Reino Unido enviou uma força-tarefa naval ao Atlântico Sul e recuperou o arquipélago depois de semanas de combates. O conflito terminou com a rendição das forças argentinas em junho daquele ano e provocou perdas humanas significativas para ambos os países.

Quatro décadas depois, o cenário é diferente, mas a disputa permanece. A presença militar britânica, as reivindicações argentinas e os interesses econômicos associados às ilhas continuam alimentando o confronto diplomático.

O principal sinal do exercício, portanto, não é a confirmação de uma guerra iminente, mas a disposição britânica de manter capacidade militar para defender o território que administra. Enquanto Londres insiste na autodeterminação dos habitantes das Malvinas, Buenos Aires mantém sua reivindicação de soberania. Sem uma solução diplomática aceita pelos dois lados, o arquipélago continuará sendo um dos pontos de tensão mais persistentes do Atlântico Sul.

O PT polonês nasceu sob influência brutal do regime soviético: A origem do extinto Partido dos Trabalhadores na Polônia

Em janeiro de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, foi fundado o Partido dos Trabalhadores Poloneses (Polska Partia Robotnicza, PPR), uma organização comunista apoiada pela União Soviética que desempenharia um papel importante na transformação política da Polônia no pós-guerra. O surgimento da legenda ocorreu em um momento em que o país estava sob ocupação alemã e o governo soviético buscava ampliar sua influência sobre o futuro da Europa Oriental.

Banner do Partido dos Trabalhadores em Varsóvia, Polônia, em 1974.

A criação do partido esteve ligada à estratégia de Moscou para fortalecer o movimento comunista polonês e ampliar sua presença política em um território marcado pela guerra, pela resistência à ocupação nazista e pela disputa entre diferentes projetos para o futuro nacional. Paralelamente, na União Soviética, organizações políticas e unidades militares vinculadas aos interesses soviéticos também participavam dos esforços de guerra e da consolidação da influência de Moscou na região.

A trajetória do Partido dos Trabalhadores Poloneses ganhou ainda mais importância a partir de 1944, quando o avanço do Exército Vermelho sobre os territórios poloneses alterou profundamente o equilíbrio de poder no país. Com o apoio soviético, os comunistas passaram a ocupar posições estratégicas na estrutura política polonesa, enquanto grupos que defendiam alternativas ao domínio de Moscou enfrentavam um cenário cada vez mais desfavorável.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Polônia entrou em uma fase de crescente controle comunista. Ao longo dos anos seguintes, a oposição política foi reprimida, o poder se concentrou nas mãos do regime e o país passou a integrar o bloco socialista liderado pela União Soviética. Em 1948, o Partido dos Trabalhadores Poloneses se fundiu com o Partido Socialista Polonês, dando origem ao Partido Operário Unificado Polonês, que se tornaria a principal força política do regime comunista.

Esse sistema permaneceria no poder por décadas, até entrar em crise diante das dificuldades econômicas, da insatisfação popular e do fortalecimento do movimento sindical Solidariedade, que desafiou o monopólio político comunista a partir de 1980.

Em 1989, negociações entre o governo e a oposição abriram caminho para eleições parcialmente livres e para uma transição histórica. No mesmo ano, o domínio comunista começou a desmoronar, e a Polônia iniciou sua passagem para um sistema político pluralista.

A história polonesa demonstra que a ascensão do comunismo no país não pode ser compreendida apenas como resultado de uma disputa ideológica interna. A influência soviética, o contexto militar da Segunda Guerra Mundial e a concentração de poder no pós-guerra foram fatores decisivos para a formação e a manutenção do regime. Décadas depois, a transição de 1989 marcou o início do fim desse sistema e abriu caminho para a reconstrução democrática da Polônia.

Bots russos desaparecem após ataques da Ucrânia em Data Centers da Rússia

Três centros de dados ligados à Yandex, uma das maiores empresas de tecnologia da Rússia, foram atingidos por drones ucranianos nos dias 8, 9 e 11 de outubro. Os ataques teriam provocado interrupções em serviços digitais e levantado questionamentos sobre os possíveis efeitos da ofensiva ucraniana no ambiente virtual russo.

O episódio mais recente ocorreu na região de Vladimir, a leste de Moscou. A instalação teria suspendido completamente suas operações após o ataque, afetando serviços associados à infraestrutura digital da empresa.

Conhecida frequentemente como o “Google da Rússia”, a Yandex mantém serviços de busca, inteligência artificial e outras ferramentas digitais utilizadas por milhões de pessoas. Seus centros de dados funcionam como grandes estruturas que armazenam informações e processam solicitações de usuários, permitindo que plataformas e aplicativos continuem operando.

Quando uma dessas instalações sofre danos ou precisa interromper suas atividades, os efeitos podem ultrapassar os limites físicos do local. Dependendo da infraestrutura atingida e dos sistemas de redundância disponíveis, serviços digitais podem apresentar instabilidade, lentidão ou interrupções.

O possível impacto sobre a guerra digital

Segundo o relato divulgado, as interrupções afetaram desde o chatbot de inteligência artificial da empresa até dispositivos domésticos inteligentes. A extensão total dos danos, porém, não está detalhada nas informações disponíveis na imagem.

A ofensiva também chama a atenção por um motivo estratégico. De acordo com informações atribuídas à BBC, os ataques tinham como alvo instalações que gerariam receitas para a estrutura econômica que sustenta a guerra conduzida por Moscou.

Esse tipo de operação se insere em uma estratégia mais ampla: atingir não apenas equipamentos militares, mas também estruturas tecnológicas e econômicas que possam contribuir para a capacidade de um país manter suas operações durante um conflito.

Centros de dados, nesse contexto, têm importância crescente. Além de armazenar informações comerciais e pessoais, eles podem sustentar serviços de comunicação, sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial. Isso não significa, entretanto, que toda instalação desse tipo tenha necessariamente uma função militar direta.

Zelensky menciona queda de bots russos

Outro ponto que ganhou destaque foi a declaração do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante o Fórum de Segurança de Varsóvia. Segundo o relato reproduzido na publicação, ele afirmou que uma redução na atividade de bots russos nas redes sociais foi percebida depois dos ataques.

Bots são programas que executam tarefas automaticamente na internet. Alguns têm funções legítimas, mas outros podem ser utilizados para publicar mensagens em grande escala, ampliar artificialmente a popularidade de determinados assuntos ou disseminar propaganda.

Em conflitos internacionais, redes automatizadas podem ser empregadas para influenciar debates públicos, espalhar narrativas favoráveis a um governo e tentar enfraquecer a posição do adversário.

Uma eventual redução dessa atividade, portanto, poderia ter relevância para a disputa informacional entre Rússia e Ucrânia. Ainda assim, a coincidência temporal não comprova, por si só, que os ataques aos centros de dados tenham causado a queda observada.

Para estabelecer essa relação, seria necessário conhecer os dados utilizados na avaliação, a dimensão da redução e a eventual ligação entre os sistemas afetados e as contas automatizadas identificadas.

Queda de 94% de atividades de bots/automatizadas

Dados públicos da Cloudflare Radar disponíveis em https://radar.cloudflare.com/traffic/as13238

Esta imagem gráfica da Cloudflare Radar sobre o tráfego HTTP associado à AS13238, identificada como Yandex LLC, empresa russa de tecnologia.

O gráfico compara o período de 5 a 12 de outubro de 2026 com a semana anterior, representada pela linha tracejada. Até aproximadamente 8 de outubro, o tráfego apresentava níveis relativamente estáveis, apesar de algumas oscilações.

A partir daí, a linha contínua, que representa o período atual, cai significativamente, indicando uma redução acentuada nas requisições HTTP observadas nessa rede.

O dado mais expressivo é a queda para níveis próximos de zero em 11 de outubro, seguida por uma recuperação apenas parcial. Isso pode indicar uma interrupção importante, uma mudança no roteamento ou na infraestrutura, ou algum problema de medição do tráfego.

Entretanto, o gráfico, isoladamente, não comprova que os ataques ucranianos causaram essa queda nem que os bots russos deixaram de funcionar.

Uma nova frente no conflito

Os ataques relatados mostram como a infraestrutura digital passou a ocupar um espaço cada vez mais importante nas guerras contemporâneas. A disputa entre Rússia e Ucrânia não se limita ao campo de batalha: envolve também energia, logística, economia, comunicação e sistemas tecnológicos.

Atingir uma instalação digital pode provocar consequências que vão além dos danos materiais, mas os resultados dependem do tipo de estrutura atingida e de sua importância para os serviços que ela sustenta.

Por enquanto, as informações disponíveis apontam para ataques contra três centros de dados ligados à Yandex e para declarações ucranianas sobre uma possível queda na atividade de bots russos. A extensão dos prejuízos e a relação direta entre os dois acontecimentos ainda precisam ser estabelecidas com evidências independentes.

O episódio reforça uma questão central da guerra moderna: em um conflito no qual a informação também é uma arma, a infraestrutura que mantém a internet funcionando pode se tornar um alvo estratégico.

Maduro pode enfrentar novas acusações nos EUA por suposta tortura de americanos

O Ditador da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, podem enfrentar novas acusações criminais nos Estados Unidos relacionadas à suposta tortura de cidadãos americanos mantidos sob custódia do governo venezuelano durante os anos em que Maduro esteve no poder.

Segundo pessoas familiarizadas com a investigação ouvidas pela CNN, promotores federais de Nova York preparam novas acusações contra o casal. A apresentação formal do novo processo pode ocorrer já nesta quinta-feira, 8 de outubro.

O caso amplia significativamente a situação judicial de Maduro nos Estados Unidos. O ditador venezuelano já responde a acusações criminais em Nova York e permanece preso no país junto com Cilia Flores. Os dois se declararam inocentes das acusações anteriores.

Mais de uma dúzia de americanos

De acordo com as informações de jornais americanos, a nova investigação está relacionada à detenção de mais de uma dúzia de cidadãos americanos em prisões venezuelanas durante o período em que Maduro comandava o país.

As autoridades americanas classificaram essas detenções como indevidas. A investigação agora busca determinar a responsabilidade de Maduro, de sua esposa e possivelmente de outras pessoas por atos de tortura que teriam ocorrido contra alguns desses detidos.

O número exato de vítimas e suas identidades ainda não foram divulgados publicamente.

Também não está claro, neste momento, quais acusações específicas serão apresentadas contra cada um dos envolvidos. Segundo uma fonte familiarizada com o caso, investigadores americanos chegaram a discutir a possibilidade de acusar outras pessoas que teriam participado dos supostos abusos.

O que muda para Maduro

A principal consequência é que Maduro pode passar a enfrentar um processo criminal ainda mais amplo nos Estados Unidos.

O ponto importante é que novas acusações não significam, por si só, uma condenação. Trata-se de alegações apresentadas pelos promotores, que ainda precisam ser analisadas pela Justiça. Pela legislação americana, os acusados são considerados inocentes até que sua culpa seja estabelecida em tribunal.

No caso de Maduro, entretanto, a abertura de uma nova frente judicial aumenta a quantidade de acusações que ele terá de enfrentar enquanto permanece sob custódia americana.

Caso pode envolver outros integrantes do antigo governo

A investigação não necessariamente ficará restrita a Maduro e Cilia Flores.

Fontes afirmam que os investigadores também analisaram a possibilidade de apresentar acusações contra outras pessoas que teriam participado dos supostos atos de tortura.

Isso significa que o processo pode atingir integrantes do antigo aparato de segurança venezuelano, caso os promotores concluam que existem provas suficientes para responsabilizá-los criminalmente.

Até o momento, porém, os nomes dessas possíveis pessoas ainda não foram divulgados.

As novas acusações surgem enquanto Maduro já enfrenta um processo criminal em Nova York.

O ditador e Cilia Flores foram levados aos Estados Unidos em janeiro, após uma operação militar americana em Caracas, e posteriormente apresentados à Justiça federal. Eles se declararam inocentes das acusações existentes e permanecem detidos em Nova York.

A nova investigação, portanto, representa uma expansão do caso judicial contra o antigo líder venezuelano. Apesar da gravidade das acusações, diversos detalhes permanecem sob sigilo.

Ainda não foram divulgados publicamente todos os nomes das possíveis vítimas, quais métodos de tortura teriam sido utilizados, quais agentes teriam participado diretamente dos abusos ou quais provas os promotores pretendem apresentar.

Também será necessário aguardar a formalização das novas acusações para saber exatamente quais crimes serão atribuídos a Maduro e Cilia Flores.

Se confirmada, a medida acrescentará um novo e importante capítulo ao processo judicial contra Nicolás Maduro nos Estados Unidos, colocando no centro do caso não apenas as acusações criminais que ele já enfrenta, mas também alegações de graves abusos cometidos contra cidadãos americanos enquanto estavam presos na Venezuela.

3 anos após o 7 de Outubro, Israel ainda enfrenta as consequências do ataque que mudou o Oriente Médio

Três anos depois do ataque que abalou Israel em 7 de outubro de 2023, o país voltou nesta quarta-feira a um dos capítulos mais traumáticos de sua história. Em comunidades próximas à Faixa de Gaza, famílias das vítimas, sobreviventes e antigos moradores participaram de cerimônias em memória daqueles mortos durante a ofensiva liderada pelo Hamas.

O ataque deixou cerca de 1.200 mortos em Israel e terminou com 251 pessoas levadas como reféns para Gaza. Entre os locais mais marcados pela violência está o festival Nova, onde centenas de jovens foram mortos durante a incursão. Para os israelenses, aquela manhã não representa apenas uma tragédia do passado, mas o momento em que a percepção de segurança do país foi profundamente alterada.

A resposta israelense veio em escala inédita. O governo declarou que a destruição da estrutura militar e política do Hamas e a eliminação da ameaça representada pelo grupo seriam objetivos centrais da campanha. O conflito posteriormente transformou Gaza em um dos principais focos de instabilidade do Oriente Médio.

O ponto de partida foi o ataque do Hamas

A sequência dos acontecimentos é fundamental para compreender a guerra.

Em 7 de outubro de 2023, combatentes liderados pelo Hamas atravessaram a fronteira, atacaram comunidades israelenses e instalações militares e sequestraram centenas de pessoas. Foi o dia mais letal da história de Israel desde a fundação do Estado.

Para Israel, portanto, a guerra não começou com os bombardeios sobre Gaza. Ela começou com uma operação armada planejada pelo Hamas contra território israelense, que matou civis, provocou uma crise nacional de segurança e levou o governo a concluir que manter o status quo permitiria a repetição de um ataque semelhante.

A partir daí, Israel passou a conduzir uma campanha militar destinada a impedir que o Hamas mantivesse capacidade para realizar outro 7 de Outubro.

A guerra mudou Gaza, e também Israel

A ofensiva israelense teve consequências devastadoras para Gaza. Segundo autoridades de saúde do território até então controlado pelos terroristas, mais de 74 mil palestinos morreram desde o início da guerra.

A maior parte da população foi deslocada e extensas áreas urbanas foram destruídas. Esses números, porém, são divulgados pelas autoridades de saúde de Gaza e não significam que todas as vítimas tenham sido combatentes do Hamas.

Para Israel, entretanto, o custo da guerra também foi enorme.

Comunidades inteiras próximas à fronteira foram esvaziadas. Muitos sobreviventes do ataque continuam carregando traumas psicológicos, enquanto famílias das vítimas cobram respostas sobre como uma operação dessa magnitude conseguiu ocorrer.

A lembrança do ataque permanece, portanto, diretamente ligada à discussão sobre a segurança futura de Israel.

O Hamas conseguiu provocar uma guerra que ultrapassou Gaza

Um dos aspectos mais importantes do 7 de Outubro foi que suas consequências não ficaram restritas ao território israelense e à Faixa de Gaza.

O conflito alterou o equilíbrio de forças no Oriente Médio, aumentou a tensão entre Israel e grupos apoiados pelo Irã e colocou novamente a segurança regional no centro da política internacional.

Do ponto de vista israelense, o ataque demonstrou que uma organização armada instalada junto à fronteira poderia transformar rapidamente uma ameaça localizada em uma crise nacional.

Essa percepção passou a sustentar uma conclusão dentro de Israel: simplesmente retornar à situação existente antes de outubro de 2023 não seria suficiente.

Três anos depois, Israel ainda discute quem falhou

O aniversário do ataque também se transformou em um momento de cobrança política. Embora o governo de Benjamin Netanyahu defenda sua condução da guerra e afirme que Israel continuará impedindo que o Hamas volte a representar uma ameaça, vítimas e familiares pressionam por uma investigação independente sobre as falhas de inteligência e segurança que permitiram a invasão.

Manifestantes se reuniram em Jerusalém para cobrar responsabilidades, enquanto o país se aproxima de uma nova eleição. O episódio tornou-se, assim, não apenas uma questão militar, mas também um dos principais fatores da disputa política israelense.

Netanyahu afirmou que Israel continuará sua missão contra os responsáveis pelo ataque. Ao mesmo tempo, pesquisas e manifestações mostram que uma parcela significativa da sociedade israelense deseja respostas sobre como o país foi surpreendido daquela maneira.

O legado do 7 de Outubro

Três anos depois, uma conclusão permanece incontornável: o ataque do Hamas modificou radicalmente a relação de Israel com sua própria segurança.

A estratégia israelense passou a ser marcada pela ideia de que grupos armados nas proximidades de suas fronteiras não podem adquirir capacidade suficiente para repetir uma operação semelhante.

Isso ajuda a explicar por que Israel adotou uma resposta militar tão prolongada e por que o governo considera a eliminação da ameaça do Hamas uma questão existencial.

Ao mesmo tempo, a dimensão da destruição em Gaza mostra o enorme preço humano de uma guerra iniciada após o ataque de 7 de outubro. A tragédia palestina não apaga a responsabilidade pelo ataque que desencadeou o conflito, assim como a existência do Hamas não transforma todos os habitantes de Gaza em responsáveis por suas ações.

Três anos depois, Israel permanece diante de uma escolha difícil: garantir que o 7 de Outubro jamais se repita, sem permitir que a guerra produza uma nova geração de ameaças ainda mais difíceis de conter.

Para os israelenses que voltaram nesta quarta-feira aos locais dos massacres, porém, a discussão começa em um ponto específico e impossível de ignorar: 7 de outubro de 2023.

Foi naquele dia que 1.200 pessoas foram mortas, 251 foram sequestradas e a arquitetura de segurança do Oriente Médio começou a mudar.

Irã fica perto de esgotar petróleo disponível para exportação, mas resiste aos EUA

Sem conseguir escoar normalmente o petróleo pelo mercado internacional, os estoques armazenados em território iraniano estão aumentando. Eles já se aproximam de 70 milhões de barris, nível próximo aos máximos registrados durante a pandemia.

A consequência foi uma redução expressiva da produção. O Irã está extraindo aproximadamente 2 milhões de barris por dia, cerca da metade do nível registrado antes da guerra. Na prática, esse volume é suficiente principalmente para atender à demanda doméstica.

É justamente aí que está a estratégia americana: não é necessário destruir fisicamente a indústria petrolífera iraniana se Teerã tiver dificuldades para encontrar compradores, transportar sua produção e receber pelo produto.

Isso significa que uma parte importante desse petróleo que está esgotando permanece em navios, fora do Irã, mas também não significa que todo ele esteja navegando neste momento. O problema é que está ficando sem capacidade de transformar petróleo em exportação e receita.

Economia iraniana entra em situação crítica

O petróleo é fundamental para a obtenção de divisas pelo governo iraniano. Portanto, bloquear essa fonte de recursos produz efeitos que se espalham rapidamente pelo restante da economia.

Dados apontam que a economia iraniana encolheu a uma taxa anualizada de 10% entre março e junho. A inflação anual atingiu 90% no mês passado e registrou média de 73% ao longo do último ano.

Para a população comum, números como esses significam perda acelerada do poder de compra. O dinheiro recebido hoje pode comprar consideravelmente menos produtos pouco tempo depois, levando famílias a anteciparem compras de alimentos e outros itens básicos.

O próprio governo reconhece a gravidade do cenário. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, classificou a situação econômica como uma das mais graves da história do país.

Além da inflação, as restrições às importações atingem empresas que dependem de produtos, equipamentos e componentes estrangeiros. O resultado é uma combinação particularmente perigosa: fábricas fechando, desemprego aumentando e o governo recorrendo à emissão de moeda para financiar suas despesas, mecanismo que pode alimentar ainda mais a inflação.

Por que Teerã ainda não cede?

É aqui que surge o principal paradoxo da crise. Em condições normais, uma deterioração econômica dessa magnitude poderia obrigar um governo a negociar. No caso iraniano, entretanto, cinco décadas de convivência com diferentes níveis de sanções criaram mecanismos de sobrevivência econômica e política.

Teerã desenvolveu redes alternativas para movimentar dinheiro, comercializar produtos e reduzir sua dependência dos canais financeiros tradicionais. Ao mesmo tempo, o rígido aparato de segurança interno permite ao governo enfrentar manifestações e controlar movimentos de oposição.

Isso ajuda a explicar por que a pressão econômica, embora extremamente severa, ainda não se transformou automaticamente em concessões políticas.

Também existem suspeitas de que parte do petróleo iraniano continue chegando ao exterior por caminhos difíceis de rastrear. Entre as possibilidades levantadas por especialistas estão rotas terrestres em direção à Rússia e ao Cazaquistão, transporte pelo Mar Cáspio, transferências entre navios e até a reclassificação da origem do petróleo.

Esses mecanismos são difíceis de comprovar em tempo real. Portanto, devem ser tratados como hipóteses levantadas por especialistas, e não como fatos estabelecidos.

O Estreito de Ormuz virou parte central da disputa

A batalha econômica também possui uma dimensão estratégica muito maior.

O Estreito de Ormuz é uma das principais artérias energéticas do planeta. Grande parte do petróleo produzido por países do Golfo precisa atravessar essa estreita passagem marítima para alcançar os mercados internacionais.

O fluxo de petróleo de outros produtores da região voltou praticamente à normalidade, mas manter essa circulação tornou-se extremamente caro.

Os Estados Unidos precisam empregar recursos militares no bloqueio ao Irã e na proteção da navegação. Armadores, por sua vez, enfrentam custos muito maiores de seguro, combustível, tripulação e contratação de embarcações.

Um grande petroleiro do tipo VLCC, utilizado para transportar enormes quantidades de petróleo, estaria custando cerca de US$ 1,6 milhão por dia, aproximadamente 24 vezes o valor registrado em 2025, segundo dados da Clarksons citados pela reportagem.

Teerã pode estar apostando no relógio

A estratégia iraniana parece depender de uma questão fundamental: quem consegue suportar essa situação por mais tempo?

Os Estados Unidos possuem capacidade econômica e militar muito superior à iraniana. Entretanto, manter navios, operações de escolta, vigilância e bloqueio por um período prolongado também custa bilhões de dólares.

Para Teerã, portanto, sobreviver pode ser suficiente.

O governo iraniano pode calcular que não precisa derrotar militarmente os Estados Unidos nem recuperar imediatamente suas exportações. Precisa apenas resistir até que o custo financeiro e político da operação aumente suficientemente para que Washington considere alguma mudança de estratégia ou negociação.

É uma aposta extremamente arriscada.

A economia iraniana está sendo comprimida, a produção petrolífera caiu fortemente e uma das principais fontes de receita do Estado enfrenta obstáculos inéditos. Ao mesmo tempo, porém, décadas de sanções ensinaram Teerã a funcionar em condições que seriam insustentáveis para muitos outros países.

Por isso, o dado mais importante talvez não seja simplesmente que o petróleo disponível para exportação esteja perto do fim.

A verdadeira questão é quanto tempo o governo iraniano consegue continuar funcionando sem essa receita, e quanto tempo os Estados Unidos estão dispostos a pagar pelo esforço necessário para manter o cerco.

É justamente essa disputa de resistência que pode determinar o próximo capítulo da crise no Golfo.