Donald Trump afasta embaixadora dos EUA e ex-esposa de Trump Jr. na Grécia por suspeita de tráfico de influência

Kimberly Guilfoyle. Foto: Gage Skidmore
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A Casa Branca pediu, nesta terça-feira (13), a renúncia de Kimberly Guilfoyle, embaixadora dos Estados Unidos na Grécia, após uma série de reportagens levantar suspeitas de que ela teria oferecido acesso a integrantes do governo de Donald Trump em troca de dinheiro, presentes e favores. O caso provocou questionamentos em Washington e colocou sob pressão uma diplomata que mantém vínculos com o círculo político do presidente americano.

O anúncio foi feito pela secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, durante uma entrevista coletiva. A decisão ocorreu um dia depois de Trump afirmar que avaliava demitir Guilfoyle e demonstrar insatisfação com as informações divulgadas pela imprensa.

“Pedimos à embaixadora Guilfoyle que renuncie”, declarou Zacharia, acrescentando que a diplomata havia sido um importante integrante da equipe e que o governo lhe desejava sucesso.

O episódio ganhou repercussão por envolver uma representante americana em um país estrategicamente importante para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Além das consequências políticas para Guilfoyle, as denúncias levantam dúvidas sobre a relação entre interesses privados, influência política e o exercício de funções diplomáticas.

Denúncias envolvem dinheiro e acesso ao governo Trump

As suspeitas vieram à tona após reportagens do jornal americano The Wall Street Journal, que começaram a ser publicadas no mês anterior. Segundo o veículo, Guilfoyle teria utilizado suas conexões políticas para buscar vantagens financeiras e favorecer interesses empresariais.

Uma das acusações mais graves foi apresentada pelo empresário americano Eric Deters. Ele afirmou ao jornal que Guilfoyle teria solicitado dinheiro para quitar uma fatura de cartão de crédito de US$ 100 mil, oferecendo, em contrapartida, acesso a integrantes do governo Trump.

Deters também relatou que a proposta teria ocorrido antes da confirmação de Guilfoyle para o cargo de embaixadora. O empresário afirmou que não transferiu o dinheiro solicitado.

Os advogados da diplomata contestaram as acusações. Em declarações à CNN americana, a defesa sustentou que Deters tinha valores pendentes por serviços profissionais prestados por Guilfoyle, incluindo palestras e consultoria. Segundo os advogados, cobrar por trabalhos realizados não constitui corrupção, e as alegações do empresário seriam falsas.

Outra reportagem apontou a proximidade de Guilfoyle com um lobista ligado a uma empresa grega do setor energético e sua suposta atuação em favor dos interesses da companhia. Também foram divulgadas informações sobre gravações nas quais ela teria comentado suas relações com empresários gregos influentes enquanto buscava um convite para um jantar em Davos, na Suíça, em homenagem a Eric Trump, filho do presidente americano.

As acusações não devem ser tratadas como fatos comprovados. Guilfoyle nega ter cometido irregularidades, e a existência de denúncias não equivale, por si só, à comprovação de um crime.

Trump muda o tom após as denúncias

A saída de Guilfoyle representa um revés para uma figura conhecida do movimento político de Trump e próxima de sua família. Ela foi noiva de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, antes de assumir a representação diplomática americana na Grécia.

Na segunda-feira (12), Trump indicou que estudava afastá-la. No dia seguinte, ao comentar o caso, afirmou que ela vinha desempenhando um bom trabalho, mas que a administração estava insatisfeita com o que havia sido divulgado.

A declaração sinalizou que, apesar dos vínculos políticos de Guilfoyle, as denúncias passaram a representar um problema para o governo americano.

A diplomata, por sua vez, publicou uma mensagem na rede social X na qual reafirmou seu respeito por Trump e pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Ela também classificou as acusações como falsas e disse que pretende defender vigorosamente seu nome, sua reputação e sua integridade.

Paralelamente, reportagens da imprensa americana apontaram que o órgão de fiscalização interna do Departamento de Estado estava examinando reclamações de funcionários da embaixada em Atenas relacionadas à conduta da diplomata.


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