A administração de Donald Trump adotou uma medida diplomática contra Cuba após um confronto envolvendo integrantes das delegações dos dois países na Assembleia Geral das Nações Unidas.
O embaixador americano Mike Waltz acusou um diplomata cubano de empurrar e tentar agredir um integrante da equipe dos Estados Unidos. Washington declarou o funcionário cubano persona non grata, exigindo sua saída do país, em meio ao agravamento das tensões com o regime de Havana.
Confronto na ONU eleva a tensão entre Washington e Havana
O episódio ocorreu durante uma sessão da Assembleia Geral da ONU dedicada ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. A discussão, que já envolvia divergências políticas profundas, transformou-se em um confronto verbal quando Waltz criticou o governo cubano e questionou a situação política da ilha.
Integrantes da delegação cubana reagiram com gritos e manifestações de protesto. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, aproximou-se do púlpito onde Waltz discursava, e os dois passaram a trocar acusações em voz alta. O representante americano exigiu que os integrantes da delegação cubana recuassem, afirmando que não aceitaria intimidação em território americano.
A situação ganhou uma dimensão ainda mais grave com as acusações envolvendo Richard Tur de la Concepción, primeiro-secretário da missão cubana junto à ONU.
Segundo Waltz, o diplomata empurrou e tentou agredir um integrante da equipe americana. O governo Trump considerou o comportamento inaceitável e decidiu que o funcionário não poderia continuar nos Estados Unidos.
O secretário de Estado, Marco Rubio, assinou a documentação necessária para a expulsão, segundo o relato de Waltz. Em declaração à CNN, um porta-voz do Departamento de Estado confirmou que Washington havia comunicado à missão cubana que o diplomata não era mais bem-vindo e que ele havia deixado o país.
O que mostram as imagens do confronto?
Vídeos divulgados após o incidente mostram integrantes da delegação cubana batendo em uma mesa e protestando durante a intervenção de Waltz. Em outra gravação, compartilhada pelo próprio embaixador americano, um diplomata cubano afasta com a mão o celular utilizado para filmá-lo.
One of the Cuban regime’s “diplomats” tried to intimidate UN staff into cutting our microphones as I exposed the regime for the world to see.
When one of my American diplomats noticed what was happening, that same regime “diplomat” tried to intimidate him, too. https://t.co/kmBlpMlPcY
— Ambassador Mike Waltz (@USAmbUN) October 27, 2026
O funcionário cubano argumentou que a pessoa que gravava havia invadido seu espaço pessoal. Essa versão foi incorporada à contestação apresentada por Havana, que acusou um representante americano de se aproximar indevidamente do diplomata para filmá-lo e divulgar as imagens nas redes sociais com o objetivo de prejudicar sua reputação.
A missão cubana encaminhou uma reclamação ao secretário-geral da ONU. Até o momento do relato publicado pela CNN, a emissora informou que havia procurado a representação cubana para obter um posicionamento sobre a expulsão.
Trump e Rubio endurecem a postura contra o regime cubano
A crise diplomática acontece em um momento de crescente pressão da administração republicana sobre o governo cubano. Nos últimos meses, Washington intensificou medidas econômicas e declarações políticas destinadas a pressionar Havana por mudanças.
Rubio, um dos principais defensores de uma política mais dura contra o regime comunista cubano, afirmou recentemente que aqueles que desejam promover mudanças na ilha deveriam aproveitar o momento. Suas declarações ampliaram as especulações sobre possíveis iniciativas americanas para enfraquecer o governo cubano, embora não representem, por si mesmas, a confirmação de uma operação para derrubá-lo.
Trump também elevou o tom ao falar sobre Cuba durante compromissos de campanha nos Estados Unidos. O presidente afirmou que Washington trataria da questão cubana após lidar com o Irã, utilizando uma retórica que reforça a pressão política sobre Havana.
A expulsão do diplomata se encaixa nesse cenário de endurecimento. Para a administração republicana, tolerar uma suposta agressão contra um integrante da equipe americana poderia transmitir uma mensagem de fraqueza. A resposta de Washington, por outro lado, também aumenta o risco de novas retaliações diplomáticas e de uma deterioração ainda maior das relações bilaterais.
ONU condena embargo americano, mas votação revela mudanças
A crise ocorreu na mesma semana em que a Assembleia Geral da ONU voltou a votar uma resolução contra o embargo econômico americano a Cuba.
O texto foi aprovado por 130 países, enquanto 17 votaram contra e 25 se abstiveram. Embora a maioria tenha apoiado a resolução, o resultado representou uma mudança significativa em relação ao ano anterior, quando a votação terminou com 165 votos favoráveis, sete contrários e 12 abstenções.
A redução do apoio à resolução foi vista por Waltz como um sinal de que a diplomacia americana conseguiu convencer mais países a reverem sua posição. Alemanha e Itália estiveram entre os países que se abstiveram nesta votação, segundo a Reuters.
É importante observar que a resolução da Assembleia Geral não tem força vinculante para obrigar os Estados Unidos a suspender o embargo. A decisão tem peso político internacional, mas o levantamento das restrições depende dos procedimentos legais e políticos americanos, incluindo a atuação do Congresso em matérias previstas na legislação dos Estados Unidos.
O que pode acontecer agora?
A expulsão do funcionário cubano representa uma advertência de Washington em um momento em que as relações entre os dois países já estão profundamente deterioradas. O governo Trump sinaliza que não pretende separar a pressão política sobre Havana da defesa dos representantes americanos envolvidos em atividades diplomáticas.
Para Cuba, o episódio oferece uma oportunidade de acusar os Estados Unidos de provocação e de tentar mobilizar apoio internacional contra a política americana. Para Washington, a resposta permite sustentar que divergências políticas não justificam intimidação física contra integrantes de sua representação.
O desfecho dependerá, em parte, de como os dois governos conduzirão os próximos contatos diplomáticos. Novas medidas de retaliação podem ampliar a crise, enquanto uma apuração mais detalhada do incidente poderia ajudar a esclarecer as responsabilidades individuais.
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