O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quinta-feira (30) que ainda não decidiu se concederá à Ucrânia a licença para fabricar interceptadores do sistema de defesa aérea Patriot.
Em entrevista por telefone ao jornal britânico Financial Times, Trump afirmou: “Não tenho certeza. Estamos analisando a questão”. Ele acrescentou que se trata de “uma arma extraordinária” e que “temos de ser um pouco cautelosos sobre a quem concedemos a licença. Nós não costumamos licenciar equipamentos”.
A declaração marca uma aparente hesitação em relação a posicionamentos anteriores. No início de julho, durante a cúpula da Otan na Turquia, Trump havia dito que os Estados Unidos dariam à Ucrânia “o direito de fabricar Patriots”.
Dois dias antes da entrevista ao FT, após encontro com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no Salão Oval, em 28 de julho, o líder de Kiev afirmou que Trump “aceitou que nos dará as licenças” e que o tema da produção de interceptadores havia sido discutido.
Os sistemas Patriot são considerados essenciais pela Ucrânia para interceptar mísseis balísticos russos que atingem cidades e infraestrutura civil. Atualmente, apenas Japão e Alemanha possuem licenças para coproduzir esses equipamentos no exterior. A fabricação é complexa e demorada, o que significa que, mesmo com eventual autorização, a produção em escala útil não seria imediata.
Trump reforçou que o foco de sua administração permanece na busca pelo fim da guerra, e não no aumento do fornecimento de armamentos. “Não estou buscando mísseis. Estamos buscando a paz”, afirmou. Ele também informou que seu genro Jared Kushner e o enviado especial Steve Witkoff visitarão a Ucrânia em breve pela primeira vez.
A incerteza de Washington deixa em aberto uma das principais demandas de Kiev em meio aos contínuos ataques russos, enquanto o processo de eventual licenciamento permanece sob análise.