Oficial de alto escalão vê possível mudança de governo como oportunidade para modernizar as Forças Armadas do Brasil

H-60L BlackHawk da Força Aérea Brasileira. Foto: Sgt Muller Marin/Força Aérea Brasileira/Flickr: https://www.flickr.com/photos/portalfab/54858514396/in/album-72157626934798745
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Um oficial de alto escalão da Força Aérea Brasileira, que pediu para não ser identificado, afirmou estar otimista com a possibilidade de uma mudança na política federal para a área de Defesa em um eventual novo governo.

Segundo o militar, a expectativa é de que uma nova orientação estratégica possa dar maior prioridade à revitalização e à modernização de setores considerados fundamentais para preparar o Brasil para os conflitos e ameaças do século XXI.

De acordo com o relato obtido pela reportagem, a preocupação não está apenas na aquisição de equipamentos tradicionais, mas principalmente na incorporação de tecnologias capazes de mudar a forma como as Forças Armadas detectam ameaças, tomam decisões e conduzem operações.

Entre as áreas apontadas pelo oficial estão inteligência artificial, inclusive sistemas avançados de IA; defesa cibernética; defesa aérea baseada em artilharia e sistemas integrados; além do uso e compartilhamento estratégico de informações obtidas por satélites.

A avaliação ocorre em um momento em que o próprio Ministério da Defesa brasileiro vem tratando os domínios cibernético e espacial como setores prioritários. A Estratégia Nacional de Defesa estabelece os setores nuclear, cibernético e espacial como áreas estratégicas para a modernização da estrutura nacional de defesa.

A aposta em inteligência artificial

Para o oficial, uma das principais mudanças necessárias seria acelerar a entrada da inteligência artificial na estrutura militar.

Na prática, “isso significa utilizar sistemas capazes de processar grandes volumes de informações em pouco tempo, auxiliar no planejamento de operações, identificar padrões e melhorar o processo de tomada de decisão”, disse o oficial.

A Força Aérea já estabeleceu uma diretriz específica para inteligência artificial. O documento prevê o emprego da tecnologia como multiplicador de poder e destaca aplicações relacionadas a comando e controle, planejamento de missões, alocação de recursos e processo decisório.

A expectativa do militar ouvido pela reportagem, entretanto, é que esse movimento possa ganhar escala e deixar de ser tratado apenas como projetos isolados.

O objetivo seria construir uma capacidade nacional mais ampla, com integração entre as três Forças e desenvolvimento de tecnologias próprias.

Defesa aérea: detectar antes de reagir

A modernização da defesa aérea também aparece entre as prioridades mencionadas pelo oficial.

A lógica é relativamente simples: “quanto mais cedo uma ameaça for detectada, maior será a possibilidade de neutralizá-la”, destacou o militar.

Isso exige uma rede integrada de radares, sensores, sistemas de comando e controle e meios capazes de responder a diferentes tipos de ameaça.

Drones, aeronaves, mísseis e outros vetores podem exigir respostas distintas. Por isso, uma defesa aérea moderna não depende de uma única arma, mas de uma arquitetura integrada.

Nesse cenário, sistemas de artilharia antiaérea poderiam funcionar conectados a sensores e centros de comando, formando camadas de proteção para instalações militares, infraestrutura crítica e áreas estratégicas.

Uma mudança de lógica

O ponto central da avaliação do oficial é que modernizar as Forças Armadas não significa simplesmente comprar mais equipamentos. “A questão seria construir uma estrutura militar capaz de operar de maneira integrada em diferentes domínios: terra, mar, ar, espaço e ambiente cibernético”, destaca o militar.

Essa transformação exigiria investimentos de longo prazo, planejamento contínuo e uma política de Estado que sobreviva às mudanças de governo.

O Brasil já possui programas e estruturas voltados para parte dessas capacidades. O Ministério da Defesa, por exemplo, mantém uma política de tecnologias críticas destinada a orientar atividades de pesquisa e desenvolvimento em projetos das Forças Armadas.

A diferença, segundo a avaliação do militar, estaria na escala e na prioridade que um eventual novo governo poderia dar a esses programas.

A questão levantada pelo oficial, portanto, não seria apenas quanto o país gastará em Defesa, mas em quais capacidades pretende investir e qual papel deseja ocupar no cenário militar internacional nas próximas décadas.


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