Hoje, 28 de setembro, a guerra entre Estados Unidos e Irã completa sete meses. No mesmo momento em que o conflito chega a essa marca, Washington e Teerã voltam a movimentar canais diplomáticos por meio de mediadores, numa tentativa de encontrar uma saída para a crise.
Os Estados Unidos e o Irã voltaram a movimentar os canais diplomáticos em uma tentativa de encontrar uma saída para o conflito que envolve os dois países.
Segundo uma autoridade familiarizada com as negociações ouvida pela Reuters, mediadores do Catar devem realizar conversas separadas com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e com representantes norte-americanos nesta segunda ou terça-feira, em Nova York.
As reuniões não serão, neste momento, uma negociação direta entre Washington e Teerã. A ideia é que o Catar funcione como intermediário, levando propostas de um lado ao outro e tentando aproximar posições que continuam bastante distantes.
O movimento ocorre pouco depois de o Irã apresentar uma proposta de sete dias para interromper as hostilidades. Agora, segundo a autoridade ouvida pela Reuters, os mediadores trabalham sobre uma versão modificada desse plano, apresentada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
A proposta iraniana rejeitada
A proposta iraniana prevê uma série de medidas que precisariam acontecer de forma coordenada.
Entre elas estão o fim das hostilidades no Irã e no Líbano, o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos, a suspensão das sanções contra o petróleo do país e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos.
Em contrapartida, Teerã se comprometeria a permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais passagens marítimas para o transporte mundial de petróleo, além de retomar as negociações sobre seu programa nuclear.
É justamente essa ligação entre segurança, petróleo e programa nuclear que torna as negociações particularmente complexas.
Trump rejeitou a primeira proposta, mas manteve o canal aberto
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que havia rejeitado a proposta iraniana. Segundo Trump, Teerã estaria buscando um acordo rápido devido à forte pressão econômica enfrentada pelo país.
Apesar disso, no domingo, Trump afirmou ao Axios que esperava que representantes norte-americanos participassem de novas conversas durante esta semana.
A posição cria uma situação aparentemente contraditória: Washington rejeitou a proposta apresentada inicialmente por Teerã, mas continua permitindo que o processo diplomático avance por meio de intermediários.
O que pode acontecer agora
O principal ponto de atenção será saber se os mediadores conseguem transformar a proposta iraniana em uma fórmula que também seja aceitável para Washington.
Para isso, questões como sanções econômicas, bloqueio de portos, circulação pelo Estreito de Ormuz, suspensão das hostilidades e o futuro do programa nuclear iraniano precisarão ser tratadas conjuntamente.
Por enquanto, portanto, não há confirmação de um cessar-fogo definitivo ou de um acordo de paz.
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