Irã fica perto de esgotar petróleo disponível para exportação, mas resiste aos EUA

Sem conseguir escoar normalmente o petróleo pelo mercado internacional, os estoques armazenados em território iraniano estão aumentando. Eles já se aproximam de 70 milhões de barris, nível próximo aos máximos registrados durante a pandemia.

A consequência foi uma redução expressiva da produção. O Irã está extraindo aproximadamente 2 milhões de barris por dia, cerca da metade do nível registrado antes da guerra. Na prática, esse volume é suficiente principalmente para atender à demanda doméstica.

É justamente aí que está a estratégia americana: não é necessário destruir fisicamente a indústria petrolífera iraniana se Teerã tiver dificuldades para encontrar compradores, transportar sua produção e receber pelo produto.

Isso significa que uma parte importante desse petróleo que está esgotando permanece em navios, fora do Irã, mas também não significa que todo ele esteja navegando neste momento. O problema é que está ficando sem capacidade de transformar petróleo em exportação e receita.

Economia iraniana entra em situação crítica

O petróleo é fundamental para a obtenção de divisas pelo governo iraniano. Portanto, bloquear essa fonte de recursos produz efeitos que se espalham rapidamente pelo restante da economia.

Dados apontam que a economia iraniana encolheu a uma taxa anualizada de 10% entre março e junho. A inflação anual atingiu 90% no mês passado e registrou média de 73% ao longo do último ano.

Para a população comum, números como esses significam perda acelerada do poder de compra. O dinheiro recebido hoje pode comprar consideravelmente menos produtos pouco tempo depois, levando famílias a anteciparem compras de alimentos e outros itens básicos.

O próprio governo reconhece a gravidade do cenário. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, classificou a situação econômica como uma das mais graves da história do país.

Além da inflação, as restrições às importações atingem empresas que dependem de produtos, equipamentos e componentes estrangeiros. O resultado é uma combinação particularmente perigosa: fábricas fechando, desemprego aumentando e o governo recorrendo à emissão de moeda para financiar suas despesas, mecanismo que pode alimentar ainda mais a inflação.

Por que Teerã ainda não cede?

É aqui que surge o principal paradoxo da crise. Em condições normais, uma deterioração econômica dessa magnitude poderia obrigar um governo a negociar. No caso iraniano, entretanto, cinco décadas de convivência com diferentes níveis de sanções criaram mecanismos de sobrevivência econômica e política.

Teerã desenvolveu redes alternativas para movimentar dinheiro, comercializar produtos e reduzir sua dependência dos canais financeiros tradicionais. Ao mesmo tempo, o rígido aparato de segurança interno permite ao governo enfrentar manifestações e controlar movimentos de oposição.

Isso ajuda a explicar por que a pressão econômica, embora extremamente severa, ainda não se transformou automaticamente em concessões políticas.

Também existem suspeitas de que parte do petróleo iraniano continue chegando ao exterior por caminhos difíceis de rastrear. Entre as possibilidades levantadas por especialistas estão rotas terrestres em direção à Rússia e ao Cazaquistão, transporte pelo Mar Cáspio, transferências entre navios e até a reclassificação da origem do petróleo.

Esses mecanismos são difíceis de comprovar em tempo real. Portanto, devem ser tratados como hipóteses levantadas por especialistas, e não como fatos estabelecidos.

O Estreito de Ormuz virou parte central da disputa

A batalha econômica também possui uma dimensão estratégica muito maior.

O Estreito de Ormuz é uma das principais artérias energéticas do planeta. Grande parte do petróleo produzido por países do Golfo precisa atravessar essa estreita passagem marítima para alcançar os mercados internacionais.

O fluxo de petróleo de outros produtores da região voltou praticamente à normalidade, mas manter essa circulação tornou-se extremamente caro.

Os Estados Unidos precisam empregar recursos militares no bloqueio ao Irã e na proteção da navegação. Armadores, por sua vez, enfrentam custos muito maiores de seguro, combustível, tripulação e contratação de embarcações.

Um grande petroleiro do tipo VLCC, utilizado para transportar enormes quantidades de petróleo, estaria custando cerca de US$ 1,6 milhão por dia, aproximadamente 24 vezes o valor registrado em 2025, segundo dados da Clarksons citados pela reportagem.

Teerã pode estar apostando no relógio

A estratégia iraniana parece depender de uma questão fundamental: quem consegue suportar essa situação por mais tempo?

Os Estados Unidos possuem capacidade econômica e militar muito superior à iraniana. Entretanto, manter navios, operações de escolta, vigilância e bloqueio por um período prolongado também custa bilhões de dólares.

Para Teerã, portanto, sobreviver pode ser suficiente.

O governo iraniano pode calcular que não precisa derrotar militarmente os Estados Unidos nem recuperar imediatamente suas exportações. Precisa apenas resistir até que o custo financeiro e político da operação aumente suficientemente para que Washington considere alguma mudança de estratégia ou negociação.

É uma aposta extremamente arriscada.

A economia iraniana está sendo comprimida, a produção petrolífera caiu fortemente e uma das principais fontes de receita do Estado enfrenta obstáculos inéditos. Ao mesmo tempo, porém, décadas de sanções ensinaram Teerã a funcionar em condições que seriam insustentáveis para muitos outros países.

Por isso, o dado mais importante talvez não seja simplesmente que o petróleo disponível para exportação esteja perto do fim.

A verdadeira questão é quanto tempo o governo iraniano consegue continuar funcionando sem essa receita, e quanto tempo os Estados Unidos estão dispostos a pagar pelo esforço necessário para manter o cerco.

É justamente essa disputa de resistência que pode determinar o próximo capítulo da crise no Golfo.

7 meses de guerra! Trump rejeita proposta de paz do Irã, mas negociações indiretas devem recomeçar

Hoje, 28 de setembro, a guerra entre Estados Unidos e Irã completa sete meses. No mesmo momento em que o conflito chega a essa marca, Washington e Teerã voltam a movimentar canais diplomáticos por meio de mediadores, numa tentativa de encontrar uma saída para a crise.

Os Estados Unidos e o Irã voltaram a movimentar os canais diplomáticos em uma tentativa de encontrar uma saída para o conflito que envolve os dois países.

Segundo uma autoridade familiarizada com as negociações ouvida pela Reuters, mediadores do Catar devem realizar conversas separadas com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e com representantes norte-americanos nesta segunda ou terça-feira, em Nova York.

As reuniões não serão, neste momento, uma negociação direta entre Washington e Teerã. A ideia é que o Catar funcione como intermediário, levando propostas de um lado ao outro e tentando aproximar posições que continuam bastante distantes.

O movimento ocorre pouco depois de o Irã apresentar uma proposta de sete dias para interromper as hostilidades. Agora, segundo a autoridade ouvida pela Reuters, os mediadores trabalham sobre uma versão modificada desse plano, apresentada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

A proposta iraniana rejeitada

A proposta iraniana prevê uma série de medidas que precisariam acontecer de forma coordenada.

Entre elas estão o fim das hostilidades no Irã e no Líbano, o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos, a suspensão das sanções contra o petróleo do país e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos.

Em contrapartida, Teerã se comprometeria a permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais passagens marítimas para o transporte mundial de petróleo, além de retomar as negociações sobre seu programa nuclear.

É justamente essa ligação entre segurança, petróleo e programa nuclear que torna as negociações particularmente complexas.

Trump rejeitou a primeira proposta, mas manteve o canal aberto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que havia rejeitado a proposta iraniana. Segundo Trump, Teerã estaria buscando um acordo rápido devido à forte pressão econômica enfrentada pelo país.

Apesar disso, no domingo, Trump afirmou ao Axios que esperava que representantes norte-americanos participassem de novas conversas durante esta semana.

A posição cria uma situação aparentemente contraditória: Washington rejeitou a proposta apresentada inicialmente por Teerã, mas continua permitindo que o processo diplomático avance por meio de intermediários.

O que pode acontecer agora

O principal ponto de atenção será saber se os mediadores conseguem transformar a proposta iraniana em uma fórmula que também seja aceitável para Washington.

Para isso, questões como sanções econômicas, bloqueio de portos, circulação pelo Estreito de Ormuz, suspensão das hostilidades e o futuro do programa nuclear iraniano precisarão ser tratadas conjuntamente.

Por enquanto, portanto, não há confirmação de um cessar-fogo definitivo ou de um acordo de paz.

Trump aprova lei de sanções máximas contra Rússia e Irã – A Lei Lindsey Graham

Os Estados Unidos deram um novo passo para aumentar a pressão econômica sobre Rússia e Irã. O Congresso americano aprovou a Lei Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026 (Congressional Bill H.R. 5334), e o presidente Donald Trump sancionou a legislação nesta sexta-feira, 18 de setembro, transformando o pacote em lei.

A medida recebeu o nome do senador republicano Lindsey Graham, que morreu em julho e havia liderado as negociações para aprovar o projeto. A proposta passou pelo Senado em agosto por 86 votos a 11 e posteriormente foi aprovada pela Câmara dos Representantes por 262 votos a 159.

Na prática, a nova lei amplia os instrumentos disponíveis para Washington pressionar a Rússia e também mantém por mais tempo determinadas sanções contra o Irã.

Rússia no centro da nova legislação

O principal alvo do pacote é Moscou. A legislação prevê sanções contra autoridades russas, oligarcas, familiares de pessoas atingidas pelas medidas, bancos e outras instituições financeiras, além de integrantes da chamada “frota fantasma”, formada por navios utilizados para transportar petróleo e contornar restrições internacionais.

Mas existe outro elemento que pode ter consequências internacionais mais amplas.

A lei autoriza o presidente dos Estados Unidos a aplicar tarifas de até 100% sobre determinados produtos importados de países que estejam entre os principais compradores de petróleo ou gás russos ou que contribuam para mecanismos destinados a driblar as sanções contra Moscou.

A lei também abrange compradores da Rússia 

A legislação estabelece limites para a aplicação dessas tarifas, incluindo os principais países compradores de energia russa.

Isso significa que a pressão americana não fica restrita à Rússia. Dependendo da forma como a Casa Branca utilizar esses poderes, empresas e governos que continuam negociando energia com Moscou também podem ser afetados.

A Rússia continua utilizando suas exportações de energia como uma das principais fontes de receita para sustentar sua economia e financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

Por isso, a estratégia americana procura atingir não apenas quem vende o petróleo, mas também parte da cadeia internacional que permite que esses produtos continuem chegando ao mercado.

Irã também entra no pacote

Embora a Rússia seja o principal foco da nova legislação, o Irã também aparece de forma importante.

O texto estende por mais cinco anos o Iran Sanctions Act, legislação criada em 1996 e que restringe atividades relacionadas aos setores de energia e armamentos iranianos. A extensão evita que essas restrições expirem no final de 2026.

Com isso, Washington mantém uma estrutura legal de longo prazo para aplicar sanções relacionadas ao programa energético e às atividades militares do Irã.

China e Índia podem estar entre os países mais afetados

Um dos pontos mais sensíveis da nova lei é o impacto potencial sobre grandes compradores de petróleo russo.

China e Índia estão entre os principais compradores de petróleo russo, segundo análises citadas pela imprensa americana. Por isso, a possibilidade de aplicação de tarifas contra grandes compradores torna a legislação relevante não apenas para Washington e Moscou, mas também para as relações dos Estados Unidos com importantes economias asiáticas.

A legislação, entretanto, não determina automaticamente que todos esses países sofrerão uma tarifa de 100%. Ela dá ao presidente autoridade para aplicar determinadas medidas, cabendo à administração decidir como e quando utilizar esses instrumentos dentro dos limites estabelecidos pela lei.

Irã e Israel se preparam para mais um conflito à medida que os preparativos militares se intensificam!

De acordo com as principais mídias árabes e israelenses, o Irã está realizando intensos testes de defesa aérea, enquanto Teerã e Jerusalém aceleram os preparativos que, segundo analistas, podem desencadear um novo confronto.

Uma pesquisa da revista The Economist, de novembro de 2025, revelou que a maioria dos israelenses espera uma nova guerra com o Irã em breve, após as ameaças de Teerã de “atacar o território israelense em profundidade” caso seja provocada.

O comentarista militar Yossi Yehoshua declarou à i24 News que Israel está treinando para um ataque preventivo com o objetivo de enfraquecer o arsenal de mísseis reconstruído do Irã, classificando a situação atual como uma “realidade de combates” onde a defesa por si só não é suficiente.

Ali Vaez, do International Crisis Group, afirmou que Israel acredita que “o trabalho está inacabado”, enquanto a produção de mísseis iranianos continua sem parar.

As previsões regionais apontam para uma possível escalada já no final deste mês ou no início de 2026, potencialmente atraindo o apoio dos EUA e visando grupos aliados do Irã, como o Hezbollah.

Nenhum ataque foi confirmado, mas sem negociações diplomáticas em andamento e com ambos os lados se rearmando, analistas descrevem o impasse como um barril de pólvora prestes a explodir.

Preparativos para ataque contra o Irã? EUA implantam bombardeiros B-2 na ilha Diego Garcia

Imagens de satélite de código aberto produzidas pelo Planet Labs em 25 de março mostraram a presença de até sete bombardeiros estratégicos B-2 Spirit da Força Aérea dos EUA na ilha de Diego Garcia – três em um pátio de estacionamento/área de carregamento de munições ativas e provavelmente mais quatro em abrigos reforçados.

Foto: Planet Lab

Ao lado deles, na pista, estavam várias aeronaves de reabastecimento aéreo KC-135 Stratotanker e três aviões de transporte C-17.

Esse acúmulo fez com que algumas mídias sociais se perguntassem se a implantação desses ativos estratégicos sinalizava uma prontidão para aumentar os ataques dos EUA contra os rebeldes Houthi no Iêmen.

No entanto, outros sugeriram que a presença de aeronaves de reabastecimento indicava o potencial para um ataque de longo alcance – com o Irã sendo o favorito como alvo pretendido.

Analistas militares observam que qualquer ataque dos EUA às instalações nucleares subterrâneas dispersas do Irã exigiria ataques coordenados, de precisão e de longo alcance, por bombardeiros apoiados e protegidos por aeronaves de plataformas navais pré-posicionadas, ou seja, um ou mais dos 12 porta-aviões de grande porte da frota da Marinha dos EUA.

Esta análise surgiu em meio a relatos de que o Grupo de Ataque de Porta-Aviões 1 dos EUA, liderado pelo USS Carl Vinson, em breve se mudaria para a região e seria complementado pelo Grupo de Ataque de Porta-Aviões 8, centrado no USS Harry S Truman.

A chegada da aeronave ocorreu mais de 48 horas e poucos dias após o Comando Estratégico dos EUA ter dito que o Irã estava acelerando seus preparativos de urânio altamente enriquecido e poderia ter material suficiente para uma ogiva nuclear em menos de uma semana.

O site de notícias dos EUA Axios relatou em 17 de março que o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou que considerava que o Irã seria responsável por quaisquer novos ataques dos Houthis e ameaçou com “consequências terríveis” se eles continuassem.

Em 19 de março, Trump enviou uma carta fortemente redigida ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei, estabelecendo um prazo de dois meses para chegar a um novo acordo nuclear – o que o Irã rejeitou, dizendo que a oferta para negociar um novo acordo nuclear era “uma farsa”.

Em resposta, Teerã disse que o Irã não quer guerra, mas se os EUA “fizerem o movimento errado, a retaliação do Irã será decisiva e quem mais perderá será a América”.

Talvez para ressaltar sua preparação para resistir às ameaças dos EUA, o Irã republicou um vídeo de outubro de 2024 na terça-feira que mostrava o major-general Mohammad Hossein Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, e Amir Ali Hajizadeh, da Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, dirigindo pela “Cidade dos Mísseis” subterrânea do Irã — projetada para mostrar que o Irã pode atacar qualquer alvo a qualquer distância.

O vídeo gerou comentários nas redes sociais sugerindo que o Irã havia colocado “todos os ovos na mesma cesta”, o que seria um alvo tentador para a bomba “bunker buster” guiada com precisão GBU-57A/B MOP (Massive Ordnance Penetrator) de 14.000 kg (30.000 libras) do B-2.

URGENTE!! Presidente do Irã chuta o balde e responde Donald Trump: “Não vou negociar, faça o que quiser!”

O presidente Masoud Pezeshkian disse que o Irã não negociaria com os EUA enquanto estivesse sendo ameaçado, dizendo ao presidente Donald Trump para “fazer o que quiser”, informou a mídia estatal iraniana na terça-feira.
“É inaceitável para nós que eles (os EUA) deem ordens e façam ameaças. Eu nem vou negociar com vocês. Façam o que diabos quiserem”, disse Pezeshkian, citado pela mídia estatal.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse no sábado que Teerã não seria forçada a negociar, um dia após Trump dizer que havia enviado uma carta pedindo ao Irã que se envolvesse em negociações sobre um novo acordo nuclear.

Ao mesmo tempo em que expressou abertura a um acordo com Teerã, Trump restabeleceu a campanha de “pressão máxima” que aplicou em seu primeiro mandato como presidente para isolar o Irã da economia global e reduzir suas exportações de petróleo a zero.

Em uma entrevista à Fox Business, Trump disse na semana passada: “Há duas maneiras de lidar com o Irã: militarmente ou você faz um acordo” para impedir que Teerã adquira armas nucleares.

O Irã negou por muito tempo querer desenvolver uma arma nuclear. No entanto, está acelerando “dramaticamente” o enriquecimento de urânio para até 60% de pureza, próximo ao nível de aproximadamente 90% para armas, alertou a AIEA.

O Irã acelerou seu trabalho nuclear desde 2019, um ano depois que o então presidente Trump abandonou o pacto nuclear de Teerã de 2015 com seis potências mundiais e restabeleceu sanções que prejudicaram a economia do país.

Trump diz que enviou carta ao líder iraniano para negociar acordo nuclear

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que quer negociar um acordo nuclear com o Irã e enviou uma carta à liderança do país nesta semana sugerindo negociações com a República Islâmica, que o Ocidente teme estar se aproximando rapidamente da capacidade de fabricar armas atômicas.

“Eu disse que espero que vocês negociem, porque será muito melhor para o Irã”, disse Trump em uma entrevista à Fox Business Network transmitida na sexta-feira.

O Irã ainda não recebeu a carta, disse a missão do Irã nas Nações Unidas em Nova York na sexta-feira. Não houve resposta imediata do Ministério das Relações Exteriores do Irã, onde é fim de semana, a um pedido de comentário sobre as declarações de Trump.

Trump disse a repórteres na Casa Branca na sexta-feira que esperava uma ação sobre o assunto muito em breve.

“Estamos nos golpes finais com o Irã. Vai ser um momento interessante. E veremos o que acontece. Mas estamos nos momentos finais. Momentos finais. Não podemos deixá-los ter uma arma nuclear”, disse ele no Salão Oval.

Uma mão lava a outra: Putin concorda em ajudar Trump nas negociações com o Irã sobre o programa nuclear

Putin concordou em ajudar o presidente dos EUA, Donald Trump, nas negociações nucleares com o Irã.

Trump transmitiu seu interesse a Putin durante um telefonema em fevereiro, e altos funcionários de seu governo discutiram a questão com uma delegação russa em negociações na Arábia Saudita em 18 de fevereiro.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, compartilhou mais tarde detalhes de uma reunião com autoridades dos EUA com seu colega iraniano Abbas Araghchi quando eles se encontraram em Teerã, de acordo com o próprio Araghchi.

O porta-voz do Kremlin, Dmitrii Peskov, respondendo às perguntas de Bloomberg, afirmou que “a Rússia acredita que os Estados Unidos e o Irã devem resolver todos os problemas por meio de negociações” e que a Federação Russa está “pronta para fazer tudo ao seu alcance para fazer isso”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Bahai, durante uma coletiva de imprensa quando perguntado se a Rússia havia se oferecido para mediar entre o Irã e os EUA, disse que era “natural” que os países oferecessem assistência em situações necessárias.

Navio de suprimentos da China chega ao Irã para o programa de mísseis

O primeiro de dois navios transportando 1.000 toneladas de um produto químico feito na China que pode ser um componente-chave no combustível para o programa de mísseis militares do Irã ancorou do lado de fora do porto iraniano de Bandar Abbas nesta quinta-feira, 13 de fevereiro, de acordo com dados de rastreamento de navios.

Pode ser um sinal de que a produção de mísseis do Irã está de volta aos negócios normalmente após os devastadores e embaraçosos ataques de Israel contra fábricas importantes no ano passado.

Linha de navegação do porto chinês Taicang para o porto iraniano de Bandar Abbas. Foto: Google Maps/Área Militar

O navio, Golbon, deixou o porto chinês de Taicang há três semanas carregado com a maior parte de um carregamento de 1.000 toneladas de perclorato de sódio, o principal precursor na produção do propelente sólido que alimenta os mísseis convencionais de médio alcance do Irã, de acordo com duas fontes de inteligência europeias.

O perclorato de sódio poderia permitir a produção de propelente suficiente para cerca de 260 motores de foguetes sólidos para os mísseis Kheibar Shekan do Irã ou 200 mísseis balísticos Haj Qasem, de acordo com fontes de inteligência.

A remessa chega enquanto o Irã sofre uma série de reveses regionais com a derrota coletiva sofrida por seus aliados: a queda de Bashar al-Assad na Síria e as perdas do Hezbollah no Líbano.

Após o ataque de Israel às instalações de produção de mísseis do Irã em outubro, alguns especialistas ocidentais acreditavam que levaria pelo menos um ano para que o Irã pudesse retomar a produção de propelente sólido. Esta entrega aponta para o Irã não estar longe de – ou que eles já poderiam estar de volta – à produção de seus mísseis.

O Irã corre contra o tempo para se rearmar após lançar inúmeros foguetes e mísseis balísticos contra Israel no ano passado, e principalmente após sofrer um grande ataque contra seus sistemas de defesa aérea e instalação de produção de mísseis.

De acordo com dados da CNN, o segundo navio, chaamdo Jairan, ainda não foi carregado e não deixou a China, com ambos os navios operados pela empresa Islamic Republic of Iran Shipping Lines (IRISL).

Acredita-se que o Jairan transportará o restante das 1.000 toneladas para o Irã. O Golbon deixou o porto de Taichang para o Irã em 21 de janeiro.

Para reduzir o comércio militar iraniano, os Estados Unidos e o Reino Unido impuseram sanções contra a empresa Islamic Republic of Iran Shipping Lines, com o Departamento de Estado dizendo que a empresa é a “linha de navegação preferida para proliferadores e agentes de aquisição iranianos”.

O tesouro do Reino Unido disse que a empresa estava “envolvida em atividades hostis” do Irã e destacou seus vínculos com o setor de defesa iraniano.

Tanto o Golbon quanto o Jairan estão sob sanções dos EUA., isso significa que nenhum porto aliado dos americanos, comercialmente falando, pode receber os navios.

Enquanto isso, a China continua sendo uma aliada diplomática e econômica do Irã, atingido por sanções, condenando as sanções “unilaterais” dos EUA contra o país e acolhendo Teerã em blocos internacionais liderados por Pequim e Moscou, como a Organização de Cooperação de Xangai e os BRICS.

A China também continua sendo de longe o maior comprador de energia do Irã, embora não tenha relatado compras de petróleo iraniano em seus dados alfandegários oficiais desde 2022, de acordo com analistas.

Apesar dos laços históricos da China com o setor de defesa do Irã, observadores dizem que Pequim reduziu os laços de segurança na última década, à medida que busca reforçar as relações com a Arábia Saudita e outros estados do Golfo.

Os EUA, no entanto, sancionaram nos últimos anos uma série de entidades chinesas por supostas funções de apoio à produção de drones militares iranianos.

Exercícios navais conjuntos recentes entre China, Irã e Rússia também sinalizaram um potencial aprofundamento dos laços estratégicos de governo para governo.

Embora o Irã precise de propelente sólido para uma série de mísseis, incluindo armas menores de defesa aérea, a maior parte dessas entregas provavelmente seria destinada ao programa de mísseis balísticos do Irã

E então, no meio do encontro com Putin, um iraniano começou a rezar!

E então, no meio do importante encontro oficial entre o presidente iraniano Pezeshkian e Vladimir Putin, um membro da delegação iraniana tirou um tapete e passou a rezar dentro do Kremlin.

Todos os outros membros permaneceram cordiais e respeitaram a reunião de alto nível na Rússia. De acordo com jornalistas presentes, apesar da delegação ser muçulmana, haveria outra oportunidade de oração apontada para Meca.