Trump aprova lei de sanções máximas contra Rússia e Irã – A Lei Lindsey Graham

Os Estados Unidos deram um novo passo para aumentar a pressão econômica sobre Rússia e Irã. O Congresso americano aprovou a Lei Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026 (Congressional Bill H.R. 5334), e o presidente Donald Trump sancionou a legislação nesta sexta-feira, 18 de setembro, transformando o pacote em lei.

A medida recebeu o nome do senador republicano Lindsey Graham, que morreu em julho e havia liderado as negociações para aprovar o projeto. A proposta passou pelo Senado em agosto por 86 votos a 11 e posteriormente foi aprovada pela Câmara dos Representantes por 262 votos a 159.

Na prática, a nova lei amplia os instrumentos disponíveis para Washington pressionar a Rússia e também mantém por mais tempo determinadas sanções contra o Irã.

Rússia no centro da nova legislação

O principal alvo do pacote é Moscou. A legislação prevê sanções contra autoridades russas, oligarcas, familiares de pessoas atingidas pelas medidas, bancos e outras instituições financeiras, além de integrantes da chamada “frota fantasma”, formada por navios utilizados para transportar petróleo e contornar restrições internacionais.

Mas existe outro elemento que pode ter consequências internacionais mais amplas.

A lei autoriza o presidente dos Estados Unidos a aplicar tarifas de até 100% sobre determinados produtos importados de países que estejam entre os principais compradores de petróleo ou gás russos ou que contribuam para mecanismos destinados a driblar as sanções contra Moscou.

A lei também abrange compradores da Rússia 

A legislação estabelece limites para a aplicação dessas tarifas, incluindo os principais países compradores de energia russa.

Isso significa que a pressão americana não fica restrita à Rússia. Dependendo da forma como a Casa Branca utilizar esses poderes, empresas e governos que continuam negociando energia com Moscou também podem ser afetados.

A Rússia continua utilizando suas exportações de energia como uma das principais fontes de receita para sustentar sua economia e financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

Por isso, a estratégia americana procura atingir não apenas quem vende o petróleo, mas também parte da cadeia internacional que permite que esses produtos continuem chegando ao mercado.

Irã também entra no pacote

Embora a Rússia seja o principal foco da nova legislação, o Irã também aparece de forma importante.

O texto estende por mais cinco anos o Iran Sanctions Act, legislação criada em 1996 e que restringe atividades relacionadas aos setores de energia e armamentos iranianos. A extensão evita que essas restrições expirem no final de 2026.

Com isso, Washington mantém uma estrutura legal de longo prazo para aplicar sanções relacionadas ao programa energético e às atividades militares do Irã.

China e Índia podem estar entre os países mais afetados

Um dos pontos mais sensíveis da nova lei é o impacto potencial sobre grandes compradores de petróleo russo.

China e Índia estão entre os principais compradores de petróleo russo, segundo análises citadas pela imprensa americana. Por isso, a possibilidade de aplicação de tarifas contra grandes compradores torna a legislação relevante não apenas para Washington e Moscou, mas também para as relações dos Estados Unidos com importantes economias asiáticas.

A legislação, entretanto, não determina automaticamente que todos esses países sofrerão uma tarifa de 100%. Ela dá ao presidente autoridade para aplicar determinadas medidas, cabendo à administração decidir como e quando utilizar esses instrumentos dentro dos limites estabelecidos pela lei.

HISTÓRICO! Trump anuncia acordo que dá aos EUA controle permanente sobre a segurança da Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que Washington chegou a um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia para ampliar de forma permanente o papel americano na segurança do território localizado no Ártico.

A declaração foi publicada por Trump em sua rede social, a Truth Social. Segundo o presidente, o acordo garante aos Estados Unidos a capacidade permanente de tomar as medidas que considerar necessárias para proteger a segurança da Groenlândia e dos próprios Estados Unidos.

Trump também afirmou que os Estados Unidos começarão imediatamente a trabalhar na expansão de sua presença militar na ilha. O presidente disse ainda que países considerados adversários de Washington não poderão estabelecer bases militares, manter presença militar ou realizar determinados investimentos estratégicos na Groenlândia sem autorização expressa dos Estados Unidos.

A Reuters informou que as negociações entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia vinham avançando para um acordo que aumentaria significativamente a presença militar americana, mas que ficaria distante da antiga proposta de Trump de simplesmente adquirir a Groenlândia.

A importância da Groenlândia

A Groenlândia ocupa uma posição extremamente estratégica no Ártico. A ilha está localizada entre a América do Norte e a Europa e fica próxima das rotas que podem ser utilizadas por aeronaves, mísseis e outras forças militares que se movimentem entre a América do Norte, o Atlântico Norte e o Ártico.

Além disso, a região ganhou importância com o aumento da competição entre Estados Unidos, Rússia e China no extremo norte do planeta.

Os Estados Unidos já possuem uma instalação militar na Groenlândia: a Pituffik Space Base, localizada no norte da ilha. Um acordo de defesa firmado entre Washington e Copenhague em 1951, posteriormente atualizado, já permite uma ampla atuação militar americana no território.

O novo entendimento anunciado por Trump busca, segundo o próprio governo americano, levar essa presença para um nível muito maior.

A questão da Rússia e da China

Um dos pontos mais importantes do anúncio é a tentativa de limitar a presença de adversários dos Estados Unidos na Groenlândia.

Trump afirmou que nenhum adversário americano poderá estabelecer uma base, manter presença militar ou realizar determinados investimentos considerados sensíveis sem autorização de Washington.

A preocupação americana está relacionada à crescente disputa estratégica pelo Ártico.

A região possui importância militar, econômica e energética e, com o derretimento do gelo em determinadas áreas, novas rotas marítimas e possibilidades de exploração de recursos passaram a receber maior atenção internacional.

O efeito do projeto Golden Dome

Esse é talvez o ponto mais importante para entender o anúncio. O Golden Dome não depende apenas de interceptadores.

Um sistema de defesa antimísseis precisa detectar uma ameaça o mais cedo possível, determinar sua trajetória e transmitir essas informações rapidamente para os elementos responsáveis pela resposta.

Por isso, a arquitetura de sensores e instalações de apoio é tão importante quanto os próprios mísseis interceptadores. A posição da Groenlândia pode oferecer aos Estados Unidos uma plataforma estratégica para ampliar sua cobertura no extremo norte.

Erro em IA quase levou EUA a interceptar navio chinês e causar um confronto entre as duas potências

Um erro cometido com auxílio de inteligência artificial quase desencadeou uma operação militar dos Estados Unidos contra um navio chinês no Oriente Médio.

O episódio ocorreu durante a guerra contra o Irã e expôs um dos riscos mais delicados da utilização de sistemas de IA em atividades de inteligência: uma informação falsa pode adquirir aparência de informação oficial e chegar rapidamente aos níveis operacionais das Forças Armadas.

Segundo informações obtidas pela CNN com quatro fontes familiarizadas com o caso, um relatório de inteligência que circulou entre militares americanos afirmava que uma embarcação chinesa transportava componentes relacionados a um programa de armas nucleares. A informação provocou uma reação imediata dentro da estrutura militar dos Estados Unidos.

A situação chegou a um ponto crítico. De acordo com duas das fontes ouvidas pela CNN, militares americanos armados se preparavam para abordar o navio. Além disso, aeronaves militares já estavam no ar enquanto a operação era planejada.

A identificação do problema antes do ataque

A origem do erro estava em uma análise realizada por um analista ligado ao comando de operações especiais. O profissional utilizou um chatbot de inteligência artificial para analisar informações relacionadas ao manifesto de carga do navio, um documento que registra os produtos transportados pela embarcação.

O material de inteligência utilizado na análise tinha origem no Comando de Operações Especiais do Pacífico, sediado no Havaí. Segundo a CNN, o sistema de IA combinou informações de fontes abertas com dados sigilosos de inteligência disponíveis nos sistemas governamentais e chegou a uma conclusão incorreta sobre a carga.

Em outras palavras, a inteligência artificial interpretou de maneira errada aquilo que estava sendo transportado pelo navio.

O problema, porém, não terminou na resposta equivocada do chatbot.

O analista utilizou novamente a inteligência artificial para transformar aquela análise em um relatório de inteligência no formato normalmente utilizado pelos militares. O documento acabou sendo distribuído dentro da estrutura militar americana.

Foi justamente esse processo de “continuidade das ações” que tornou o episódio particularmente preocupante, já que militares em campo haviam sido ativados para operação iminente.

Quando autoridades aprofundaram a análise do documento, descobriram que a inteligência artificial havia identificado incorretamente o material transportado pela embarcação. A operação foi então interrompida.

Uma fonte familiarizada com o episódio resumiu a gravidade do caso dizendo que o erro “quase provocou uma guerra”. Essa é uma avaliação atribuída à fonte, e não uma confirmação de que um conflito entre Estados Unidos e China estava efetivamente prestes a começar.

O ponto concreto é que uma operação militar contra uma embarcação chinesa poderia criar um risco significativo de escalada entre as duas potências.