Elon Musk nomeado co-líder do projeto Meridian do Pentágono para planejar a guerra do futuro

O secretário de guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou em 30 de setembro, durante um discurso na Base do Corpo de Fuzileiros Navais em Quantico, na Virgínia, a criação do Project Meridian, uma iniciativa do Pentágono destinada a estudar como poderá ser a guerra nas próximas décadas — e quais tecnologias os Estados Unidos precisarão desenvolver para enfrentar esse cenário.

A iniciativa terá Elon Musk, CEO da SpaceX e da Tesla, como um de seus três líderes, ao lado de Palmer Luckey, fundador da empresa de tecnologia de defesa Anduril, e Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O projeto será conduzido com a participação do diretor de tecnologia do Departamento de Defesa, Emil Michael.

250320-D-PM193-1106 O Secretário de Guerra Pete Hegseth e o Senador dos EUA Roger Wicker. Foto: Suboficial de 1ª Classe da Marinha dos EUA Alexander Kubitza

A ideia, segundo Hegseth, não é simplesmente produzir mais um documento de estratégia militar. O objetivo é identificar quais áreas tecnológicas serão decisivas nos próximos conflitos e quais capacidades os Estados Unidos precisam começar a desenvolver agora.

Em termos simples, o Pentágono quer tentar responder a uma pergunta: como será a guerra de 2030, 2050 ou até 2100 — e que armas e sistemas os militares americanos precisarão ter quando esses conflitos chegarem?

O projeto terá prazo inicial de 120 dias para apresentar suas conclusões. A previsão é que o trabalho resulte em um relatório público acompanhado de uma parte classificada, que não será divulgada integralmente.

Musk retorna ao ambiente governamental

A participação de Musk também chama atenção porque representa seu retorno a uma função oficial ligada ao governo americano depois de sua passagem pelo Departamento de Eficiência Governamental, conhecido como DOGE.

Desta vez, porém, sua atuação está diretamente relacionada ao futuro tecnológico das Forças Armadas. A escolha também ganha relevância porque a SpaceX, empresa comandada por Musk, já possui contratos importantes com o governo americano na área espacial e de segurança nacional. A Anduril, de Palmer Luckey, também fornece tecnologias ao Departamento de Guerra.

O envolvimento de executivos de empresas que já trabalham com o Pentágono coloca o projeto no centro de uma discussão sobre como o governo americano pretende aproximar empresas de tecnologia, inteligência artificial e indústria de defesa.

Projeto Meridian não é o novo comando de guerra autônoma (Autonomous Warfare Command)

Apesar de terem sido anunciados no mesmo discurso, o Project Meridian e o Autonomous Warfare Command são iniciativas diferentes.

O Autonomous Warfare Command, também anunciado por Hegseth em Quantico, será uma nova estrutura militar de quatro estrelas destinada a ampliar o emprego de drones, robôs, inteligência artificial e outros sistemas autônomos pelas Forças Armadas americanas.

O Meridian, por sua vez, terá uma função mais voltada para estudar e antecipar o futuro da guerra, identificando tecnologias e capacidades que poderão ser necessárias nos próximos conflitos.

A diferença pode ser resumida assim: enquanto o Autonomous Warfare Command deverá ajudar o Pentágono a empregar sistemas autônomos dentro da estrutura militar, o Project Meridian pretende olhar mais adiante e identificar o que os Estados Unidos deveriam desenvolver para a próxima geração de guerras.

O que está no radar do projeto

Entre os temas considerados estão tecnologias emergentes e novos ambientes de combate, incluindo inteligência artificial, robótica, espaço e operações em ambientes subterrâneos. O objetivo é antecipar mudanças que possam alterar profundamente a maneira como os conflitos são travados.

Nota: A guerra na Ucrânia se tornou um dos principais laboratórios da guerra moderna, onde tecnologias e táticas são testadas em condições reais de combate. Drones de diferentes tipos, inteligência artificial, guerra eletrônica, reconhecimento por satélite, mísseis de precisão e sistemas autônomos vêm sendo empregados e adaptados em um ritmo acelerado, oferecendo às forças militares e às empresas de defesa informações que dificilmente poderiam ser obtidas apenas em exercícios militares. A experiência do conflito também mostra como a combinação entre tecnologia, informação e velocidade de decisão pode alterar o campo de batalha e influenciar o planejamento militar de países que já se preparam para os conflitos das próximas décadas.