ONU denuncia violência sexual em homens na Ucrânia: Maioria dos casos atribuído à Rússia

Tropas russas em solo ucraniano (2022). Mil.ru/Imagem melhorada ©Área Militar
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A Organização das Nações Unidas denunciou uma série de casos de violência sexual cometidos durante a guerra na Ucrânia e afirmou que a maioria dos episódios verificados está relacionada a autoridades russas.

Segundo um novo relatório do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, foram documentados 1.004 casos de violência sexual relacionada ao conflito entre fevereiro de 2022 e julho de 2026. Desse total, 89% foram atribuídos a autoridades russas e 11% a autoridades ucranianas.

Relatório da ONU. ©Área Militar

O relatório mostra que os abusos ocorreram principalmente em situações de detenção. Prisioneiros de guerra e civis ucranianos mantidos sob custódia russa relataram episódios de estupro, estupro coletivo, mutilação genital, choques elétricos e agressões de natureza sexual.

Segundo os investigadores da ONU, essas práticas foram registradas em diferentes instalações de detenção e em várias etapas do período de cativeiro, desde a captura até interrogatórios, transferências e permanência nas prisões.

Um dos aspectos destacados pela ONU é que a maior parte das vítimas identificadas em locais de detenção era formada por homens. Isso inclui principalmente prisioneiros de guerra e pessoas mantidas em centros de detenção. Mulheres e crianças também foram vítimas, especialmente em áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia.

A ONU também registrou violência sexual contra civis que não estavam necessariamente presos. Foram documentados 95 casos envolvendo civis, principalmente mulheres e meninas. Entre eles estavam 57 sobreviventes de estupro, incluindo 15 casos de estupro coletivo. A ONU informou ainda que uma das vítimas mais jovens documentadas tinha quatro anos de idade.

O número de 1.004 casos pode ser ainda maior

É importante entender que os 1.004 casos não representam necessariamente o número total de vítimas da guerra. O número corresponde aos casos que a missão de monitoramento da ONU conseguiu verificar.

Os próprios investigadores afirmam que a cifra provavelmente representa apenas uma parte do problema. A organização não teve acesso a determinadas áreas ocupadas pela Rússia, nem conseguiu entrevistar todas as pessoas que passaram por centros de detenção. A Rússia também não concedeu à missão da ONU acesso a territórios ocupados, prisioneiros de guerra ou civis detidos.

Por isso, o relatório não apresenta os 1.004 casos como um levantamento completo da violência sexual ocorrida durante o conflito, mas como o número de episódios que puderam ser documentados e verificados pelas Nações Unidas.

Relatório da ONU. ©Área Militar

Segundo a ONU, 11% dos casos documentados foram atribuídos ao lado ucraniano. A organização afirma que essas violações também são graves e exigem responsabilização. No entanto, o padrão identificado pelos investigadores foi diferente daquele encontrado nas instalações administradas por autoridades russas.


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